Blog do Avallone

João Neto, 11 anos, êxodo precoce? E Cruzeiro e Flamengo largam na frente
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Roberto Avallone

1-Tudo o que sei sobre este caso é através da interessante reportagem do UOL. Fico sabendo, então, que o menino João Neto, 11 anos, jogador do Sub- 11 do Corinthians (creio que se trata de categoria equivalente dente-de-leite do passado) teria ido para o Benfica, indicados por Luizão e Deco, agentes ligados ao forte empresário português Jorge Mendes, que tem entre seus clientes Cristiano Ronaldo.

Há algo errado nisso? Pelas normas, parece que não, até porque o pai do menino alega que vai trabalhar fora do País, ficando perto de João, seu filho, o que a Lei protege.

O que espanta, no entanto- se o garoto acertar mesmo com o Benfica- é o êxodo de jovens talentos, no caso é criança, mesmo, mas há outros de meninos um pouco mais velhos que surgem, cada vez mais precoces, com os clubes meio que de mãos atadas. Antes, houve época em que o “passe” significava um total domínio sobre o jogador. Não me parecia certo. Mas agora, o poder passou dos clubes para os empresários. Invertendo os papéis: sob a luz da nova lei, os clubes, muitas vezes, passaram a ser dominados, tendo como única vantagem a quantia irrisória que recebem como “formadores”. Coisa de cinco por cento em cada transferência futura.

Acredito que um meio termo nessa história seria o correto. Nem para um lado e nem para o outro, pois se é sagrado o direito de trabalhar e da livre escolha, a vantagem de formar jogadores também deve ser respeitada. Muitos clubes já desistiram dessa ideia por julgarem que não vale a pena.

É necessário um novo estudo sobre a questão. Há de se encontrar um ponto de equilíbrio entre os interesses.

O amigo concorda?

2- Cruzeiro e Flamengo largaram na frente, diante de Santos e Atlético Mineiro, nas semifinais da Copa do Brasil. O Cruzeiro ficou em placar magro, 1 a 0, gol de Willian, tendo sido prejudicado pelo equívoco da arbitragem no gol mal anulado de Ricardo Goulart, que lhe daria vantagem mais robusta no jogo da volta; o Santos, por sua vez até que fez um bom segundo tempo, redimindo-se da péssima primeira etapa, quando não deu um chute sequer ao gol.

Já no Maracanã, empurrado pelos mais de 40 mil pagantes, o Flamengo marcou 2 a 0 (gols de Caceres e Chicão, este de pênalti) sobre o Atlético Mineiro e vai a Belo Horizonte com considerável vantagem para chegar à final. Só resta lembrar que o Galo enfrentará situação idêntica ao duelo contra o Corinthians quando, perdedor por 2 a 0 no jogo de São Paulo deu uma virada incrível em seu estádio, ao golear por 4 a 1. É o time do “eu acredito!”.

Como cada jogo tem a sua história, nada garante que o Atlético vá repetir as suas façanhas. O Flamengo de Luxemburgo deu um largo passo para chegar à final.


Especulações  no Mercado da Bola. E a Lusa já caiu…
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Roberto Avallone

Imagem: Reprodução

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1- As especulações no Mercado da Bola começaram mais cedo, até antes do fim do ano. Pelo jeito, se existirem, serão raras as contratações milionárias, pois a grana anda curta: a moda agora- o que talvez seja saudável para o futebol brasileiro neste momento- é recorrer à base, em busca de jovens talentos que não custarão caro até a fama chegar, se chegar.

E de quem se fala? Quanto aos técnicos, acredito que Tite e Vanderlei Luxemburgo têm boas chances no Corinthians: o primeiro, se a situação vencer as eleições, pois ainda estão vivas na memória as suas conquistas de 2012; o segundo, Luxemburgo no caso de a oposição sair vitoriosa.  Mano Menezes dependeria de um milagre- conquistar o Campeonato Brasileiro!- o que pela lógica não acontecerá e o fará sair da temporada corintiana sem um título sequer.

O Flamengo, no entanto, também pensa em manter Luxemburgo, o que pode dar boa briga entre os clubes das maiores torcidas do Brasil, donos também das maiores cotas da tevê. Quem é o favorito nessa disputa?

Quanto aos jogadores, que são os que despertam as atenções maiores dos torcedores, inúmeras especulações, evidentemente sem confirmação oficial: há quem diga que o Palmeiras contratará três jogadores do Fluminense- o volante Jean, o lateral-esquerdo Carlinhos e o meia Wagner- além de acertar um longo contrato com sua revelação do sub-17, Gabriel Fernando; o São Paulo terá de encontrar um substituto para Kaká, este já programado para jogar nos Estados Unidos; o Corinthians terá de reforçar o seu ataque, falando-se nos bastidores do centroavante Leandro, do Chapecoense, e entrando agora no noticiário o nome do veloz Dudu, emprestado ao Grêmio até o fim do ano.

É só o começo da movimentação no Mercado da Bola até porque o Campeonato Brasileiro está em disputa, com direito a duelos pelo título, pela Libertadores, pela Sul- Americana e para a fuga da degola.

O que não é pouco.

Foto: José Luis Silva/Agif

Foto: José Luis Silva/Agif

2- Ao longo dos tempos, já ganhou de 7 do Corinthians e do São Paulo, goleou o Santos (que foi o campeão paulista nesse ano) por 8 a 0, foi base da seleção paulista e até da Brasileira. Teve, juro, uma das maiores equipes que vi jogar: Muca, Nena e Noronha; Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci; Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Simão.

Trata-se da Portuguesa, é claro, mas são histórias do passado. O presente não tem boas notícias: ao ser derrotada pelo Oeste, por 3 a 0, na noite desta terça-feira, a Portuguesa está matematicamente rebaixada para a Série C. Para a Terceirona.

É pena.


O São Paulo, só a 5 pontos do Cruzeiro. Palmeiras, preocupação por Valdivia, Corinthians, alívio no caso Petros
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Roberto Avallone

1- Para quem esteve tão mais distante do líder, nada mau para o São Paulo encontrar-se agora a apenas 5 pontos do Cruzeiro. Ainda teremos 21 pontos em disputa e essa diferença de agora não parece nada impossível de ser tirada, em especial porque o Cruzeiro vem em queda livre de produção e também porque terá de se preocupar com o Santos, em dois jogos, pela semifinal da Copa do Brasil.

E o São Paulo alcançou essa boa posição na tabela, agora novamente vice-líder do Campeonato Brasileiro, graças à sua fácil vitória diante do Goiás, por 3 a 0 (gols de Edson Silva, Luís Fabiano e Alan Kardec) na noite desta segunda-feira no Morumbi. Fácil vitória porque o São Paulo a fez assim, marcando dois gols com pouco tempo de jogo (Edson Silva e Luís Fabiano) e concluindo o triunfo na etapa final com o gol de cabeça de Kardec. Quem não fez gol, mas jogou muito, foi Michel Bastos.

2- Ainda não se sabe exatamente se Valdivia terá condições de jogo contra o Bahia, no próximo domingo. É até provável que tenha, pois o exame realizado nesta segunda-feira mostrou que não houve fratura, mas revelou um edema muscular na região do abdômen- reflexo da disputa de bola com Elias, quando Valdivia teve atingido (sem maldade ou intenção do corintiano) o osso ilíaco e passou quase todo o resto do jogo sentindo dores.

Mesmo assim, machucado, Valdivia foi o melhor jogador do Palmeiras. Como quase sempre. Tudo bem, mas aí fica caracterizada a “Valdiviadependência”, pois com ele o Palmeiras é um time, sem ele é uma equipe bem pior. E no domingo tem um jogo de 6 pontos, em Salvador, contra o ameaçadíssimo Bahia.

A torcida do Palmeiras espera que Valdivia jogue. E como espera!

3- Deu a lógica no caso Petros: o Corinthians não foi punido com perda de pontos até porque, sinceramente, desde o início não vi nada que lhe pudesse atribuir dolo. O jogador estava aí, seu contrato foi reformado, o nome do jogador apareceu no BID. Faltava mais alguma coisa para poder jogar?

Com isso, livre por unanimidade, o Corinthians não perdeu os quatro pontos temidos- com justiça- e pode continuar sua luta pelo G-4, por uma vaga na Libertadores- o sonho que lhe restou no fim deste Campeonato Brasileiro.


Palmeiras e Corinthians, o empate que não fez bem a nenhum dos dois
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Roberto Avallone

Foto: Leandro Martins

Foto: Leandro Martins

Ao final do jogo, como é de hábito acontecer, reclamações de ambos os lados (Mano Menezes achava justa a vitória do Corinthians, Dorival Júnior clamava por melhor sorte do Palmeiras) e o goleiro Fernando Prass atribuía à fatalidade o fato de sua equipe ter levado, de novo, o gol de empate no final.

Pois concordo com muito pouco do que foi dito. E minha opinião, nem o Corinthians mereceu melhor sorte, indo mal quando jogou com apenas um atacante (Luciano), nem o Palmeiras merecia melhor sorte, pois recuou demais no segundo tempo e insistiu em atuar com apenas um atacante (Henrique) quando tinha Moche no banco de reservas, à disposição para os contra-ataques.

Fatalidade? Não, apenas lance estabanado de Juninho que não apenas rebateu a bola para o meio da área quando ainda, deitado, viu a bola chutada por Danilo (que ia para fora) bater em seu corpo antes de morrer no cantinho esquerdo de Prass. Reflexo, ainda, do recuo excessivo e da providência não tomada por Dorival Júnior que era de colocar Mouche para matar o jogo- a exemplo, aliás, do que fizera diante do Cruzeiro, no Mineirão, quando o argentino, em dois lances, no primeiro chutou a bola na trave e no outro fez o gol. Esqueceu-se Dorival da própria fórmula criada?

Assim, esse empate de 1 a 1 (gols de Henrique e Danilo) não foi bom para o Corinthians, que pelo menos momentaneamente sai do G-4, e menos ainda para o Palmeiras, que ao levar o gol de empate no começo dos acréscimos ainda continua próximo da zona do rebaixamento.

Situação difícil.

Quanto aos jogadores, foi nítida a vantagem dos defensores sobre os atacantes, com volantes e meias congestionando o meio-campo, sobrando espaço, talvez, para um brilhareco ou outro de Valdivia. Mas foi jogo suado, corrido, truncado, mas sem arte de outros clássicos entre Palmeiras e Corinthians, não fazendo justiça à história do Derbi- que pode ter sido o último no Pacaembu.


Palmeiras e Corinthians, o último Dérbi no Pacaembu
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Roberto Avallone

Reprodução Internet

Reprodução Internet

Sei lá se por um motivo qualquer, Palmeiras e Corinthians ainda voltem a disputar esse clássico no Pacaembu. Mas, pelo jeito, este sábado marcará o último Dérbi no velho e romântico estádio, que já abrigou tantas emoções: o Corinthians já tem a sua Arena, assim como o Palmeiras deve ter a dele em novembro deste ano.

E assim, para eles, o Pacaembu será apenas uma linda história.

Quanto ao jogo de agora, diria que é uma partida de contrastes, com o Corinthians em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro, lutando, no mínimo, por uma vaga na Libertadores: o Palmeiras, por sua vez, décimo- quarto colocado, briga mesmo é para não ser rebaixado para a Segundona, condição que sua torcida não esperava no ano de seu Centenário.

De qualquer jeito, é sempre um Palmeiras e Corinthians. Casa cheia. Sem favorito.

Aliás, de casa cheia sempre vi este clássico, desde os tempos de menino, levado pelas mãos generosas de meu pai às arquibancadas do Pacaembu. Vi o Dérbi de todas as maneiras, sempre com uma emoção especial entre os torcedores, algo que é percebido mas não explicado. Goleadas? Vi um 6 a 4 (dez gols) para o Corinthians no começo dos anos 50, com Claudio e Baltazar fazendo a festa e o goleiro palmeirense, Herrera, estrear e nunca mais jogar pela equipe acusado de falhar demais; vi também Palmeiras 5, Corinthians 2, com dois gols de Julinho, dois de Vavá e um Servílio contra dois do ponta-esquerda Lima, depois de o placar chegar a cinco a zero.

Brigas? Muito poucas, não me lembro de algum grande tititi no estádio. E não só no estádio, pois quando não coincidia de meu pai me levar, curtia ir de caminhão da Casa Verde até o Pacaembu, ao lado de torcedores de todos os times grandes. Sem nenhum drama.

Confesso que me atinge uma ponta de nostalgia. E não é uma pontinha, não. É uma nostalgia gostosa, que me remete aos tempos de paixão sem violência. Será que um dia eles voltam?


Palmeiras, quase o milagre sobre o líder. Corinthians, a volta ao G-4 e o caso Guerrero
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Roberto Avallone

Foto: Ramon Bitencourt

Foto: Ramon Bitencourt

1- Se antes do jogo o Cruzeiro era considerado o grande favorito e durante boa parte do duelo o Palmeiras limitou-se a defender e a viver de grandes defesas de Fernando Prass, no sentimento no final era outro: por pouco, muito pouco o Palmeiras- que foi outro nos últimos minutos, a partir da entrada de Mouche- não conseguiu vencer o líder Cruzeiro dentro do Mineirão, ficando no 1 a 1 (gols de Mouche e Dagoberto), quando a vitória já estava praticamente garantida.

Creio, no entanto, que circunstâncias à parte, o resultado não foi mau para esse Palmeiras que tenta se afastar bem mais da perigosa zona da degola. Empatar com o líder Cruzeiro, no Mineirão, normalmente não é desprezível e esse pontinho conquistado – se e bem que poderiam ter sido três-, ah, esse pontinho até que pode ajudar lá na frente.

Como o futebol é curioso e cheio de mistérios, até vale imaginar:

a) A entrada de Mouche, tão boa (uma bola na trave e um gol), não poderia ter sido decisiva para a vitória se tivesse acontecido antes, digamos uns 20 minutos antes?

b) E por curiosidade, a performance do ótimo Fernando Prass realizou alguns milagres durante o jogo, mas na última bola, no chute nem tão forte de Willian, poderia ter sido mais feliz: deu rebote e para dentro da área. Não foi frango e nem falha gritante, mas essa intervenção não fez justiça à grande atuação de Prass- ele merecia ter sido mais feliz no último lance do jogo. Acontece.

No resto, apesar do domínio  o Cruzeiro demonstra estar cansado nesta reta final de Campeonato, enquanto o Palmeiras esteve melhor  na defesa com a zaga formada por Tobio e Nathan, ficando Wesley mais uma vez a dever futebol no meio-campo  e Henrique muito isolado à frente.

Pelo jeito, muitas emoções para o clássico deste sábado, Palmeiras e Corinthians.

Foto: Daniel Augusto Jr.

Foto: Daniel Augusto Jr.

2- De volta ao G-4. O Corinthians venceu o Vitória, em Cuiabá, (2 a 1) com dois belos gols: o primeiro de Fábio Santos, num violento chute cruzado de esquerda; o segundo, o mais belo, depois de participação de Malcom (que passou a bola de calcanhar), Fábio Santos, Renato Augusto e Luciano- sendo que este deu um corte seco no zagueiro e finalizou para as redes.

O que isso significa? Em minha opinião, a autoconfiança recuperada- e rapidamente, depois da eliminação sofrida para o Atlético Mineiro e os protestos de alguns torcedores organizados. Mas vencer o Inter, em Porto Alegre, e voltar ao G-4 com segura atuação frente ao Vitória, deixaram o Corinthians em bela situação novamente, nesta gangorra que é o futebol.

O que não se esperava era a suspensão de Guerrero, por três jogos, ele que tinha sido absolvido no primeiro julgamento. E Guerrero é importantíssimo para o Corinthians, está em boa fase e não tem sequer um substituto no elenco com as suas características.

E nessa reta final de Campeonato, amigo, é tal história: a diferença faz a diferença. Nenhum detalhe deve ser ignorado.


O terror da degola. E mais: Bayern 7, Roma 1, será um hábito alemão?
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Roberto Avallone

FACE GALO

1- Na reta final do Campeonato Brasileiro, ai de quem não souber lídar com os times que estão na parte de baixo da tabela. E como nunca se viu antes- pelo menos não me lembro- pode-se dizer que são 10 os times que tentam fugir da degola, em incrível equilíbrio, o que deixa imprevisível o desfecho dessa história.

Uma história de terror.

Na noite desta terça-feira, por exemplo, em Salvador, o Atlético Mineiro vencia por 1 a 0 e levava jeito de quem iria bater o ameaçado Bahia por um amplo placar, sem a menor dificuldade. Bastou uma desatenção no final, no entanto, para Guilherme Santos surgir à frente do goleiro e, com leve toque encobrir Victor. 1 a 1, resultado final.

O placar não foi bom para nenhum dos dois, mas Guilherme Santos perdeu a cabeça: arrancou a camisa, chutou a bandeirinha de escanteio, parecia o herói de si mesmo. Foi expulso! Devia estar tomado pela tensão da zona do rebaixamento que ainda acolhe o Bahia, 31 pontos, igual ao seu rival Vitória.

E nesta quarta-feira, a rodada reserva outros lances de emoção e desespero para os ameaçados. Entre eles o Palmeiras, que não terá Valdivia contra o líder do Campeonato, o Cruzeiro, no Mineirão: o Mago cumprirá o segundo jogo da suspensão, ficando livre para enfrentar o Corinthians, no sábado. Foi uma boa ideia palmeirense propor o acordo ao STJD? Pela rivalidade, seria compreensível. A torcida certamente apoiará.

Mas, por outro lado, a esta altura do Campeonato o jogo mais importante é sempre o próximo.

Foto: Agência Reuters

Foto: Agência Reuters

2- Não deve doer tanto como numa semifinal de Copa do Mundo como aconteceu com o Brasil, no Mineirão, ainda este ano. Perder para a Alemanha por 7 a 1! Mas o torcedor da Roma deve ter ficado arrasado ao ver seu time derrotado pelo mesmo placar, desta vez para o melhor time alemão, o Bayern de Munique.  Será que a Alemanha pegou o gosto e animou-se a pintar o sete?

Aliás, foi uma terça-feira gorda em número de gols na Liga dos Campeões. Não dá para ignorar a façanha de Luís Adriano (ex- Inter de Porto Alegre) autor de 5 gols na goleada do Shaktar Donetsk por 7 a 0 contra o Bate Borisov. Antes do brasileiro, só Messi tinha marcado cinco gols em um jogo da Champions League.

Por falar em Messi, a dupla que o argentino faz com Neymar voltou a funcionar nesta terça-feira, cada um deles marcou o seu gol na vitória de 3 a 1 diante do holandês Ajax, em Barcelona. Deve ter sido uma espécie de aperitivo para o “clássico dos clássicos”, marcado para este sábado com o Real Madrid.

Que jogo!


Ao Santos, os gols; ao Palmeiras, a recaída. E Corinthians, o das façanhas
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Roberto Avallone

Foto: Reinaldo Canato/UOL

Foto: Reinaldo Canato/UOL

1- O Santos nem precisou correr tanto, preferindo se aventurar nos momentos certos, para bater o Palmeiras, por 3 a 1. Para quê se expor ao desgaste se, caindo na própria imprudência, o adversário era vítima dos próprios erros em tarde de domingo de Pacaembu lotado que apoiava o Palmeiras como se fosse aquele de antigamente?

O Santos chegou aos dois primeiros gols por méritos próprios, é verdade, mas com a colaboração de erros primários da defesa palmeirense. No primeiro, o jovem Geuvânio chegou a apostar corrida com o veteraníssimo Lúcio antes de chutar no canto esquerdo de Fernando Prass. E no segundo gol, em falta batida em profundidade da intermediária do Palmeiras, mais uma vez pela esquerda do ataque, Lucas Lima serviu Mena que cruzou para Gabriel marcar.

Qual a coincidência dos dois lances? Simples: o lado direito da defesa do Palmeiras estava totalmente desprotegido. Culpa de Lúcio, do jovem lateral João Pedro e até do técnico Dorival Júnior que não preparou esquema adequado para conter a previsível velocidade do Santos.

Ah, o jogo estava liquidado.

Mesmo assim, na etapa final, enquanto o Palmeiras girava o campo sem contundência, o Santos fez mais um gol, Gabriel- em posição discutível-, como? Outra vez, mais pelo lado direito da defesa palmeirense, desta vez um pouco mais pelo meio, com direito a Gabriel escolher o canto (preferiu o direito), sozinho, à frente de Fernando Prass. No finzinho, o gol de Henrique, de cabeça, após centro de Mazinho (que entrara no lugar de Wesley) foi só para configurar o chamado gol de honra.

Honroso, sim, mas que não resolve nada.

Com o clássico, o Santos ganhou a certeza de que está apto para brigar por suas ambições e de que joga melhor sem Leandro Damião. E o Palmeiras se convenceu de seus limites e de que nesta aflita luta contra o rebaixamento nem pode se descuidar diante daqueles que estão acima da tabela: é jogar no feijão com arroz, fechadinho e se aventurando de vez em quando ao ataque.

Caso contrário, levará outra surra.

Foto: Divulgação/Agência Corinthians

Foto: Divulgação/Agência Corinthians

2- Este, sim, é o mais puro Robin Hood corintiano. Mais do que isso, um Robin Hood imprevisível, Depois de perder de 4 do Atlético Mineiro e do protesto de sua torcida, lá se foi o Corinthians, a enfrentar o Inter, em Porto Alegre, lutando ainda com a presença de Nilmar entre os colorados.

E seguindo a regra que o acompanha neste Campeonato, venceu mais um forte: 2 a 1, gols de Guerrero, Gil e Nilmar, colocando-se outra vez a candidato pelo menos a uma vaga na Libertadores- sonho que parecia desfeito após a goleada sofrida diante do Galo e que o eliminou da Copa do Brasil.

Como prever este Corinthians?


Com Ganso e Ceni, o São Paulo perto do topo. E o Galo chegando…
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Roberto Avallone

Fotos: Miguel Schincariol

Fotos: Miguel Schincariol

1- Um golaço de falta de Rogério Ceni e um arremate de artilheiro de Paulo Henrique Ganso derrotaram o Bahia por 2 a 1 (Fahel ainda descontou, no fim, para a equipe baiana) e colocaram o São Paulo pertinho do topo, em perseguição ao líder Cruzeiro. Pelo menos neste momento, antes de o Cruzeiro jogar, a diferença é de apenas quatro pontos, diminuindo muito em relação ao que já foi a vantagem cruzeirense.

Neste Campeonato Brasileiro cheio de oscilações, de muito equilíbrio entre as equipes, enganaram-se aqueles que já davam como certo o bicampeonato para o Cruzeiro. Pode até acontecer. Talvez ainda seja o mais provável; Mas sem nenhuma garantia.

Quanto ao tricolor, foi justa sua vitória sobre o Bahia, no Morumbi, com um Paulo Henrique Ganso vibrando muito com seu gol e durante toda a partida, além de Rogério Ceni festejar o belo gol de falta com o entusiasmo de quem está começando a carreira. O São Paulo entra na reta final do Campeonato Brasileiro com muito entusiasmo e isso pode lhe oferecer consideráveis chances de boas surpresas.

O tricolor está vivo. Muito vivo!

Foto: Getty Images

2- E o Atlético Mineiro, que já esteve fora de um final feliz neste Campeonato, vai chegando: firme no G-4 e com um olho- “Enquanto tiver chance matemática”- disse Diego Tardelli- lá em cima, onde está o arquirrival Cruzeiro. Neste sábado à noite, no Estádio Independência, venceu a Chapecoense por 1 a 0, gol de seu jovem lateral-esquerdo, Douglas Santos, depois de passe açucarado de Guilherme.

O placar, magro, refletiu as dificuldades da partida. A Chapecoense é equipe dura de ser batida e só não arrancou um empate em Belo Horizonte porque o goleiro Victor fez uma grande defesa e o atacante Camilo perdeu gol certo. Embora esteja na parte de baixo da tabela, a Chapecoense tem feito boas exibições, como naquela goleada de 5 a 0 sobre o Inter e na vitória sobre o Bahia, fora de casa.

Por sua vez, o Galo fechou uma semana iluminada, que começou no domingo passado com o triunfo sobre o São Paulo (1 a 0), continuou com a goleada diante do Corinthians (4 a 1) que o fez semifinalista da Copa do Brasil e encerrou-se com esta dura vitória sobre a Chapecoense.

Já tem 50 pontos no Campeonato Brasileiro.


Corinthians, encontro marcado com a insatisfação. E a grande goleada do Santos
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Roberto Avallone

Foto: Wagner Carmo

Foto: Wagner Carmo

1- Leio que a Gaviões, principal torcida organizada do Corinthians tem protesto marcado para esta sexta-feira no CT do clube. O que já era esperado. Pelo jeito não será como daquela outra vez, com invasão, e que deu tanta polêmica; igualmente supõe-se que não haverá violência, pois, segundo comunicado oficial, as manifestações acontecerão do lado de fora do Centro de Treinamentos.

Que assim seja. E abaixo a violência!

Agora, o que se pode conter, desde que pacífico, é o profundo desgosto que causou a perda na Copa do Brasil para o Atlético Mineiro, especialmente do jeito que foi: fácil vitória em São Paulo, 2 a 0, um gol marcado logo de cara no Mineirão (Guerrero) e, depois, os quatro gols do Galo fatais para as ambições corintianas. Uma derrota de tirar o fôlego.

Há quem fale em apatia da equipe. Não concordo. Não faltou vontade. O que faltou este ano, em minha opinião, foi planejamento- talvez um pouco de ousadia- para montar elenco mais qualificado. Nem estou dizendo quanto ao time, que fica na média de outros grandes, mas de elenco, de banco de reservas: está o garoto Felipe à altura de substituir Gil, que ficou no banco de reservas? E quem para o lugar de Elias, que por circunstâncias teve de jogar pouco tempo? Há companheiros adequados, no ataque, para serem companheiros de Guerrero? Não, é sabido que não.

Quanto ao técnico Mano Menezes, tirando o fato de ter esquecido Jadson, já é conhecido o seu estilo de se dar melhor contra os mais fortes- daí, as vitórias contra o líder Cruzeiro, São Paulo, etc.- mas não acredito estar nele a parte maior da culpa das frustrações corintianas.

Parece-me, muito mais, um conjunto de coisas. O chamado contexto da obra.

Foto: Ari Ferreira

Foto: Ari Ferreira

2- Excelente a performance do Santos, que goleou o Botafogo por 5 a 0, redimiu-se da derrota sofrida para o Criciúma, saltando para a condição de semifinalista da Copa do Brasil, tendo o Cruzeiro como adversário. O curioso é que sem Leandro Damião, o Santos jogou melhor, com chances de até marcar mais gols. E também sem Robinho: Gabriel, David Braz (dois), Geuvânio e Lucas Lima balançaram as redes, sem a menor cerimônia.

Mesmo assim, Robinho estará de volta contra o Palmeiras, é claro, no lugar de Rildo. Aliás, este outro clássico, tradicionalíssimo, pelas circunstâncias deverá ter o Pacaembu lotado e emoção do começo ao fim