Blog do Avallone

Confirmado: Gareca teve seu último dia de Palmeiras.  Dorival é o nome
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Roberto Avallone

Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

De acordo com o que publiquei no meu post anterior, duvidando que Gareca passaria de hoje (segunda-feira) no Palmeiras, o técnico argentino foi demitido depois de uma coleção de fiascos à frente do clube. Lamento, mais uma vez, pois a contratação de Ricardo Gareca- técnico multicampeão na Argentina- significava uma tentativa de salto de qualidade tanto na parte técnica quanto na parte tática.

Mas não deu em nada. Ou melhor: deu em fracasso total, com o Palmeiras obtendo apenas 4 pontos dos 27 possíveis no Campeonato Brasileiro. números que o deixaram à beira da zona do rebaixamento, além de não exibir o menor padrão de jogo, atacando sem organização e conseguindo a façanha de ter a pior defesa da competição.

Pior, impossível.

Talvez se Gareca tivesse vindo em outro momento, no começo da temporada, por exemplo, as coisas fossem outras. Mas durante o impiedoso Campeonato Brasileiro, perdendo pontos atrás de pontos e sem grande qualidade técnica no elenco, o que fazer? Há mais de um ano, o Palmeiras tem Wendell como lateral-direito, oscila entre Juninho e Vitor Luís na lateral-esquerda, sofre com a falta de um volante de ofício e nem sabe se os últimos contratados- Tobio, Allione, Cristaldo e Mouche vão render aquilo que o ex- chefe, Gareca, esperava.

Dono de uma equipe inferior à que disputava a Série B no ano passado, por ter perdido alguns jogadores importantes (Henrique e Alan Kardec, por exemplo), o Palmeiras não pode se dar ao luxo de atacar de qualquer jeito, é preciso cuidar também da defesa e da posse de bola.

E quem será o novo técnico? Pelo que se fala nos bastidores, Dorival Júnior, sobrinho de Dudu, é o nome mais cotado. Quando disse que Dorival é o nome, não quer dizer necessariamente que ele será contratado, pois é longo o caminho entre o interesse e a consumação do acordo. Mas, por enquanto, Dorival é o preferido, estaria até viajando (de Florianópolis) para São Paulo, embora a lista dos técnicos comentados- Tite, Leão, Jorginho, etc.- seja imensa.

Que Dorival Júnior, se assim for, tenha mais sorte do que Ricardo Gareca.


Gareca passa de hoje no Palmeiras? E uma rodada sem vitória paulista
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Roberto Avallone

Foto: Djalma Vassão

Foto: Djalma Vassão

1- Não que eu deseje, pois sempre defendi a tese de que o futebol brasileiro andava precisando de um bom técnico estrangeiro, mas ao que parece Ricardo Gareca está com os minutos contados no Palmeiras. Em futebol nunca se sabe, pode acontecer uma reviravolta, um outro pensamento, coisa e tal; só que os números da campanha de Gareca são assustadores, taticamente o Palmeiras foi considerado um desastre frente ao Inter (até o capitão Lúcio reclamou de que o time ficava exposto demais) e o rebaixamento é um risco realmente sério.

Não há mais tempo para experiências.

Tenho a impressão de que Careca, técnico muito respeitado na Argentina e multicampeão pelo Velez Sarsfield, chegou ao Palmeiras em momento errado; em meio a um Campeonato Brasileiro disputadíssimo, apesar da parada para a Copa, quando o ideal talvez fosse chegar no começo do ano, tendo todo um Campeonato Estadual para fazer suas experiências e conhecer melhor os adversários.

Do jeito que está, em disputa de alto risco, fica realmente difícil.

2- Além do Palmeiras, que perdeu para o Inter, todos os outros clubes paulistas passaram o fim de semana do Campeonato Brasileiro sem uma única vitória, embora São Paulo e Corinthians se mantenham no G-4: o Corinthians começou perdeu para o Fluminense, gol de pênalti de Fred, e só empatou no segundo tempo, gol de Romarinho depois de excelente jogada de Renato Augusto. E agora, o Corinthians parte para uma fase difícil, pois ficará sem Gil e Elias (Seleção Brasileira) e Guerrero (Seleção do Peru), desfalques consideráveis em favor de jogos amistosos, enquanto corre o Campeonato. Isso pode?

Por sua vez, o São Paulo enfrentou o Figueirense sem Pato, sem Ganso. E saiu perdendo, gol de Giovanni, mas atacou o suficiente para conseguir o empate, gol de Rogério Ceni de pênalti.

“Até que não foi ruim o resultado”- disse o técnico Muricy Ramalho. E não foi mesmo.

Pior foi o que obteve o Santos, derrota de 1 a 0 para o Botafogo, mais um gol de Daniel, grata revelação botafoguense e que faz gol bonito em quase todos os jogos. Solidificado no Brasileiro, na parte média da tabela, o foco do  Santos deverá ser daqui para a frente a Copa do Brasil, onde praticamente já eliminou o Grêmio. (Lembrando que Robinho também foi convocado pela Seleção Brasileira e desfalcará o time no brasileiro)


O Palmeiras é um time triste. E  Gareca também tem culpa
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Roberto Avallone

Desde o começo do jogo, já se percebia de que nada adiantariam aquelas mais de 30 mil vozes apoiando o Palmeiras no Pacaembu. Ao invés de alegria, insinuava-se tristeza naquele apoio entre ingênuo ou inútil: o Inter era mais time, o Palmeiras chegava a ser inofensivo (o goleiro Dida não fez sequer uma defesa importante) e, pior do que isso, mostrava-se uma equipe mal escalada e mal dirigida, sem padrão tático e sem nenhuma jogada ensaiada.

Falando assim até parece que foi goleada. Não no placar, que ficou no 1 a 0 (gol de Jorge Henrique, depois de atraso de Fábio na saída da meta), mas no conjunto do jogo, onde só o Inter soube rolar a bola, quanto o Palmeiras corria, corria… Era uma diferença brutal de categoria.

Vencer era preciso, claro, Mas como? Sempre fui favorável à vinda de um técnico estrangeiro (Jorge Sampaolli, da Seleção do Chile, era o meu preferido) e confesso que a figura de Ricardo Gareca, treinador tão respeitado na Argentina, insinuava-se como talhada para o sucesso. Mas, pelo menos até, agora, enganei-me: não vejo o Palmeiras protegido na defesa e em bem armado no meio do campo, assim como ataque carece de jogadas estudadas e de colocações apropriadas.

Pergunto:  qual é a posição do jovem Allione, 19 anos, liso e hábil, mas que se perde ao longo do jogo? Se for para ficar ali escondido pela direita, limitado a uma faixa de campo, ah, sinto muito, mas pouco perigo irá oferecer ao adversário. Este é só um exemplo, pois não deu muito para entender no jogo contra o Inter qual era função exata dos jogadores: terão sido bem orientados por Gareca ou o idioma ainda atrapalha?

Já não cravo mais que Gareca dure muito tempo. Até torço para que ele reaja. Mas que dá pena ver toda aquela torcida cantando, na vã ilusão de ver algo que lembrasse as histórias e as glórias do Centenário. Só que, dos tempos de glória, nem futebol. Apenas tristeza, muita tristeza.


O que será feito pela justiça ao goleiro Aranha? E o São Paulo abusou…
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Roberto Avallone

1- No começo, não deu para entender muita coisa: um dos melhores em campo, o goleiro Aranha virou-se para a arquibancada que fica em frente ao gol e mostrou-se indignado, virava a cabeça para a frente e para trás, depois chamou o árbitro. O que teria acontecido?

Ora, mais uma vez, ofensas racistas.  Segundo consta começou com um grito de uma moça (descobriu-se que seu nome é Patrícia Moreira), mas o que irritou mesmo o bom Aranha foi “aquele corinho que eles fazem” (imitando o som dos macacos) que foi o que tirou o goleiro do sério.

E o que vai acontecer agora? Desde que parta denúncia do ofendido (no caso Aranha), tendo como participante o Santos, a moça deverá ir até a delegacia para responder sobre as acusações. Deverá ser processada, não se sabendo se em liberdade ou não. E quanto ao grupo do “corinho” também não deverá ficar impune ao que aconteceu, até porque, segundo Aranha, foi o que mais o insultou.

No jogo, em si, Aranha faz belas defesas, inclusive num chute de Barcos, de pequena distância, em seu canto esquerdo. .

Belo passo do Santos para a classificação.

2- O São Paulo abusou de poupar titulares- Kaká, Ganso, Alan Kardec- e nem pode lamentar a derrota para o Criciúma, por 2 a 1, fora de casa. Afinal de conta, nem foi um resultado tão ruim e perfeitamente possível de ser revertido no jogo da volta, no Morumbi, em duelo, como se sabe, pela Copa Sul- Americana.

Quando Muricy Ramalho disse que “é preciso pensar mais à frente”, quanto a ter poupado titulares, entendi que sua preocupação é especialmente o Campeonato Brasileiro, pois o tricolor é hoje o vice-líder da competição e começa incomodar o líder Cruzeiro. O que me parece, sinceramente, uma preocupação das mais razoáveis.


A melancólica noite de Palmeiras e Corinthians
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Roberto Avallone

1- No Pacaembu, um dia depois de completar 100 nos de vida, o Palmeiras tinha motivos para confiar em bom resultado diante do Atlético Mineiro: ainda estava em clima de festa, tinha quebrado o jejum de vitórias ao ganhar do Coritiba no sábado e a Copa do Brasil é a sua única chance de título no ano.

Mas qual o que! Sem um meia-armador de verdade (Mendieta não faz essa função), a criatividade foi quase nenhuma, o Galo jogou melhor o tempo inteiro e teria vencido por um placar maior não fossem as grandes defesas do goleiro Fábio. Ao Palmeiras só resta lamentar o pênalti desperdiçado por Henrique, depois de converter a primeira cobrança (o juiz apontou invasão na área) e mais uma chance no finzinho, quando Mouche chutou para defesa de Victor.

O que, convenhamos, é muito pouco.

Agora, tentará o Palmeiras reverter o quadro em Belo Horizonte, na semana que em. Sua preocupação, no entanto, é com o duelo de sábado contra o Inter, pelo Campeonato Brasileiro: não ser rebaixado- pela terceira vez neste século-é tudo, creio, que o palmeirense pode sonhar no ano do Centenário do clube, cuja história é infinitamente melhor do que o time atual.

2- No papel, o Corinthians é muito melhor do que o Bragantino. Na arquibancada, só dava a torcida corintiana. O que faltava, então, para uma noite memorável da equipe de Mano Menezes? Faltava o futebol, que não apareceu nesta noite contra o velho Braga, que foi mais ousado e perigoso (no contra-ataque), diante de um Corinthians que vem oscilando nos últimos jogos.

E o que não se esperava aconteceu: com um golaço de Sandro, de fora da área, o Bragantino venceu o jogo por 1 a 0, podendo agora lutar por um empate no jogo da volta, na Arena Corinthians, visando a classificação para a próxima fase da Copa do Brasil. Não seria o caso de Mano Menezes determinar que Guerrero jogue centralizado como centroavante que sempre foi? Esperar por Nilmar- que faria bela dupla com Guerrero- é um sonho, mas que pode não se concretizar.


Palmeiras, cenas de uma paixão Centenária
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Roberto Avallone

CENTENARIO PALM 2

Fui apresentado ao Palmeiras por um grito. Um grito de gol!

Era o grito de minha tia Dora, que festejava o empate do Palmeiras contra o São Paulo, marcado por Aquiles, no jogo que valeria o título de Campeão do Ano Santo, em 1950. E eu menino que acabava de largar as fraldas,  tentei entender a alegria daquele grito, o que foi fácil perceber pelo abraço apertado de meu pai em minha tia, seguido de cumprimentos emocionados de todos da família.

O Palmeiras era o Campeão!

Fácil, pois, compreender o amor por aquele time da camisa verde, da história bonita, da superação da discriminação contra o imigrante, que ainda existia cinco anos após o término da Segunda Grande Guerra Mundial. Era uma história de valentia.

Mas, na verdade, fui entender mesmo o que significava Palmeiras quando minha família mudou da Barra Funda para a Casa Verde. Não pela troca dos bairros, mas sim por ter encontrado na Casa Verde, a fantástica figura de um tio-avô: Armando Meliani, marceneiro, um autodidata que amava os livros, o cinema e apaixonado pelo Palestra-que- virou Palmeiras. Um de seus orgulhos era ter jogado damas no Parque Antárctica com Romeu Pellicciari, o craque que marcará 4 gols na goleada de 8 a 0 sobre o Corinthians em 1933.

Ah, quantas histórias palestinas tinha o Tio Armando. Solteirão, desiludido do amor por ter gostado em vão de uma prima-o que não se admitia na época- transferira toda a sua paixão para o clube que amava. E me contava: “Robertinho, tinha uma época que a gente cantava assim: é com o pé, é com a mão, o Palestra é campeão”- referindo-se aos títulos conquistados no futebol e no basquete, as façanhas do advogado Dante Del Manto, o mais jovem presidente do Palestra, tricampeão paulista em 1932, 33 e 34, lembranças que enchiam seus olhos de lágrimas e o corpo todo de muito orgulho. Um dia, Tio Armando, percebendo que eu me interessava por seus assuntos e que começava a me afeiçoar por eles, resolveu dar-me um presente: colecionador, deu-me todos os recortes de jornal que guardava com muito carinho sobre as conquistas do Palmeiras.

Estavam em meu poder, então, as manchetes e primeiras páginas da Gazeta Esportiva e do Esporte- os mais procurados jornais da época pelos esportistas- contando a saga das Cinco Coroas, quando o Palmeiras obteve cinco títulos seguidos, culminando com a Copa- Rio, com os jornais considerando o feito como “Campeão do Mundo”, com os jogadores levando dois dias para chegarem do Maracanã até a sede do clube, de tanto pararem nas cidades do Interior para as devidas homenagens.

Ah, eu estava feliz com aqueles recortes. E passei a seguir o Palmeiras em todas as suas façanhas- do campeonato paulista ao Rio- São Paulo (em 1965, por exemplo, quando foi formada a primeira Academia), ao Robertão, ao Campeonato Brasileiro, à Libertadores de 1999. E também em suas derrotas, quase todas dignas, com exceção aos dois rebaixamentos acontecidos neste século. Meu Deus!

Tenho esperanças de mais cedo ou mais tarde, que o Palmeiras voltará a ser o Palmeiras que conheci. Só não vou recuperar os recortes que Tio Armando me deu, pois uma empregada lá de casa, sem conhecer o valor sentimental daqueles jornais, os vendeu no açougue. E por quilo.

Mas nunca mais ouvi falar dessa mulher. E as  façanhas, as guardo todas na memória. E no coração.


O golaço de Ganso, a ressurreição de Barcos, o conflito de Guerrero, a fase do Cruzeiro…
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC / Divulgação

1- A bola veio alta para a área do Santos e Alan Kardec deu de “casquinha” para quem pegasse. Ah, quem pegou foi Ganso, bola agora à meia altura, para puxá-la para cima, como num chapéu imaginário e de voleio, simplesmente sensacional, chutou para o alto das redes do Santos.

Golaço!

Depois, o São Paulo foi controlando o jogo, com destaque para seu quarteto- Pato, Alan Kardec, Ganso e Kaká-, domínio que só diminuiu na segunda etapa, quando o técnico do Santos, Oswaldo de Oliveira trocou o lento Leandro Damião pelo veloz Rildo, indo Gabriel jogar de centroavante. Os últimos minutos, então, foram empolgantes, com o Santos empatando aos 40 minutos (Gabriel, de pênalti) e Pato marcando dois minutos depois, aproveitando, com raça, o passe de Denílson.

Um belo clássico.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA / Divulgação

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA / Divulgação

2- Desta vez, Barcos voltou a ser aquele Barcos, com presença de área, oportunista. Fez os dois gols da vitória do Grêmio contra o Corinthians, por 2 a 1. Pelos corintianos quem marcou foi Guerrero que, sei lá a razão, resolveu jogar de ponta-esquerda; até que não foi mal, mas seria perigoso se, como Barcos, assumisse a posição de centroavante.

Em minha opinião, no entanto, o Corinthians disputou um bom segundo tempo, esteve no ataque, chutou bola na trave (Ralf) e quase conseguiu o empate. Guerrero foi expulso, com justiça, e não concordo com o técnico Mano Menezes com suas críticas à arbitragem (foi muito mais bola na mão do zagueiro gremista, Rodolpho), depois do jogo.

Simplesmente, o Grêmio aproveitou melhor as chances de gol. E o herói foi ele mesmo, Barcos, o velho “Pirata”.

Foto: Getty Images

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3- É claro que a fase, boa ou má, está diretamente ligada ao emocional. Tanto que ajuda e é ajudada pela competência. É o caso do Cruzeiro, líder do Campeonato Brasileiro com 39 pontos (média de pontos por jogo impressionante) e que se insinua rumado ao bicampeonato.

Pois este Cruzeiro venceu o Goiás por 1 a 0 (gol de Marcelo Moreno), mas contou com essa tal de fase- ou sorte- no último segundo de jogo quando Davi, do time goiano, chutou para fora o pênalti. Para fora- nem para defesa do goleiro e nem na trave.

E assim caminha o Cruzeiro, onde qualquer jogador, mesmo se for apenas regular, joga bola.


Palmeiras, sinal de vida. E Ronaldinho Gaúcho a caminho?
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Roberto Avallone

 

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

1- O primeiro tempo do Palmeiras foi dos mais razoáveis, com a raça e a disposição que envolveram o Coritiba, deixando placar o 1 a 0 que seria definitivo e na memória a lembrança do gol bem construído: ótima jogada de Marcelo Oliveira e o arremate certeiro de Juninho- surpresa na escalação de Gareca- para o fundo das redes do Coxa, aos 13 minutos do primeiro tempo.

Na segunda etapa, no entanto, talvez pela excessiva cautela em não deixar escapar a vitória- já que há dez jogos não sabia o que era vencer-, o Palmeiras nem se aproveitou do fato de o Coritiba estar com um homem a menos (Leandro Almeida fora expulso) e parou de jogar, permitindo ao adversário a impressão de dominar o jogo. Só que o goleiro Fábio não foi obrigado a fazer nenhuma grande defesa.

Enfim, o que valeu mesmo para o Palmeiras foi ter obtido os 3 pontos, valiosíssimos pontos que o tiram da lanterna do Campeonato Brasileiro e, pelo menos, o fez dormir fora da zona do rebaixamento. Quer dizer: possibilidade de passar o dia do Centenário com um pouco menos de aflição e aquele sinal de vida de combate à degola, verdadeiro pesadelo para quem já foi tantas vezes à caminho.

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

2- Segundo me contaram, já quase na madrugada deste domingo, Ronaldinho Gaúcho pode ser mesmo do Palmeiras, provavelmente coma a ajuda do Grupo dos Eternos Palestrinos (grupo apolítico); a contratação seria até o fim do ano e está prevista para acontecer nesta segunda-feira.

Cauteloso, ainda não cravo nada. Apenas passo para os amigos a informação que recebi. Trata-se de bom negócio: Em minha opinião, é, no mínimo uma ótima tentativa, pois a equipe carece de um meia e, pena, nem sempre se pode contar com Valdivia. E falando nisso, eventualmente, dependendo do esquema tático, creio que Ronaldinho e Valdivia até podem atuar juntos.

Assim, o Palmeiras daria um salto de qualidade.


Corinthians, a noite de Luciano. E os limites de Gareca
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Roberto Avallone

Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

1- Foi uma daquelas noites que o jogador talvez jamais esqueça. Jogo duro, empatado em 2 a 2, e, de repente, só dá ele, Luciano: marca o gol de desempate, de cabeça, marca o quarto com estilo e arremata com o quinto, cheio de oportunismo. Corinthians 5, Goiás 2, três gols de Luciano.

E ele nem começou a partida, entrando no decorrer do jogo, em função do jovem paraguaio Romero correr muito e produzir pouco, além de o Corinthians não pretender desperdiçar pontos em casa. Mas nem só de Luciano viveu o Corinthians: exalte-se a ótima atuação de Elias, justamente convocado por Dunga, volante que arma seu ataque como um meia de ofício.

Elias está em grande fase.

Foto: Reginaldo Castro

Foto: Reginaldo Castro

2- Não bastassem todos os motivos que atormentam a vida do palmeirense, eis que essa ladainha do técnico Ricardo Gareca começa a cansar: num dia, ele diz em entrevista coletiva que fica no Palmeiras até o fim, que não tem essa de pedir demissão, coisa e tal; no outro, volta a falar em desencanto, nos seus limites, insinuando a uma rádio da Argentina que o jogo com o Coritiba pode demarcar os seus desejos de ficar ou sair.

Insegurança? Pudor diante dos maus resultados?

Sei lá. O que sei é que há um contrato em vigor e, mais do que isso, um compromisso assumido entre o treinador e o clube, levado tão à sério que quatro jogadores argentinos foram contratados- Tobio, Mouche, Allione e Cristaldo-, embora nenhum deles, ainda, com sucesso absoluto.

Mas foram indicados por ele, Gareca, a quem cabe a missão de fazê-los jogar como se espera. Cabe a ele também fazer do Palmeiras uma equipe equilibrada e que não se abale tanto com um gol sofrido como aconteceu no jogo contra o Sport.

Aí quem sabe talvez comece a se desenhar um milagre de San Gennaro, que seria a fuga do Palmeiras ao rebaixamento, coisa que só os mais otimistas- ou românticos, em homenagem ao Centenário- acreditam neste momento.


São Paulo: a grande vitória. Palmeiras: lanterna e desespero. Santos: sem Robinho, mas com Damião
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Roberto Avallone

Foto: Wesley Santos

Foto: Wesley Santos

1- A façanha do São Paulo pode ter sido maior do que parece: ao vencer o Inter, em Porto Alegre (o que sempre é difícil), por 1 a 0, gol de Paulo Henrique Ganso, o tricolor deu um salto na tabela- agora é o terceiro colocado- e, mais do que isso, se faz respeitar pelos talentos que tem do meio- campo para a frente.

Isso significa: um vacilo, um só, e o adversário está morto.

Creio que este é o maior legado que podem ter deixado os dois últimos triunfos do São Paulo, em jogos que se não foi absolutamente superior, pelo menos mostrou essa virtude típica dos vencedores. Essa de aproveitar as chances que os erros dos inimigos concedem. E Paulo Henrique Ganso vem se mostrando especialista na questão.

Foto: Renato Spencer/Getty Images

Foto: Getty Images

2- Neste ano de seu Centenário, por ironia, parece que não bastava ao Palmeiras estar na zona do rebaixamento: talvez fosse preciso mais, como agora, simplesmente a lanterna do Campeonato, coisa que em seus tempos de glória nem lhe passava pela cabeça. O que mais falar do Palmeiras do que aquilo que foi falado? Lanterna, cheio de erros na montagem do elenco, não se sabendo, no momento, quem se salva- até o técnico Gareca entrou na fase da festa retrô ao escalar o time no segundo tempo com quatro atacantes, no velho e surrado 4-2-4 dos anos 60 e 70. Com uma diferença; sem nenhum meia-armador para servir os atacantes.

Se servir de consolo, o Palmeiras iniciou até bem o jogo, fez gol (Henrique), insinuou reagir. Mas Fábio, logo ele que começou tão bem sua missão de substituir o grande Fernando Prass fez gol contra, dando um soco na bola contra as próprias redes.

E aí o time desmoronou, perdeu de 2 a 1 do Sport e poderia ter sido de mais.

Foto: Leandro Martins

Foto: Leandro Martins

3- Primeiro, o susto: Robinho, que vem se exibindo bem nessa volta o Santos, se machucou e saiu aos 30 minutos do primeiro tempo. Depois, o consolo: Leandro Damião ressurgiu das cinzas, fez o primeiro gol e ainda poderia ter marcado mais. Para completar, Thiago Ribeiro fez o segundo gol santista- 2 a 0 no Atlético Paranaense e a festa santista ainda se completou no fim do jogo, quando Marcelo desperdiçou a cobrança de pênalti para o Atlético.

Ah, a sorte sempre ajuda.