Blog do Avallone

Mercado da Bola, o que há de novo
Comentários 2

Roberto Avallone

 

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

1- Nilmar pode ser a grande oportunidade do momento. Digo pode, pois não sei como ele está fisicamente e nem os motivos que o levaram a rescindir seu contrato com o El- Jaish, equipe do Qatar.

Mas, aos 30 anos, se estiver com a parte física em dia e com disposição para jogar no Brasil, Nilmar poderia se transformar no centroavante dos sonhos: veloz, driblador, artilheiro, sendo referência como homem de área e útil também para abrir espaço pelos lados, pela direita e pela esquerda.

E agora que está livre, quem se habilita a pelo menos sondar as chances de contar com Nilmar.

Foto: AP

Foto: AP

2- Tudo indica que o destino de Ronaldinho Gaúcho será o futebol dos Estados Unidos, mais precisamente o NY Red Bulls, embora o astuto agente- e irmão- do jogador, Assis mantenha o assunto sob sigilo. Talvez seja até uma boa para Ronaldinho Gaúcho ir disputar uma competição onde, além de ganhar muito bem, não terá cobrada a regularidade de seu futebol por vezes inconstante.

É quase como ganhar na Loteria.

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

3- Cristaldo é a especulação da vez no Palmeiras. Depois de Lucas Pratto e de Facundo Ferreyra, que não passaram de sonhos, chegou a hora de outro argentino, Jonathan Cristaldo, 25 anos, 1 metro e 75 de altura, cujos direitos pertencem ao Metalist, da Ucrânia. Pelo vídeo que vi, como sempre acontece ao se observar os melhores momentos, fui testemunha de que se trata de um centroavante típico, oportunista, forte e de bom arremate.

O mais difícil, no entanto, é concretizar a transação. Ah, já foram tantas emoções.. .E sonhos perdidos.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

4- Um outro Romero está pra pintar no Corinthians. Desta vez, trata-se de Oscar Romero, irmão gêmeo desse garoto, Angel, que começa a perturbar as defesas inimigas com arrancadas velozes. Além do mais, teria a vantagem o Corinthians de um irmão fazer companhia ao outro, nesta megalópole que é São Paulo, tão diferente da Assunção dos jovens Romero.

Creio, no entanto, que é assunto para o ano que vem.


Felipão, retorno antecipado. Ronaldinho Gaúcho, nos planos de um palestrino
Comentários 42

Roberto Avallone

Foto: Lucas Uebe

Foto: Lucas UebeL

1- A impressão que se tinha era de que Felipão não voltaria a trabalhar antes do fim do ano. Era o mais lógico: ele teria tempo de assimilar de vez o fracasso na Copa do Mundo e até de se reciclar- o que, parece, não julga necessário, pelo menos em suas palavras em sua entrevista dias antes de finalizar a vexatória participação da Seleção Brasileira.

Mas aí surgiu o Grêmio, oportunidade única para um predestinado. E se o tempo lhe tirou a argúcia tática, pelo menos manteve inteira a sabedoria do momento “do pegar ou largar”. E em nenhum clube como no Grêmio, Felipão teria o respaldo de um presidente amigo (Fábio Koff) e de um passado que lá foi realmente vitorioso e convincente, com conquistas de Libertadores, Campeonato Brasileiro, etc.

No Grêmio talvez nem lhe cobrem um futebol mais moderno ou até mais vistoso, sobressaindo a maneira valente de competir. E isso, lá Felipão soube ter.

Como nada tenho de pessoal contra o treinador- as divergências são puramente profissionais- desejo-lhe boa sorte. E feliz recuperação.

FACE RO GAUCHO

Foto: Divulgação

2- O palmeirense em questão não me permite revelar o nome. Trata-se de um vencedor no mundo corporativista, gosta de dizer que é “palestrino da Mooca” e transita por várias áreas políticas do clube, sem reivindicar cargo algum. Desolado com o seu Palmeiras, nesta terça-feira conversou com pessoa importante do time que sempre amou.

E revelou o seu plano emergencial: contratar Ronaldinho Gaúcho, até maio do ano que vem (portanto, com prazo de validade), para escapar dos perigos deste ano e ainda contar com Gaúcho para o Campeonato Paulista do ano que vem. Isso, contando com bom salário e participação do jogador nas participações de marketing que certamente provocaria. Afinal, a saída de Valdivia deixou um vazio na criação de jogadas.

Pessoalmente, nestes moldes considero o plano até viável e interessante. Mas o mais difícil ainda está por vir: a cúpula do futebol- que não tem exatamente por hábito ouvir sugestões-concordaria em seguir conselhos desse tipo, mesmo que desinteressados?

Ah, duvido… Tenho minhas dúvidas. E muitas.


Uma linda História do Futebol
Comentários 13

Roberto Avallone

Há dois anos, fui conhecer a bela Firenze. Sob um sol de 40 graus, era agradável esconder-se no restaurante do tradicional Hotel Bodoni, durante o longo café da manhã, onde eram servidos café, leite e vários tipos de frios. Os italianos, em sua maioria, eram silenciosos.

Puxei assunto com um garçom de uns 80 anos, mais sorridente do que os outros. E perguntei:

- O senhor viu jogar o Julinho?

- Sim, vi- respondeu, emocionado. Penso que era de outro planeta.

Juliinho com a camisa da Fiorentina/ Foto Divulgação

Juliinho com a camisa da Fiorentina/ Foto Divulgação

Julinho não só jogou como foi campeão pela Fiorentina (temporada de1955/56) e foi ídolo por onde passou- pela Portuguesa, pelo Palmeiras- onde encerrou a carreira-, com brilhante participação pela Seleção Paulista e pela Seleção Brasileira, sendo que com a “amarelinha” foi considerado o melhor ponta-direita do mundo pela atuação na Copa do Mundo da Suíça, em 1954.

Era um ponta-direita veloz, driblador e artilheiro, aproveitando-se bem também da estatura, 1 metro e 80, para fazer gols de cabeça. Era um fenômeno! Um dos meus ídolos no futebol. Certa vez, o técnico Vicente Feola, que admirava demais o seu futebol, me disse: “O Julinho era melhor do que o Garrincha”.

Não sei se chegava a tanto, pois se Julinho teve uma carreira mais regular, ao longo daqueles quatro aos- 1958 e 1962- Mané Garrincha foi genial, infernal, decisivo para as conquistas do Brasil, incomparável. Assim, cada coisa em seu lugar.

Julinho no Palmeiras/ Foto: Arquivo

Mas Julinho foi grande, imenso como falam os italianos, e leva o seu nome a Taça que Palmeiras e Fiorentina disputarão nesta quarta-feira, no Pacaembu. Taça Júlio Botelho, um Mestre infelizmente já falecido, em janeiro de 2003, aos 73 anos.

Pois nesta noite de quarta, teremos uma Taça cujo nome vale mais do que o jogo. E as lembranças do personagem estarão bem vivas em nossas memórias. E em nossos corações.

Julinho, Didi, Henrique Frade, Pelé e Canhoteiro, pela Seleção Brasileira / Foto: Divulgação

Julinho, Didi, Henrique Frade, Pelé e Canhoteiro, pela Seleção Brasileira / Foto: Divulgação


Na fácil vitória do Corinthians, a dura realidade do Palmeiras
Comentários 66

Roberto Avallone

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Nem há como discutir a justiça da vitória corintiana sobre o Palmeiras, no velho dérbi da cidade: seu goleiro, Cássio, não fez uma defesa sequer, enquanto os comandados de Mano Menezes, sim, lançaram-se ao ataque desde o começo do jogo, em superioridade indiscutível.

E se no primeiro tempo os gols não saíram, talvez por obra e graça de San Gennaro, na etapa final tudo ficou por conta de Elias, o volante que desequilibrou a partida. Pois se os jogadores do Palmeiras- inclusive o badalado Wesley- tinham só raça a oferecer, Elias tinha isso e muito mais: tinha talento.

Foi com muito talento que ele surgiu como atacante, aos 7 minutos, aplicou drible estonteante sobre Tobio eserviu Guerrero, com açúcar e com afeto, para marcar o primeiro gol: já no finalzinho da partida, quando sem ser incomodado pelo rival o Corinthians parecia um toureiro a domar um já quase nocauteado touro, lá se foi Elias de novo para o ataque, a manejar a bola e a servir passe perfeito para Petros chutar, a bola bater na trave, nas costas do goleiro Fábio e entrar.

Corinthians, 2 a 0. E com toda a justiça!

FACE PALMEIRAS

Foto: Marcos Ribolli

E o Palmeiras? Ah, como vai o Palmeiras, apesar dos esforços do técnico Ricardo Gareca. Não falta raça aos seus jogadores e nem competência ao técnico, mas sim futebol, aquele mínimo que faz o time atacar, incomodar o inimigo. Culpa da diretoria, é claro que, em um ano meio, deixou escapar jogadores como Barcos, Henrique, Alan Kardec, Valdivia. Time algum fica impune a tantas perdas sem a reposição devida.

Não custa lembrar, mesmo sendo repetitivo, que além dos que saíram, ainda estão jogando Wendell, volante improvisado de lateral-direito, e Henrique, centroavante que começou com “O Degolador” e hoje não passa de um inofensivo atacante sem recursos.

Por aí afora, pois creio que há pouco a fazer- diante da alardeada falta de dinheiro e até de patrocínio- neste ano em que o clube deveria festejar o seu Centenário. Que festa mais triste!

O jeito é orar, orar muito para não ser rebaixado pela terceira vez neste século para a Segundona, pois agora está só a 3 pontos da zona da degola.

Quanto ao Corinthians, parece estar bem, ocupa a vice-liderança do Campeonato Brasileiro, fatura bem com sua Arena (a do Palmeiras está sob arbitragem, devido o litigio com a construtora) investiu  em Elias, em Petros e Romero. Está de bem com a vida, enquanto o rival, que teve um século passado tão feliz, defronta-se agora com sua dura realidade.


Valdivia, Ronaldinho Gaúcho, Robinho: mistérios do Mercado da Bola
Comentários 11

Roberto Avallone

Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

1- Valdivia deve estar chegando ao Brasil para explicar a situação: se não vai mais para o clube árabe que o esta contratando, se teve problemas com os exames médicos, se outra(s) equipe entrou nessa parada. E até mesmo se fica no Palmeiras.

Tudo é um mistério.

O curioso é que, mesmo sendo craque, Valdivia está longe ser unanimidade entre a torcida do Palmeiras, caso queira permanecer. Pesa o tempo em que ficou parado cuidando de suas múltiplas lesões e pesa também o ponto de interrogação que paira sobre sua cabeça depois da não muito bem-sucedida passagem pela Seleção do Chile. Estranha passagem: ele começou como titular, fez até o primeiro gol da equipe contra a Austrália e depois foi sacado do time, permanecendo como mero reserva, não entrando um minuto sequer contra o Brasil.

Isso pode mexer com um jogador? Pode, claro que pode.

Sei não, mas me parece, á distância, que há algo mais do que dinheiro a mexer com a alma do Mago.

Foto: Gil Leonardi

Foto: Gil Leonardi

2- Ronaldinho Gaúcho deu a entender, com alguns gestos, que o jogo do Atlético Mineiro contra o Lanús poderia ser o seu adeus ao Galo. E nesta sexta-feira, Ronaldinho nem foi a festa de despedida de Deco (teria perdido o voo) e nem apareceu para treinar no Atlético Mineiro. Especula-se que até o Boca Juniores- que acabou de perder Riquelme- nele estria interessado, embora se saiba é que raro um alto salário no futebol argentino dos dias de hoje.

Particularmente, penso que os melhores dias de Ronaldinho já ficaram no passado e que vive, hoje, de uma ou outra jogada de efeito, assim como das bolas paradas.

E já foi um jogador espetacular!

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

3- O Flamengo quer pagar 900 mil reais por mês para ter Robinho em seu time? Ah, não sou economista e nem cuido do caixa do Mengo, mas me parece um absurdo e coisa capaz de inflacionar o já combalido futebol Brasileiro. Pois nesta sexta-feira, o presidente do Botafogo falou em sair do Campeonato Brasileiro, pelas dificuldades encontradas.

E cá entre nós, há quanto tempo Robinho não é mais aquele Robinho atrevido, das pedaladas, do drible fácil? Mesmo no Milan, de há muito não está em alta. Classifico a tentativa como desespero do Fla (é o rabeira do Campeonato) e reflexo do próprio futebol brasileiro, onde são raros os craques. E escassos os talentos emergentes.

Meu Deus!


Na primeira vitória de Gareca, sinais de que será quente o clássico com o Corinthians. E o Galo é campeão!
Comentários 16

Roberto Avallone

Foto: Fernando Remor

Foto: Fernando Remor

1- Não é nada, não é nada, o Palmeiras venceu o Avaí, em Florianópolis e ficou pertinho da classificação para a próxima fase da Copa do Brasil. Ah, vencer por 2 a 0 fora de casa- dois belos gols de Felipe Menezes- é quase uma garantia de avançar na competição.

E foi a primeira vitória do técnico Ricardo Gareca à frente do time palestrino, mesmo atuando sem cinco jogadores considerados titulares. Eis o que isso significa: Gareca e jogadores terão o moral elevado pra o duro compromisso de domingo que é o de enfrentar o arquirrival Corinthians, jogando em sua Arena. Emoções à vista.

Quanto ao jogo em si, notou-se um primeiro tempo corrido, movimentado, mas sem criatividade a não ser nos chutes de longa distância do veterano Marquinhos, do Avaí. Por sua vez, o Palmeiras esbarrava na má performance de Wesley- que não armava nada- e no futebol pouco convincente do centroavante Henrique, que errava todos os passes que tentava. Terá Henrique perdido a confiança pelos gols desperdiçados contra o Cruzeiro?

No segundo tempo, o que houve foi Felipe Menezes, Senhor do jogo, ele abriu o placar com um golaço, fintando o marcado e emendando de canhota no ângulo direito do goleiro: depois, lançado, entrou na área inimiga e finalizou- desta vez, de direita, para o fundo das redes.

Felipe Menezes dever o titular, se jogar assim. E se Valdivia voltar? Bem, neste caso o lugar será do “Mago”, pois que, em forma, não há quem jogue como ele na arte de alimentar o ataque.

Foto: Marcos Riboll

Foto: Marcos Ribolli

2- O Corinthians nem susto passou: dominou o Bahia do começo ao fim do jogo, fez 3 a 0 (gols de Elias, Romero e Rento Augusto- este de pênalti) e poderia contar com um placar mais elástico. Mas jogou bem, com Elias fazendo a transição do meio-campo para o ataque e este jovem paraguaio, Romero, movimentando-se velozmente por todo o ataque.

Senti firmeza no Corinthians.

Contra o Palmeiras, no grande clássico de domingo, o técnico Mano Menezes não poderá contar com Jadson. Sério desfalque. Mas não tão sério assim se Renato Augusto estiver em dia com a forma física. Caso contrário, Mano terá de optar pelo veterano Danilo, que costuma ir bem nos clássicos.

Foto: AP

Foto: AP

3- Galo, que título empolgante! As quase 60 mil pessoas presentes no Mineirão talvez não esperassem por tão dura decisão da Recopa Sul- Americana. Afinal, o Atlético Mineiro tinha vencido o Lanús fora de casa, 1 a 0, e bastava-lhe o empate para festejar com toda a pompa.

Mas, sei lá, foi uma sucessão de emoções. O Galo saiu na frente, o Lanús virou para 2 a 1, o Atlético empatou e, aos 48 minutos do segundo tempo, sofreu o terceiro gol argentino. Deu prorrogação: e do jeito que menos se esperava, o Galo chegou lá, com dois gols contra; O primeiro de Gomez, aparando mal um centro do veloz Luan. E o segundo, este ainda estanho, quando Ayalla quis atrasar a bola de cabeça para o goleiro e o encobriu.

Festa total. Só não se sabe ser Ronaldinho Gaúcho, substituído sob seus protestos, continuará. Há quem suspeite que esse título foi o seu adeus do Galo.


Dunga chega à Copa da Rússia? E o Mercado da Bola
Comentários 21

Roberto Avallone

Foto: Mowa Press

Foto: Mowa Press

Evidentemente que Dunga não representa a revolução que se pretendia no futebol brasileiro e na Seleção. Embora tenha dito em sua apresentação que conversou com gente importante do Exterior, como o italiano Arrigo Sacchi e o holandês Gullit e tenha discutido formas variáveis de jogar como um futebol mais compactado e “atacar pelo menos com cinco jogadores”, isso é muito pouco para tirar da letargia o nosso joguinho de hoje em dia.

Ah, como faria bem um Guardiola…

Há, no entanto, duas questões que este blogueiro gostaria de observar: a primeira delas é quanto aos números de Dunga, em sua passagem de quatro anos pela Seleção Brasileira, que em 60 jogos, obteve 42 vitórias, 12 empates e apenas seis derrotas, com aproveitamento de 76 por cento. Números difíceis de serem contestados, embora o futebol não tenha sido vistoso e nem de tanta qualidade. Dunga levou a Brasil a conquistar a Copa América, a Copa das Confederações, o primeiro lugar nas Eliminatórias. Em compensação, o Brasil foi só medalha de bronze nos Jogos Olímpico de Pequim e foi eliminado pela Holanda (2 a 1) nas quartas de final na Copa do Mundo de 2010. O que custou a demissão de Dunga.

A segunda questão é de ordem pessoal: sempre me dei muito bem com Dunga- que promete ser mais brando com a imprensa-, desde que trabalhamos juntos na Rádio Bandeirantes, na Copa do Mundo de 2002, onde fomos os comentaristas, ele lá na Coréia e no Japão, eu por aqui mesmo. Nem na Copa e nem depois, tive qualquer tipo de problema com Dunga. Para ser honesto, é preciso relembrar isso.

Agora, quanto ao futuro, posso estar enganado, mas não vejo nada além de um futebol à imagem e semelhança de Dunga, valente guerreiro de pouca habilidade, com seu time a jogar fechadinho na defesa, com “trombadas” no meio- campo e arriscando no contra-ataque. É o nosso chamado “arroz com feijão”, um de nossos pratos típicos, mas sem que se jogue à brasileira, com pontas, um belo meia-armador, dribles e jogadas de entortar os gringos de cintura dura.

Se vai chegar à Copa da Rússia ou ficar pelo caminho, lamento não me chamo Nostradamus e nem tenho bola cristal. Mais do que todos nós, Dunga conhece o caminho das predas: depende dos resultados, quando, de passagem, talvez sem explicitar, deixou escapar em sua apresentação, na entrevista coletiva. Só os resultados, desde que positivos, garantirão a sua permanência.

O  MERCADO  DA  BOLA

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução

1- O craque colombiano James Rodriguez foi apresentado nesta terça-feira pelo Real Madrid, em seu estádio, para delírio de 45 mil pessoas. Custou cerca de 238 milhões de reais que, somados aos 300 milhões pagos por Bale há um ano e aos 90 milhões gastos com o alemão Kross, tudo isso junto ultrapassa a soma de 600 milhões de reais.

Meu Deus!

2- A torcida do Palmeiras respira um pouco mais esperançosa com a vinda desse jovem meio-campista Agustin Allione, 19 anos, mais a possibilidade (crença?) de serem contratados mais um meia e um centroavante.

Quem sabe?


O Palmeiras quase empatou com o líder Cruzeiro. Mas faltou qualidade
Comentários 38

Roberto Avallone

Foto: Leonardo Soares/UOL

Foto: Leonardo Soares/UOL

Para não parecer o azedo da ocasião, começo dizer que depois de levar dois gols nos primeiros minutos de jogo (Ricardo Goulart e Manoel) do líder Cruzeiro, o Palmeiras até que mostrou bons sinais de reação: no segundo tempo encurralou o adversário, fez o seu gol (Tobio) e esteve a ponto de empatara partida.

Mas não fez, perdeu mais três pontos em pleno Pacaembu e amarga má colocação na tabela.

Há explicação para isso? Sim, claro que há. É a chamada falta de qualidade, fatal diante de um líder que tem em seu banco de reservas jogadores melhores do que os titulares do Palmeiras: Dagoberto, Júlio Baptista, Marlone- sem contar os lesionados em discussão contratual por finalizar, como o zagueiro Dedé (machucado) e o atacante Willian, cujos direito estão sendo comprados por 4 milhões de euros (cerca de 12 milhões e 500 mil reais).

É uma desproporção considerável, pois não?

E dentro do que o técnico Ricardo Gareca tem em mãos- sem contar com os reforços que a dupla Paulo Nobre e Brunoro teima em não contratar, sem maiores explicações- quais foram as principais falhas desse time que não vence há 5 jogos? Minha opinião:

1- Henrique pode ser até um bom centroavante para a reserva, parece que foi para isso que veio, mas os dois gols que perdeu neste domingo contra o Cruzeiro são inadmissíveis para um goleador de time grande. A primeira perda, então, foi algo que beirou o absurdo: no rebote, sem goleiro, pegou tão mal na bola que mal se sabe se ele não foi para fora do estádio.

Um gol que Alan Kardec, Lucas Pratto ou até mesmo Facundo Ferreyra, ah, nenhum deles perderia.

2- E a criatividade no meio-campo, onde jogava Valdivia? Quase não existiu, principalmente enquanto o veterano uruguaio, Eguren, esteve em campo. Depois, Eguren teve uma lesão muscular e mesmo com Felipe Menezes, que não é nenhum gênio, mas é meia, o Palmeiras melhorou.

3- Triste é a situação da lateral-direita, por onde corre, dedicado, o improvisado Wendell. Corre, sim, mas não produz, pois volante de origem, não tem o cacoete de centrar devidamente as bolas para a área. E Wendell, até por falta de concorrência, parece ser titular absoluto. Intocável.

Assim, por mais que o técnico Gareca se dedique e os jogadores se esforcem, o Palmeiras parece atravessar autêntico Calvário, no ano de seu Centenário. Pode até ter rimado, mas não é, nem de longe, a solução.


A frustração do São Paulo. E mais: Dunga, Grêmio, Galo…
Comentários 5

Roberto Avallone

Foto: Marcos Ribolli

Foto: Marcos Ribolli

1- O cenário era o ideal para uma grande exibição tricolor: mais de 43 mil pessoas no Morumbi (belo público!), a equipe vindo de convincente vitória em Salvador, o primeiro jogo de Alan Kardec em casa, coisa e tal. Goleada? Qual o quê! Pois a Chapecoense, que tinha só 8 pontos conquistados, fechou-se em sua defesa e nos contra-ataques assustou o adversário.

Assustou só, não: marcou o seu gol, através de Ricardo Conceição, em chute de biquinho, e ganhou um jogo improvável. O goleiro e capitão Rogério Ceni nem lamentou muito o resultado, preferindo elogiar a Chapecoense: “Há muito tempo´ eu não via uma equipe se defender tão bem assim”- disse Ceni, simplificando as coisas.

Com todo o respeito a essa opinião, não concordo: o erro foi do São Paulo, que não soube utilizar os lados do campo e viveu da irregularidade de Paulo Henrique Ganso, que alterna boas e más partidas; lançar Álvaro Pereira pela esquerda, é pedir centros fáceis para as defesas do goleiro, pois ele na bate na bola sem chutes de efeito. E pela direita ninguém fazia o papel de ponta. O São Paulo pouco ameaçou o goleiro Danilo e nem insinuou chegar às redes dos catarinenses. Enfim, uma frustração que os muitos torcedores presentes não esperavam.

Foto: Reuters

Foto: Reuters

2- Antes de voltar ao Campeonato Brasileiro, falo de Dunga, o técnico que provavelmente assumirá a Seleção Brasileira na terça-feira: trata-se de ótima pessoa (trabalhei com ele em uma emissora de rádio na Copa de 2002), homem que tenta ser justo, mas não o considero como técnico, ainda, em nível superior aos demais patrícios que temos por aqui. Em clubes, que eu me lembre, treinou o Inter- sem grande sucesso- a Seleção Brasileira, sim, ganhou a Copa América, a Copa das Confederações, perdeu a final olímpica para a Argentina, e mão foi esse destaque todo na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, quando fomos eliminados pela Holanda.

Enfim, até desejo boa sorte a ele. Mas continuo preferindo um Guardiola, digamos.

Foto: Eduardo Valente

Foto: Eduardo Valente

3- Investir vale apena? No caso do Grêmio que repatriou Giuliano (ex- Inter) da Ucrânia, valeu: Ele foi o autor do gol gremista que significou a vitória fora de casa diante do Figueirense- equipe que, aliás, ainda não venceu dentro de casa.  Meu Deus!

Foto: Gil Leonardi

Foto: Gil Leonardi

4- E o Atlético Mineiro, poupando jogadores (precisava?) para decisão da Recopa diante do Lanus, quando um empate lhe dará o título, assustou a sua torcida: começou perdendo para o frágil Bahia, gol do zagueiro Titi, mas pelo menos não saiu de campo derrotado, pois Luan empatou a partida.

Mas não foi bom resultado e nem para um e nem para outro.


O Santos tornou triste a estreia de Gareca no Palmeiras. Corinthians, momentos fulminantes. E mais: Gilmar, Cruzeiro…
Comentários 32

Roberto Avallone

1- O contraste das imagens era evidente: de um lado, Oswaldo de Oliveira abrindo os braços e festejando com ímpeto juvenil o sucesso dos Meninos da Vila; do outro lado, calado, jeitão de desanimado, o estreante da noite, o técnico argentino Ricardo Gareca, que acusava o golpe da amarga derrota por 2 a 0, gols de Bruno Uvini e Alison.

Quanto ao Santos, mesmo sem ter feito uma grande partida (e nem precisou) digo que a vitória foi mais do que justa, pois foi o time que desde o início procurou o ataque, buscou o gol. Quanto ao Palmeiras- meu Deus!-, uma exibição que só pode ser classificada de pífia, defensiva, escancarando os males que a cúpula do futebol- sei lá se Paulo Nobre, se Brunoro- causou com a terrível falta de planejamento e de ação nos 45 dias que se teve até a volta ao Campeonato Brasileiro; com que então, o melhor jogador do time, Valdivia, foi negociado (o que já se sabia que poderia acontecer), sem a devida reposição? E Alan Kardec foi embora para o São Paulo por uma diferença mínima entre o que tinha sido acordado com o jogador e o que se decidiu pagar também sem outro centroavante à altura (não viria Lucas Pratto?), embora Henrique tenha cacoete para bom reserva? E o lateral-direito continua sendo Wendell, volante improvisado?

Ora, nesse caso, que San Gennaro tenha piedade de Gareca. Com carências assim, nem Guardiola daria um jeito… Até Wesley, que foi o capitão do time contra o Santos, reconhece o enfraquecimento da equipe com a perda de jogadores, mantendo o discurso politicamente correto, como o próprio Gareca, de que “a diretoria está atrás”.

Logo o Palmeiras, que já foi uma escola de dirigentes, que não precisava correr atrás, pois estava sempre à frente, cultivando o hábito de montar equipes para brigar pelos títulos dos campeonatos que disputava. Tanto que é chamado “Campeão do Século” passado: pois neste século as coisas mudaram, já aconteceram dois rebaixamentos (em 2002, cuja presidência era de Mustafá Contursi, e em 2012, na gestão de Arnaldo Tirone, o filho) e foram raros os momentos de brilho.

Sem patrocínio máster, sob a arbitragem na disputa com a construtora da Arena (quando fica pronta, afinal?), com o time tão carente de reforços que custam a chegar, em décimo segundo lugar no Campeonato Brasileiro, efetivamente o Palmeiras não vive dias felizes.

E é ano do Centenário.

2- Por ter sido no mesmo horário do clássico paulista, vi apenas os melhores momentos de Corinthians 2, Inter 1. Mas deu para sentir que houve momentos fulminantes por parte dos corintianos, como, por exemplo. Os primeiros minutos do jogo: aos 7 minutos, Guerrero recebeu de Jadson e finalizou com sucesso; aos 9 minutos, o lateral-direito Fagner, escorou com êxito, o centro da esquerda, provando o quanto o Corinthians estava no ataque, marcando o segundo gol.

E depois, deduzo, o Corinthians apenas manteve o controle da partida, sem chance para os gaúchos. E sofreu o gol do Inter (Luís Carlos Winck) já no final, sem nada que ameaçasse os três pontos conquistados.

E para fazer ainda maior a festa do Corinthians, leio que 32 mil pessoas estiveram na Arena mesmo com preços salgados e em horário de rush. Dupla vitória corintiana.

3- Já falei em uma matéria aqui no UOL o que penso da escolha de Gilmar Rinaldi como coordenador de todas as nossas seleções. Resumindo, aqui: trata-se de uma grande incógnita, só terá valor mesmo se Gilmar de fato abandonou a carreira de empresário de jogadores (caso contrário, haveria conflito de interesses) e repito que preferiria Leonardo (ex- Milan e PSG) na função. Tenho a impressão que mudarão os nomes, mas que será o chamado mais do mesmo, sem nenhum tipo de inovação no futebol que foi humilhado na Copa do Mundo.

4- Não poderia deixar de citar neste blog a regularidade do Cruzeiro: atual campeão brasileiro é também o atual líder da competição, voltando a vencer nesta quinta-feira à noite no Mineirão. Desta vez a vítima foi o Vitória, vencido por 3 a 1, em prova que o campeão tem fome e elenco para repetir a dose do ano passado, quando beliscou o caneco.

Não sei qual é o segredo, mas o Cruzeiro é um exemplo de como cuidar de seu time de futebol.