Blog do Avallone

O Galo soube como vencer o Palmeiras. E embolou o Campeonato
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Roberto Avallone

Foto: Ale Vianna

Foto: Ale Vianna

Sim, não foi apenas o Atlético Mineiro quem embolou o Campeonato Brasileiro. Foi também o Grêmio em sua vitória contra o São Paulo, que podia ter sido goleada, mas que graças ao goleiro Dênis ficou só no 1 a 0, gol de Douglas; foi também o Corinthians ,  que com o seu amargo empate diante do Figueirense (1 a 1), viu o resultado virar doce com a derrota do líder Palmeiras, que agora está só a dois pontos do Corinthians e do Grêmio. E logo em seguida, surge o Santos, que bateu o Vitória no Barradão, 3 a 2, ficando a apenas três pontos do líder, firmando sua posição no G-4.

A verdade é que o Galo soube como parar o Palmeiras que, sem o veloz e habilidoso Gabriel Jesus, não encontrou o jeito de furar a marcação do Atlético. Erik não tem o mesmo estilo de Gabriel muito menos o futebol do titular; além disso, jogando diante de três volantes, Cleiton Xavier sumiu da partida, Tchê- Tchê ficou nas tentativas e o meio-campo do Palmeiras viveu da boa marcação de Thiago Santos. Por coincidência ou não, no minuto seguinte à saída de Thiago Santos- por lesão ou cansaço-, o Atlético Mineiro fez o gol do triunfo,em jogada bem trabalhada: Fred passou para Robinho, que descobriu Leandro Donizete, invadindo a área; Leandro chutou de canhota para o fundo das redes.

Coisa de quem tem jogadores habilidosos no ataque e no meio-campo. Como é o caso do Galo.

Creio que, sem Gabriel Jesus, o técnico Cuca terá de alterar um pouco seu esquema tático, reforçando o meio-campo (quem sabe com Moisés, que vinha jogando bem) e usando mais as jogadas pelas pontas,o que lhe possibilitará escalar um centroavante de ofício. Quando Gabriel voltar será outra a história, pois Cuca tem razão ao dizer que no elenco do Palmeiras não há nenhum outro jogador com as características de jogo desse jovem pretendido por grandes clubes da Europa.

Por falar em elenco, tem muita qualidade esse do Atlético Mineiro, que foi capaz de suprir desfalques importantes como os dois laterais (Marcos Rocha e Douglas Sants), do meio-campista Júnior Urso, de Cazares- que vinha sendo o craque do time e daí por diante. Como Luan está de volta e Pratto recupera aos poucos a sua forma física, o duro será escolher a quem escalar. Será, acredito, sério candidato ao título.


Corinthians, empate amargo. E no ataque, pelo ouro olímpico
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Roberto Avallone

Foto: Fernando Dantas

Foto: Fernando Dantas

1- Evidentemente, não foi nada bom para o Corinthians o empate com o Figueirense (1 a 1), em sua Arena, com mais de 38 mil pagantes- afinal, estava a equipe em plena perseguição ao líder Palmeiras, quem tem jogo difícil diante do Atlético Mineiro na manhã deste domingo. Agora, o líder não será ultrapassado nesta rodada, mesmo em caso de derrota.

O que mais preocupou o torcedor, creio, foi o nada brilhante futebol corintiano. E também o fato de pela segunda vez consecutiva tropeçar em casa- no domingo passado, aconteceu contra o São Paulo, o que embora fosse o tal de “clássico é clássico'', vinha de eliminação na Libertadores para o Nacional de Medellin, mas surpreendeu os quer achavam estar o tricolor emocionalmente abalado e desgastado pela viagem. Foi também 1 a 1 e olhe lá.

A  casa, é claro, não é o problema, pois foi em sua Arena que o Corinthians goleou- há pouco tempo- o Flamengo, por 4 a 0- e lá não perde, se não me falham as contas, há quase um ano. O problema é que, em relação ao ano passado, o time atual é pior e está sujeito a oscilações desse tipo, levando, no entanto, a perguntas: por exemplo,Pato não ira reestrear e estava animado?Ou o interesse do Villareal pelo jogador esfriou os ânimos? Levando também a interrogação sobre as razões de Marlone não jogar- ele que, agora, já está considerando sua volta ao Sport, se for liberado pelo Corinthians.

Quanto ao jogo contra o Figueirense, o Corinthians até jogou no ataque e criou mais chances de gol do que o adversário.Mas, ao mesmo tempo, saiu atrás no placar- e já no segundo tempo- através do belo gol de Dodô, só empatando aos 38 minutos da segunda etapa, com gol de cabeça de Danilo, após cobrança de escanteio. Pouco antes, o goleiro Cássio, último homem, derrubou na entrada área o atacante Dodô. Lance polêmico, que depende de interpretação, pois Dodo jogou a bola de lado, na chamado '' drible da vaca'' e iria ficar de cara com as redes. Não foi obstado de ficar em direção ao gol?  Cássio levou o cartão amarelo, não o vermelho reclamado por jogadores do Figueirense.

Prevalece a interpretação da arbitragem.

2- A esperança do futebol brasileiro em ganhar a inédita medalha de ouro olíimpica está em seu ataque. E que belo ataque, com jogadores vivendo especial momento, a Seleção pode formar com  Gabriel Jesus, Neymar e Gabigol se revezando constantemente entre os zagueiros, com Gabriel Jesus mais centralizado, Neymar vindo do meio-campo em diante e Gabigol deslocando-se pelas pontas.Ah, ainda tem Luan (do Grêmio) para, em caso de necessidade, juntar-se ao trio, num desfile de jogadores hábeis e velozes.

Não sei não, nem cravo, mas acho que pode dar samba.


Mercado da Bola: os últimos suspiros na janela
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Roberto Avallone

Reprodução: UOL

Reprodução: UOL

No último dia da janela de transferências (para compra) internacionais do futebol brasileiro, tivemos ansiedade, alegria, suspiros de alívio por êxitos alcançados e também torcedores lamentando não terem chegado jogadores sonhados. Como se todos esperassem por presentes, digamos de Papai Noel.  Começo pela ordem de importância dos jogadores, em minha opinião:

1- Diego, que acertou com o Flamengo depois de rescindir seu contrato com o Fenerbahçe, foi a contratação de maior impacto. Bom de bola, ele sempre foi. Não foi sucesso, no entanto, na Turquia, assim como não tinha sido antes, bem mais jovem (tem 31 anos)  no Porto e na Juventus de Turim, contrastando seus bons momentos no futebol alemão e no Atlético de Madri. Isso, sem falar de seu ótimo começo de carreira  no Santos.

Mas como é bom de bola, repito, e term currículo de 12 anos no futebol europeu, pode retomar a fama no Flamengo, que já tem um bom time e talvez careça de um meia-armador como Diego, já que está a acertar a defesa com Donatti e Rever. No ataque, conta com Guerrero, Éverton e, creio, um melhor rendimento de Marcelo Cirino com os lançamentos de Diego.

A conferir.

2- Nico Lopez, agora do Internacional, chega em alta pela boa Libertadores disputada com a camisa do Nacional de Montevidéu. Foi o carrasco do Palmeiras, o responsável pela sua eliminação: fez gol no Allianz Parque, vitória de 2 a 1, e o gol do triunfo no Uruguai, 1 a 0, na estreia de Cuca. Nico tem 22 anos, é ousado, sabe driblar e deve dar certo no Inter.

3- Andrés Chávez, reserva do Boca Juniors, foi a surpresa do São Paulo nos últimos momentos da janela. Patón Bauza o conhece bem. Não posso dizer se é bom ou mau jogador, pois nunca o vi atuar, apenas acompanhei o vídeo de alguns de seus gols: é alto (1 metro e 84), forte, canhoto e  o fato de ser reserva no Boca- antes de Calleri, depois de Benedetto- não desqualifica o seu futebol que era mais badalado em seu time de origem o Banfield. Prefiro esperar para avaliar esse jogador, embora confie no competente olho clinico de Bauza, que deve ter sido o responsável por sua contratação. Aliás, contratação por empréstimo, de um ano.

E nos últimos minutos da janela, o São Paulo acertou a contratação do lateral-direito Buffarini, do argentino San Lorenzo, velho sonho de Bauza. Eles foram campeões da Libertadores, em 2014, pelo San Lorenzo. Neste caso, porém, por um problema do sistema, dependerá a contratação de um aval da Fifa, que vai analisar os documentos que provam ter sido o negócio realizado antes do fechamento da janela. A tendência é a de não haver problema e Buffarini assinar com o São Paulo.

4- Outras transações também foram efetuadas, estas sem muito alarde. Como, por exemplo, o meia Aquino do Independiente argentino para o Fluminense e o volante Denílson (ex- São Paulo),do Whada dos Emirados Árabes para o Cruzeiro. Ficou faltando a decisão do caso Tardelli, que aceitaria vir para o futebol brasileiro desde que fosse negociado pelo clube que o afastou, o Shandon Luneng. Situação complicada.


Palmeiras: quebra do longo tabu e liderança mais folgada. E o Majestoso…
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Roberto Avallone

Foto: Jeferson Guareze/Agif-

Foto: Jeferson Guareze/Agif-

1- Na verdade, já era para o Palmeiras ter feito mais uns dois ou três gols, no primeiro tempo. Não fez, Gabriel Jesus desperdiçou duas boas chances, Roger Guedes outra, e o Inter até ficou animado para o segundo tempo, lançando-se ao ataque diante de mais de 30 mil torcedores, na estreia do técnico Falcão. E havia um tabu, pois há 19 anos o Inter não perdia para o Palmeiras em Porto Alegre. Mesmo assim, Fernando Prass não precisou fazer nenhuma grande defesa.

Este , afinal, é um Palmeiras diferente, veloz e combativo como quer seu (bom) técnico, Cuca.Ao marcar o gol da vitória, aos 10 minutos do primeiro tempo, através de Erik- que aproveitou muito bem um desvio de Gabriel Jesus após centro da Cleiton Xavier-, o time não se limitou a garantir o resultado, aproveitou as brechas para o contra-ataque e, repito, poderia ter liquidado o jogo já na etapa inicial. Quer dizer: jogou bola.

No segundo tempo, bem aí, com a necessidade do Inter pelo resultado,o Palmeiras mostrou seu lado defensivo e deu-se muito bem, principalmente com Edu Dracena (surpreendente a sua recuperação), Vitor Hugo e o eterno Zé Roberto, 42 anos, que não perdeu um bote sequer da marcação. Ah, e a importância daquele que, em minha opinião, foi o melhor do time, Thiago Santos,perfeito na marcação e bem inclusive na saída de bola e no apoio. O Inter já tinha Valdivia em campo, depois Anderson e o grandalhão Ariel (l metro e 90), o que sugeriu mais cuidados; Cuca respondeu fazendo entrar Dudu, Rafael Marques e Leandro Pereira.

Deu certo.

Com essa vitória, o Palmeiras amplia a vantagem na liderança, com três pontos de diferença em relação ao Corinthians(32 a 29), cinco na frente do Grêmio(que perdeu para o Sport, na Ilha do Retiro, 4 a 2) e seis à frente do Santos(26 pontos), numa comparação com as equipes que, no momento, compõem o G-4. Sempre procuro dizer “no momento'', pois, é claro estamos na décima- quinta rodada do Campeonato e muita bola ainda vai rolar. A competição é longa e cheia de surpresas.

O que vem sendo claro, no entanto, é que o Palmeiras é líder com muito estilo.

Foto:  Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

2- Valho-me dos melhores momentos e de um resumo de opiniões para falar da surpresa no Majestoso, o clássico Corinthians e São Paulo, na Arena de Itaquera, empate de 1 a 1. Surpresa poque o São Paulo voltou na quinta-feira da longa viagem a Medellin, onde a derrota para Atlético Nacional, por 2  a 1 o eliminou da Libertadores: e, mesmo assim, cansado e provavelmente aborrecido por não ter ido à final- além da saída de Ganso, Calleri e Alan Kardec-, o tricolor tirou de letras todos esses motivos e enfrentou o vice- líder Corinthians, em seu estádio, respaldado por mais de 42 mil pagantes jogando  no mínimo de igual para igual.

Segundo a estatística, Corinthians e São Paulo tiveram igual porcentagem de posse de bola, 50 por cento, o que revela o equilíbrio da partida. Pressionada, talvez, pelo favoritismo de antes do jogo, a equipe corintiana até criou (poucas) chances de gol mas deu a impressão que , no segundo tempo, estava mais confuso e desorganizado do que o São Paulo, E parte da torcida vaiou o técnico Cristóvão Borges por ter substituído Marquinhos Gabriel, de quem gosta muito.

Não se sabe se o Corinthians terá mais reforços, além de Pato (que esteve em Itaquera)  para a sequência do Campeonato. Por sua vez, o técnico Edigardo Bauza insiste em reforços para o tricolor e acredita que venham dois ou três “do meio- campo para a frente''.  Um deles, comenta-se, seria o centroavante argentino Caraglio.

Tudo bem. Só que é bom lembrar, a janela de transferências fecha nesta terça-feira…


No Mercado, novidades e sonhos desfeitos
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Roberto Avallone

Reprodução: UOL

Reprodução: UOL

Nos últimos dias da janela para compras dos clubes brasileiros- fecha na terça-feira- fica só uma pergunta antes de desfilar sonhos desfeitos, partidas e até novidades: por que  os brasileiros  não poderão contratar mais no Exterior depois do dia 19, se os europeus têm prazo até a segunda quinzena de agosto para se reforçarem por aqui?Creio que seria mais justo adequar o calendário, pois assim, se acontecerem vendas,os clubes poderão ter reposição. Enfim…

1-  Tinha gente do Barcelona e do Borussia Dortmund na Vila Belmiro, acompanhando a vitória do Santos sobre a Ponte Preta, 3 a 1 . Especula-se que o representante do Barcelona acompanha os passos de Lucas Lima- até por sugestão de Neymar- enquanto o enviado especial do Borussia Dortumd ficava mais atento ao que fazia Gabigol que, alías, fez o terceiro gol santista e ajoelhou-se no gramado para beijar o símbolo do Santos.

Não chega a ser surpresa, se acontecer a saída de ambos. Fala-se nisso há já um bom tempo. Mas o trocedor santista faz figa para que isso não aconteça, logo agora que o time vai-se firmando no G-4 do Campeonato Brasileiro.

2- Quem já foi negociado e até chorou no vídeo-despedida ao São Paulo e a todos que o apoiaram no clube: Paulo Henrique Ganso, realmente negociado com o Sevilla, realizando seu sonho de jogar na Europa. No São Paulo, Ganso foi inconstante, alternando momentos de craque com outros momentos não tão felizes. Creio que o São Paulo não perdeu dinheiro com Ganso e tampouco teve lucro fantástico. Mas valeu. Bom mesmo para o tricolor foi ter negociado (se não deu nenhuma zebra no sistema de transferência)  Alan Kardec- que não estava em alta- por um preço superior ao que pagou por ele ao Benfica.

3- Os sonhos desfeitos começam por Tevez que.  segundo uma fonte era desejado pelo Corinthians, deverá ficar mesmo no Boca Juniors, apesar de abalado com a eliminação de sua equipe para o Independiente Del Valle, no solo sagrado do “La Bombonera''. Leio no site do Olé, diário da Argentina, declarações do vice-presidente de futebol do Boca que Tevez ficará. Inclusive o homem que aproximou Carlitos do time garante que “Ele é torcedor demais do Boca para ir embora. Ficará''.

Outro clube que teve suas intenções frustradas- ou adiadas, sei lá-  por reforços foi o Palmeiras, traído pelas circunstâncias: dois jogadores comentados nos bastidores (não de forma oficial)  nos quais havia interesse pertencem a clubes finalistas da Libertadores, o que torna impensável a liberação de ambos. Um deles é o meio-campista Guerra, do Atlético Nacional de Medellin, e o outro é o atacante equatoriano Angulo, do Independiente Del Valle. Com a classificação para as finais dos clube, não haveria muito o que se fazer agora. Para o futuro, quem sabe…

4- Novidade boa foi a do Inter, de Porto Alegre,que deixou tudo certo para a contratação de Nico Lopez, que pertence a italiana Udinese mas que fez sucesso na Libertadores jogando pelo Nacional de Montevidéu: habilidoso, dono de muita mobilidade e goleador é o tipo do centroavante moderno e que tem tudo para se firmar.

Vejamos,  nos próximos três dias, se o Mercado trará mais surpresas.


No clássico, o público foi maior do que o futebol exibido
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco / Fotoarena/ Divulgação

Foto: Cesar Greco / Fotoarena/ Divulgação

Ao final do clássico, falava-se que o resultado não foi “de todo ruim'', nem para o Palmeiras e nem para o Santos: bem ou mal, com esse empate de 1 a 1, o Palmeiras ainda é o líder do Campeonato, 29 pontos, e o Santos salta para o G-4, 23 pontos e bem melhor saldo de gols do que os outros que têm essa pontuação. Matematicamente isso até que é verdadeiro, mas não é bem esse o sentimento do torcedor, que não é tão resignado quanto os números e esperava, é claro, mais gols no clássico e a vitória de sua equipe: foi batido o novo recorde do Allianz Parque com 40.o35 pagantes.

As razões para as queixas:

1- Pelo Palmeiras, há torcedores que criticam o segundo tempo da equipe; a modificação do técnico Cuca (colocou Arouca e não Cleiton Xavier no lugar do machucado Moisés, deixando o time com três volantes); o árbitro que não assinalou pênalti de Zeca-bola em seu braço direito-mas deu falta de Lucas Barrios em outro lance, pelo mesmo motivo; e a falta de sorte do time, que já estava sem Roger Guedes e Gabriel Jesus e ainda perdeu, durante o jogo, o eficiente Moisés (logo no início) e também o seu melhor jogador na partida, o zagueiro colombiano Mina, que jogou muito e ainda fez o gol, de cabeça, exibindo incrível impulsão, logo aos 6 minutos. Realmente, é muita coisa! Ah, e teve o gol de empate, marcado por Gabigol, em chute que desviou em Vitor Hugo, tirando qualquer chance de Fernando Prass.

2- Pelo Santos, os lamentos mais ouvidos foram os do mau primeiro tempo, com Lucas Lima e Gabigol sem render o que podem, e, curiosamente, o belo segundo tempo, etapa em que o Santos dominou o naquela altura alquebrado Palmeiras, teve muito mais posse bola, mas não foi além de um empate: “A vitória esteve muito perto da gente''- dizia Gabigol, depois da partida. Na verdade, foi impressionante como o Santos esteve diferente de um tempo para o outro, inclusive na participação de Lucas Lima que, sincero, ao saber da presença do técnico Tite no estádio, disse “que espero que ele tenha gostado, pelo menos do segundo tempo, pois o primeiro foi ruim''. Mas, como já foi dito, o segundo tempo do Palmeiras também foi ruim, ao contrário do primeiro, quando fez por merecer a vitória parcial e que foi desfeita na etapa final.

Enfim, não foi um clássico à altura de suas tradições, de futebol sempre belo e goleador. Mas, pelas circunstâncias, pelo menos os jogadores atuaram com muita disposição e o resultado-como foi dito no início-, colocou um na liderança e o outro no G-4.

Meno male para ambos.

 


A maior façanha do futebol de Portugal. E o legado da conquista
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Roberto Avallone

Foto: Reuters

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Foi um feito histórico, inesquecível, mas que não deixa de ser surpreendente; a Seleção de Portugal- sem Cristiano Ronaldo, que saiu de campo, machucado e chorando, aos 24 minutos do primeiro tempo- ousou derrotar a favorita e anfitriã França, que dias antes eliminara a temida Alemanha, tornando-se a campeã da Eurocopa 2016.

São três aspectos que devem ser levados em consideração:

1- Quanto ao jogo em si, a França com seus jogadores renomados- só Pogba está cotado em 400 milhões de reais- começou melhor e assim continuou por bom tempo, antes e depois da contusão de Cristiano Ronaldo. Mas enquanto os franceses desperdiçavam chances e alguns de seus jogadores não rendiam o esperado- Griezmann, Giroud, Pogba, etc- o goleiro português, Rui Patricio fazia defesas espetaculares, o que deixava à flor da pele os nervos dos anfiriões favoritos.

Sempre valente, no entanto, Portugal encorajou-se também a atacar, suprindo com raça e jogo coletivo a ausência de seu craque maior, Cristiano Ronaldo. Mais do que isso, além da coagem já existente, ganhou autoconfiança, ousadia. E foi essa uma das razões que fez Éder chutar de fora da área, um chute rasteiro, com certo efeito, entrando no canto direito do goleiro francês, Lloris. Isso, já no segundo tempo da prorrogação, o que significava praticamente o fim do sonho francês e a glória da seleção portuguesa.

2- Quanto ao significado da conquista portuguesa, creio que ele vai além da glória e do rótulo de “maior feito do futebol português de todos os tempos'', o que realmente é, mas simbolizando também o resgate de causa perdida e que já parecia ganha: como, por exemplo, a perda da Eurocopa de 2004, em casa, para a modestíssima seleção da Grécia. Além disso, o que guardo na memória é o terceiro lugar na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, quando Portugal tinha uma grande seleção e um ataque inesquecível- José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Sinões. Nesta Copa, Portugal ganhou do Brasil (3 a 1) e teve em Euzébio o artilheiro da competição.

Em 2006, sob o comando de Felipão- que também foi o comandante de Portugal na Eurocopa de 2004- teve lugar honroso, o quarto lugar, na Copa da Alemanha. Mas essa conquista de agora foi, principalmente, o resgate da Eurocopa perdida diante da Grécia e também do “bater na trave'' nessas competições em que poderia ter ido mais longe.

Façanha histórica!

3- Quanto ao legado desse feito memorável fica, no entanto, uma lição para o futebol moderno: com a escassez de jogadores fora-de- série (quantos existem no mundo? Messi, Cristiano Ronaldo…), mesmo com a existência de bons jogadores, muito bons ou até ótimos (Neymar, o próprio Griezmann, etc), ah, sem ter em campo Monstros Sagrados, o que prevalece é o jogo coletivo, o que vale é a raça, o que importa é a estrutura tática- e também a sorte de estarem em bom dia os melhores do time.

Até prova em contrário, esses ingredientes provocam resultados inesperados, tornando o futebol cada vez menos lógico, cada vez mais improvável. Com todos os seus méritos, Portugal- que só venceu uma única partida no tempo regulamentar e duas na prorrogação- prova isso; assim como, em amarga lembrança, coube ao modestissimo futebol da Grécia derrotar o favorito Portugal há 12 anos.

Foto: Reuters

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A importância de Cristóvão nessa boa vitória do Corinthians
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Não pode ser coincidência. Mais uma vez depois de um fraco primeiro tempo, o Corinthians voltou muito diferente para a etapa final- como aconteceu contra o Flamengo-, venceu a Chapecoense fora de casa, 2 a 0 (gols de Rodriguinho e Marquinhos Gabriel), tirou a invencibilidade de seu adversário na partidas em Chapecó e, mais importante, alcançou o Palmeiras nos 28 pontos ganhos, na luta pela liderança do Campeonato.

Mais uma vez, o Corinthians se transformou de um tempo para o outro. Se foi impressionante a diferença no domingo passado, quando o Corinthians foi dominado pelo Flamengo na etapa inicial para depois arrasá-lo no segundo tempo com a goleada de 4 a 0, também foi visível que o técnico repetiu a dose neste sábado. Como? Adiantando a marcação, marcando por pressão a saída de bola do adversário, só não chegando a um placar mais elástico porque um gol de Balbuena de cabeça foi injustamente anulado; sem desistir, no entanto o Corinthians chegou à vitória com os gols de Rodriguinho e de Marquinhos Gabriel- este, embora canhoto, ao surgir pela direita e encobrir o goleiro.

Pode não ser em todas ações, mas em muitas delas- na postura de marcação, por exemplo- teve, em minha opinião, o dedo de Cristóvão. O que é uma bela surpresa. Como se sabe, ele veio simplesmente substituir Tite- que agora está na Seleção Brasileira-, um técnico multicampeão pelo Corinthians, sem ser, creio, unanimidade para ocupar o cargo de treinador tão vitorioso. Mas afável, de fala mansa, de ficar quase calado durante as partidas, Cristóvão está a se sair melhor do que se esperava, especialmente na virtude de “ler o jogo'' e mudar o jeito de jogar no vestiário.

Tudo bem que, embora invicta até esta partida em seu estádio, a Chapecoense não parece ter a força de outros campeonatos. Mesmo assim, é perigosa e ganhar três pontos lá em Chapecó por enquanto , neste Campeonato, é exclusividade do Corinthians.

O Corinthians de Cristóvão.


Palmeiras: bela vitória, liderança e desfalques para o clássico
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco/Divulgação

Foto: Cesar Greco/Divulgação

Vencer o Sport na Ilha do Retiro, seja qual for a fase da equipe pernambucana, nunca é fácil. Mas o Palmeiras, em novo estilo, conseguiu: ganhou por 3 a 1- com intensa participação de Gabriel Jesus nos gols-, jogando mais na velocidade e sem ambição de ter maior posse de bola, o goleiro Fernando Prass  levou poucos sustos e confirmou a liderança do Campeonato Brasileiro, três pontos acima do vice-líder Corinthians. E ainda com saldo de gols (4), melhor do que o rival.

Antes de destacar o jogo e seus principais personagens, no entanto, como quase nunca tudo é perfeito, um sinal de alerta para o próximo jogo do líder, o clássico diante do Santos, na terça-feira da semana que vem, no Allianz Parque: o Palmeiras terá sérios desfalques para esse jogo, pois o artilheiro do Campeonato Brasileiro (Gabriel Jesus, 10 gols), o habilidoso e veloz Roger Guedes e o volante Thiago Santos já estão fora da partida, por terem levado o terceiro cartão amarelo; além deles, os meio-campistas Moisés e Tchê- Tchê saíram de campo com problemas musculares e serão submetidos a exames  para saberem o que de fato aconteceu com eles. Mais desfalques?

Bem aí, entra em ação o elenco palmeirense, com suas opções, embora não com as características dos que saíram: Fabricio, Cleiton Xavier, Rafael Marques, Lucas Barrios, Dudu (atacante veloz, que deve se recuperar em uma semana), etc. Quer dizer que é possível Cuca montar boa equipe para enfrentar o Santos, mesmo perdendo um Gabriel Jesus, um Roger Guedes, coisa e tal.

Quanto ao jogo esta segunda-feira, destaco estes itens:

1- Impressionante a forma de Gabriel Jesus quando decide partir em direção ao gol, sem canetas ou firulas: fez o segundo gol, participou do primeiro (recebendo a bola em profundidade e centrando para Erik marcar) e também do terceiro, quando invadiu a área, driblou o goleiro Agenor com um totozinho e por ele foi derrubado no pênalti que Cleiton Xavier converteu, com categoria. Basta para dar a este menino as honras de o melhor em campo?

2- Em minha opinião, apesar de ter hesitado no gol do Sport- trombando com um atacante e deixando que outro, Gabriel Xavier, ficasse com a bola, driblasse Prass e marcasse-,o zagueiro Mina teve boa estreia no Palmeiras: não perdeu uma bola de cabeça, desarmou muito e mostrou, especialmente no primeiro tempo, potencial grande para um jovem de 21 anos e que não teve uma semana sequer de treinamento. Há quem discorde de minha opinião: respeito, claro, mas fico com ela.

3- Cuca soube, mais uma vez, dar ao time o estilo adequado para o tipo de jogo :colocou um volante de proteção aos zagueiros (Thiago Santos), trocou a posse de bola, repito, pela velocidade e deu acertou- até mesmo na entrada de Érik, autor do primeiro gol. Além disso, ao perder jogadores, lançou em campo a experiência de Cleiton Xavier e a juventude de Thiago Martins e Matheus Sales. Para esse jogo eram os adequados. E Cuca vive neste Campeonato o jogo-a-jogo, com cada adversário sendo uma nova história.

Até aqui, vem dando certo: o Palmeiras é o líder do Campeonato, pois não?

Foto: Pablo Kennedy

Foto: Pablo Kennedy


Romero, iluminado: Corinthians 4, Flamengo 0
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Roberto Avallone

Foto: Miguel Schincariol

Foto: Miguel Schincariol

Que o futebol tem mais de mil armadilhas e surpresas, isso já se sabe.E também o poder da transformação. Foi o que aconteceu nessa goleada do Corinthians sobre o Flamengo, 4 a 0, que teve no muitas vezes contestado Romero o melhor jogador em campo, decisivo para o placar exótico: fez dois gols, participou dos outros dois (Guilherme e Rildo) e infernizou a defesa do Flamengo, eficiente na direita, na esquerda e no meio da área. Romero, nota 10!

E quando falei em transformação- uma característica contante no futebol-, dou como exemplo o clássico entre corintianos e flamenguistas na Arena Corinthians: o Flamengo foi até melhor no primeiro tempo, teve o domínio das ações, chutou bola na trave esquerda de Cássio, coisa e tal. De repente, no segundo tempo, especialmente após levar o primeiro gol (Romero), sumiu:ao contrário, o Corinthians na etapa final teve ataque arrasador, velocidade impressionante e dois jogadores que saíram do banco balançaram as redes- Guilherme e Rildo. Sempre com a participação de Romero, jovem paraguaio, sempre lutador e veloz, mas que teve várias, vezes, sua técnica discutida.

Técnica?Pois se for levada em consideração sua atuação de ontem, seria dito até o que não é: perfeita. Como se fora ungido pelos deuses, Romero fez o primeiro gol de rebote, como um centroavante; serviu Guilherme para fazer o segundo como  um meia; como um grande chutador, fez com que o goleiro Muralha desse o rebote para a conclusão fatal de Rildo; e, no quarto gol, Romero se infiltrou pela esquerda, como um ponta, abriu para o meio e largou um belo chute.

Meu Deus!

Estou a falar da goleada e da exibição de Romero deste domingo, pois que não costuma ser assim. Mas pode ser que a bola exibição o embale para uma consistência maior  e o Corinthians, com tudo isso, pelo menos por enquanto igualou o número de pontos do Palmeiras (25), que joga nesta segunda, e ainda eva vantagem agora por pequena diferença no saldo de gols (2).

O Flamengo deve demorar para explicar a ele mesmo que aconteceu e o Corinthians saúda não apenas Romero, mas o futebol do segundo tempo e a recuperação de Pedro Henrique, jovem zagueiro-central, outro dia cometeu falha marcante contra o Atlético Mineiro.

Enfim, uma façanha que tão cedo- de empolgação- o corintiano não esquecerá.