Blog do Avallone

Até você, Valdivia? Até você, Elias? Até você, quarteto Tricolor? Só o Santos venceu entre os paulistas
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Roberto Avallone

 

Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras

Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras

1- O craque de um time não pode falhar em momento decisivo. Ah, não pode. E Valdvia falhou, perdeu gol feito, o goleiro já caído, o Palmeiras vencendo por 1 a 0, gol de Cristaldo. Era só chutar e o jogo estaria decidido, mas Valdivia preferiu tocar de lado a arrematar para as redes, num preciosismo fatal: “A culpa foi minha, eu errei e o Figueirense cresceu depois daquele lance errado”- reconheceu  Valdivia, após o jogo.

Mas já era tarde demais. Em campo, em menos de 5 minutos, o Figueirense já tinha transformado a derrota em virada de 3 a 1, classificada de “histórica” pelo técnico Argel. Em minha opinião, Deola falhou em dois gols, o primeiro e o terceiro, mas isso não é de espantar, pois não se trata de nenhum grande goleiro. Até pelo contrário.

E o Palmeiras segue sua sina de aflição, ainda na zona da degola do Campeonato Brasileiro, espécie de Calvário em seu Centenário.

Triste rima e nenhuma solução.

Foto: Felipe Gabriel

Foto: Felipe Gabriel

2- Elias errou feio na derrota do Corinthians para o Atlético Paranaense, em Curitiba, por 1 a 0: cometeu o pênalti sobre Léo, de maneira estabanada, infração que o próprio centroavante atleticano transformou em gol. Não é de se esperar de um Elias, agora transformado em jogador da Seleção Brasileira, erro de tamanho porte; o time não jogou bem, é verdade, mas esse pênalti levou a equipe a se distanciar ainda mais do G-4, ocupando, agora, a sétima posição no Campeonato Brasileiro.

O técnico Mano Menezes vem sendo muito criticado nos últimos dias pela performance do Corinthians. Creio que dificilmente continuará no cargo se o Corinthians não disputar sequer a Libertadores.

A sombra de Tite já paira com contornos mais fortes.

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

3- E o Quarteto do São Paulo- formado por Kaká, Ganso, Pato e Alan Kardec- parou de jogar? Com essa derrota de sábado para o Fluminense, em pleno Morumbi, por 3 a 1, já são quatro partidas sem vitória. Dos últimos 12 pontos, apenas um foi conquistado- aquele do empate contra o Flamengo. No resto, derrotas para Coritiba, Corinthians e Flu.

O que se passa? Acredito que a culpa maior seja da defesa, pois o tricolor levou 11 gols nestes últimos quatro jogos; pode ser também que a marcação do meio- campo tenha afrouxado, inclusive por parte dos integrantes do Quarteto. Missão para Muricy Ramalho- que teve alta do hospital neste domingo-, pois se não for corrigido esse erro o tricolor pode espirrar até mesmo do G-4-, já que Atlético Mineiro e Grêmio já se igualaram ao tricolor nos 43 pontos, perdendo penas no critério de desempate.

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

4- E o Santos, dos clubes paulistas, foi o único a obter a vitória nesta rodada: ganhou do Goiás, no Pacaembu, por 2 a 0, gols de Deivid Braz e Geuvânio. No geral, foi justa e sem sustos a vitória, mas é importante assinalar que o Goiás foi prejudicado, sim, pela arbitragem que não validou um gol do Goiás, marcado por Esquerdinha. A bola, chutada de um pouco antes da entrada da área, bateu no travessão e caiu dentro do gol.

Mas a arbitragem não viu.


Palmeiras, com Valdivia é outra coisa. Galo e Santos, um jogaço!
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Roberto Avallone

Foto: Helio Suenaga

Foto: Helio Suenaga

1- Nem chegou a ser extraordinária a atuação de Valdivia. Mas foi boa o suficiente: com ele, o Palmeiras colocou a bola no chão, teve criatividade, o toque mágico que fez nascer o segundo gol (bela trama, da qual participaram Valdivia, Cristaldo e Bernardo), marcado por Henrique. Ah, teve até um passe de costas do Mago, só para surpreender.

E com Valdivia jogando o que sabe e sendo ainda o capitão da equipe (uma boa sacada do técnico Dorival Júnior), o Palmeiras venceu o Vitória por 2 a 0 (gols de Lúcio e Henrique), abandonou a lanterna, teve até momentos de bom futebol. Só que ainda está na zona da degola, incômodo lugar do qual teria saído nesta quinta-feira mesmo, se o Botafogo não tivesse vencido o Goiás- como o fez, por 1 a 0, gol de Bolivar.

Mas, mesmo assim, foi um sopro de esperança.

O problema está, como já se sabe, em quando contar com Valdivia, muitas vezes machucado e agora a enfrentar um sério problema no STJD, pois será julgado na próxima semana pelo pisão (ou pelo menos simulação de) que deu no volante do Flamengo, levando cartão vermelho direto.

Se punido com vários jogos, o Palmeiras terá estabilidade técnica para seguir adiante sem Valdivia? Talvez num rasgo de superação, talvez em fórmula inventada para compensar a saída do Mago, o melhor é esperar por punição não muito severa por uma ação que o próprio jogador classificou de “infantil”.

Além de Valdivia nesse triunfo sobre o Vitória, destacaria o zagueiro-central Lúcio, por sua raça e pela vocação ofensiva: fez um gol, de cabeça, escorando o escanteio cobrado por Vítor Luís e foi responsável, ainda, pelo lindo passe, de trivela, que deixou Valdivia cara a cara com o goleiro- e, incrível, o Mago desperdiçou.

Enfim, se ainda não há motivos de festa, pelo menos o Palmeiras tem lá os seus motivos para acreditar que pode escapar da degola. Pois é, quem foi que disse que nesse ano de Centenário, o palmeirense não teria fortes emoções? Não eram exatamente essas as esperadas, mas que as emoções estão aí, ah, isso estão.

Foto: Ramon Bitencourt

Foto: Ramon Bitencourt

2- Galo 3, Santos 2, foi um jogaço! Pode ter dado até a impressão de que foi uma vitória fácil do Atlético Mineiro, que abriu uma vantagem de três gols (dois de Diego Tardelli e um-contra de Cicinho), mas o Santos foi adversário à altura, que jamais teve medo e partiu para o ataque sendo que, na etapa final, chutou duas bolas na trave e marcou dois gols (Thiago Ribeiro e Geuvânio).

Aliás, em minha opinião, Geuvânio foi o melhor jogador do Santos enquanto jogou. Tanto que a ausência de Robinho, que não voltou para o segundo tempo por contusão, quase não foi notada.

Com a vitória, o Galo entra no G-4, superando Grêmio e Corinthians, ocupando a quarta posição no Campeonato Brasileiro.


Nem  São Paulo e nem Corinthians: o Cruzeiro cada vez mais líder
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Roberto Avallone

Foto: Miguel Schincariol

Foto: Miguel Schincariol

1- E, de repente, o São Paulo parou: escapou da derrota para o Flamengo nesta quinta-feira no último minuto (gol de Luís Fabiano no empate de 2 a 2) mas não conseguiu se reabilitar e soma agora três jogos sem vencer, com as derrotas para o Coritiba e para o Corinthians. E assim vê o Cruzeiro ainda mais distante.

Qual é a razão desta derrapada tricolor?

Descontando-se o fato de o Campeonato Brasileiro oferecer jogos cada vez mais difíceis, creio que o defeito maior do São Paulo está em sua defesa. Vamos aos números: levou 8 gols nos últimos três jogos, sendo três diante do Coritiba, três, diante do Corinthians e dois frente ao Flamengo. Números à parte, basta verificar, é muito grande a desproporção entre os jogadores de defesa do São Paulo e o Quarteto de ataque, formado por Pato, Ganso, Alan Kardec e Kaká- sem contar Luís Fabiano, o autor do gol de empate  e que volta após demorada recuperação de lesão. Questão de qualidade.

E para piorar, o tricolor contou nesta quinta-feira  com um Rogério Ceni pouco inspirado, que até marcou o primeiro gol de pênalti, é verdade, mas que falhou no gol do primeiro empate do Flamengo (marcado por Éverton) e desperdiçou o segundo pênalti a favor do São Paulo- que aliás nem existiu, pois Samir estava fora da área, quando a bola bateu em sua mão- não sendo nem longe o pilar que o time precisava.

Pelo jeito, sem zagueiros à altura, disputar a Libertadores já será bom negócio para o tricolor…

Foto: Eduardo Valente

Foto: Eduardo Valente

2- Após 17 rodadas, o Corinthians deixa o G-4 com essa derrota para o Figueirense, em Florianópolis, por 1 a 0, gol de Marcão. Aliás, isso é o que contou no jogo: contando com indecisão do goleiro corintiano Cássio , Marcão, 1 metro e  90 de altura, cabeceou para o gol, aos 38 minutos do segundo tempo. Méritos também para quem executou a cobrança de escanteio, o  meia Marco Antônio, ex- jogador da Portuguesa, com chutes e centros sempre venenosos.

O jogo não  foi muito além desse gol e da bola na trave chutada por Guerrero um minuto antes: muita correria, muita marcação, criatividade quase zero. Agora em quinto lugar na tabela, a 12 pontos do  líder Cruzeiro, tudo indica que resta ao Corinthians lutar por uma vaga na Libertadores da América.

Foto: Geraldo Bubniak

Foto: Geraldo Bubniak

3- E o Cruzeiro, sem jogar um futebol maravilhoso, venceu o  Coritiba por 2 a 1  (gols cruzeirenses de Marcelo Moreno- pênalti- e  Éverton Ribeiro), tornando-se um líder ainda mais distanciado de seus perseguidores. Curioso é que, pelo menos aparentemente, o Cruzeiro não vive o seu melhor momento técnico (no domingo perdeu para o Atlético Mineiro, 3 a 2) , mas faz prevalecer a força de seu conjunto e o poder do toque de bola.

Mas, campeão no ano passado e líder disparado neste , faz por merecer todos os respeitos.


Palmeiras, o sábio temor de Casagrande
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Roberto Avallone

Creio que de todos os temores revelados pelo Palmeiras nas últimas horas, o mais agudo (sábio) foi o de Casagrande, no programa Arena SporTV. Talvez, com mil perdões, porque bata com o meu, que cultivo há algum tempo. Em resumo, Casão- de quem gosto muito- disse que até mais do que escapar do rebaixamento- que seria o terceiro em 14 anos- o Palmeiras deveria se preocupar em não se transformar em “timinho”, desses que sobem e descem. De divisão em divisão.

Logo ele, Palmeiras, o Gigante e Campeão do século passado.

O Corinthians já foi rebaixado, sim, mas uma única vez, em 2007. Depois, se encheu de brios, voltou logo em seguida, contratou Ronaldo Fenômeno e, mais tarde, ganhou a Taça Libertadores da América, o título de campeão do mundo entre os clubes. Quer dizer: aprendeu- e como!- a lição.

Assim, o rebaixamento corintiano passou como uma fase, ao contrário do Palmeiras que já vive um longo estágio neste século. O Corinthians não virou “timinho”. E assim como a maioria dos grandes clubes do Brasil- à exceção do Vasco- de um jeito ou de outro-, ah, esses clubes dão um jeito e levam à sério a definição de Sandro Rosell (sem entrar no mérito de suas gestões) sobre o que é fundamental: “Não se pode, jamais, esquecer do time”.

O pensamento pode ser repetitivo, eu sei, mas o assunto que espanta no momento é a transformação do Palmeiras de gigante em motivo de chacota ou piedade do torcedores rivais. E para se sair bem nessas duas missões quase impossíveis- evitar o rebaixamento e não virar “timinho”- por que os cartolas palmeirenses não decretam uma trégua nas brigas politicas e dão de ombros a velhas lideranças que não vêm surtindo efeito positivo? Ora, deem-se as mãos, como antes comam a pizza da paz após saudáveis discussões, unam-se para captar recursos financeiros (unidos, não seria mais fácil?) e montar um belo time, aproveitando também os meninos da base (aliás, por que não joga Gabriel Fernando, o menino de 17 anos e dos 31 gols?), pois é impossível hoje, a contratação de 11 ou 15 craques no Mercado.

Trata-se de uma escolha: a união pela sobrevivência do clube grande ou a dor das lembranças dos tempos de glória, que, só por eles, não se sustentam mais. Creio que ninguém vive só de histórias, por mais belas que sejam.

O torcedor do Palmeiras deve gritar “Avanti Palestra!”. Ou deveria se preocupar mais com o Adeus?


Corinthians, como nos tempos da virada. Palmeiras: suprema humilhação!
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Roberto Avallone

Foto: Reginaldo Castro

Foto: Reginaldo Castro

1- Como nos tempos românticos, em que ganhar de virada era uma de suas marcas, o Corinthians venceu o São Paulo, por 3 a 2, em sua Arena. Em jogo cheio de alternativas, eu destacaria Guerrero como o mais importante jogador corintiano: autor do gol da vitória, sofreu também o pênalti que originou o gol do segundo empate do Corinthians (marcado por Fábio Santos, assim como no primeiro empate) e ainda fez algumas jogadas de efeito, como um belo toque de calcanhar, em profundidade.

Guerrero vive hoje, em minha opinião, a sua melhor fase no Corinthians.

Quanto ao jogo em si, houve equilíbrio… E se Guerrero perturbava muito a defesa inimiga, pelo lado tricolor o perigo maior tinha o nome de Kaká, sempre animado a se deslocar e feliz nas cobranças de bola parada. Assim nasceram os gols do São Paulo, primeiro na batida de Kaká para posterior desvio de Souza para o gol; depois, para conclusão de Edson Silva.

O Corinthians já tinha empatado a primeira vez com, com Fábio Santos, de pênalti cometido por Antônio Carlos. Pênalti contestado, mas que aconteceu. Por falar em pênalti, não esquecer que o segundo marcado para o Corinthians, sofrido por Guerrero foi feito por Álvaro Pereira, que acabou expulso e enfraqueceu o tricolor.

Por tudo, vitória justa do Corinthians.

Foto: Adalberto Marques

Foto: Adalberto Marques

2- Lanterna do Campeonato Brasileiro, impiedosamente goleado pelo Goiás por 6 a 0, que humilhação maior pode esperar por esse Palmeiras desfigurado e vilão de sua própria História logo no ano de seu Centenário? Ah, talvez o rebaixamento, o terceiro nestes 14 anos de novo século.

Situação que, aliás, vem-se configurando rodada após rodadas. Mas, mesmo assim, mesmo após um futebol tenebroso, em que seria difícil apontar o pior do time, tantos os candidatos- Deola (!!!), Lúcio, Victorino, Victor Luís, Juninho, Josimar, etc.- ainda é preciso lutar e tomar alguma providência. Como por exemplo:

1- Uma lista de dispensa- ou afastamento- de jogadores considerados dispensáveis.

2- Cobrança dos departamentos médico e físico sobre a situação de jogares contundidos. Por exemplo, há chance de Fernando Prass voltar imediatamente?

E por que tantos jogadores se machucam e se não há demora ao voltarem.

3-  Uma avaliação do trabalho de José Carlos Brunoro e de Osmar Feitosa, executivos.

4- Autoanálise do presidente Paulo Nobre sobre seu trabalho. E o que pode fazer nestes momentos de aflição.

5- Pedir muita, mas muita proteção aos padroeiros.

Pode ser a última tentativa de não passar as condição de Campeão do Século passado a saco- de- pancadas deste.


Corinthians, a decepção. Santos, Damião vai ou não vai?
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Roberto Avallone

Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

1- Ainda sonhando com o título e na defesa de permanecer no grupo dos melhores do Campeonato, era de se esperar que o Corinthians jogasse bem contra a Chapecoense. De preferência, que jogasse bem e vencesse. Ah, nem uma coisa e nem outra. Apenas o empate de 1 a 1, que decepcionou os mais de 25 mil pagantes que desafiaram o friozinho da cidade e a distância de Itaquera por um Corinthians supostamente forte.

Mas o Corinthians, que já vinha de má apresentação diante do Flamengo, só seu a impressão de retribuir o apoio da torcida. Logo no início do jogo, o menino Malcom, 17 anos, gingou na frente do marcador, já dentro da área, e acertou um belo chute para o fundo das redes da Chapecoense. A impressão era de fácil vitória. Mas e ataque para isso? Guerrero anda jogando fora da área, Luciano tem altos e baixos e seu substituto, o jovem paraguaio Romero, tem mais velocidade do que futebol E sozinho, Malcom, que foi muito bem na Copa São Paulo de futebol júnior deste ano ainda não tem condições de decidir uma partida: é jogador para ser lançado em profundidade, é a flecha que depende de um bom arco.

Surpresa foi a Chapecoense dominar o jogo no segundo tempo, pois, além do gol contra de Ferrugem, criou pelo menos mais três chances claríssimas de fazer o gol da vitória, uma delas, inclusive, com Fábio Santos salvando quase em cima da linha, o goleiro Cássio já batido.

Com o empate corintiano e a derrota do São Paulo para o Coritiba, o clássico de domingo entre ambos já talvez nem tenha o rótulo de Majestoso de outros tempos.

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

2- Embora existam comentários a respeito, não se sabe exatamente se a má produção de Leandro Damião foi um dos motivos que derrubaram o competente Oswaldo de Oliveira do cargo de técnico do Santos.

Se foi mesmo, o bom Enderson Moreira que se cuide: no empate de 0 a 0 diante do Grêmio, em Porto Alegre, Leandro Damião voltou a não fazer quase nada, sendo substituído no segundo tempo por Jeuvânio- eleito o homem do Campeonato Paulista-, com Leandro saindo lentamente de campo, por cansaço ou teria sido por leve contusão? Creio que por cansaço.

Seja lá como for, sinto saudades daquele Leandro Damião que chegou à Seleção Brasileira, chutando com a direita, com a esquerda, cabeceando, dando “lambreta” (lembram-se daquele drible contra a Argentina?), sendo uma sensação. Tanto que foi negociado pelo Inter por mais de 40 milhões de reais…

É mais um dos mistérios do futebol.


As polêmicas razões que levaram o Palmeiras à zona da degola. E por essa, o São Paulo não esperava
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Roberto Avallone

Foto: Djalma Vassão

Foto: Djalma Vassão

1- Foi um jogo com contornos dramáticos, como já se sabe. O Flamengo abriu 2 a 0 no primeiro tempo (gols de Canteros e Alecsandro), o Palmeiras reagiu na etapa final e chegou ao empate de 2 a 2 (com os gols de Diogo e Victor Luís) e insinuou que teria uma vitória em virada histórica. Mas depois da expulsão de Valdivia o time “murchou” e agora está na terrível zona do rebaixamento.

Em minha opinião, eis as razões:

a) Valdiivia fez, Valdivia desfez. Responsável direto pela reação do Palmeiras, ao dar criatividade ao meio-campo dede a sua entrada, Valdivia também foi o responsável pelo encolhimento do time por sua expulsão infantil. Aliás, depois do jogo, além de reconhecer que errou feio no lance da expulsão, o próprio Valdivia classificou a sua reação de infantil e idiota. Está fora do próximo jogo e sabe-se lá por quantos jogos pode ser suspenso pelo STJD.

b) O Palmeiras foi prejudicado -e muito- pelos erros da arbitragem por Edson Daronco. Em lance claro, indiscutível, Henrique foi derrubado na área por um “tranco” de João Paulo, no finzinho do primeiro tempo. Pênalti! E em lance já mais polêmico, à primeira vista me pareceu normal o segundo gol do Flamengo, quando  Eduardo da Silva disputou a bola com Deola e serviu Alecsandro marcar, discordando da opinião de Deola que dizia que Da Silva levara a bola com a mão. Ao rever a imagem, várias vezes, no entanto, fico com a opinião do comentarista de arbitragem, Arnaldo Cezar Coelho: o gol foi irregular, pois só bateu no peito do flamenguista por antes ter tocado em sua mão esquerda.

Num jogo como esse, dois erros em lances capitais, é muita coisa. Na expulsão de Valdivia, a arbitragem acertou.

c) A péssima atuação de Juninho, especialmente no primeiro tempo, quase levou o Palmeiras à derrota: jogando de volante, ele  escapou por pouco da expulsão logo no começo do jogo, errou feio no lance do primeiro gol do Flamengo- marcado por Canteros-, foi o pior do time. Na etapa final até que melhorou um pouquinho. Mas, creio, não pode mais jogar de volante.

São razões suficientes pelo resultado que não livrou o Palmeiras da volta à zona da degola, pois não?

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

2- Sem Kaká (terá sido mera coincidência?) o São Paulo teve, em Curitiba. Um resultado que não esperava: perdeu para o Coritiba-  de virada- por 3 a 1, voltando a ficar distante 7 pontos do líder Cruzeiro, depois de ter encostado na equipe mineira a quem bateu no último domingo, no Morumbi.

A importância de Kaká para o tricolor não é penas técnica; ele parece animar, com suas deslocações constantes, os outros integrantes do Quarteto (Pato, Ganso, Alan Kardec…) que não renderam , sem a sua presença o futebol que vinham apresentando.

E pode ter feito a diferença também a ausência de Rogério Ceni, pela liderança e pela arte de comandar a defesa, virtudes tão importantes quanto suas defesas.


A imprevisível vida de goleiro. E Jobson, a última chance?
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Roberto Avallone

Foto: Bruno Turano

Foto: Bruno Turano

1- Pinço a barração do jovem goleiro Fábio, do Palmeiras, para pensar um pouco na loucura que é a vida dos goleiros, em um dia heróis e em outros detestáveis, vilões. Já são conhecidas as histórias de grandes goleiros que deram a volta por cima- como Gylmar dos Santos Neves, afastado por um bom tempo Corinthians em seu começo de clube, após levar 7 gols da Portuguesa, para depois tornar-se o melhor goleiro do Brasil- e também dos que estavam lá em cima e que por uma falha foram condenados para o resto da vida.

Neste caso, se encaixa o drama do goleiro Barbosa, que vinha sendo considerado o melhor goleiro da Copa de 1950 e por uma falha de reflexo- em minha opinião nem frango foi- no fatal gol do uruguaio Gigghia- teve de pagar até seus últimos dias, ouvindo o que não merecia.

É complicada a vida de goleiro.

Voltando ao jovem Fábio, trata-se de um enigma: ao contrário dos jogos de antes da Copa, quando mostrou-se quase perfeito- do fim da Copa em diante vem-se mostrando um goleiro de características incomuns: é capaz de fazer defesas sensacionais, mas, de repente, vem tomando gols que o derrubaram, vários, entre eles o gol diante do Sport quando deu um soco para as próprias redes ou o de Conca, no último sábado, marcado sem ângulo, com a bola batendo no peito do goleiro.

Não creio ser o caso de Fábio, que pode ter ainda um belo futuro, mas em outros tempos chamavam os goleiros que faziam grandes defesas e tomavam frangos históricos de goleiros de times pequenos porque para o seu gol iam 10, 12 bolas e a sequência de intervenções fantástica era notável: pouco importavas as duas ou três falhas, passavam despercebidas. Quando vinham jogar em time grande, no entanto, com poucas bolas a serem defendidas, as falhas eram muito mais notada, evidentemente.

E criou-se o estigma: goleiro de time grande é o que não leva frango.

Sinceramente, no caso de Fábio acredito que o problema seja outro. Além de emocional, creio que lhe fará bem um período de reciclagem, de exaustivos treinos de fundamentos, inclusive o de sair jogando com os pés (lembram-se do gol de Pato, quando Fábio, na reposição da bola, deu um chute fraquinho para os pés de Ganso?), detalhes assim, que também cabem ao preparador de goleiros do Palmeiras.

Foto: Divulgação/ Botafogo Oficial

Foto: Divulgação/ Botafogo Oficial

2- Quando começou a jogar pelo Botafogo, Jobson deixou claro que seria um dos melhores atacantes do Brasil: liso, driblava os marcadores com facilidade para depois emendar com chutes fortes. Era um terror!  A boa fase, no entanto, durou pouco e, segundo consta, a noite e certos hábitos ficaram mais importantes para ele do que as efêmeras tardes de glória nos campos.

Jobson foi punido, emprestado a vários clubes, pensava-se que tinha chegado o fim precoce. Agora, eis que surge uma nova chance no Botafogo: Jobson foi disciplinado durante os 15 dias em que treinou com o Grupo B dos jogadores e, pelo que disse o técnico Mancini, pode ter uma nova chance a qualquer momento.

Que o garoto saiba aproveitar! Pode ser a última chance…


São Paulo, vitória e pose de campeão. Corinthians, derrota para o Fla graças ao erro da arbitragem
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Roberto Avallone

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

1- Sim, o líder do Campeonato Brasileiro ainda é o Cruzeiro. Mas agora com diferença pequena, só quatro pontos, o que significa muito pouco diante de tantos jogos ainda a serem disputados e também em relação ao futebol do São Paulo, que venceu o Cruzeiro no Morumbi (2 a 0, gols de Rogério Ceni- pênalti- e Alan Kardec)- e exibe sinais de seríssimo candidato ao título.

Talvez até de campeão.

A vantagem do São Paulo- como se viu no duelo deste domingo- é que se a defesa jogar o básico, sem falhar, pode deixar que em um momento ou outro da partida o chamado quarteto mágico (Kaká, Ganso, Pato e Alan Kardec) resolve com seu talento. Pois foi assim contra o Cruzeiro: a equipe mineira tocava bem a bola, coisa e tal, mas quem deu um drible desconcertante e sofreu pênalti de Dedé foi Paulo Henrique Ganso. Rogério Ceni cobrou e fez 1 a 0.

Depois, no segundo tempo, jogo aparentemente equilibrado, bola lançada na área o Cruzeiro, cabeçada de Alan Kardec, defesa de Fábio e chutão de Kardec, no rebote, para o alto das redes do Cruzeiro. Pronto: 2 a 0, jogo liquidado.

Vitória do talento.

E vitória justa, do time que, no momento, exibe o melhor futebol. Até há pouco era o Cruzeiro. Agora, é o tricolor. E com louvor.

Foto: Gilvan de Souza/Fla Imagens / Divulgação

Foto: Gilvan de Souza/Fla Imagens / Divulgação

2- Desta vez, além de jogar mal, o Corinthians foi prejudicado pela arbitragem; como validar o gol de Wallace para o Flamengo, quando o atacante Eduardo da Silva- que lhe deu o passe- estava em posição complemente irregular.

E depois, houve a marcação de um pênalti totalmente discutível a favor do Flamengo- a bola bateu na mão de Ralf, foi bola na mão que fique claro, sem intenção- mas Cássio defendeu e o lance não teve interferência direta no placar. Mas que a arbitragem prejudicou o Corinthians, isso foi.

Consciente, o técnico Mano Menezes reconhece que o time não foi bem, especialmente no primeiro tempo: “O Flamengo forçou bastante o lado esquerdo deles e nós não estávamos conseguindo sair”- disse o técnico, mais ou menos o mesmo discurso dos jogadores. A certo momento do jogo, poucos minutos do fim da partida o placar das finalizações apontava 17 arremates do Flamengo contra apenas 5 do Corinthians.

E no caso, a arbitragem nada tem a ver com isso.


Falhas grotescas na derrota do Palmeiras. E Robinho afundou o Coxa
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Roberto Avallone

Foto: Bruno Turano

Foto: Bruno Turano

1- Na alma do torcedor, o que dói mais? Ver seu time jogando bem e perder, o que é duro de engolir, ou ter de aceitar uma derrota, mesmo para um adversário superior, em função de erros grosseiro de seus próprios jogadores?

No caso do Palmeiras e da goleada sofrida para o Fluminense de vários talentos- 3 a 0-, o torcedor palestrino até reconhece que o Flu tem jogadores melhores (Conca, Sóbis, Fred, Cícero, Vagner, Cavalieri), mas, pelo menos com quem conversei, não consegue digerir as falhas que definiram a derrota que quase devolveu a equipe à zona do rebaixamento; o que teria acontecido se o Coritiba tivesse vencido o Santos (mas perdeu por 2 a 1) na Vila Belmiro.

Já com minha opinião misturada às queixas da torcida, tentemos reconstruir as falhas grosseiras do Palmeiras:

a) Ah, o primeiro gol do Flu, um festival de lambanças: bola vinda da esquerda, Victorino (furou!). o goleiro Fábio escorregou (!) e a bola sobrou para Fred, meio que deitado, empurrar a bola para as redes, com o pé esquerdo.

b) Oh, o terceiro gol do Fluminense: quase sem ângulo, Conca bateu uma falta da direita e Fábio, totalmente sem jeito, tentou defender com o peito e jogou a bola para as próprias redes. Mais uma falha desse goleiro que alterna grandes defesas com erros históricos. Só que goleiro de time grande não pode falhar tanto.

c) Foi pênalti no segundo gol? Ficou a dúvida, pois é uma questão interpretativa. Mas Renato não tinha nada que ir na bola daquele jeito, meio que de carrinho e de braços abertos. E daí que a bola bate no braço, sim, e como provar se houve ou não intenção?

d) Erros crônicos: Weldinho, Patrick Vieira, Eguren, Juninho. O erro está em escalá-los, pois não demonstram condições de jogar em um Palmeiras que sonhe mais do que este.

e) O erro de Dorival Júnior: não escalar Cristaldo desde o começo do jogo. Quase inoperante na primeira etapa, até que o Palmeiras criou várias chances no segundo tempo incendiado pela movimentação de Cristaldo, que já deveria ser titular.

Bem, deve haver mais coisa errada, mas estes erros já são consideráveis para uma derrota elástica do Palmeiras. Ou não?

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

2- Principal atacante e talismã do Santos, Robinho voltou da Seleção e ajudou o time a bater o Coritiba por 2 a 1, na Vila Belmiro. Aliás, Robinho fez um golaço- o segundo do Santos- ao avançar até a entrada da área inimiga e bater por cobertura, algo digno de um craque: belo também foi o gol de Lucas Lima, que, ao abrir o placar, chutou forte sem nenhuma chance de defesa para o goleiro Wanderley. Dudu descontou para o time paranaense.

Quem ainda está devendo futebol- e muito- é o centroavante Leandro Damião, a mais cara contratação santista dos últimos tempos. Quem o viu jogar nos tempos de glória do Inter e o vê agora, não reconhece que é o mesmo jogador.

Seja lá como for, além de se ajudar, o Santos deu uma mãozinha para o Palmeiras evitando que, pelo menos nesta rodada, ele volte para a zona do rebaixamento.