Blog do Avallone

O Santos fez o que quis com o São Paulo: 3 a 0. E a surpresa do Botafogo
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Roberto Avallone

Foto: Luis Moura

Foto: Luis Moura

1- Nem  parecia um clássico tão tradicional quanto esse de Santos e São Paulo. Mesmo sem contar com os segredos da Vila romântica e jogando no Pacaembu onde colecionou inesquecíveis vitórias nos tempos de Dorval, Mengálvio Coutinho, Pelé e Pepe, o Santos passeou diante do São Paulo, marcou logo de cara( Vitor Bueno) e sapecou logo 3 a 0(os outros gols , marcados por Rodrigão e Lucas Lima.

Como se vi, é lógico, desta vez brilhou com seus novos meninos, que começam a render o máximo, com a volta de dois craques da Seleção- Lucas Lima e Gabigol-, dirigidos em grande trabalho por Dorival Júnior, que se redime dos últimos trabalhos nada brilhantes. Agora, não são apenas Lucas Limas e Gabigol, mas Zeca (ótimo lateral-esquerdo), Vitor Bueno, Thiago Maia, revelação atrás de revelação, na arte de  produzir meninos-craques, que o Santos guarda para seu conhecimento único.

Foto: Ivan Storti

Afinal, qual é o segredo para tantas revelações, é necessário um estudo, que fica para depois, já que para o santista, no momento, o que importa é a reação da equipe(3 a 0 no São Paulo, 4 a 2  no Fluminense) e a subida na tabela de classificação do Campeonato, ocupando agora o terceiro lugar(atrás apenas de Palmeiras e Inter), dentro, obviamente, do G-4.

Será, creio, se não vender nenhum de seus principais jogadores, sério candidato ao título ou a disputar a Libertadores.

Foto:Ricardo Rimoli

Foto: Ricardo Rimoli

2- Já se conhece a frase “Há coisas que só acontecem ao Botafogo''. Para o bem, mas nem sempre. Desta vez,  para o bem dele, Botafogo, que  quase escapou- por detalhes é verdade- da zona do rebaixamento; do Palmeiras, que se mantém líder, de maneira inesperada; contribuiu,  para os que gostam de emoções fortes, para o próprio Campeonato, que está bem embolado na luta pelo topo, pois até o forte Grêmio também perdeu para o Furacão, em Curitiba, 2 a 0. Hoje, pela ordem, estão no G-4: Palmeiras (22 pontos), Inter (20 pontos), Santos (19 pontos)  Corinthians (19 pontos), perdendo terreno o Flamengo em virtudes de sua derrota para o Fluminense (2 a 1), ele, Fla, que estava no G-4 até esta última rodada.

Quanto a façanha heroica do Botafogo, que estava na zona da degola e venceu o Inter, em Porto Alegre, 3 a 2, é o seguinte: o Bota arrasou no contra-ataque, marcou 3 gols e perdeu mais 4 ou 5, restando ao Inter (que ficou com dez jogadores, com a expulsão de Fabinho), na base da raça e da vontade, no abafa até, mas sem um futebol consciente, e troca de passes que pudesse lhe dar um bom resultado.

Foi a mais importante surpresa da rodada.


Palmeiras, decepcionante. Corinthians, vitória suada
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Roberto Avallone

Fotos: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Fotos: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

1- Não é nada, não é nada, contando só o segundo tempo o Cruzeiro teve quatro chances claras de gol. O Palmeiras não teve nenhuma. Daí que somando tamanha superioridade com o que houve no primeiro tempo, perder de 2 a 1 (gols de Gabriel Jesus e dois de Willian) saiu muito barato para um Palmeiras irreconhecível diante de um Cruzeiro vibrante, determinado e que tinha três jogadores que desequilibravam a partida- Willian, Alison e , principalmente, Arrascaeta.

Ao contrário, quem tinha o Palmeiras? Na verdade, tinha o goleiro Fernando Prass, o volante Moisés e o atacante Gabriel Jesus, pois os demais viviam péssima noite, atípica para alguns (Roger Guedes, por exemplo), triste para outros (o sumido Cleiton Xavier e o pesado Fabiano, digamos) fazendo da equipe uma colcha de retalhos- inclusive sem determinação-, uma verdadeira onda de ruindade que atingiu até o técnico Cuca, autor de bom trabalho neste Campeonato, mas que neste sábado, no Mineirão errou muito: como colocar por tanto tempo um Luan que parece fora de forma? Cristaldo quase nem pegou na bola, quando Rafael Marques, até por seu 1 metro e 90, poderia ser melhor tentativa; Tchê- Tchê na lateral esquerda?

Não, até Cuca não foi feliz e mexeu mal. Ainda assim não foi o pior do que o time do Palmeiras, que entrou em campo como o líder do Campeonato Brasileiro. Não acredito que tenha sido excesso de oba-oba, coisa do tipo, mas sim que o Palmeiras não encontrou o estilo certo de jogar fora de casa. Em casa, veremos daqui para a frente.

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

2- Vi só o resumo da vitória do Corinthians sobre o Santa Cruz, a primeira do técnico Cristóvão Borges na Arena corintiana. A partida parecia fácil quando a equipe corintiana abriu 2 a 0, gols de Luciano e Romero, mas o jogo foi ficando equilibrado e até perigoso para o time da casa quando, em falha incrível, o goleiro Cássio (que vive má fase e, segundo ele, com problemas extra-campo) permitiu que Grafite marcasse o gol do Santa Cruz.

Acabou sendo somente o gol de honra, mas o Corinthians sofreu para consumar a vitória. Já que consumou, no entanto, que a festeje, pois que com o triunfo o time voltou a figurar no G-4 do Campeonato Brasileiro. Pelo menos por enquanto.


Tropeços de São Paulo, Grêmio e Inter. O Campeonato, após 10 rodadas
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Roberto Avallone

Foto:Ale Cabral

Foto:Ale Cabral

1- Foi uma noite atípica.  De uma só vez nesta rodada de quinta-feira, tropeçaram os três favoritos: o São Paulo, jogando no Morumbi diante do Sport (que está na zona do rebaixamento) não alcançou o G-4 como pretendia, ficando no empate de 0 a 0, sentindo como faz falta o artilheiro (suspenso) Calleri; o Inter, vice- líder, também não foi além de um empate, 1 a 1, diante do Coritiba, que está na zona da degola- e por pouco não perdeu, pois a etapa final foi toda do Coritiba, que jogava em casa; e finalmente o Grêmio, 18 pontos ganhos, teve a pior noite de todos, pois perdeu, jogando em casa (2 a 1) de um Vitória que vinha mal no Campeonato, mas que com esse triunfo, dribla, pelo menos por enquanto, a zona do rebaixamento.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Isso quer dizer que o Campeonato Brasileiro é diferente, não existe vitória por antecipação- por mais que um time seja favorito- e que é perfeitamente possível, digamos , o último colocado da competição vencer o primeiro colocado.Não é exatamente este o caso, mas impressionou o triunfo do Vitória sobre o Grêmio, em Porto Alegre, embora pairem sérias dúvidas sobre o pênalti cometido (?) por Bressan, que gerou a expulsão do zagueiro gremista e, na cobrança, o segundo gol do Vitória. De qualquer maneira, Luan, um dos melhores do Grêmio na campanha, perdeu gol certo, desses que não se pode perder.

Foto: Alexandre Lops

Foto: Alexandre Lops

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

2- Após 10 rodadas- que é um número significativo, apesar de pequeno diante das 38 rodadas do Campeonato- a competição aponta no topo da tabela, digamos, no G-4, pela ordem, Palmeiras (22 pontos), Inter (20 pontos), Grêmio (18 pontos) e Flamengo (17). Com certas curiosidades, pois o Palmeiras apresenta 100 por cento de aproveitamento em casa e o Flamengo é o chamado “visitante indigesto'', com três vitórias fora de seus domínios.

Depois, para não ir muito longe, surgem o Santos (16 pontos), cuja tendência é subir muito de produção com a volta dos jogadores que estavam na Seleção (Gabigol, Lucas Lima e os reforços contratados, entre eles o colombiano Copete), o Corinthians (16 pontos), que anda desfalcado e acaba de perder seu técnico, Tite. Em seguida vem o São Paulo (15 pontos) que, segundo o zagueiro Maicom, “já perdemos 8 pontos em casa''. É muita coisa.

Para completar os 10 primeiros colocados até agora, surgem a Chapecoense (15 pontos, perdendo para o São Paulo no número de vitórias), o Atlético Paranaense (14 pontos) e a Ponte Preta 13 pontos. Depois, vem a faixa intermediaria , ficando por último os quatro que estão a zona do rebaixamento, já lutando contra o fantasma da degola: Coritiba, Sport, Botafogo- estes três com 9 pontos- e o lanterna, América Mineiro, com 8 pontos.


Gabriel Jesus, Gabigol, Lucas Lima: como combater o êxodo?
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Todo meio do ano é assim: um terror para os clubes que pretendem manter time forte pelo menos até o fim do Campeonato. As ofertas- às vezes simples sondagens- vêm de todos os lados, agora não só da Europa, mas também da China (lembram-se do  Corinthians campeão brasileiro do ano passado, agora pagando o preço do desmanche?), do mundo árabe, daqui a pouco dos Estados Unidos…  Não é de agora que a janela de transferências, agora forte também em janeiro, desmancham boas equipes, acabam com os sonhos dos torcedores dos times alvejados, servindo apenas  para rechear um pouco mais os cofres dos clubes brasileiros mais precavidos.

A bola da vez é Gabriel Jesus, 19 anos, a mais badalada jóia do Palmeiras que foi responsável até por diretor do Barcelona vê-lo fazer dois gols em noite fria, na vitória de 2 a 0 diante do lanterna América Mineiro. Segundo o que se sabe, Gabriel tem estranha cláusula contratual: sua saída custa 40 milhões de euros para quase todos os clubes, menos para os mais ricos- Real Madrid , Barcelona, Manchester United, PSG e Bayern de Munique. Soa estranho, pois não? Para os mais ricos custa menos, para os outros custa mais. Exigência para a reforma do último contrato, suponho.

Conversando com um importante e influente conselheiro do Palmeiras, ouço que a esperança é de manter o artilheiro até pelo menos junho do próximo ano. Não me contando, porém, se há algum tipo de acordo ou carta na manga para a difícil empreitada. O técnico Cuca também diz com segurança: '' Neste ano, não sai ninguém''.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

No caso dos santistas, Gabigol e Lucas Lima, o segredo da permanência (vingará)  está no preço lá nas alturas, coisa talvez de quem já tenha aprendido com a venda de Neymar por preço inferior ao que se esperava- o mesmo Neymar que, agora, é assediado por ofertas mirabolantes de outras equipes para deixar o Barcelona- que também luta por ele, mas não pode deixá-lo em condições de ganhar o prêmio de “o melhor do mundo'', pois já conta com Messi e, eventualmente, com os gols de Suárez.

FACE LUCAS LIMA

Manter jogadores vindos do Exterior, emprestados, é outra ingrata batalha: é o caso do zagueiro Maicon, que deu um jeito na defesa do São Paulo e que agora o Porto o quer de volta para poder negociá-lo na Europa, por um preço que o tricolor não pode pagar. Situação parecida- embora com algumas diferenças, pois o jogador, ao que consta, pertence a um grupo de empresários- é a do atacante Calleri, argentino, goleador, autor de dois gols contra o Flamengo, no último domingo. É bem possível que Calleri vá embora após a Libertadores.

Enfim, é o drama do meio do ano para os clubes brasileiros. Drama que para o Corinthians, com tão grande desmanche, já começou em janeiro.


Cristóvão, Calleri, Palmeiras líder e Cruzeiro lanterna
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

1- Cristóvão será apresentado nesta segunda-feira como novo técnico do Corinthians. Neste domingo, como costuma ser, ele assistiu quase calado à vitória corintiana sobre o Botafogo (3 a 1) e acompanhou a emocionada despedida de Tite à torcida, com direito a algumas lágrimas do treinador que agora assume a Seleção Brasileira e a palavras do presidente, Roberto Andrade, que coloca o técnico várias vezes campeão pelo Corinthians lá nas alturas.

De fala mansa e de extrema cordialidade com quem convive, nos clubes pelos quais passou- com sucesso ou não-, Cristóvão sempre demonstrou sua preferência pelo futebol ofensivo, sem muitos mistérios ou truques dito modernos, especialmente no que se refere à marcação. Dará certo em seu novo clube? Ah, isso para falar o óbvio, só o tempo dirá, pois o Corinthians de agora não é o mesmo do ano passado, tal o desmanche de jogadores , embora  esteja no G-4 do Campeonato Brasileiro e possua uma equipe competitiva, com alguns jogadores que às vezes passam da média como, por exemplo, Fagner e Marquinhos Gabriel- este, autor de um belíssimo gol na vitória diante do Botafogo.

Aliás, por falar neste jogo, não foi das mais satisfatórias a performance do time no primeiro tempo- quando houve empate de 1 a 1-, melhorando no segundo, graças ao gol marcado através de jogada individual de Marquinhos Gabriel (o segundo) e à conclusão certeira de Bruno Henrique no terceiro gol (ele, que já marcara o primeiro).

Enfim, daqui para a frente uma incógnita. Que Cristóvão tenha boa sorte.

Foto: AGIF

Foto: AGIF

2- Calleri foi herói no São Paulo ao marcar dois gols no Flamengo- o primeiro, em arrancada de 30 metros, depois de belo lançamento de Paulo Henrique Ganso, e o segundo em típica cabeçada de artilheiro, antecipando-se ao goleiro no alto. Mas Calleri também teve seu lado vilão, ao reclamar demais com o árbitro, que o expulsou aos 22 minutos do segundo tempo, fato que obrigou o tricolor a ficar com um jogador a menos durante bom período. Por pouco, já que acuava o São Paulo em seu campo, o Flamengo não virou o placar.

Os deuses ungiram o tricolor pois, já nos acréscimos, o exímio chutador Alan Patrick desperdiçou  o pênalti que daria a vitória ao Flamengo. Assim, como disse Michel Bastos, “Pelas circunstâncias'', o empate de 2 a 2 ficou de bom tamanho.

Foto: Gil Guzzo

Foto: Gil Guzzo

3- Como no post de ontem, disse que o Palmeiras “é líder, por enquanto'', um dia depois já se pode far que a liderança foi confirmada: o Inter perdeu de 3 a 2 para o Figueirense, em Florianópolis e manteve os mesmos 19 pontos ganhos do Palmeiras, perdendo, no entanto, por três gols no saldo para o concorrente, tendo o mesmo número de vitórias (seis). Questão de detalhes, já se sabe, neste começo de Campeonato que, de tão equilibrado, pode parecer uma gangorra do sobe- desce.

De qualquer maneira, para a torcida palestrina o fato de ser líder- ainda que por detalhes-é algo animador, sendo igualmente uma homenagem ao ataque da equipe de Cuca, que já marcou 19 gols.

Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

4-Rodada vai, rodada vem, o Cruzeiro não está emplacando. Sob o comando de Paulo Bento, que foi treinador da seleção portuguesa, deu a impressão de que reagiria mesmo depois da vitória sobre o Atlético Mineiro, 3 a 2, no Horto. Qual o quê! Voltou á rotina da instabilidade e neste domingo- em resultado já esperado- perdeu para o Grêmio, em Porto Alegre, 2 a 0.

E ele, Cruzeiro, bicampeão brasileiro, em 2013 e 2014, ostenta a lanterna do Campeonato. Não creio que irá ficar assim, mas que é algo que surpreende, isso quem pode negar?


Palmeiras, por enquanto líder. E Cristóvão no Corinthians
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Roberto Avallone

Fotos: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Fotos: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

1- Pelo menos por enquanto, o Palmeiras é líder do Campeonato Brasileiro. Não sei se continuará assim ao final da tarde deste domingo, pois tem os mesmos 19 pontos do Inter (vence no saldo de gols) que ainda tem, nesta rodada, um jogo contra o Figueirense, em Florianópolis, e pode voltar ao topo da  classificação.  Sabe-se lá.

O que se sabe, com certeza, é que na vitória diante do Santa Cruz (3 a 1), neste sábado,  o Palmeiras teve um primeiro tempo exemplar, dominando o adversário do primeiro ao último minuto e terminando a etapa inicial, com 2 a 0,  gols de Dudu e Jean- este de falta, em jogada ensaiada, além de perder várias outras oportunidades. No segundo tempo, a coisa não bem assim, pois o Santa Cruz decidiu atacar também, fez um gol com Grafite (que estava impedido, como mostrou a imagem congelada da tevê) e ameaçou tornar difícil um jogo que parecia liquidado.

Mas o Palmeiras retomou o domínio, com destaque para as atuações de Moisés- um guerreiro- e Roger Guedes e com Dudu em tarde de artilheiro- balançou as redes por duas vezes- chegou ao terceiro gol, consumando a vitória importante. É verdade que Fernando Prass teve de fazer duas grandes defesas- em uma delas a bola ainda bateu na trave-, mas o time criou outras várias  chances que poderiam lhe dar um placar mais dilatado.

Boa exibição do Palmeiras, é verdade, mas não sei o que anda acontecendo com Gabriel Jesus no momento de converter em gols as oportunidades que lhe surgem. Não está jogando mal, mas fazer gols não é a sua especialidade desde os tempos do sub-17? Para esses eventualidades, mesmo com Gabriel no time, o Palmeiras se ressente da figura do homem- gol, do artilheiro, que, mesmo sem requinte, empurre a bola para as redes. Poderia ser Lucas Barrios, se estivesse em plena forma física. Será que um dia ele estará assim inteiro?

Foto: Divulgação

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2- Agora já é de domínio público: faltam poucos detalhes a serem acertados para que Cristóvão Borges seja o novo técnico do Corinthians. Segundo uma fonte corintiana, confiável, ele já é o novo treinador corintiano- o que lhe foi confidenciado por influente diretor-, embora ele mesmo o “senhor Fonte'' ainda se mostrasse surpreso com a escolha de seu clube.

Será Cristóvão o nome certo? Só o tempo vai dizer,  mas é o que o Mercado oferece. Já “rodado'', com boas passagens por Vasco da Gama, Flamengo e Fluminense,  jamais foi exaltado, no entanto como um “senhor treinador''. Mas tem vivência no futebol,  já foi meia do Corinthians e leva a campo um jeito calmo de ser, homem experiente que é , aos 57 anos. Não me parece ser exatamente do estilo de Tite, não sei também se é tão detalhista e metódico quanto o técnico que foi para a Seleção.

Neste mundo tão surpreendente como é o futebol, talvez não seja piegas  falar que “só o tempo vai dizer''. Pois é exatamente isso que irá acontecer, pois é uma incógnita como será o desempenho de Cristóvão Borges.


“Palmeirenses” (?) contra o Palmeiras. E a Seleção de Tite
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco / Fotoarena

Foto: Cesar Greco / Divulgação

1- Nesta quarta-feira, aconteceu de novo: o Palmeiras vencia o Coritiba por 2 a 1, já eram 43 minutos do segundo tempo e o Coritiba não mostrava nenhuma força para evitar a derrota. De repente, do lado da torcida do Palmeiras acenderam sinalizadores- não sei quantos- e o árbitro, Daronco, seguindo o que é determinado, interrompeu a partida, dando, ainda seis minutos de acréscimos.  E daí?

E daí, como disse o técnico Cuca, em tom de lamento, a interrupção do jogo causada por alguns torcedores do Palmeiras foi responsável direta por sua equipe não ter vencido: “Virou outro jogo''- resumiu. E é verdade: quem joga ou jogou futebol ou  conhece o assunto pela vivência sabe que esfriar a partida e ter ainda bons minutos a disputar, modifica o ritmo do jogo e é capaz de reanimar a equipe que está quase derrotada.Prejudica, é claro, quem estava na frente. E pode dar confusão lá na frente nos tribunais.

Não é a primeira vez neste Campeonato Brasileiro que “palmeirenses'', mesmo em pequeno número, prejudicam o Palmeiras. Pois não foi assim em Brasilia, quando o Palmeiras venceu- e jogando bem- o Flamengo, mas teve a vitória manchada por um grupo de torcedores que entraram em conflito com os do Flamengo, contrastando com o clima das cadeiras onde palmeirenses e flamenguistas desfrutavam a paz e o prazer de verem futebol?

Resultado: ambos os clubes foram punidos, o Palmeiras obrigado a jogar de portões fechados(o que significa também prejuízo financeiro) uma partida e a pagar multa de 80 mil reais; o Flamengo punido com a perda do mando de campo por um jogo(mas pode ter torcida) e mais multa de 50 mil reais. Esses torcedores não se importam em prejudicar seus próprios clubes? Isso é amor?

Estultice à parte, no caso do jogo desta quarta, o Palmeiras começou melhor do que o Coritiba, fez um belo gol (Roger Guedes), mas depois, no primeiro tempo, perdeu o domínio do meio-campo e falhou demais nas bolas altas- foi assim que o Coxa empatou, com João Paulo. No segundo tempo, mais uma vez com a entrada de Cleiton Xavier, o Palmeiras retomou o meio-campo e perdeu alguns gols e encontrou o que seria o dia vitória, com Cristaldo, de cabeça, em bonito''peixinho''. Normalmente, não aconteceria mais nada no jogo. Mas a interrupção e mais os acréscimos, pelos sinalizadores, reanimou o Coritiba e Leandro, quase da entrada da área, acertou o canto esquerdo de Prass. 2 a 2.

Quem paga o prejuízo?

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

2- Curioso é que coube ao chateado presidente do Corinthians, Roberto Andrade, divulgar que Tite aceitou mesmo o convite para dirigir a Seleção Brasileira. Como era esperado. Mas Roberto queixava-se de não ter recebido um telefonema sequer de quem de direito da CBF para conversar sobre o assunto.

Tecnicamente, bastidores à parte, creio que era mesmo a hora de Tite ir para a Seleção, depois de tudo que já conquistou no Corinthians, de Campeonatos Brasileiros, Libertadores ao Mundial de Clubes. Evidentemente que, se possível, o ideal seria Guardiola, mas, entre os brasileiros, por méritos, o lugar pertence a Tite. O que não quer dizer, também, que se trata da salvação da lavoura, pois Tite me parece que é treinador para montar time aos poucos, com cuidado, métodos e o seu jeito detalhista de ser. Não é de improvisar e nem de tirar coelho da cartola.

Tite não é garantia absoluta de sucesso, pelo menos a curto prazo. Mas é competente, trabalhador e merece a chance de tentar melhorar um futebol que está longe dos gloriosos tempos passados, tanto em termos de administração como em campo mesmo, sem os jogadores protagonistas que já tivemos.


Tite, o novo suspense da Seleção
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Roberto Avallone

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

Já era quase meia-noite quando Tite deixou  o prédio da CBF e voltou para São Paulo. Em silêncio. Não houve desfecho e, segundo a assessoria da entidade, “foi a primeira boa conversa. Não conclusiva''. Resumindo; pelo menos oficialmente, a Seleção ainda não tem substituto para o lugar do demitido Dunga, ficando o mistério, o suspense, as apostas para saber se Tite aceitará ou não não o desafio de comandar uma Seleção que está em baixa.

Resta apenas o direito do palpite, mero palpite diante do silêncio de Tite. O meu “chute'' é o de que ele acabará aceitando o desafio de dirigir a Seleção, é quase certo que não para a Olimpíada (que deverá ficar a cargo de Rogério Micale), mas para o restante das Eliminatórias e, se der certo, disputar a Copa do Mundo na Rússia.

Repito, mero palpite. Não ouso cravar porque  comenta-se que, pelo Corinthians, Tite não sairia; mas que pela vontade de seu filho, Mateus, e de seu dileto auxiliar, Cleber, este é, sim, o momento de o técnico dizer: “Aceito''.

Afinal de contas, além do sonho e dirigir a Seleção, que momento seria melhor do que pegar uma equipe em sexto lugar nas Eliminatórias e eliminada na fase de grupos da Copa América Centenária? Pode parecer contradição, mas nessas condições, todo o tipo de trabalho razoavelmente bem-sucedido seria lucro. Lucro. Pois que pior não pode ficar, a tendência é melhorar-e muito.

E no caso a missão de Tite técnico detalhista e estudioso,  já terá sido comprida. Por enquanto, como já disseram, não penso em plano B. Ah, a não ser é claro, que esse Plano tivesse o nome de Guardiola.

O que é tão difícil quando o Brasil reviver os tempos de Pelé e Mané.


Com justiça e polêmica, deu Palmeiras no Derby
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Roberto Avallone

Bem, quanto à justiça da vitória do Palmeiras sobre o Corinthians no velho Derby, 1 a 0, gol de Cleiton Xavier aos dois minutos do segundo tempo, a explicação é natural: depois de primeiro tempo equilibrado, o Palmeiras dominou toda a etapa final- até pela entrada de Cleiton Xavier no lugar de Roger Guedes, finalizou muito mais teve 59 por cento de posse bola. Enquanto Fernando Prass fez popucas defesas- não me lembro de nenhuma muito importante- o goleiro corintiano, Walter, foi acionado várias vezes, saindo dessas situações com a já conhecida eficácia.

O jogo em si não foi lá essas coisas na etapa inicial, em virtude da marcação cerrada de ambos os lados. Foi, no entanto, muito movimentado no segundo tempo, pois a entada de Cleiton Xavier liberou Moisés e fopi determinantye para o dominio do meio-campo, Mais recuado, o Corinthians não assustava tanto. E embora não tenha feito gol, Gabriel Jesus infernizava os zagueiros corintianos com dribles e velocidade. Assim nasceu o gol que definiu o jogo: Gabriel Jesus recebeu a bola e lançou Moisés que chutou forte para a rebatida de Walter; no rebote, com cala, Cleiton Xavier acertou boa cabeçada, encobrindo os zagueiros adversários que estavam à sua frente.

Minutos depois, o Corinthians quase empatou, com o chute de Guilherme, posicionado mais pela esquerda e que bateu na trave, na face interna, voltando para a defesa do goleiro Fernando Prass. Não houve mais muitos aaques perigosos corintianos, as chances surgiram mais para os palmeirenses- o que justifica quase que plenamente, creio, a vitória da equipe de Cuca. Tecnicamente, sem nenhuma dúvida.

Mas disse quase que plenamente porque no último minuto dos acréscimos, aos 49 do segundo tempo, surgiu o lance que gerou polêmica e dividiu opiniões:foi falta ou não de Felipe em Fernando Prass antes de Bruno Henrique mandar a bola para as redes?Valho-me da imagem da tevê, depois de rever várias vezes a imagem- e também da opinião de pelo menos dois especialistas em arbitragem, para dar a minha própria opinião: creio que houve falta, sim, concordando com o árbitro Raphael  Claus, que estava próximo do lance.

Acompanhe a jogada, como se víssemos  o lance em câmera lenta: centro da direita, bola aérea que vai nas mãos do goleiro, que tinha quase que às suas costas Felipe e à sua frente Thiago Martins; Prass agarra a bola, mas, depois, a solta e derruba seu companheiro Thiago. Por que? Aí , passamos à imagem congelada: quando agarrou a bola, Prass sofreu “trombada''de Felipe, no alto, com a impressão de ter acertado uma cabeçada nos braços do goleiro. É o que se vê na imagem. Voltando ao campo, dali em diante a jogada já não valia. E prevaleceu a marcação do árbitro.

O próprio Prass, conhecido por sua franqueza, explicou: “Fui para agarrar a bola como fiz. Não ia dar um soco nela ou espalmar, pois havia vários jogadores corintianos próximo da área'', Claro, não havia sentido em soltar a bola depois de tê-la dominado, independentemente de Thiago Martins ter desabado. Foi o que vi, mas, repito, depois de buscar pelo lance várias vezes, com imagem congelada e tudo.Que me perdoem os que possam ter opinião contrária.

Com o resultado, diante de 39.935 torcedores(novo recorde de público no novo estádio palmeirense), o Palmeiras assume a vice- liderança do Campeonato Brasileiro e o Corinthians cai para quarta posição.Por enquanto, o Inter é o líder, nessa competição que, de tão equilibrada, dá a sensação de ser uma gangorra na classificação.


A Seleção fez o que devia. E um Derby para provável recorde
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Roberto Avallone

Foto: AFP

Foto: AFP

1- A  Seleção do Haiti não é só fraca, é muito fraca. Muito! Mas como a Seleção Brasileira nada tem a ver com isso e sim com os números que podem deixá-la em boa situação, fez o que devia: ganhou de 7 a 1 (agora está com 6 de saldo de gols), jogou bem e teve em Phillipe Coutinho- autor de três gols- o melhor  jogador em campo, aqueles que os europeus tanto elogiam, mas que até aqui não tinha sido esse craque do drible curto e do chute forte. Ah, desta vez , Coutinho fez golaços que mesmo contra, diria, um Chapetuba Futebol Clube não perderiam o valor.

Além disso, alguns jogadores brasileiros mostraram-se mais soltos e confiantes. Por exemplo, Renato Augusto, autor de dois gols, capaz de coordenar o meio-campo; outros exemplos, os dois santistas, Gabigol e Lucas Limas- autores de um gol cada- não sentindo  nenhum pouco o peso da camisa, existindo a previsão de que, no futuro, Gabigol seja o titular dessa equipe, por seu faro de gol e invejável força fisíca.

Enfim, goleada é sempre goleada. E não há muito mais o que se falar de um jogo contra o Haiti, com todo o respeito a esses dedicados jogadores que se propuseram a entrar em campo e, sem violência, tomaram um chocolate.

Foto: Reprodução Internet

Foto: Reprodução Internet

2- O velho Derby, Palmeiras e Corinthians, tem por hábito mexer com a cidade e com paixões e também lotar os estádios. Esse clássico já teve mais de 120 mil pagantes (1974) e me lembro que, levado por meu pai, assisti, pouco antes da adolescência, ao jogo meio que deitado nos degraus da antiga Geral do Pacaembu, pois não havia mais lugar para ficar sentado. Deve ter sido, em 1962/63… Tanto faz.

Agora, outros os tempos, o estádios já não acolhem tanta gente e grande público é aquele que lota ou quase o estádio. É o caso desse Palmeiras e Corinthians do próximo domingo, no Allianz, que até o começo da tarde desta quarta-feira já tinha rendido 31 mil ingressos vendidos por antecipação. Pelos cálculos, o recorde do estadio (mais de 39 mil torcedores será facilmente batido), passando dos 40 mil pagantes, o que couber.

Não é um público fantástico se comparado a outros tempos, já se sabe, mas é mais ou menos o que cabe e o preços são mais salgados, Claro que o ideal seria mais público e ingressos ao alcance de mais gente. Enfim…

Bem, enfim, é um Derby.