Blog do Avallone

O Corinthians perdeu gols e o jogo. E o São Paulo…
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Roberto Avallone

Foto: Romildo de Jesus

Foto: Romildo de Jesus

1- Desta vez, foi Corinthians ao contrário: várias chances de gol perdidas e a defesa, sem proteção, permitindo ao Vitória a invasão de sua área e marcar por três vezes, chegando à virada, 3 a 2.  O jogo foi bom, diga-se, e em outro estilo, mais ofensivo com Guilherme, Giovanni Augusto e Marquinhos Gabriel, o Corinthians até que disputou um bom primeiro tempo, ficando à frente duas vezes no placar, com os gols de seus laterais, Uendel e Fagner, contra o gol solitário de Leandro Domingues.

Na etapa final, no entanto, o Vitória transformou-se no senhor do jogo até empatar, com Marinho, e virar a partida, com Kieza, que surgiu livre à frente de Walter e caprichou no arremate. Viu-se, então, que Tite lançou de vez sua equipe ao ataque, fazendo entrar Marlone, Luciano e Romero (sacando até Elias)-  justamente os jogadores que tiveram as chances desperdiçadas do segundo tempo, com Marlone  cabeceando para fora, Luciano em cima do goleiro e Romero chutando para longe do gol. Tite atribuiu à ansiedade a perda dos gols.

Acho que, além da ansiedade, o Corinthians ainda sente os efeitos do desmanche, das duas eliminações no ano (Paulista e Libertadores) e de atacantes mais eficientes na arte de balançar as redes. Creio que é preciso contratar. E quanto à defesa, é preciso, no mínimo, Tite escalar um volante mais marcador no lugar de Bruno Henrique para não deixar tão expostos  os zagueiros de área, pois que eles já têm muito trabalho na cobertura de dois laterais ofensivos como Fagner e Uendel.

Ao Vitória, o triunfo, histórico da virada. Ao Corinthians, em seu mau começo de Brasileirão, a certeza de que é preciso  agir no Mercado da Bola com rapidez.

Foto:Ale Cabral

Foto:Ale Cabral

2- Foi um desfecho inesperado esse que cercou o jogo entre São Paulo e Inter. Que final! O Inter vencia por 1 a 0, gol de Sacha, quando, aos 41 minutos do segundo tempo o eterno líder Lugano, de cabeça, jogou a bola para as redes. Pelo menos o empate garantido? É o que parecia, só parecia, pois aos 43 minutos, Sacha fez o segundo gol gaúcho, garantindo a vitória do Internacional, normal pelo equilíbrio do duelo, mas que era improvável diante da estreia dos dois no Campeonato Brasileiro- o São Paulo vencendo o Botafogo, fora de casa, com seus reservas; o Inter, não indo além de um empate, em casa, com a Chapecoense.

Vendo os melhores momentos do jogo, testemunho que no segundo tempo o São Paulo foi mais ofensivo, teve um pênalti a favor não marcado- cabeçada de Calleri, desviada com a mão por Paulão- e não pareceu sentir desgaste pelo jogo com o Atlético Mineiro pela Libertadores e nem o peso dos desfalques de Rodrigo Caio, Michel Bastos, Thiago Mendes e Mena.

Descuidou-se o tricolor, no entanto, com o contra-ataque do Inter, mesmo o Colorado terminando o jogo com dez jogadores, com a expulsão de Alex. E como dizia famoso locutor '' futebol é bola na rede''. 2 a 1.


Palmeiras, uma derrota para refletir
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Depois do encanto da estreia, quando venceu por goleada, o Palmeiras viu-se diante de uma situação longe de ser cor- de- rosa ao perder para a Ponte Preta, em Campinas por 2 a 1: foram várias as falhas de sua defesa, a partir dos volantes, erros que podem ser fatais- como foram- em um Campeonato tão equilibrado como o Brasileirão. Além do que, certos truques- como o revezamento entre Tchê- Tchê e Jean, da lateral para o meio- são adequados para certos jogos e não, por exemplo, diante de um time que sabe usar os lados do campo (no caso, o esquerdo, com Reinaldo) como o fez a Ponte Preta, jogando em casa, mesmo com apenas 7 mil e poucos pagantes no estádio.

Resumindo: embora tenha começado bem o jogo, inclusive com Cleiton Xavier chutando rente à trave, o Palmeiras teve desencontros e falhas que permitiram a Ponte Preta ser melhor no primeiro tempo e motivos para colher a sua primeira derrota, além de ter de refletir sobre revezamento de lateral com volante e sobre as melhores escolhas para compor o seu meio-campo: Arouca já não estaria em forma suficiente para ganhar uma vaguinha?

No entanto, como o futebol é curioso e às vezes paradoxal, mesmo não disputando uma grande partida, o Palmeiras poderia ter a chance de arrancar um empate diante da Ponte Preta se a arbitragem não falhasse ao anular um gol de Gabriel Jesus, aos 39 minutos do segundo tempo: ele estava adiantado, sim, mas o toque na bola veio de um zagueiro da Ponte Preta, Douglas Grolli, outro lance portanto, deixando de existir o impedimento de Gabriel. Pode ser que a Ponte se fechasse ainda mais e que nada acontecesse, mas faltavam 10 minutos- com os acréscimos- e o gol do empate poderia surgir, assim como surgiu o gol de Moisés.

Como o “se'' não existe em futebol e o gol de Gabriel Jesus foi anulado fica tudo na suposição, no talvez, no “pode ser que sim, pode ser que não''. O que prevalece é que a Ponte Preta venceu o Palmeiras, com dois gols de Felipe Azevedo- um deles de cabeça, aproveitando-se de boa cobrança em bola parada e total desatenção dos zagueiros palmeirenses- dando a impressão que, como em  outros carnavais, um favorito ao título tem de demonstrar regularidade, virtude que o Palmeiras ainda busca mas que ainda não encontrou.

Encontrará?


São Paulo, uma doce derrota. E a classificação
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Roberto Avallone

Foto: AFP

Foto: AFP

Perder assim, não faz mal. Ah, não faz mesmo. O importante era fazer um golzinho fora de casa, o São Paulo podia levar de 2 a 1, 3 a 2, pois que o Atlético não conseguira chegar às redes no Morumbi. E o regulamento da Libertadores é claro e implacável. Assim, foi doce a derrota do tricolor por 2 a 1, resultado que o leva a disputar a semifinal, algo impensável para uma equipe que começou perdendo para o The Strongest, aqui, em São Paulo.

Difícil também era imaginar que o São Paulo escapasse da avalanche atleticana em campo no começo do jogo, pois o Galo todo ofensivo fez 1 a 0 com Cazares, 2 a 0 com Carlos, não iria mais parar? Mas quem o parou foi o zagueiro grandalhão do tricolor, Maicon, que escorou um escanteio à frente do goleiro Vítor e colocou ordem na casa. 2 a 1.

Ao contrário do jogo no Morumbi, onde não houve futebol, o primeiro tempo no Horto fora eletrizante, com os três gols em 15 minutos. Depois do gol de Maikon, no entanto, e acentuadamente na etapa final, o que era vigor elétrico no Galo virou desespero, afobação. E sem deixar criar lances de perigo contra o gol de Denis, o São Paulo soube controlar o jogo e arrumou até espaço para contra-ataques, coisa improvável no começo do jogo, quando o Atlético insinuou massacre sem limites.

Enquanto o Atlético teve uma série de desencontros no confronto- tanto no jogo de ida como no da volta-, com Cazares fora do jogo do Morumbi e Rafael Carioca e Júnior Urso ausentes da partida no Horto- o São Paulo foi consumando a sua incrível transformação dentro da Libertadores, passando de time vulnerável e inseguro à condição de equipe difícil de der batida. A defesa, por exemplo, tornou-se segura com a presença de Maicon, que se entendeu muito bem com Rodrigo Caio; no meio-campo, Ganso, se não chegou a ser o fenômeno previsto no começo da carreira, trocou a aparente apatia por garra mais do que visível, além de ser sempre perigoso nas bolas paradas.

É outro esse São Paulo semifinalista. Ficou devendo esse Atlético Mineiro agora eliminado.


Faltou ataque ao Corinthians. Sobrou bom astral ao São Paulo
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Roberto Avallone

Foto: Ale Cabral

Foto: Ale Cabral

1- Marcação daqui, marcação dali, criatividade quase nenhuma, caiu muito bem esse 0 a 0 para esse Corinthians e Grêmio, no estádio corintiano. Jogada boa mesmo foi a de Marquinhos Gabriel, ainda no primeiro tempo, quando ele, com sutis toques de canhota, passou por três zagueiros gremistas.já dentro da área, mas errou no momento do último passe ou do chute- não ficou bem claro o que Marquinhos quis fazer.

O Grêmio veio mais para se defender e atuar no contra-ataque, pecando com os escorregões de Bolaños e na falta de habilidade de Bobô. O Corinthians, o dono da casa, bem que quis atacar (especialmente nos últimos 15 minutos) mas deu a impressão de não saber exatamente como; evidenciou, então, que ainda está pagando o preço do desmanche que o acometeu entre o fim do ano passado e o começo deste ano. Não foi culpa da direção, diga-se por justiça, pois foram pagas as multas de Renato Augusto, Jadson, Ralf, Vagner Love, etc.

E o Mercado da bola, hoje em dia, pelo menos no Brasil, não é tão pródigo em revelações disponíveis. Reconheça-se: o Corinthians de hoje- eliminado do Paulistão pelo Audax, da Libertadores pelo Nacional, é bem inferior tecnicamente ao campeão brasileiro do ano passado.Especialmente no ataque. Quando falo em ataque, não me refiro apenas aos finalizadores (que diferença de Vagner Love para André), mas também aos que criam as jogadas de gol.

Giovanni Augusto tem repentes, Rodriguinho às vez joga bem, Lucca era uma esperança , Marquinhos Gabriel também tem lampejos de bom jogador. No entanto, não é suficiente. Para o Corinthians sair dessa situação de fiascos em seu próprio estádio- sempre lotado- terá de procurar no Mercado jogadores daqui ou do Exterior para recompor sua criatividade e seu poder de ataque.

Caso contrário ficará mais na esperança e na força da camisa do que no futebol que há pouco tempo existia.

Foto: Reginaldo Pimenta

Foto: Reginaldo Pimenta

2- Seria difícil, há pouco tempo, quando o São Paulo estava por um fio na Libertadores e muito mal no Paulistão,que o tricolor com jogadores reservas tivesse êxito fora de casa, mesmo diante de um Botafogo limitadíssimo e que deixa saudades do passado. Pois agora,surpreendentemente revigorado na Libertadores, com boas chances de ir à semifinal, o astral do futebol do clube é diferente, uma coisa puxa a outra,e o São Paulo foi a Redonda só com suplentes e venceu o Botafogo, 1 a 0, gol de falta de Lucas Fernandes- um jovem bom de bola, meia habilidoso e de bom arremate.

Não sei bem qual é o mistério, deve ser o astral mesmo, mas o momento propício de lançar garotos é como esse, quando o time principal vai bem e os meninos não se sentem no dever de serem os salvadores da Pátria.Méritos, reconheçamos, para esse senhor de poucas palavras, de aparente carranca, o técnico Edigardo Bauza, que tem no currículo duas conquistas de Libertadores- uma pela LDU (disputando a final com o Fluminense) e outra pelo time do Papa, o argentino San Lorenzo.

Não é pouco.


Palmeiras, uma goleada de empolgar. Santos, saudades da Vila
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Roberto Avallone

Foto: Miguel Schincariol

Foto: Miguel Schincariol

1- Há um bom tempo o Palmeiras não jogava um futebol rápido e envolvente- especialmente no segundo tempo- como esse que exibiu na goleada sobre o Atlético Paranaense (4 a 0) em sua estreia no Campeonato Brasileiro. E não se diga que o Furacão, com sobras o campeão paranaense, seja adversário fraco: nos últimos dois anos não perdeu no estádio palestrino- empate de 1 a 1 e vitória de 1 a 0, gol de Walter-, foi também finalista da Primeira Liga, coisa e tal.

Mas foi o Palmeiras que jogou muito.  Tendo Cleiton Xavier como Maestro- terá definitivamente deixado para trás as lesões musculares?- e Gabriel Jesus como maior destaque, a equipe de Cuca ganhava as bolas divididas, invertia a posição de jogadores (Tchê- Tchê de lateral para volante, Jean de volante para lateral) surpreendendo o adversário. mantinha o jovem Roger Guedes como válvula de escape pela direita… Um futebol rápido, dinâmico, divertido, goleador.

Os 20 dias de descanso e treinos parece que fizeram bem. Para não ir muito longe, destaco, mais uma vez Gabriel Jesus: fez dois gols, belas jogadas e o centro para Roger Guedes inaugurar o placar, revivendo suas melhores partidas e penitenciando-se do jogo pífio que mostrou contra o Santos na semifinal do Campeonato Paulista. Gabriel é jovem, 19 anos, às vezes precisa domar a afobação, creio ser natural que ainda oscile.

A empolgação da goleada, no entanto, mais serve como um bom começo de Campeonato do que certeza de memorável campanha.  É possível que ela aconteça, pois o elenco é bom e Dudu e Mina ainda nem jogaram, mas o Campeonato Brasileiro é duro, não tem time fácil e é preciso ir naquela de '' jogo a jogo'', com o perigo à espreita a cada rodada.

De qualquer maneira, a goleada na estreia animou a torcida palmeirense. Em especial, depois da eliminação na Libertadores e no Campeonato Paulista. Fazer bela campanha no Brasileiro é possível, sim, mas desde que haja a determinação do jogo com o Furacão.

Ah, e com os pés no chão.

Foto: Fernando Michel

Foto: Fernando Michel

2- Longe da Vila Belmiro, o Santos é outro. Não rende como lá. E ainda mais desfalcado de Lucas Lima e Ricardo Oliveira que, diga-se, muito em breve estarão na Seleção Brasileira. Neste sábado, o Santos perdeu em Belo Horizonte para os reservas do Atlético Mineiro, embora entre esses reservas estivesse Cazares, o meia equatoriano já ídolo da torcida e que, sabe-se lá a razão, nem no banco ficou diante do São Paulo pela Libertadores.

E foi esse Cazares, o autor do gol da vitória (1 a 0) do Galo, acertando o chute, dentro da área, no alto do canto esquerdo do goleiro santista. Foi um jogo igual no primeiro tempo, com o Santos melhorando no segundo, embora sem força para chegar ao empate, não repetindo as atuações do Campeonato Paulista , especialmente quando jogou em seu estádio.

Ah, a bela e romântica Vila Belmiro…


Michel Bastos, o herói de um típico jogo da Libertadores
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Roberto Avallone

Foto: Marcos Ribolli

Foto: Marcos Ribolli

Pode parecer pequena a vantagem do São Paulo, pois o Atlético Mineiro em seu estádio costuma jogar muito, mas 1 a 0 (gol de Michel Bastos) é resultado nada desprezível em uma Libertadores:no Horto, o tricolor pode empatar ou até perder por um gol de diferença se balançar as redes pelo menos uma vez.Exemplo: 2 a 1 para o Galo, classifica o São Paulo, assim como 3 a 2, 4 a 3, etc. Sem depender dos pênaltis, o Atlético terá de vencer por pelo menos dois gols de diferença.

E pelo que se viu no jogo desta quarta-feira, no Morumbi lotado por mais de 61 mil pagantes,é bem possível que a partida da volta seja igualmente pegada, ríspida , com  a arte colocada de lado em nome de um discutível “espírito de Libertadores''. Dez cartões amarelos, a maioria para os jogadores do Atlético, entre eles Rafael Carioca e Júnior Urso- quer não poderão jogar a partida de volta. Assim como Robinho, lesionado.

Mesmo sem exibir futebol brilhante, este São Paulo da Libertadores é realmente outro, pelo menos quando joga no Morumbi: guerreiro, animado, solidário, um time de “Paton'' Bauza, técnico que leva em seu currículo a conquista de duas Libertadores, uma pela LDU e outra pelo San Lorenzo. O tricolor foi cauteloso mas não tão defensivo quanto o Galo, partindo para a vitória quando entrou Michel Bastos, sem dúvida um talento.

A  impressão que se tinha era a de Aguirre, técnico do Galo, jogava apenas pelo empate: o goleiro Denis não fez uma grande defesa sequer e no lance mais perigoso,quando mandou a bola para as redes, Lucas Pratto estava realmente impedido. Gol bem anulado. E no resto, o defensivismo do Atlético anulou o time por si próprio.

Não foi o espetáculo que se esperava. Aliás, nem espetáculo foi. Mas para o São Paulo, o importante foi a vantagem, é claro. E se o Atlético não for ungido pela magia do Horto e jogar essa mesma bolinha do primeiro jogo, pode ser uma vantagem definitiva.Não acredito, no entanto que essa bolinha se repita, creio mesmo que a vaga está em aberto.


O Mercado da Bola
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Roberto Avallone

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução

1- O Mercado da Bola já está a ficar aquecido. Talvez só não esteja mais porque se não for antecipada, a tal janela de junho só permitirá que jogadores contratados do Exterior joguem apenas em junho, na segunda quinzena. Alguns destaques:

a) O Corinthians quer dois jogadores- além de Camacho e Bruno Paulo, do Audax- desejo do técnico Tite que, no entanto não revela nome ou posição. Por dedução, um deles deverá ser centroavante, pois André não teve grandes performances e ainda desperdiçou pênalti decisivo diante do uruguaio Nacional. Há quem fale de Barcos, que está no português Sporting. Por enquanto, é pura especulação.

b) O São Paulo já pensa  em um centroavante, pois Calleri está programado para jogar no futebol europeu e Alan Kardec não vem rendendo o que dele se esperava. O nome da vez é Nico Lopez, goleador do Nacional e emprestado pela Udinese. Se vier, será bela tacada.

c) O Palmeiras recebeu nesta terça-feira o zagueiro colombiano, Mirna, 21 anos, 1 metro e 92, jogador no qual Cuca deposita grandes esperanças.Mas ele está naquele caso da tal janela, só podendo jogar em junho. Outra novidade foi a apresentação de Tchê- Tchê, eleito a revelação do Campeonato Paulista e que se trata de um polivalente. Do meia-esquerda tão sonhado não se fala, ficando apenas especulações- Dátolo, Thiago Neves, Diego…

d) O Santos quer contratar- já acertou com o argentino Vecchio- ,mas está se preparando mesmo para as investidas sobre seus principais jogadores; Gabigol, por exemplo, sairia por 30 milhões de euros (quase 120 milhões de reais), embora a multa seja mais alta. Quanto a Lucas Lima, que sempre mostrou a intenção de jogar na Europa, não se sabe; assim como fica-se na expectativa se a China voltará a procurar o goleador Ricardo Oliveira, 36 anos, na janela do meio do ano. O Santos não cede facilmente seus jogadores.

e) No Rio, quem está mais em busca de reforços, seguindo o pedido do técnico Muricy Ramalho, é o Flamengo. Em sigilo. Creio, no entanto, que o setor a ser reforçado é a defesa, especialmente no meio da zaga, onde caberiam dois jogadores de bom nível. Do meio-campo para afrente, o Fla tem ótimos jogadores- Arão,Cuellar, Mancuello, Cirino, Guerrero, etc. O Fluminense também fala em contratar, até para compensar a perda de Diego Souza, mas não se fala em nomes.

f) Em Belo Horizonte, o Cruzeiro acertou a contratação do lateral-esquerdo Bryan, do América- campeão- mineiro. Já o Atlético, dono de um dos melhores elencos do Brasil,aparentemente só contratará se surgir negócio de ocasião ou se um titular importante for negociado.  Não desejará inchar o grupo de jogadores, pois não?

g) Em Porto Alegre,  mais uma vez campeão gaúcho, o Inter já tinha manifestado interesse por um centroavante- falou-se até em Lucas Barrios, que permanecerá no Palmeiras- a menos que tenha mudado de ideia- com as boas atuações de um trio que combina: Vitinho, Sacha e Andrigo, hábeis e velozes. E pode dar chance a Mike, jogador que lhe pertence e que teve boas atuações pelo Audax no Campeonato Paulista. Já o Grêmio anda em compasso de espera, pois terá novo vice- presidente de futebol, Alberto Guerra. Ele terá o poder de decisão. Mas como habitualmente o Grêmio se apresenta forte para o Campeonato Brasileiro, espera-se que Guerra dê atenção especial na busca por reforços.


Ricardo Oliveira, o golaço para a História do Santos
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Roberto Avallone

Foto: Djalma Vassão

Foto: Djalma Vassão

O Audax até estava jogando melhor, com mais tempo no campo de ataque e o primeiro tempo caminhava para o final. De repente, um lançamento para Ricardo Oliveira e  o centroavante, já veterano, preparou uma travessura de menino: veloz, deu uma caneta (bola entre as pernas) no zagueiro e um sutil biquinho para surpreender o goleiro.

Golaço!

E foi o que deu ao Santos o título de campeão paulista, o de número 22 em sua História, superando o São Paulo (21), igualando-se  ao Palmeiras e perdendo apenas para o Corinthians, que já foi 27 vezes campeão paulista. Além da façanha histórica, um detalhe de tempos mais recentes e que  mostra a força do Santos no  Campeonato Paulista: a final contra o Audax foi a oitava consecutiva da equipe santista, repetindo seu próprio brilho, conquistado na época de Pelé.

Muito significativo.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O Santos soube jogar contra o Audax, não abrindo espaços para o adversário e contando com a força no contra-ataque e com o talento de Ricardo Oliveira e Gabigol- embora este não tenha brilhado tanto. Com Lucas Lima, considerado o craque do time, o Santos pode  contar pouco mais de 20 minutos, pois ele saiu de campo chorando lesionado. Uma  perda e tanto.

Quanto ao Audax merece, no minimo, uma menção honrosa e meia, pelo brilhante campeonato disputado, pelo  jeito com  que enfrentou  o Santos n Vila e pelo toque de bola envolvente.  E isso só poderia dar na saída de alguns jogadores, que despertaram o interesse dos grandes clubes- Tchê-Tchê está indo para o Palmeiras; Bruno Paulo e Camacho para o Corinthians. E talvez não pare por aí.


O Corinthians, fora; Galo e São Paulo se enfrentam. E o alívio palmeirense
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Roberto Avallone

Foto: Djalma Vassão

Foto: Djalma Vassão

1- O Corinthians não jogou bem contra o uruguaio  Nacional. E não por culpa do estádio (lotado) e nem das histórias supersticiosas sobre as decisões  da Arena, em Itaquera: simplesmente está pagando o preço do desmanche sofrido com a saída de tantos jogadores, sendo que a reposição não foi feita com a mesma qualidade. E assim, com futebol bem mais limitado do que no ano passado (ah, Renato Augusto, Jadson, Gil, Vagner Love,etc…) vai perdendo decisões que em 2015 não perderia.

Quanto ao jogo, o empate de 2 a 2 que o tirou da Libertadores, o Corinthians tentou, desperdiçou o primeiro pênalti assinalado a seu favor (André), mandou uma bola na trave (Romero),  mas tentar só, não basta- é preciso ter qualidade para transformar a boa vontade em supremacia. E também na defesa, a equipe de Tite esteve vulnerável a ponto de permitir os dois gols depois de rebotes de Cassio, que não teve culpa, pois até tinha feito boas defesas. Enfim, uma noite em que até André perdeu seu pênalti(por sinal, muito mal batido).

E a constatação que esse atual time corintiano é mesmo bem inferior àquele que foi o campeão brasileiro do ano passado.Por mais que o técnico Tite se desdobre para dar estrutura tática e ânimo a seus jogadores.

2- Um belo jogo! É o que deverão fazer Atlético Mineiro e São Paulo, classificados nesta quarta-feira: o Galo, por ter vencido o Racing, em casa, por 2 a 1; o tricolor, por ter perdido de 3 a 1  para o Toluca, derrota que o classifica porque venceu o Toluca, no Morumbi, por 4 a 0. A fatura já estava liquidada a favor do São Paulo.

3- O alivio palmeirense não surgiu de uma nova contratação, mas sim do acordo- pelo menos verbal- com a Crefisa (que tem atrelada a FAM), cujo patrocínio renderá uma grana considerável. Disse renderá, pois em função de desacordo das partes em relação aos aditivos do contrato, o Palmeiras estava sem receber há três meses. Agora,sem mais desacordos, pelo que entendi, os pagamentos atrasados serão pagos, assim como, daqui para a frente, como antes, serão depositadas as parcelas mensais.

Por coincidência , Lucas Barrios, contratado pelo patrocinador e que dele recebe seus salários, mostrou futebol como em seus melhores tempos no treino desta quarta-feira: driblou, deu arrancadas, fez um belo gol… Uma espécie de alivio geral.


Simeone na final, Guardiola fora: algo mudou no futebol
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Roberto Avallone

Foto: Reuters

Foto: Reuters

Com todo o respeito a Simeone  e ao seu belo trabalho à frente do Atlético de Madrid, mas Guardiola é Guardiola e o Bayern de Munique está cotado entre os três melhores times do mundo, ao lado de Barcelona e Real Madrid. E foi eliminado em casa, embora vencesse o jogo por 2 a 1, pelo intrépido Atlético que ousou fazer um gol fora de casa e ainda desperdiçar um pênalti- cobrança de Fernando Torres, defesa de Neuer.

Diga-se  que o Atlético já chegou antes à final da Champions. É verdade. E que no Campeonato da Espanha está empatado em número de pontos com o Barcelona e um ponto à frente do Real Madrid, quer dizer emparelhou com os dois gigantes que têm orçamento bem maior para seus elencos. Agora, depois de eliminar o Barça, o Atlético eliminou também o Bayern. Que façanha!

Sim, grande façanha. Mas significa que o futebol mudou- e vejam na Inglaterra o êxito do Leicester, campeão inglês pela primeira vez em sua história, com orçamento quase dez vezes menor do que o do Chelsea.

Foto: Reuters

Foto: Reuters

Enfim, está levantada a tese de que só jogador medalhão não resolve; não se o jogador-medalhão ou não- faltar com a intensidade, com a gana de vencer cada disputa de bola ou se tiver menos velocidade como manda o figurino do futebol moderno.

Creio ter chegado ao fim a figura do craque habilidoso, mas de mãos na cintura, às vezes preguiçoso. O futebol moderno- que tem origem no Carrossel Mágico holandês e guiado por Cruyff  na Copa do Mundo de 1974- ainda tem aquela base mas novas facetas, como o vigor, a velocidade e intensidade.

O futebol agora é outro. Aí estão o Atlético de Madrid e, no dia anterior, o Leicester, para que ninguém se iluda apenas com estrelas. E sim com estrelas laboriosas.