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Palmeiras e Corinthians, o último Dérbi no Pacaembu
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Roberto Avallone

Reprodução Internet

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Sei lá se por um motivo qualquer, Palmeiras e Corinthians ainda voltem a disputar esse clássico no Pacaembu. Mas, pelo jeito, este sábado marcará o último Dérbi no velho e romântico estádio, que já abrigou tantas emoções: o Corinthians já tem a sua Arena, assim como o Palmeiras deve ter a dele em novembro deste ano.

E assim, para eles, o Pacaembu será apenas uma linda história.

Quanto ao jogo de agora, diria que é uma partida de contrastes, com o Corinthians em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, lutando, no mínimo, por uma vaga na Libertadores: o Palmeiras, por sua vez, décimo- quarto colocado, briga mesmo é para não ser rebaixado para a Segundona, condição que sua torcida não esperava no ano de seu Centenário.

De qualquer jeito, é sempre um Palmeiras e Corinthians. Casa cheia. Sem favorito.

Aliás, de casa cheia sempre vi este clássico, desde os tempos de menino, levado pelas mãos generosas de meu pai às arquibancadas do Pacaembu. Vi o Dérbi de todas as maneiras, sempre com uma emoção especial entre os torcedores, algo que é percebido mas não explicado. Goleadas? Vi um 6 a 4 (dez gols) para o Corinthians no começo dos anos 50, com Claudio e Baltazar fazendo a festa e o goleiro palmeirense, Herrera, estrear e nunca mais jogar pela equipe acusado de falhar demais; vi também Palmeiras 5, Corinthians 2, com dois gols de Julinho, dois de Vavá e um Servílio contra dois do ponta-esquerda Lima, depois de o placar chegar a cinco a zero.

Brigas? Muito poucas, não me lembro de algum grande tititi no estádio. E não só no estádio, pois quando não coincidia de meu pai me levar, curtia ir de caminhão da Casa Verde até o Pacaembu, ao lado de torcedores de todos os times grandes. Sem nenhum drama.

Confesso que me atinge uma ponta de nostalgia. E não é uma pontinha, não. É uma nostalgia gostosa, que me remete aos tempos de paixão sem violência. Será que um dia eles voltam?


Palmeiras, quase o milagre sobre o líder. Corinthians, a volta ao G-4 e o caso Guerrero
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Roberto Avallone

Foto: Ramon Bitencourt

Foto: Ramon Bitencourt

1- Se antes do jogo o Cruzeiro era considerado o grande favorito e durante boa parte do duelo o Palmeiras limitou-se a defender e a viver de grandes defesas de Fernando Prass, no sentimento no final era outro: por pouco, muito pouco o Palmeiras- que foi outro nos últimos minutos, a partir da entrada de Mouche- não conseguiu vencer o líder Cruzeiro dentro do Mineirão, ficando no 1 a 1 (gols de Mouche e Dagoberto), quando a vitória já estava praticamente garantida.

Creio, no entanto, que circunstâncias à parte, o resultado não foi mau para esse Palmeiras que tenta se afastar bem mais da perigosa zona da degola. Empatar com o líder Cruzeiro, no Mineirão, normalmente não é desprezível e esse pontinho conquistado – se e bem que poderiam ter sido três-, ah, esse pontinho até que pode ajudar lá na frente.

Como o futebol é curioso e cheio de mistérios, até vale imaginar:

a) A entrada de Mouche, tão boa (uma bola na trave e um gol), não poderia ter sido decisiva para a vitória se tivesse acontecido antes, digamos uns 20 minutos antes?

b) E por curiosidade, a performance do ótimo Fernando Prass realizou alguns milagres durante o jogo, mas na última bola, no chute nem tão forte de Willian, poderia ter sido mais feliz: deu rebote e para dentro da área. Não foi frango e nem falha gritante, mas essa intervenção não fez justiça à grande atuação de Prass- ele merecia ter sido mais feliz no último lance do jogo. Acontece.

No resto, apesar do domínio  o Cruzeiro demonstra estar cansado nesta reta final de Campeonato, enquanto o Palmeiras esteve melhor  na defesa com a zaga formada por Tobio e Nathan, ficando Wesley mais uma vez a dever futebol no meio-campo  e Henrique muito isolado à frente.

Pelo jeito, muitas emoções para o clássico deste sábado, Palmeiras e Corinthians.

Foto: Daniel Augusto Jr.

Foto: Daniel Augusto Jr.

2- De volta ao G-4. O Corinthians venceu o Vitória, em Cuiabá, (2 a 1) com dois belos gols: o primeiro de Fábio Santos, num violento chute cruzado de esquerda; o segundo, o mais belo, depois de participação de Malcom (que passou a bola de calcanhar), Fábio Santos, Renato Augusto e Luciano- sendo que este deu um corte seco no zagueiro e finalizou para as redes.

O que isso significa? Em minha opinião, a autoconfiança recuperada- e rapidamente, depois da eliminação sofrida para o Atlético Mineiro e os protestos de alguns torcedores organizados. Mas vencer o Inter, em Porto Alegre, e voltar ao G-4 com segura atuação frente ao Vitória, deixaram o Corinthians em bela situação novamente, nesta gangorra que é o futebol.

O que não se esperava era a suspensão de Guerrero, por três jogos, ele que tinha sido absolvido no primeiro julgamento. E Guerrero é importantíssimo para o Corinthians, está em boa fase e não tem sequer um substituto no elenco com as suas características.

E nessa reta final de Campeonato, amigo, é tal história: a diferença faz a diferença. Nenhum detalhe deve ser ignorado.


O terror da degola. E mais: Bayern 7, Roma 1, será um hábito alemão?
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Roberto Avallone

FACE GALO

1- Na reta final do Campeonato Brasileiro, ai de quem não souber lídar com os times que estão na parte de baixo da tabela. E como nunca se viu antes- pelo menos não me lembro- pode-se dizer que são 10 os times que tentam fugir da degola, em incrível equilíbrio, o que deixa imprevisível o desfecho dessa história.

Uma história de terror.

Na noite desta terça-feira, por exemplo, em Salvador, o Atlético Mineiro vencia por 1 a 0 e levava jeito de quem iria bater o ameaçado Bahia por um amplo placar, sem a menor dificuldade. Bastou uma desatenção no final, no entanto, para Guilherme Santos surgir à frente do goleiro e, com leve toque encobrir Victor. 1 a 1, resultado final.

O placar não foi bom para nenhum dos dois, mas Guilherme Santos perdeu a cabeça: arrancou a camisa, chutou a bandeirinha de escanteio, parecia o herói de si mesmo. Foi expulso! Devia estar tomado pela tensão da zona do rebaixamento que ainda acolhe o Bahia, 31 pontos, igual ao seu rival Vitória.

E nesta quarta-feira, a rodada reserva outros lances de emoção e desespero para os ameaçados. Entre eles o Palmeiras, que não terá Valdivia contra o líder do Campeonato, o Cruzeiro, no Mineirão: o Mago cumprirá o segundo jogo da suspensão, ficando livre para enfrentar o Corinthians, no sábado. Foi uma boa ideia palmeirense propor o acordo ao STJD? Pela rivalidade, seria compreensível. A torcida certamente apoiará.

Mas, por outro lado, a esta altura do Campeonato o jogo mais importante é sempre o próximo.

Foto: Agência Reuters

Foto: Agência Reuters

2- Não deve doer tanto como numa semifinal de Copa do Mundo como aconteceu com o Brasil, no Mineirão, ainda este ano. Perder para a Alemanha por 7 a 1! Mas o torcedor da Roma deve ter ficado arrasado ao ver seu time derrotado pelo mesmo placar, desta vez para o melhor time alemão, o Bayern de Munique.  Será que a Alemanha pegou o gosto e animou-se a pintar o sete?

Aliás, foi uma terça-feira gorda em número de gols na Liga dos Campeões. Não dá para ignorar a façanha de Luís Adriano (ex- Inter de Porto Alegre) autor de 5 gols na goleada do Shaktar Donetsk por 7 a 0 contra o Bate Borisov. Antes do brasileiro, só Messi tinha marcado cinco gols em um jogo da Champions League.

Por falar em Messi, a dupla que o argentino faz com Neymar voltou a funcionar nesta terça-feira, cada um deles marcou o seu gol na vitória de 3 a 1 diante do holandês Ajax, em Barcelona. Deve ter sido uma espécie de aperitivo para o “clássico dos clássicos”, marcado para este sábado com o Real Madrid.

Que jogo!


Ao Santos, os gols; ao Palmeiras, a recaída. E Corinthians, o das façanhas
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Roberto Avallone

Foto: Reinaldo Canato/UOL

Foto: Reinaldo Canato/UOL

1- O Santos nem precisou correr tanto, preferindo se aventurar nos momentos certos, para bater o Palmeiras, por 3 a 1. Para quê se expor ao desgaste se, caindo na própria imprudência, o adversário era vítima dos próprios erros em tarde de domingo de Pacaembu lotado que apoiava o Palmeiras como se fosse aquele de antigamente?

O Santos chegou aos dois primeiros gols por méritos próprios, é verdade, mas com a colaboração de erros primários da defesa palmeirense. No primeiro, o jovem Geuvânio chegou a apostar corrida com o veteraníssimo Lúcio antes de chutar no canto esquerdo de Fernando Prass. E no segundo gol, em falta batida em profundidade da intermediária do Palmeiras, mais uma vez pela esquerda do ataque, Lucas Lima serviu Mena que cruzou para Gabriel marcar.

Qual a coincidência dos dois lances? Simples: o lado direito da defesa do Palmeiras estava totalmente desprotegido. Culpa de Lúcio, do jovem lateral João Pedro e até do técnico Dorival Júnior que não preparou esquema adequado para conter a previsível velocidade do Santos.

Ah, o jogo estava liquidado.

Mesmo assim, na etapa final, enquanto o Palmeiras girava o campo sem contundência, o Santos fez mais um gol, Gabriel- em posição discutível-, como? Outra vez, mais pelo lado direito da defesa palmeirense, desta vez um pouco mais pelo meio, com direito a Gabriel escolher o canto (preferiu o direito), sozinho, à frente de Fernando Prass. No finzinho, o gol de Henrique, de cabeça, após centro de Mazinho (que entrara no lugar de Wesley) foi só para configurar o chamado gol de honra.

Honroso, sim, mas que não resolve nada.

Com o clássico, o Santos ganhou a certeza de que está apto para brigar por suas ambições e de que joga melhor sem Leandro Damião. E o Palmeiras se convenceu de seus limites e de que nesta aflita luta contra o rebaixamento nem pode se descuidar diante daqueles que estão acima da tabela: é jogar no feijão com arroz, fechadinho e se aventurando de vez em quando ao ataque.

Caso contrário, levará outra surra.

Foto: Divulgação/Agência Corinthians

Foto: Divulgação/Agência Corinthians

2- Este, sim, é o mais puro Robin Hood corintiano. Mais do que isso, um Robin Hood imprevisível, Depois de perder de 4 do Atlético Mineiro e do protesto de sua torcida, lá se foi o Corinthians, a enfrentar o Inter, em Porto Alegre, lutando ainda com a presença de Nilmar entre os colorados.

E seguindo a regra que o acompanha neste Campeonato, venceu mais um forte: 2 a 1, gols de Guerrero, Gil e Nilmar, colocando-se outra vez a candidato pelo menos a uma vaga na Libertadores- sonho que parecia desfeito após a goleada sofrida diante do Galo e que o eliminou da Copa do Brasil.

Como prever este Corinthians?


Com Ganso e Ceni, o São Paulo perto do topo. E o Galo chegando…
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Roberto Avallone

Fotos: Miguel Schincariol

Fotos: Miguel Schincariol

1- Um golaço de falta de Rogério Ceni e um arremate de artilheiro de Paulo Henrique Ganso derrotaram o Bahia por 2 a 1 (Fahel ainda descontou, no fim, para a equipe baiana) e colocaram o São Paulo pertinho do topo, em perseguição ao líder Cruzeiro. Pelo menos neste momento, antes de o Cruzeiro jogar, a diferença é de apenas quatro pontos, diminuindo muito em relação ao que já foi a vantagem cruzeirense.

Neste Campeonato Brasileiro cheio de oscilações, de muito equilíbrio entre as equipes, enganaram-se aqueles que já davam como certo o bicampeonato para o Cruzeiro. Pode até acontecer. Talvez ainda seja o mais provável; Mas sem nenhuma garantia.

Quanto ao tricolor, foi justa sua vitória sobre o Bahia, no Morumbi, com um Paulo Henrique Ganso vibrando muito com seu gol e durante toda a partida, além de Rogério Ceni festejar o belo gol de falta com o entusiasmo de quem está começando a carreira. O São Paulo entra na reta final do Campeonato Brasileiro com muito entusiasmo e isso pode lhe oferecer consideráveis chances de boas surpresas.

O tricolor está vivo. Muito vivo!

Foto: Getty Images

2- E o Atlético Mineiro, que já esteve fora de um final feliz neste Campeonato, vai chegando: firme no G-4 e com um olho- “Enquanto tiver chance matemática”- disse Diego Tardelli- lá em cima, onde está o arquirrival Cruzeiro. Neste sábado à noite, no Estádio Independência, venceu a Chapecoense por 1 a 0, gol de seu jovem lateral-esquerdo, Douglas Santos, depois de passe açucarado de Guilherme.

O placar, magro, refletiu as dificuldades da partida. A Chapecoense é equipe dura de ser batida e só não arrancou um empate em Belo Horizonte porque o goleiro Victor fez uma grande defesa e o atacante Camilo perdeu gol certo. Embora esteja na parte de baixo da tabela, a Chapecoense tem feito boas exibições, como naquela goleada de 5 a 0 sobre o Inter e na vitória sobre o Bahia, fora de casa.

Por sua vez, o Galo fechou uma semana iluminada, que começou no domingo passado com o triunfo sobre o São Paulo (1 a 0), continuou com a goleada diante do Corinthians (4 a 1) que o fez semifinalista da Copa do Brasil e encerrou-se com esta dura vitória sobre a Chapecoense.

Já tem 50 pontos no Campeonato Brasileiro.


Corinthians, encontro marcado com a insatisfação. E a grande goleada do Santos
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Roberto Avallone

Foto: Wagner Carmo

Foto: Wagner Carmo

1- Leio que a Gaviões, principal torcida organizada do Corinthians tem protesto marcado para esta sexta-feira no CT do clube. O que já era esperado. Pelo jeito não será como daquela outra vez, com invasão, e que deu tanta polêmica; igualmente supõe-se que não haverá violência, pois, segundo comunicado oficial, as manifestações acontecerão do lado de fora do Centro de Treinamentos.

Que assim seja. E abaixo a violência!

Agora, o que se pode conter, desde que pacífico, é o profundo desgosto que causou a perda na Copa do Brasil para o Atlético Mineiro, especialmente do jeito que foi: fácil vitória em São Paulo, 2 a 0, um gol marcado logo de cara no Mineirão (Guerrero) e, depois, os quatro gols do Galo fatais para as ambições corintianas. Uma derrota de tirar o fôlego.

Há quem fale em apatia da equipe. Não concordo. Não faltou vontade. O que faltou este ano, em minha opinião, foi planejamento- talvez um pouco de ousadia- para montar elenco mais qualificado. Nem estou dizendo quanto ao time, que fica na média de outros grandes, mas de elenco, de banco de reservas: está o garoto Felipe à altura de substituir Gil, que ficou no banco de reservas? E quem para o lugar de Elias, que por circunstâncias teve de jogar pouco tempo? Há companheiros adequados, no ataque, para serem companheiros de Guerrero? Não, é sabido que não.

Quanto ao técnico Mano Menezes, tirando o fato de ter esquecido Jadson, já é conhecido o seu estilo de se dar melhor contra os mais fortes- daí, as vitórias contra o líder Cruzeiro, São Paulo, etc.- mas não acredito estar nele a parte maior da culpa das frustrações corintianas.

Parece-me, muito mais, um conjunto de coisas. O chamado contexto da obra.

Foto: Ari Ferreira

Foto: Ari Ferreira

2- Excelente a performance do Santos, que goleou o Botafogo por 5 a 0, redimiu-se da derrota sofrida para o Criciúma, saltando para a condição de semifinalista da Copa do Brasil, tendo o Cruzeiro como adversário. O curioso é que sem Leandro Damião, o Santos jogou melhor, com chances de até marcar mais gols. E também sem Robinho: Gabriel, David Braz (dois), Geuvânio e Lucas Lima balançaram as redes, sem a menor cerimônia.

Mesmo assim, Robinho estará de volta contra o Palmeiras, é claro, no lugar de Rildo. Aliás, este outro clássico, tradicionalíssimo, pelas circunstâncias deverá ter o Pacaembu lotado e emoção do começo ao fim


A trágica noite corintiana: Galo 1, 2, 3, 4 a 1…
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Roberto Avallone

Jogadores do Atlético-MG imitam dancinha de Mano ao eliminarem o Corinthians -Foto: foto: Daniel Augusto Jr.

Jogadores do Atlético-MG imitam dancinha de Mano ao eliminarem o Corinthians-Foto: Daniel Augusto Jr.

Ah, nem o mais pessimista dos corintianos poderia esperar por uma noite como essa. Respaldado por sua vitória em São Paulo por 2 a 0, o Corinthians mesmo que não balançasse as redes no Mineirão poderia até perder por um gol de diferença; marcando gol, como o faz logo no começo da partida, através de Guerrero, só sairia da Copa do Brasil se Atlético Mineiro fizesse pelo menos quatro gols e não sofresse mais nenhum.

Quer dizer: maré mansa, tudo sob controle, pois não?

Pois maré mansa, uma ova! Indo para cima, acuando o Corinthians, o Atlético destruiu os sonhos corintianos de um título na Copa do Brasil. Contando com Guilherme em grande noite, autor de três gols (embora um deles, o primeiro, tenha sido atribuído a Luan), o Atlético Mineiro jogou, o Corinthians assistiu. Só faltou aplaudir.

Mesmo assim, já no fim do jogo, quando se esperava apenas uma saída honrosa do Galo, surgiu o quarto gol, com Ed Carlos escorando uma cobrança de escanteio e deixando o goleiro Cássio (que ainda fez boas defesas) muito aborrecido. Afinal, não era desse jeito, no contra-ataque- que o Corinthians se fazia Robin Hood, ao pelo menos vencer os mais fortes, deixando pontos para os mais fracos?

Assim, nem de um jeito e nem do outro, o Corinthians ensaia um fracasso em relação às suas ambições. Nem bem terminou o jogo um amigo meu, corintianíssimo, me telefonou indignado: “Como é, tem de sair o Mano ou não tem?”.

Também não entendi a postura do time, incapaz de evitar reação tão grande do Galo, assim como não entendo a ausência de Jadson- que começou tão bem no clube. Mas, por palpite, a não ser que aconteça monstruosa reação do Corinthians- numa que o leve ao título ou pelo menos a uma vaga na Libertadores-acredito que dificilmente Mano Menezes será o técnico em 2015.

E o Atlético celebra sua passagem para a semifinal da Copa do Brasil, onde terá pela frente o Flamengo. E a outra semifinal terá Cruzeiro (apesar de sua derrota de 3 a 2 para o ABC) e o vencedor de Santos e Botafogo, duelo que está muito para os santistas que venceram no Rio por 3 a 2.

A sorte está lançada.


Neymar, além do limite
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Roberto Avallone

Foto: AP

Foto: AP

Aos 22 anos, com os quatro gols que marcou diante do Japão, Neymar já se transformou no quinto maior artilheiro da História da Seleção Brasileira. Isso, em jogos oficiais. Ele só perde apenas para Pelé, 77 gols em 92 jogos, média de 0,83 por partida; Ronaldo, 62 gols em 98 jogos, média de 0,63 por jogo; Romário, 55 gols em 70 jogos, média de 0,78; Zico, 48 gols em 72 partidas, média de 0, 66.

E depois surge Neymar, com seus 40 gols em 56 jogos, com média de 0, 71 por jogo, média que só é inferior a de Pelé e a de Romário, levando esse atacante da Seleção Brasileira e do Barcelona na ser o terceiro na História nesse quesito. É de impressionar!

E a impressão que se tem é de que Neymar ainda está longe de seu limite, a caminho da própria superação, tendo sido prejudicado, talvez, pela má performance da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e inclusive por sua ausência nos dois jogos finais- no caso, diante da Alemanha e Holanda. Dois vexames.

A tendência é que, mais forte fisicamente e jogando mais voltado para fazer gols, Neymar passe a viver fase de goleador, tornando-se quase imarcável pela habilidade que tem e um terror para defesas inimigas com seu apetite para estufar as redes. Contra o Japão, por exemplo, além dos 4 gols que marcou. Neymar poderia ter feito no mínimo mais dois- e um deles seria uma pintura, com seus dribles e o arremate que bateu na rede, sim, mas pelo lado de fora.

Creio que o título de “o melhor do mundo”, logo, logo trocará de mãos…


O louco Campeonato, onde tudo é possível
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Roberto Avallone

Não me lembro de um Campeonato Brasileiro como este, em que o clube que tinha o favoritismo absoluto insinua que está ladeira abaixo, com as derrotas para o Flamengo (3 a 0) e no meio da semana para o Corinthians (no Mineirão)- no caso, o Cruzeiro; Campeonato com alternâncias constantes pela briga no G-4 e com dez clubes brigando muito contra o rebaixamento.

Ah, também não me lembro de tantas surpresas, pois que de repente o mar virou sertão e o sertão virou mar, com os clubes que estão lá embaixo surrando os que estão em cima, como, por exemplo, o Criciúma que ganhou do Santos de 3 a 0 e já tinha vencido o Atlético Mineiro por 3 a 1. Bem, façanhas ainda não comparáveis às da Chapecoense que em casa virou esquadrão- 5 a 0 sobre o Inter- e fora dela também aprontou, ao vencer o Bahia por 1 a 0.

Um Campeonato supostamente tão ilógico que o Corinthians é capaz de vencer o líder Cruzeiro para em seguida perder para o combalido Botafogo, o lanterna da competição até o jogo começar. E em campo neutro. Surpresas e mais surpresas, daí em diante.

Mas será que esses resultados todos são aleatórios, sem explicação? Não quero ser o dono da verdade, mas dou-me ao direito de especular as razões de tudo isso estar acontecendo. Além do equilíbrio do Campeonato, onde o lanterna é bem capaz de vencer o líder, dá para se ver certas características de alguns grandes que propiciam esses resultados inesperados.

Vejamos o exemplo do Corinthians. Não por acaso leva agora o apelido de “Robin Hood”, pois ganha dos fortes e perde dos fracos, inesperados resultados que já aconteceram várias vezes nesta competição. Não é, pois, coincidência. É que se dando melhor no contra-ataque, o Corinthians tem dificuldades quando precisa abrir a defesa inimiga, jogando no ataque mesmo.

Creio que perdemos muito da manha de atacar, o que era possível quando tínhamos pontas, uma penca de meias-armadores, centroavantes, etc. Algo mudou e já faz tempo, a Copa do Mundo mostrou nossas deficiências e ainda por cima lá vem esse calendário, com jogos a toda a hora. É preciso mudar

Enquanto isso, fiquemos com as delícias das surpresas, com fortes e fracos deixando no ar a sensação do imprevisível.

 


A emocionante virada do Palmeiras. O Corinthians perdeu para o Botafogo…E a proeza da Seleção
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Roberto Avallone

Foto: Fernando Dantas

Foto: Fernando Dantas

1- Como há muito tempo não se via, a torcida do Palmeiras festejou como se estivesse louvando um título. Vencer o Grêmio- de Felipão e Barcos-, de virada, afastando-se um pouco mais da zona da degola e até exibir por alguns momentos um futebol vistoso, ah, tudo isso era motivo para o torcedor resgatar o orgulho de outros tempos.

E com honrosas participações do goleiro Fernando Prass, do jovem lateral-direito João Pedro (17 anos), da dupla de zaga formada por Lúcio e Tobio, quem dominou o jogo, comandou o time dentro de campo e esteve em todas foi Valdivia. O capitão Valdivia. O senhor da partida.

Curioso é que por imprudência, saltar na área com os braços levantados, mesmo sem intenção (estava de costas), Valdivia cometeu o pênalti que poderia ter abalado o Palmeiras, numa dessas jogadas que às vezes os juízes marcam e às vezes não, pois estabeleceu-se uma certa confusão nesta regra. Cada vez mais uma questão de interpretação. Sem ter nada ver com isso, Barcos cobrou o pênalti e fez o gol do Grêmio.

Pouco tempo depois, esse mesmo Barcos foi expulso, por supostamente ter derrubado Cristaldo, ele “ Pirata” que já tinha cartão amarelo e anda às turras com Lúcio. Também sem nada ver com isso, Valdivia continuou a armar jogadas e a comandar o time que empatou o jogo com Mouche (que entrara no lugar de Juninho) e virou com jogada de personalidade do menino João Pedro; com insistência, ele ganhou uma bola dividida e da entrada da área acertou forte chute, de canhota,com a bola desviando de leve num zagueiro do Grêmio e entrou no cantinho esqurdo.

Palmeiras, 2 a 1.

E, por justiça, fica aqui um registro para a performance do técnico Dorival Júnior: ele mexeu bem no time- na troca de Juninho por Mouche, indo Vítor Luís para a lateral-esquerda-, além de visivelmente ter devolvido a confiança perdida aos jogadores e à torcida. O que não é pouco.

Foto: Edmar Barros

Foto: Edmar Barros

2- Mesmo desfalcado, o Corinthians era o franco favorito para vencer o combalido Botafogo, até então o lanterna do Campeonato e  atingido por grave crise financeira. Não vinha o Corinthians de vencer o líder Cruzeiro, em pleno Mineirão? Pois jogando muito mal, incapaz de furar  a retranca dos botafoguenses, o Corinthians perdeu por 1 a 0- gol de Wallyson, de pênalti- e perdeu também a grande chance de avançar para o G-4.

É incrível como o Corinthians, de grande potencial em obter receitas, não tem um substituto à altura para Guerrero, um centroavante com as características do peruano. E não por mera coincidência é chamado de Robin Hood, o que ganha dos fortes e perde para os fracos; é que, com limitações no elenco, pode jogar no contra-ataque diante dos mais fortes,confundindo-se ao enfrentar os mais fracos por ter a obrigação de atacar. O que não é o seu forte.

Nada disso impede que tenham sido heroicos os jogadores do Botafogo. Foram mesmo.

Foto: Mowa Press

Foto: Mowa Press

3- A Seleção Brasileira mereceu a vitória sobre a Argentina, por 2 a 0, em Pequim. Menos nos minutos iniciais, a equipe de Dunga jogou melhor durante boa parte do tempo e teve em Diego Tardelli, o autor dos dois gols, seu jogador de destaque. Menção honrosa, é claro, para o goleiro Jefferson, que simplesmente defendeu um pênalti cobrado por Messi.

Messi que, aliás, ficou devendo futebol à altura de sua fama. Quase tanto quanto Neymar que, embora ensaiasse jogadas mais belas, não se completou. Bem ou mal, no entanto, beliscou o troféu do Super Clássico das Américas.

O que não deixa de ser interessante.