Blog do Avallone

Arquivo : fevereiro 2014

Valdivia especial, Santos arrasador: o duelo pela liderança geral
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Roberto Avallone

Foto: Ricardo Matsukawa

Foto: Ricardo Matsukawa

1- Quem foi o nome do jogo em que o Palmeiras venceu o São Bernardo por 2 a 0, no Pacaembu? Ah, resposta fácil: Valdivia, autor do segundo gol- o primeiro foi de Alan Kardec- e responsável direto pelo fato de o seu time ter jogado bem melhor no segundo tempo, quando recuou um pouco para ser o competente meia-armador que é, sem deixar, no entanto de se aproximar da área. Um jogador especial.

Jogou como deveria fazer sempre e não infiltrado como no jogo contra o Botafogo e na etapa inicial diante do São Bernardo, posição em que fica preso e exposto aos zagueiros adversários. O técnico Gilson Kleina deveria prestar mais atenção sobre isso.

Fernando Dantas

Fernando Dantas

É verdade que na Seleção chilena, Valdivia faz o papel de “falso 9”, jogando adiantado- mas nem tanto-, sempre atrás, porém, de dois atacantes velozes, Alexis Sanchez e Vargas. Pode parecer um detalhe, mas a diferença faz a diferença. No Palmeiras, Alan Kardec, muito bom centroavante, não chega a ser exatamente veloz, tem outro estilo, assim como falta velocidade a Vinicius (com Leandro pode melhorar) ou outro que Kleina tem à disposição no momento.

Assim, por dedução e pela lógica, Valdivia deve ser muito mais um organizador de jogadas, embora sem renunciar às suas chegadas, de surpresa, à área. Não é problema difícil de ser resolvido. Pelo menos, em minha opinião.

Basta verificar que o Palmeiras jogou bem melhor no segundo tempo enquanto Valdivia deu uma recuadinha para armar o jogo como sabe e ainda encontrou tempo para marcar o seu gol.

Foto: Ricardo Saibun

Foto: Ricardo Saibun

2- O Santos arrasou o Bragantino, na Vila Belmiro (5 a 0!), mantendo-se na liderança geral do Campeonato Paulista, pois se tem o mesmo número de pontos ganhos do Palmeiras (26) e o mesmo número de vitórias (8), leva vantagem no saldo de gols (16 a 11), segundo critério de desempate.

E o que encanta neste Santos é o seu poder de ataque, com Cícero, Geuvânio, Leandro Damião, Gabriel (o Gabigol)- contando com o apoio de Arouca e do lateral- direito Cicinho- a infernizar as defesas inimigas. Teve ainda a estreia de Lucas Lima, canhotinho bom de bola.

Se a defesa santista passou a preocupar com a contusão de Gustavo Henrique, já que vinha também sem Edu Dracena, o futebol ofensivo, sempre em busca do gol, tem compensado. É verdade que o Santos teve a missão facilitada pela expulsão do zagueiro Yago, do Bragantino, quando a partida estava zero a zero, mas a superioridade dos “Meninos da Vila” foi tão grande que não aceita desculpas.

Ah, antes daquela pergunta sobre o que vale a liderança geral no Campeonato. Na primeira fase do mata- mata pouco importa, pois o líder de cada grupo jogará em casa contra o segundo colocado; depois, independentemente do grupo em que esteve, atuará em casa quem tiver maior número de pontos acumulados, entrando em ação critérios de desempate se houver igualdade.

Tudo bem: não é lá nenhuma grande vantagem a tal liderança. Mas sempre é alguma coisa que pode ajudar nos momentos decisivos.


Luciano, Ganso, Real Madrid, Libertadores: cenas do futebol
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Roberto Avallone

Foto: Alan Morici

Foto: Alan Morici

1- Quem é esse menino Luciano, autor de dois gols na vitória do Corinthians (3 a 0) sobre o Comercial de Ribeirão Preto? Tem 20 anos, 1 metro e 78 de altura, é goiano de Anápolis, pintou como promessa no Avaí. Pois entrou no lugar de Guerrero, machucado, e dois minutos depois mandou a bola às redes, depois de bom centro de Uendel.

Para melhorar a performance, partida já caminhando para o final, Luciano deu bela ginga na entrada da área comercialina e chutou cruzado, no canto direito do goleiro. Mais um gol!

Foi o nome da noite, no Pacaembu. E ajudou o Corinthians a vencer mais um jogo, afastando de vez a crise e entrando seriamente na briga pela classificação à próxima fase do Campeonato Paulista, embora ainda tenha à sua frente Botafogo de Ribeirão Preto e Ituano, além de o Audax estar Na cola.

O jovem Luciano, fama de habilidoso, já se tornou uma promessa corintiana.

Foto: Getty

Foto: Getty

2- Ah, desta vez ele foi aquele Paulo Henrique Ganso que despontou para o futebol brasileiro como o meia-armador da moda. Entrou já no segundo tempo, saído do banco de reservas, e, jogo empatado em 1 a 1, precisou de apenas dois passes geniais para dar a vitória ao São Paulo: no primeiro, descobriu um buraquinho para a entrada de Luís Fabiano, que fez o segundo gol tricolor: depois, em outro repente de craque, deu o passe que originou o pênalti convertido por Pabón. 3 a 1.

Simples assim: dois repentes de gênio e a volta da esperança de que ele volte a ser Ganso.

Foto: AP

Foto: AP

3- Meu Deus! Esse não é um time, é uma Máquina de golear. Falo, é claro, do Real Madrid de Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale que, pela Champions League foi a Alemanha e arrasou o Shalke 04 por 6 a 1. Dois gols de Cristiano Ronaldo, dois de Bale, dois de Benzema.

E já tinha feito isso na fase de grupos, quando venceu o Galatasaray lá na Turquia, pelo mesmo placar de6 a 1. Quer dizer: não é mera coincidência ou golpe de sorte, trata-se mesmo de cultivar o gosto pelo futebol ofensivo, pelo gol, pelo prazer de visitar as redes inimigas.

Fotos: Alexandre Vidal e Reprodução / TV Globo Minas

Fotos: Alexandre Vidal e
Reprodução

4- Pela Libertadores, mais duas vitórias brasileiras- 3 a 0 do Flamengo sobre o Emelec, 2 a 1 do Atlético Mineiro diante do Santa Fe– e um empate providencial, o do Botafogo contra o Union Española, 1 a 1, com o gol da igualdade marcado por “El Tanque” Ferreyra já no fim do jogo.

Dos lances que vi, chamou-me a atenção a atuação de Elano, do Flamengo, que marcou belo gol de falta e iniciou, de “letra” a jogada que acabou no tento de Hernane- possivelmente o seu último com a camisa do Fla.


Palmeiras: patrocínio e Kardec. Libertadores: Cruzeiro, Grêmio e Adriano
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Roberto Avallone

Foto: Fernando Dantas

Foto: Fernando Dantas

1- A expectativa pelo acordo por um patrocínio máster– e com a Caixa Econômica Federal– já tem algum tempo no Palmeiras. Seria a partir de março, com o martelo batido no final de fevereiro. Isso já foi revelado há um mês, nos bastidores, por um antigo conselheiro e me foi confirmado por outro conselheiro de relevo no clube há uns dez dias.

Parecia só uma questão de tempo.

Como o dinheiro não anda sobrando no Palmeiras, a ansiedade pela confirmação do negócio sempre foi grande para o torcedor. Agora, embora não possa ser dado como absolutamente certo, segundo especulações de bastidores (o sigilo envolve o assunto), desta vez a transação está muito próxima de ser anunciada. E muito em breve.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por dedução, creio que (se confirmado), o patrocínio máster ajudará o Palmeiras a cumprir mais uma etapa do sonho em contratar Alan Kardec em definitivo, após o término de seu vínculo lá pelo meio do ano. Ao que consta, uma cláusula contratual estipula o preço (para o Palmeiras) em 4 milhões de euros, cerca de 14 milhões de reais.

A conferir.

2- Pela Libertadores, o Cruzeiro deu show ao bater La Universidad de Chile, por 5 a 1, três gols de Ricardo Goulart. E o Grêmio não ficou atrás, pois ganhou do destemido Nacional da Colômbia por 3 a 0, mostrando a força jovem  de seu time, com gols marcados por Luan (joga muito esse menino!), Ramiro e Alan Ruiz, todos garotos na faixa dos 20 anos.

É um Grêmio revigorado!

Enquanto isso, na única derrota brasileira nesta noite de terça-feira, o Atlético Paranaense perdeu para o Vélez Sarsfield, na Argentina, por 2 a 0. E quem chamou a atenção foi Adriano, o Imperador, que, de cara fechada, entrou em campo só aos 37 minutos do segundo tempo, quando o placar já estava definido e não havia mais quase nada a fazer.

Paciência, Imperador.


A insustentável leveza do (ser) futebol
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Roberto Avallone

A cada situação trágica envolvendo torcedores, como esses do Santos espancados por torcedores organizados do São Paulo, fica a triste constatação da morte por motivo fútil e, ao mesmo tempo, que já ficou para trás, muito para trás, a sensação do romantismo que o futebol um dia já nos proporcionou.

Irremediavelmente.

Não é uma cena ou outra, algo isolado, que já seria deplorável. Toda semana surge uma notícia como essa, em todo o Brasil, de ações de organizadas de quase todos os clubes. Já não espanta, comove por um certo tempo, depois tudo é atribuído ao reflexo da sociedade e as punições são raras ou pequenas.

Sei que, quando criança, adorava ir ao estádio. Costumava chegar bem cedo para apanhar lugar no meio do campo na geral (hoje arquibancada) do Pacaembu só para a não perder nenhum lance de ataque de um time ou do outro. Ah, como era bom!

E depois do jogo, sabia que iria chegar inteiro em casa. De ônibus ou de caminhão (que fazia espécie de lotação) podia encontrar amigos que torciam por vários clubes, disposto a brincar com eles se meu time ganhasse; preparado para ser “zoado”, em caso de derrota.

Tudo na boa. Sem estiletes, sem barras de ferro, sem pedaços de pau.

Continuo gostando- e muito- de futebol. Mas não aconselho meus filhos a irem ao estádio. Nem mesmo a adolescente de 16 anos, que começa a descobrir a paixão pelo jogo da bola.

Será que em função disso, a de outros pais terem a mesma postura, que os estádios estão cada vez mais vazios?

Não tenho a solução para o problema. Que os deuses iluminem a quem de direito para enxotar o vandalismo dos estádios, das ruas, das cidades.

Desconfio, no entanto, que torço por uma utopia. E que o que já passou, passou.

Pena! Era tão gostoso…


O alerta de Valdivia. E o reserva Ganso
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Roberto Avallone

Reprodução: Site Palmeiras

Reprodução: Site Palmeiras

 1- Entre uma ou outra declaração após o jogo em que o Botafogo de Ribeirão Preto acabou facilmente com a invencibilidade do Palmeiras (3 a 1), Valdivia surpreendeu: “Vou ter de falar: perder agora pode nos fazer bem”. Como nada mais falou sobre as razões do benefício- e nem lhe foi perguntado, pelo menos que se tenha visto e ouvido pela tevê- dá margem a interpretação e dedução:

a) Teria El Mago alertado sobre o estado de espírito atual da equipe, que talvez pudesse estar confiante além da conta, iludida pelos resultados que nos últimos jogos não refletiram a realidade? Sei lá. Sei que o Palmeiras vem caindo de produção há algumas partidas, salvo muitas vezes pelo goleiro Fernando Prass, aconteceu diante do XV de Piracicaba, do Corinthians, do Ituano… Ah, aí veio o Botafogo, e mesmo com o desconto de amargar sérios desfalques, o Palmeiras levou um baile no primeiro tempo, contou com a atuação horrível de Willian Matheus- e pronto: lá se foi a invencibilidade de 9 jogos e a liderança geral do Campeonato, agora nas mãos do Santos.

b) Ainda na base da dedução sobre o alerta e sem que Valdivia tenha falado nada sobre isso, pergunto: é possível um candidato (que parecia o favorito) ao título jogar com esse Willian Matheus na lateral-esquerda, Eguren como volante (não marca, não dribla, não lança, não chuta) ou esse jovem Miguel como centroavante? Ou ter apenas Wendel, esforçado e limitado como lateral-direito? Pode ser falta de percepção do técnico Gilson Kleina, pode ter havido erro de planejamento.

c) Já saindo do alerta de Valdivia e partindo para o futuro, minha opinião: o Palmeiras só terá chances reais se jogar completo e no limite, sem o direito de poupar Wesley, aproveitando Valdivia ao máximo, formando a dupla ofensiva com Leandro e Alan Kardec (que não puderam enfrentar o Botafogo, é verdade) e desculpando a falha de Bruno César que foi expulso, pois ele tem bola para fazer parte do time.

d) Isso para o Campeonato Paulista. Para o Brasileiro, ah, para o Brasileiro será preciso qualificar bem mais o time.

Foto: Gety

Foto: Gety

2- Sacado do time, Paulo Henrique Ganso curtiu o banco de reservas do São Paulo até os 30 minutos do segundo tempo no clássico contra seu ex-time, o Santos. Ao ser perguntado sobre o assunto, o técnico Muricy Ramalho foi econômico nas palavras: “Foi opção do treinador”.

A cena seria inimaginável há algum tempo, quando Ganso desfilava seu talento, com dribles secos, lançamentos perfeitos, gols memoráveis. E logo agora que Jadson saiu (e fazendo sucesso no Corinthians) e Ganso ganhou a camisa 10, ele nega fogo? Creio não ser nada definitivo, mas o conceito de Ganso não bate mais com o futebol moderno: acabou a era daquele meia-armador que aparecia de vez em quando, com um lançamento perfeito e uma outra jogada decisiva- como outros craques que tivemos.

Hoje, não: além do talento, o jogador precisa se movimentar o tempo inteiro, chamar o jogo, participar da marcação, ser presente. Se Ganso entender isso, terá recuperação, caso contrário, será muito difícil.

Quanto ao clássico, até que foi movimentado, o São Paulo com mais posse de bola, o Santos respondendo como podia. O placar de 0 a 0 não fez justiça ao que se viu no Morumbi, com as equipes merecendo balançar as redes e agitar as torcidas.

Não, não foi um placar justo.


O choro do goleador. O maior desafio de Muricy. E a morte de Travaglini
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Roberto Avallone

Ricardo Saibun/AGIF

Ricardo Saibun/AGIF

1- Enfim, Leandro Damião fez um gol e chorou. Foi a primeira vez que marcou com a camisa do Santos que, através de investidores, pagou uma fortuna por ele. E chorou porque não deve ser fácil para um centroavante, artilheiro até há pouco tempo, carregar nas costas o estigma de ganhar muito e não fazer nada, de goleador que, por ironia, esquecera o caminho do gol.

A Seleção está logo aí, Damião tem poucas chances, muito poucas. No caso de ausência de Fred, fala-se mais em Alan Kardec, Diego Tardelli e outros menos votados. Creio que Leandro nem pensou nisso quando abriu a contagem para o Santos contra o Atlético Sorocaba; era só uma questão de orgulho ferido. Depois, o Atlético empatou, mas Cícero, de cabeça e nos acréscimos, deu a vitória ao Santos, 2 a 1.

Sergio Barzaghi/

Sergio Barzaghi/

2- Do jeito que o São Paulo vai, Muricy deveria se chamar “Mágico” Ramalho. Que time difícil de arrumar esse tricolor!  Muricy mexeu na defesa, lançou o menino Ewandro no ataque, fez Pabón trabalhar como um operário pela direita e nada- ou quase nada: foi só um empate com o São Bernardo, 1 a 1, mesmo assim com um gol quase acidental do tricolor, com o uruguaio Álvaro Pereira cobrando falta que desviou no zagueiro Edson.

E não era com Muricy que Paulo Henrique Ganso voltaria a jogar bom futebol? Qual o quê! É, pelo jeito o bom Muricy tem também de se perguntar qual a razão de o que fazia dava tão certo e agora não.

Foto: Gazeta Press e Alfredro Rizutti

Foto: Gazeta Press e Alfredro Rizutti

3- Lamento profundamente a morte de Mario Travaglini, os 81 anos, uma das pessoas mais generosas que conheci no mundo do futebol. Grande pessoa! E técnico competente, campeão pelo Corinthians (1982, época da Democracia corintiana), pelo Palmeiras (campeão paulista em 1966), pelo Vasco da Gama (campeão brasileiro em 1974) e comandante de muitos outros clubes.

Que descanse em paz.


A Alan Kardec e Jadson, a glória.
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

1- Alan Kardec, mais uma vez. Ao centroavante supostamente cogitado por Felipão para a Seleção Brasileira coube a missão de  livrar o Palmeiras de um resultado incômodo. Se no domingo passado, com uma certeira cabeçada, salvou o time de uma derrota para o Corinthians, na noite desta quarta-feira, aos 42 minutos do segundo tempo, desta vez com forte arremate de pé direito, marcou o gol que derrotou o valente Ituano.

Versátil.

E esse gol toma proporção ainda maior porque, em minha opinião, o Palmeiras tenha disputado a sua pior partida na competição, enrolado na marcação do adversário e ainda abrindo espaço para golpes que seriam mortais do Ituano, não fossem três ou quatro defesas do ótimo goleiro Fernando Prass. A noite parecia que não era palmeirense.

Mas centroavante competente está aí para isso mesmo. A impressão que se tem é a de que Kardec, teoricamente perfeito nos fundamentos- cabeceia bem, chuta com precisão e tem relativa habilidade- pode render ainda muito mais se lhe for oferecido um esquema mais propício, com chegada constante dos laterais (não é o caso, por exemplo, de Wendel) e armadores que bem lhe sirvam a bola.

Além de Valdivia, quando pode jogar, o Palmeiras teve um esboço de estreia animador e que pode fazer bem a Kardec: Bruno César, que em vinte e poucos minutos, sabe que passa bem a bola, além de se aproximar dos atacantes e chutar forte.

Quem sabe?

Daniel Augusto Jr

Daniel Augusto Jr.

2- E graças a Jadson, o Corinthians encerrou uma seca de seis jogos sem vencer. Sua atuação culminou com um golaço de fora da área, mas começou com passe com estilo que propiciou a Romarinho a autora do gol do empate na vitória diante do Oeste, em São José do Rio Preto, por 2 a 1.

Jadson pode não ter sido exuberante- como todo o time corintiano-, mas foi decisivo. E acabar como o herói da quebra do jejum de vitórias, a esta altura do Campeonato, pode significar a própria redenção do Corinthians.

Ah, se pode…


O novo atacante do Corinthians. E Messi, Ibrahimovic…
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

1- Por falta de tempo hábil para novas contratações para o Campeonato Paulista, o Corinthians fez exatamente o que deveria: promoveu o garoto Malcom, 16 anos, da base para o elenco principal. Talvez acerte na mosca.

Vi alguns jogos desse menino na Copa São Paulo de juniores e ele deixou muito boa impressão, além de marcar 6 gols  é veloz, hábil e tem personalidade, rendendo mais quando cai pelos lados do campo do que ao ser escalado como centroavante fixo na área, pois não se trata de nenhum grandalhão.

Boa opção.

Só como pitadinha histórica, lembro que o Guarani- quando era forte- estava sem centroavante ao perder André Cambalhota e recorreu a um juvenil, mais ou menos da idade de Malcolm, oferecendo-lhe a camisa número 9. Também não era um grandalhão, jogava na meia-direita, mas inovou na arte de fugir e entrar na área, colecionando gols e títulos. Era Careca, campeão brasileiro de 1978, ao lado de Zenon, Renato, Capitão, Zé Carlos, Bozó, etc.

Arriscar é preciso.

Na sequência: Boschilia e  Gabriel Dias Fotos: Divulgação

Boschilia e  Gabriel Dias/ Fotos: Divulgação

Já que o Santos lança muitos garotos- e com sucesso- parece que a moda está a pegar e pode não estar muito distante a chance para um menino do São Paulo e outro do Palmeiras. O menino tricolor é Boschilia, já elogiado por Muricy Ramalho, meia que já treina entre os profissionais- o palmeirense é Gabriel Dias, zagueiro forte e espigado, destaque dos juniores.

É a vez dos garotos.

Foto: AFP

Foto: AFP

2- Não adianta, na hora do vamos ver, quem decide mesmo é o talento. Pela Champions League, em Manchester, apesar da posse de bola do Barcelona, parecia que o Manchester iria endurecer o jogo até o fim. E eis que surgiu Messi, em bela arrancada, ao driblar De Michelis e dele sofrer pênalti (para mim, foi dentro da área), levando, de quebra a expulsão do zagueiro.

Messi mesmo converteu o pênalti em gol e daí foi só ter paciência para o Barça chegar ao segundo gol (Daniel Alves, depois de passe curto de Neymar) e assegurar praticamente a classificação do Barcelona para a próxima fase.

Foto: Reuters

Foto: Reuters

Pela mesma competição, na Alemanha, o Paris Saint Germain passou com extrema facilidade pelo Bayer Leverkusen (4 a 0), guiado pelos pés mágicos de Ibrahimovic, autor de dois gols- um de pênalti e outro numa “bomba” de pés esquerdo, da entrada da área.

Quem pode conter o talento?


A vez de Bruno César. E o novo atacante corintiano?
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

1- Gilson Kleina, técnico do Palmeiras, foi bem claro: “O Bruno César será relacionado, sim (para o jogo esta quarta-feira, diante do Ituano), só não sei por quanto tempo (irá jogar)- disse no programa “Bem Amigos” do Sport TV.

Quer dizer: acabou o mistério ou pelo menos parte dele, pois Kleina não adiantou se Bruno começará o jogo como titular ou se ficará esperando a vez no banco de reservas. Seja lá como for, deverá fazer a estreia, embora não se saiba por quanto tempo, estreia, aliás, já esperada até com uma certa ansiedade pela torcida do Palmeiras.

E como deveria jogar Bruno César? Bem, se depender de muitos torcedores palmeirenses, ele deveria entrar logo de cara e exatamente no lugar de Mazinho, que não vem jogando bem e nem caiu nas graças da torcida. Bruno seria meia, atuando ao lado de Valdivia na armação, deixando o ataque para Alan Kardec e Diogo (Leandro está suspenso), em formação bem ofensiva.

Para que essa fórmula tenha sucesso é preciso alguns ajustes na marcação e no posicionamento dos jogadores. Valdivia, por exemplo, terá de recuar um pouco mais, pois Bruno César é quase um atacante, enquanto Diogo terá de marcar o lateral-esquerdo adversário, digamos até o meio do campo, cabendo a Wesley maior atenção na marcação, só indo ao ataque na boa.

Coisas simples, nada complicadas, mas nem sempre entendidas pelo jogador brasileiro.

Individualmente, creio que o Palmeiras ganhará qualidade com Bruno César, jogador do drible curto e do chute forte, meia capaz de jogar pela esquerda e também pela direita, pois, canhoto, pode abrir da direita para o meio e arrematar com o pé preferido.

Aos 25 anos, com passagens pelo futebol internacional, Bruno teve como ponto alto no futebol brasileiro o ano da graça de 2010, quando defendia o Corinthians e ganhou os prêmios de revelação do Campeonato Paulista e do Campeonato Brasileiro. Tem currículo.

Vale a pena conferir.

Foto: Getty

Foto: Getty

2- O técnico Mano Menezes voltou a pedir um atacante para o Corinthians. Quem?  Minha confiável fonte corintiana fala em Nilmar, velho conhecido de Mano, mas o centroavante trocou de clube no Quatar e firmou contrato recentemente. Quem sabe?

O que se sabe é que as inscrições de jogadores para o Campeonato Paulista termina nesta terça-feira. É preciso correr contra o tempo. Ah, já chegou um novo reforço corintiano: trata-se de Luciano, 20 anos, ex- Avaí, mas ele é meia-atacante, não o atacante verdadeiro pedido por Mano Menezes.

Caso não dê tempo para mais nada, que tal subir para o elenco principal o menino Malkon, 16 anos, que fez vários gols e um certo sucesso na Copa São Paulo de Futebol Júnior?

Seria, no mínimo, uma tentativa.


Corinthians 1, Palmeiras 1: Bom para quem?
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Roberto Avallone

Foto: Ricardo Matsukawa

Foto: Ricardo Matsukawa

Na verdade, tirando a rivalidade do Dérbi em si, o empate no clássico não foi nada animador para o Corinthians.  Muito  pior para o Corinthians, pois ele continua a ser o lanterninha do grupo B, o que traz riscos de classificação para a fase de mata-mata, que é a que verdadeiramente tem valor neste Campeonato Paulista;  acabou sendo bom para o Palmeiras em termos de liderança geral da competição, pois já superou novamente o Santos, 20 pontos a 19, já que os santistas foram impiedosamente, goleados pelo Penapolense por 4 a 1.

Ah, mas o que tem a ver essa fase coma do mata-mata? Tem, sim, pois jogará em casa nas próximas fases quem tiver maior número de pontos acumulados. E jogar em casa é uma vantagem.

Quanto ao clássico, teve duas etapas bem distintas. No primeiro tempo, o Palmeiras foi ligeiramente melhor, com bom toque de bola, embora lhe faltasse maior determinação no momento de penetrar na área rival e finalizar. Já no segundo tempo, o Corinthians foi superior, tendo pelo menos três chances claras de gol: Romarinho, Guerrero (ambas defendidas pelo goleiro Fernando Prass) e Guilherme, que achou uma bola no travessão palmeirense.

O gol estava desenhado. E naturalmente saiu, através de Romarinho, dando a impressão de que o Corinthians, finalmente, reencontraria o caminho da vitória.

Pouco depois, no entanto, a equipe de Mano Menezes recuou. E Gilson Kleina fez o que devia, ao trocar Mazinho por Marquinhos Gabriel e foi adiante trocando Leandro por Mendieta e , num lance ousado, o zagueiro Wellington pelo atacante Diogo. E deu no que deu, aos 38 minutos: centro de Diogo da direita para a cabeçada fatal de Alan Kardec.

Era o empate.

Em relação a autoestima das duas equipes, tudo bem. Empatar um clássico é normal. Mas, em relação ao futuro do Campeonato, já escrevi acima.

E os destaques do jogo? Gostei a estreia de Jadson pelo Corinthians, nada de extraordinário, mas apresentando bom futebol e eficiência nas bolas paradas, assim como Romarinho esteve sempre perigoso; pelo Palmeiras, destaco o goleiro Fernando Prass e o volante Marcelo Oliveira. Desta vez, Valdivia ficou devendo.

Atualizado  ás 20h35