Blog do Avallone

Dunga chega à Copa da Rússia? E o Mercado da Bola
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Roberto Avallone

Foto: Mowa Press

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Evidentemente que Dunga não representa a revolução que se pretendia no futebol brasileiro e na Seleção. Embora tenha dito em sua apresentação que conversou com gente importante do Exterior, como o italiano Arrigo Sacchi e o holandês Gullit e tenha discutido formas variáveis de jogar como um futebol mais compactado e “atacar pelo menos com cinco jogadores”, isso é muito pouco para tirar da letargia o nosso joguinho de hoje em dia.

Ah, como faria bem um Guardiola…

Há, no entanto, duas questões que este blogueiro gostaria de observar: a primeira delas é quanto aos números de Dunga, em sua passagem de quatro anos pela Seleção Brasileira, que em 60 jogos, obteve 42 vitórias, 12 empates e apenas seis derrotas, com aproveitamento de 76 por cento. Números difíceis de serem contestados, embora o futebol não tenha sido vistoso e nem de tanta qualidade. Dunga levou a Brasil a conquistar a Copa América, a Copa das Confederações, o primeiro lugar nas Eliminatórias. Em compensação, o Brasil foi só medalha de bronze nos Jogos Olímpico de Pequim e foi eliminado pela Holanda (2 a 1) nas quartas de final na Copa do Mundo de 2010. O que custou a demissão de Dunga.

A segunda questão é de ordem pessoal: sempre me dei muito bem com Dunga- que promete ser mais brando com a imprensa-, desde que trabalhamos juntos na Rádio Bandeirantes, na Copa do Mundo de 2002, onde fomos os comentaristas, ele lá na Coréia e no Japão, eu por aqui mesmo. Nem na Copa e nem depois, tive qualquer tipo de problema com Dunga. Para ser honesto, é preciso relembrar isso.

Agora, quanto ao futuro, posso estar enganado, mas não vejo nada além de um futebol à imagem e semelhança de Dunga, valente guerreiro de pouca habilidade, com seu time a jogar fechadinho na defesa, com “trombadas” no meio- campo e arriscando no contra-ataque. É o nosso chamado “arroz com feijão”, um de nossos pratos típicos, mas sem que se jogue à brasileira, com pontas, um belo meia-armador, dribles e jogadas de entortar os gringos de cintura dura.

Se vai chegar à Copa da Rússia ou ficar pelo caminho, lamento não me chamo Nostradamus e nem tenho bola cristal. Mais do que todos nós, Dunga conhece o caminho das predas: depende dos resultados, quando, de passagem, talvez sem explicitar, deixou escapar em sua apresentação, na entrevista coletiva. Só os resultados, desde que positivos, garantirão a sua permanência.

O  MERCADO  DA  BOLA

Imagem: Reprodução

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1- O craque colombiano James Rodriguez foi apresentado nesta terça-feira pelo Real Madrid, em seu estádio, para delírio de 45 mil pessoas. Custou cerca de 238 milhões de reais que, somados aos 300 milhões pagos por Bale há um ano e aos 90 milhões gastos com o alemão Kross, tudo isso junto ultrapassa a soma de 600 milhões de reais.

Meu Deus!

2- A torcida do Palmeiras respira um pouco mais esperançosa com a vinda desse jovem meio-campista Agustin Allione, 19 anos, mais a possibilidade (crença?) de serem contratados mais um meia e um centroavante.

Quem sabe?


O Palmeiras quase empatou com o líder Cruzeiro. Mas faltou qualidade
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Roberto Avallone

Foto: Leonardo Soares/UOL

Foto: Leonardo Soares/UOL

Para não parecer o azedo da ocasião, começo dizer que depois de levar dois gols nos primeiros minutos de jogo (Ricardo Goulart e Manoel) do líder Cruzeiro, o Palmeiras até que mostrou bons sinais de reação: no segundo tempo encurralou o adversário, fez o seu gol (Tobio) e esteve a ponto de empatara partida.

Mas não fez, perdeu mais três pontos em pleno Pacaembu e amarga má colocação na tabela.

Há explicação para isso? Sim, claro que há. É a chamada falta de qualidade, fatal diante de um líder que tem em seu banco de reservas jogadores melhores do que os titulares do Palmeiras: Dagoberto, Júlio Baptista, Marlone- sem contar os lesionados em discussão contratual por finalizar, como o zagueiro Dedé (machucado) e o atacante Willian, cujos direito estão sendo comprados por 4 milhões de euros (cerca de 12 milhões e 500 mil reais).

É uma desproporção considerável, pois não?

E dentro do que o técnico Ricardo Gareca tem em mãos- sem contar com os reforços que a dupla Paulo Nobre e Brunoro teima em não contratar, sem maiores explicações- quais foram as principais falhas desse time que não vence há 5 jogos? Minha opinião:

1- Henrique pode ser até um bom centroavante para a reserva, parece que foi para isso que veio, mas os dois gols que perdeu neste domingo contra o Cruzeiro são inadmissíveis para um goleador de time grande. A primeira perda, então, foi algo que beirou o absurdo: no rebote, sem goleiro, pegou tão mal na bola que mal se sabe se ele não foi para fora do estádio.

Um gol que Alan Kardec, Lucas Pratto ou até mesmo Facundo Ferreyra, ah, nenhum deles perderia.

2- E a criatividade no meio-campo, onde jogava Valdivia? Quase não existiu, principalmente enquanto o veterano uruguaio, Eguren, esteve em campo. Depois, Eguren teve uma lesão muscular e mesmo com Felipe Menezes, que não é nenhum gênio, mas é meia, o Palmeiras melhorou.

3- Triste é a situação da lateral-direita, por onde corre, dedicado, o improvisado Wendell. Corre, sim, mas não produz, pois volante de origem, não tem o cacoete de centrar devidamente as bolas para a área. E Wendell, até por falta de concorrência, parece ser titular absoluto. Intocável.

Assim, por mais que o técnico Gareca se dedique e os jogadores se esforcem, o Palmeiras parece atravessar autêntico Calvário, no ano de seu Centenário. Pode até ter rimado, mas não é, nem de longe, a solução.


A frustração do São Paulo. E mais: Dunga, Grêmio, Galo…
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Roberto Avallone

Foto: Marcos Ribolli

Foto: Marcos Ribolli

1- O cenário era o ideal para uma grande exibição tricolor: mais de 43 mil pessoas no Morumbi (belo público!), a equipe vindo de convincente vitória em Salvador, o primeiro jogo de Alan Kardec em casa, coisa e tal. Goleada? Qual o quê! Pois a Chapecoense, que tinha só 8 pontos conquistados, fechou-se em sua defesa e nos contra-ataques assustou o adversário.

Assustou só, não: marcou o seu gol, através de Ricardo Conceição, em chute de biquinho, e ganhou um jogo improvável. O goleiro e capitão Rogério Ceni nem lamentou muito o resultado, preferindo elogiar a Chapecoense: “Há muito tempo´ eu não via uma equipe se defender tão bem assim”- disse Ceni, simplificando as coisas.

Com todo o respeito a essa opinião, não concordo: o erro foi do São Paulo, que não soube utilizar os lados do campo e viveu da irregularidade de Paulo Henrique Ganso, que alterna boas e más partidas; lançar Álvaro Pereira pela esquerda, é pedir centros fáceis para as defesas do goleiro, pois ele na bate na bola sem chutes de efeito. E pela direita ninguém fazia o papel de ponta. O São Paulo pouco ameaçou o goleiro Danilo e nem insinuou chegar às redes dos catarinenses. Enfim, uma frustração que os muitos torcedores presentes não esperavam.

Foto: Reuters

Foto: Reuters

2- Antes de voltar ao Campeonato Brasileiro, falo de Dunga, o técnico que provavelmente assumirá a Seleção Brasileira na terça-feira: trata-se de ótima pessoa (trabalhei com ele em uma emissora de rádio na Copa de 2002), homem que tenta ser justo, mas não o considero como técnico, ainda, em nível superior aos demais patrícios que temos por aqui. Em clubes, que eu me lembre, treinou o Inter- sem grande sucesso- a Seleção Brasileira, sim, ganhou a Copa América, a Copa das Confederações, perdeu a final olímpica para a Argentina, e mão foi esse destaque todo na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, quando fomos eliminados pela Holanda.

Enfim, até desejo boa sorte a ele. Mas continuo preferindo um Guardiola, digamos.

Foto: Eduardo Valente

Foto: Eduardo Valente

3- Investir vale apena? No caso do Grêmio que repatriou Giuliano (ex- Inter) da Ucrânia, valeu: Ele foi o autor do gol gremista que significou a vitória fora de casa diante do Figueirense- equipe que, aliás, ainda não venceu dentro de casa.  Meu Deus!

Foto: Gil Leonardi

Foto: Gil Leonardi

4- E o Atlético Mineiro, poupando jogadores (precisava?) para decisão da Recopa diante do Lanus, quando um empate lhe dará o título, assustou a sua torcida: começou perdendo para o frágil Bahia, gol do zagueiro Titi, mas pelo menos não saiu de campo derrotado, pois Luan empatou a partida.

Mas não foi bom resultado e nem para um e nem para outro.


O Santos tornou triste a estreia de Gareca no Palmeiras. Corinthians, momentos fulminantes. E mais: Gilmar, Cruzeiro…
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Roberto Avallone

1- O contraste das imagens era evidente: de um lado, Oswaldo de Oliveira abrindo os braços e festejando com ímpeto juvenil o sucesso dos Meninos da Vila; do outro lado, calado, jeitão de desanimado, o estreante da noite, o técnico argentino Ricardo Gareca, que acusava o golpe da amarga derrota por 2 a 0, gols de Bruno Uvini e Alison.

Quanto ao Santos, mesmo sem ter feito uma grande partida (e nem precisou) digo que a vitória foi mais do que justa, pois foi o time que desde o início procurou o ataque, buscou o gol. Quanto ao Palmeiras- meu Deus!-, uma exibição que só pode ser classificada de pífia, defensiva, escancarando os males que a cúpula do futebol- sei lá se Paulo Nobre, se Brunoro- causou com a terrível falta de planejamento e de ação nos 45 dias que se teve até a volta ao Campeonato Brasileiro; com que então, o melhor jogador do time, Valdivia, foi negociado (o que já se sabia que poderia acontecer), sem a devida reposição? E Alan Kardec foi embora para o São Paulo por uma diferença mínima entre o que tinha sido acordado com o jogador e o que se decidiu pagar também sem outro centroavante à altura (não viria Lucas Pratto?), embora Henrique tenha cacoete para bom reserva? E o lateral-direito continua sendo Wendell, volante improvisado?

Ora, nesse caso, que San Gennaro tenha piedade de Gareca. Com carências assim, nem Guardiola daria um jeito… Até Wesley, que foi o capitão do time contra o Santos, reconhece o enfraquecimento da equipe com a perda de jogadores, mantendo o discurso politicamente correto, como o próprio Gareca, de que “a diretoria está atrás”.

Logo o Palmeiras, que já foi uma escola de dirigentes, que não precisava correr atrás, pois estava sempre à frente, cultivando o hábito de montar equipes para brigar pelos títulos dos campeonatos que disputava. Tanto que é chamado “Campeão do Século” passado: pois neste século as coisas mudaram, já aconteceram dois rebaixamentos (em 2002, cuja presidência era de Mustafá Contursi, e em 2012, na gestão de Arnaldo Tirone, o filho) e foram raros os momentos de brilho.

Sem patrocínio máster, sob a arbitragem na disputa com a construtora da Arena (quando fica pronta, afinal?), com o time tão carente de reforços que custam a chegar, em décimo segundo lugar no Campeonato Brasileiro, efetivamente o Palmeiras não vive dias felizes.

E é ano do Centenário.

2- Por ter sido no mesmo horário do clássico paulista, vi apenas os melhores momentos de Corinthians 2, Inter 1. Mas deu para sentir que houve momentos fulminantes por parte dos corintianos, como, por exemplo. Os primeiros minutos do jogo: aos 7 minutos, Guerrero recebeu de Jadson e finalizou com sucesso; aos 9 minutos, o lateral-direito Fagner, escorou com êxito, o centro da esquerda, provando o quanto o Corinthians estava no ataque, marcando o segundo gol.

E depois, deduzo, o Corinthians apenas manteve o controle da partida, sem chance para os gaúchos. E sofreu o gol do Inter (Luís Carlos Winck) já no final, sem nada que ameaçasse os três pontos conquistados.

E para fazer ainda maior a festa do Corinthians, leio que 32 mil pessoas estiveram na Arena mesmo com preços salgados e em horário de rush. Dupla vitória corintiana.

3- Já falei em uma matéria aqui no UOL o que penso da escolha de Gilmar Rinaldi como coordenador de todas as nossas seleções. Resumindo, aqui: trata-se de uma grande incógnita, só terá valor mesmo se Gilmar de fato abandonou a carreira de empresário de jogadores (caso contrário, haveria conflito de interesses) e repito que preferiria Leonardo (ex- Milan e PSG) na função. Tenho a impressão que mudarão os nomes, mas que será o chamado mais do mesmo, sem nenhum tipo de inovação no futebol que foi humilhado na Copa do Mundo.

4- Não poderia deixar de citar neste blog a regularidade do Cruzeiro: atual campeão brasileiro é também o atual líder da competição, voltando a vencer nesta quinta-feira à noite no Mineirão. Desta vez a vítima foi o Vitória, vencido por 3 a 1, em prova que o campeão tem fome e elenco para repetir a dose do ano passado, quando beliscou o caneco.

Não sei qual é o segredo, mas o Cruzeiro é um exemplo de como cuidar de seu time de futebol.


O primeiro gol de Kardec pelo São Paulo e a lanterna é do Flamengo
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Roberto Avallone

Foto: Felipe Oliveira/AGIF

Foto: Felipe Oliveira/AGIF

1- Foi um belo gol, depois de jogada bem trabalhada: Ademilson fugiu pela direita, rolou para a área, Souza e Ganso tabelaram e Alan Kardec  surgiu para chutar forte, sem chances de defesa para o goleiro do Bahia. Era o primeiro gol de Kardec com a camisa do São Paulo, coisa de oportunista e goleador, a justificar a polêmica que sua contratação  causou entre o tricolor e seu ex- clube, o Palmeiras.

Como Rogério Ceni já tinha deixado sua marca antes, o São Paulo venceu o Bahia por 2 a 0, em Salvador, disputando um primeiro tempo muito bom. O que sugere um time muito forte daqui para a frente, com a volta de Luís Fabiano e a reestreia de Kaká, cabendo ao técnico Muricy Ramalho a missão de acomodar seus renomados jogadores; santa dor de cabeça- melhor por excesso de que por falta, pois não?) para um treinador, lembrando que Pato está no banco de reservas, na condição de substituto de luxo.

Sei lá, as coisas podem mudar, mas o São Paulo está com toda a pose de quem irá brigar pelo título de campeão brasileiro. 

Foto: Gilvan de Souza

Foto: Gilvan de Souza

2- Agora há sete jogos sem vencer, o Flamengo preocupa e muito a sua torcida: é o lanterna do Campeonato Brasileiro, o “rabeirinha”, depois de ser derrotado pelo Atlético  Paranaense, por 2 a 1, em Macaé. Se no ano passado o time já não foi bem, neste ano as coisas tendem a piorar, pois a equipe é fraca, sentiu demais a perda de Elias (hoje no  Corinthians) e não há Ney Franco (treinador que substituiu Jayme de Almeida) que dê jeito.

O curioso é que, dono da maior torcida do Brasil e da maior cota da tevê ao lado do Corinthians, o Flamengo não consegue ser uma potência dentro de campo e nem se livrar das enormes dividas fora dele. E ficou no passado aquela história de que “craque a gente faz em casa”, conhecido slogan dos tempos em que o Flamengo era o campeão das revelações de jogadores, com Zico, Tita, Adilio e tantos outros.

O rebaixamento no Campeonato Brasileiro é implacável e o Flamengo não está livre dele. É começo de Campeonato, estamos apenas na metade do primeiro turno, coisa e tal, mas os pontos vão correndo. E nesse tipo de competição, muitas vezes, quando quiser acordar já tarde.

Perigo à vista…


De volta ao Brasileirão. Você gostou das novidades?
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Roberto Avallone

Imagem: Reprodução

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Com as imagens da Copa ainda na cabeça, mas se desfazendo aos poucos, eis que nos encontramos com a volta do Campeonato Brasileiro. Antes de falarmos das principais novidades dos clubes, uma pergunta: a desastrosa performance da Seleção Brasileira irá influir negativamente quanto ao público, deixando os estádios ainda mais vazios? Ou os torcedores, chateados, se voltarão para seus clubes, em busca de compensação?

Bem, certa vez fiz uma pesquisa sobre o que aconteceu depois do Maracanazo nos campeonatos que o seguiram. E, surpreso, constatei que o público dos estaduais- os mais fortes, na época- até cresceu. Se bem que tínhamos uma grande Seleção Brasileira, com verdadeiros craques espalhados pelos clubes e a derrota na final para o Uruguai foi muito amis uma tristeza do que a humilhação de agora sofrida tanto diante dos alemães (7 a 1) como diante dos holandeses (3 a 0).

O óbvio, me parece, será a situação de cada clube. As lembranças da Seleção serão deixadas para trás.

E como estão as novidades?  Começando pelos times paulistas, creio que o São Paulo saiu na frente, contratando um peso pesado do futebol mundial (Kaká) e tirando do rival Palmeiras um centroavante (Alan Kardec) um centroavante que vinha em ótima fase. Ora, juntando Kaká e Kardec a renomados jogadores que já tinha (Paulo Henrique Ganso, Pato, Luís Fabiano, Osvaldo e o garoto Ademílson), tem tudo o tricolor para ir bem no campo e nas arquibancadas- já que adota uma política de preços populares.

O Corinthians também deu lá as suas tacadas, com o volante Elias como carro-chefe, mas sem esquecer de reforçar o elenco contratando, por exemplo, o quarto-zagueiro Anderson Martins e paraguaio Romero. Tem, ainda, o atrativo da nova Arena- que muitos não conhecem- apesar dos preços salgados para jogos comuns,

O Palmeiras é uma grande incógnita e, em décimo-primeiro lugar na tabela, deixa a sua torcida com um pé atrás: contratou um técnico vencedor na Argentina (Ricardo Gareca), é verdade, além de trazer a pedido do treinador o quarto-zagueiro Tobio e o atacante Pabblo Mouche. Em compensação, está a vender o melhor jogador da equipe (Valdivia), já tinha perdido Alan Kardec e não há reposição à altura nem para um e nem para o outro. Lucas Pratto? Ah, continua no Velez Sarsfield. E também não conseguiu tão reclamado lateral-direito…

Pelo Brasil, encontramos o sempre forte Cruzeiro com algumas novidades, a melhor delas, sem dúvida, o zagueiro Manoel (ex- Atlético Paranaense), que poderá fazer dupla histórica com Dedé. No Grêmio, boas novas para o ataque: o meia- atacante Giuliano e o atacante Fernandinho, cujos dribles vários outros clubes queriam. No Rio, o Fluminense responde com um zagueiro que fez sucesso na França (Henrique) e o conhecido meia Cícero, ex- Santos; o Flamengo aposta em Canteros, ex- Velez Sarsfield para ser o substituto de Elias.

E daí por diante…

Você gostou das novidades de seu time?


O que restou da Seleção, depois de Felipão
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Roberto Avallone

Já sem Felipão, a Seleção Brasileira busca desesperadamente reencontrar o seu caminho. Não será fácil, sabemos. Pois o que está em jogo não é apenas a equipe que nos deu vergonha nesta Copa do Mundo, mas sim todo o futebol brasileiro, que anda bem atrasado taticamente e já não produz nem metade dos talentos dos tempos de ouro.

De qualquer maneira, um bom técnico estrangeiro- de preferência Mourinho ou Guardiola, podendo também ser “El Loco” Bielsa ou Jorge Sampaolli- poderá resolver os problemas da equipe num primeiro momento, adotando futebol mais compacto, marcação por pressão ou criando jogadas ofensivas, tipo bê-á-bá do futebol moderno. Nem isso tivemos durante a Copa.

Mas um só homem, mesmo acompanhado de seus auxiliares, não dará jeito em todos os problemas. E aí podem entrar brasileiros competentes, técnico de renome, para ajudarem a formar talentos nas divisões de base, preterindo os brucutus que não levam a nada e escolhendo os meninos bons de drible, de chute, de fundamentos.

Desses jogadores que fizeram parte da trágica campanha, apesar da quarta colocação, poucos devem – ou deveriam- ser aproveitados. A começar pelo goleiro, Júlio César, que já deu a entender que não tem mais como objetivo a Seleção, passando por todos os laterais- Daniel Alves, Maicon, Marcelo, Maxwell- que, sinceramente, não têm condições de jogar por uma Seleção Brasileira.

No meio- campo, Luiz Gustavo é regular, apenas marcador, enquanto Fernandinho e Paulinho talvez possam merecer nova chance, desde que vivam boa fase; Oscar, em minha opinião, vive de altos e baixos, embora tenha jogadas apreciáveis. Hulk e Fred- especialmente este-, creio, já deram adeus à Seleção.

E então, de inquestionável mesmo, sobra apenas um jogador: Neymar.

O que significa dizer que foi muito pobre o legado que Felipão nos deixou. Há muito trabalho pela frente, sabe-se lá por quantos anos…


Alemanha, a justa conquista do melhor futebol. Messi, o melhor da Copa? E o adeus de Valdivia
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Roberto Avallone

Foto: Julio Cesar Guimaraes/UOL

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Não houve nada mais justo nesta Copa do que a consagração da Alemanha como campeã do mundo. Trata-se de uma bela equipe, talvez sem um talento extraordinário, mas dotada de jogadores muito bons como o goleiro Neuer, o lataral-direito Lahm, o meio-campista Schweinsteiger, os atacantes Kross e Muller e os outros que compoem o time, nenhum deles grosso, todos sabedores de suas funções em campo.

E a sete minutos do finl da prorroração, surge outro talento alemão a decidir a dura batalha com a  Argentina: Mario Gotze, 22 anos, que custou uma fortuna para o Bayern de Munique tirá-lo do rivel Borussia. Gotze foi autor do golaço que deu  o título a Alemanha, matando a bola o peito depois de um centro da esquerda e arrematando -com classe- no canto esquerdo do goleiro Romero.

Na verdade, no entanto, é bom que se diga: a Alemanha encontrou  nos argentinos, um grupo de bravos resistentes- ao contrário do que aconteceu no jogo contra o Brasil- guerreiros que ousavam ocupar todos os espaços e que por pouco não estragaram a festa alemã. Foram pelo meno três chances claras de gol desperdiçadsas pela Argentina: uma por Higuain, outra por Messi e a terceira por Palacio- este, cara a cara, ao tentar encobrir Neuer jogou a bola a centímetros da treve direit alemã.

Foi um jogaço!

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

A  Alemanha, metódica e incansável, fiel ao seu estilo, diante de uma Argentina que se superava na raça e na disposição de colocar o coração no bico da chuteira, tendo ainda a capacidade de criar chances e ficar perto da Copa. Mas como o futebol tem lá um pouco de lógica e de justiça, o título ficou em boas mãos, nas mãos da equipe mais regular e a que mais encantou nesta Copa do Mundo no Brasil.

AP Photo

Alemães fazem dança dos índos Pataxós, que conheceram na Bahia durante sua concentração . AP Photo

MESSI, O MELHOR?

Messi foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo. Não concordo. Embora o argenino tenha sido autor de quatro gol, pelo menos três deles decisivos, não jogou o que já exibiu nos tempos de Barcelona e nem construiu as jogadas que dele se esperava.

O meu voto seriapara  Robben, o holandes grandalhão, carequinha e das pernas extrordinárias, capazes de driblar três ou quatro jogadores  em fila, usando muito bem o pé canhoto para, pela direita, passar pelos marcadores apanhando-os no contrapé. Contra o Brasil, então,  Robben exagerou: não só driblou, como deu passes perfeitos, fez lançamentos (no segundo gol da Holanda, por exemplo), mostrando-se um jogador exemplar.

Nesta Copa, Robben foi bem melhor do que Messi.

O ADEUS DE VALDIVIA 

Pelo jeito, está está por detalhes a  venda de Valdivia pelo Palmeiras ao Fuyairah, dos Emirados Árabes. A quantia giraria em torno dos 5 milhões e meio de euros. De uma certa maneira, a saída de El Mago era inevitável: ele vai fazer 31 anos, tinha só mais um ano de contrato com o clube, coisa e tal.

O que aborrece a torcida do Palmeiras, no entanto, é a aparente falta de disposição da cúpula do futebol  palaestrino em montar time capaz de de disputar títiulo. Sabia-se, há mais de mês que Valdivia poderia sair- e por que nenhum jogador à altura foi contratado, assim como nem sinal do lateral-direito tão reclamado?

Tenho recebido  mensagens segundo as quais Lucas Pratto, centroavante do Velez, já estaria contratado. Agradeço o esforço por me municiar de notícias, mas fico na retranca: só  acredito vendo, que  é um direito quwe tenho, ainda mais quando me lembro que Alan  Kardec não ficou no clube por uma quantia mínima.

É um jeito de gerenciar o  futebol. Fazer o quê?


Eis a questão: quando começa a reformulação no futebol brasileiro
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Roberto Avallone

Foto: AFP

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Creio que depois do novo chocolate- desta vez para a Holanda, por 3 a 0!-acabaram-se quaisquer dúvidas de quem ainda as poderia ter sobre a necessidade, mais do que urgentes, sobre mudanças radicais no futebol brasileiro.  A começar, é claro, pela saída do técnico Felipão e demais integrantes da Comissão Técnica; isso que, ao que consta, já está resolvido pela cúpula da CBF (segundo as últimas informações), não é suficiente, devendo ser apenas o início de um plano ambicioso capaz de devolver ao futebol brasileiro o status de potência mundial.

Pois o que se viu contra a Holanda, ai de nós, foi um time frágil na defesa, sem criatividade no meio do campo e incapaz no ataque: o goleiro da Holanda, Cillessen, fez uma única defesa durante todo o jogo, em falta cobrada (não muito bem) por David Luiz. No resto do tempo, descansou.

Nossa defesa sofreu 14 gols nesta Copa, fazendo de Júlio César, o mais vazado goleiro da Seleção Brasileira em todos os tempos, o que é, no mínimo, constrangedor. E Felipão fez seis alterações na equipe que foi humilhada pela Alemanha por 7 a 1, tendo por novidades Maxwell, Paulinho, Jô, Willian, Ramires e a volta do capitão Thiago Silva. Não adiantou nada.

Afastada qualquer hipótese de “acidente de percurso”, “apagão de sei minutos”, “Titanic” ou coisas do gênero, vemos que além de atrasado taticamente o Brasil sofre coma falta de um número maior de talentos, o que pode se explicar por deficiências na base- a prioridade por brucutus e não por craques em potencial-, sendo recomendável presença de profissionais estrangeiros para arejar nossas estagnadas mentalidades.

Priorizar a forças dos clubes para que tenhamos campeonatos equilibrados e estádios cheios (logo, não me parece adequado Flamengo e Corinthians receberem as cotas maiores da tevê), sendo esta uma cópia, não das cotas, mas do público que fez forte de novo o futebol alemão, recebendo a Bundesliga a média de 45 mil pessoas por jogo.

Com os clubes fortes, como eram antes, a Seleção também será forte. Como antigamente. O que não pode é a CBF esvair-se m dinheiro, os clubes endividados como estão e a Seleção jogando essa bolinha vergonhosa. Como disse o jornal argentino Olé não subiremos nem no pódio desta Copa.

E em uma festa em nossa casa. Renovar ou morrer!


O porquê da presença de Neymar numa Seleção em pedaços
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Roberto Avallone

Foto: Heuler Andrey / Mowa Press

Foto: Heuler Andrey / Mowa Press

Confesso que não tive paciência em acompanhar inteira a entrevista concedida por Neymar na Granja Comary. Não tive, pois embora goste muito de Neymar jogando e tenha torcido bastante por sua recuperação depois da maldosa entrada do colombiano Zuñiga, creio que, falando, nosso astro teria pouco a acrescentar em meio a essa crise toda da Seleção.

Aliás, não teria sido mais prudente deixar Neymar em sua casa, em luxuoso condomínio fechado do Guarujá?  Creio que seria, sim, pois o descanso- segundo os especialistas- é fundamental para a recuperação desse jovem de 22 anos e que pode ter até duas Copas pela frente. Se tudo correr bem.

E aí, vem à memória a lamentável entrevista coletiva da Comissão Técnica da Seleção, comandada por Felipão e Carlos Alberto Parreira para, juntando as coisas, deduzir: Neymar deslocou-se até a Granja, sem poder jogar ou ser útil em campo, para desviar o foco e amenizar a crise em que está envolvida a Seleção.

Em meio a onda de notícias que envolvem o futuro da Seleção, a situação de Felipão, por exemplo, anda coberta de mistérios e de informações desencontradas, embora nada oficial: num momento, diz-se que a CBF tentará manter Felipão, em outro momento fala-se que ele irá sair, sim, mas por vontade própria, entregando o cargo.

Acredito mais na segunda hipótese. Posso até estar enganado, atordoado talvez com tudo que vi de ruim contra a Alemanha, mas não vejo clima para a permanência de Felipão depois do que aconteceu na goleada sofrida de 7 a 1 e em toda a Copa do Mundo. A saída do técnico é a primeira das providências urgentes que devem ser todas para a ressurreição do futebol brasileiro.

Antes que seja tarde. E nem importa se o Brasil vai ou não vencer a Holanda, ficando com o terceiro ou o quarto lugar. O que foi visto já é suficiente para que se chegue a uma conclusão.