Blog do Avallone

A coragem de Valdivia, a auto avaliação de Ganso, o enigma de Renato Augusto…
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Roberto Avallone

Foto: Ricardo Matsukawa

Foto: Ricardo Matsukawa

1- Valdivia deu um chapéu no politicamente correto, jogou para escanteio as frases feitas e encarou de frente a sua verdade: disse para quem quisesse ouvir, em entrevista coletiva, que o Palmeiras não pode perder Alan Kardec e Wesley e que, ainda mais, precisa de alguns reforços para o Campeonato Brasileiro.

A direção pode não gostar de suas declarações? Pode, sim. Mas e daí?

Com sua coragem de dizer o que pensa, Valdivia mostra que além de ser o maior talento da equipe, hoje está muito mais amadurecido, tipo líder sem ser o capitão, sem medo de se expor. E que, ao contrário do que alguns possam pensar, e está mais preocupado com o time e suas exibições do que poderia um jogador mais acomodado, importando-se mais com sua própria performance.

Só falta reclamar menos com os árbitros para que não leve tanto cartões amarelos.

De resto, aos 30 anos, o Mago está no ponto.

Foto: Ale Cabral

Foto: Ale Cabral

2- Em surpreendente revelação, o quase sempre comedido Paulo Henrique Ganso saiu em defesa própria ao seu auto definir: “Não vejo ninguém acima da média. Como eu”.

Será, caro Ganso? Quanto ao potencial, quanto ao passado em que disputava com o amigo Neymar a condição de melhor jogador do Santos até pode ser. Mas agora, já no São Paulo, é difícil falar até em média, pois Ganso oscila muito durante um jogo, às vezes brilhante e em outras completamente sumido.

Mas autoconfiança é bom, só pode fazer bem. Desde que a ela se adicione a intensidade dos tempos modernos; e mais a constância exigida a um meio-campista e a regularidade dos que não aceitam falhas.

Aí sim caro, Ganso, você será acima da média. E não verá ninguém à sua frente.

Foto: Reginaldo Castro

Foto: Reginaldo Castro

3- De grande esperança, Renato Augusto passou a ser um enigma no Corinthians. Contratado a bom preço, fama de craque, autor de gol inesquecível contra o São Paulo, altura privilegiada (1 metro e 86), nestes tempos corintianos foi mais notícias pelas lesões sofridas do que por eventuais façanhas dentro de campo. Agora, vive às voltas com dores no joelho, sem que os exames aponte qualquer tipo de lesão a não ser uma inflamação, aparentemente sem muita importância.

Será psicológico?- pergunta o médico.

Não se sabe. Sabe-se apenas que é uma pena, pois se trata de ótimo jogador. Talvez craque.


Kardec e Palmeiras, sinais de final feliz. E uma voz contra a espanholização do futebol brasileiro
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

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1- Ufa! Se não der nenhuma zebra ou nenhum recuo inesperado do pai do jogador, as informações que tenho são a de a qualquer momento- provavelmente nesta terça-feira- terminará a novela entre Palmeiras e Alan Kardec. Com previsão de final feliz para a torcida palmeirense, receosa que estava de perder seu goleador.

Já não bastava o adeus de Barcos?

E de onde vieram as informações? Bem, basicamente de uma pessoa na qual confio muito, de larga (e vitoriosa) vivência no clube, que por respeito não revelo o nome, e que me contou como estavam as coisas. Feitas as contas entre o que pede o jogador- ou o seu pai-, a diferença seria de 20 mil reais mensais ou 1 milhão e duzentos mil diluídos nos cinco anos de contrato.

(O que no mundo do futebol, talvez não dê pagar salário de um jogador júnior).

A surpresa estava na forma de como seria a reunião: teria sido solicitada (coloco no condicional) a Paulo Nobre pelo às vezes contestado José Carlos Brunoro e pelo vice-presidente do Palmeiras, Maurício Precivalle.

Coisa séria. E como minha fonte não acredita que Paulo Nobre seja tão radical e, crê que, à luz da razão e do bom senso, tudo será resolvido em tempo mais do que breve.

A conferir.

2- Enfim, li que pelo menos um dirigente fez séria alerta sobre o que pode acontecer ao nosso futebol, em pouco tempo: a “espanholização”, tipo Real Madrid e Barcelona como protagonistas e os restantes como coadjuvantes.

Trata-se de Ataíde Guerreiro, novo vice- presidente do São Paulo e a quem não conheço pessoalmente. Pois em sua apresentação, Ataíde tocou no ponto crucial, que pode dar em desigualdade grande entre os clubes, tirando o glamour e a emoção de um Campeonato Brasileiro tão equilibrado quanto o nosso.

Referia-se, é claro, às cotas da tevê, que já são maiores para Corinthians e Flamengo e seriam ainda mais (escrevo no condicional), a partir de 2016, com 170 milhões de reais/ano ao Flamengo e ao Corinthians, ficando os outros bem abaixo.

Aí, é jogo duro.

Nada contra a Globo, emissora que aprendi a respeitar pela competência e profissionalismo, mas todas as empresas são formadas por homens, que podem ter ideias brilhantes e outras nem tanto. E que podem errar também.

No caso, creio, acontece um erro contra o equilíbrio das ações. Que é o nosso charme. Logo, sou contra a “espanholização” do nosso futebol e este senhor Ataíde tocou, sim, em assunto da mais alta importância. Sem seus rivais fortes, seriam os mesmos Corinthians e Flamengo?


Palmeiras, virada de Brancaleone. Corinthians, atacantes, já! São Paulo, a vez de Pato
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Roberto Avallone

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

1- Como o Exército de Brancaleone, punhado de homens esfarrapados e sem armas para as bravatas- no inesquecível filme protagonizado pelo genial Vittorio Gassman- o Palmeiras conseguiu uma improvável virada: 2 a 1 sobre o Criciúma, fora de casa, mesmo disputando uma de suas piores partidas dos últimos tempos.

Ah, teve de tudo, San Gennaro é testemunha: Alan Kardec fez dois gols, um contra e o outro a favor (o da vitória), Tiago Alves exibiu a façanha de cometer dois pênaltis num só lance (meteu a mão na bola e atingiu o estômago de Silvinho) que o juiz não marcou, o goleiro Fernando Prass realizou milagres para evitar mais gols do Criciúma.

Tudo isso e mais um pouco. Padrão tático? Nenhum, depois de 20 dias de descanso e treinamento. E ainda por cima, como se o triste festival de erros não bastasse, o pai do centroavante Alan Kardec voltou a dizer que está desanimado e deu a entender que por uma ninharia o Palmeiras pode perder, sim, o seu goleador.

E com tudo isso, em ironia digna de Gassman, o Palmeiras conquistou três pontos, fora de casa, logo em sua estreia no Campeonato Brasileiro. O que poderia até ser motivo de euforia, mas não é: desta vez, a sorte estava do lado das dadivosas senhoras que, cansadas de tanto sofrimento, apelaram também para os santos poderes de Nossa Senhora Achirupita.

Coisa de domingo de Páscoa…

Foto: Cristiane Mattos

Foto: Cristiane Mattos

2- De duas, uma: ou o Corinthians providencia já a contratação de dois atacantes- mesmo que não possa utilizá-los até o final da Copa do Mundo- ou a equipe estará condenada a repetir as mesmas mazelas dos últimos tempos de Tite ou do Campeonato Paulista. O empate sem gol diante do Atlético, em Uberlândia, foi de dar sono até nos mais fanático, enquanto reservou dois gols perdidos do Galo (Tardelli e Fernandinho) e um do Corinthians (Guerrero), sem que nada mais se apresentasse em campo, tão pobre o futebol de ambos.

Quanto ao Corinthians que, bem ou mal, já perdeu Pato e Sheik pagando boa parte do salário de ambos para que vistam a camisa de outros clubes, o que se pode esperar se não vier a reposição necessária?  Ora, não é o Corinthians que recebe a maior cota da televisão, que está com a camisa plena de patrocínios e tem sempre a acolhida de sua torcida para lotar os estádios? Pois que se pesquise o que há de bom na Argentina (o centroavante Pratto, por exemplo), que se investigue a disposição (difícil, creio) da volta de Tevez, enfim há gente que ganha para isso.

Caso contrário…

Foto: Marcos Ribolli)

Foto: Marcos Ribolli)

3- A vez de Pato: só vi os gols do São Paulo e alguns dos melhores momentos do jogo em que o tricolor venceu o Botafogo, no Morumbi, por 3 a o. E considerei coisa de craque o passe de Pato- jogando a bola às costas do zagueiro- para o gol de Douglas, o segundo do São Paulo, assim como considerei interessante a sua participação no terceiro gol, quando a bola saiu de seu pé direito para Ganso, de Ganso para Luís Fabiano.

Fabiano e do centroavante para as redes.

A impressão que se tem é a de, no São Paulo, Pato voltará ser Pato.


Luciano do Valle, o adeus a um Grande
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Como todos, lamento muito a morte de Luciano do Valle. Um dos maiores locutores do esporte (levantou o vôlei, inclusive) de todos os tempos. Isso todo o mundo já sabe.

Gostaria de falar, no entanto, mais do companheiro que encontrei na Band. Embora não fosse cotidiana a nossa convivência, jamais o vi posar de ídolo contra quem quer que seja e comigo, em especial, emprestou-me até a sala que usava eventualmente, através do Zeca, nosso amigo em comum.

Pelo que conheci, tratava-se de homem generoso, mais do que fiel a seus amigos. Sofria e lutava por eles, quando preciso. Voltando a mim, muito antes da Band, quando eu estava em outra emissora (Gazeta) e comandava um debate esportivo que começava a ser relevante aos domingo à noite, eis que uma outra emissora, poderosa, decidiu lançar um programa semelhante, no mesmo horário.

E  numa tarde, lá  pelas duas meia ou três horas, recebo um telefonema. Não me lembro de que já tivesse falado com o Luciano. Mas era ele:

- Avallone, aqui é o Luciano .

Estranhei, fiquei segundos em silêncio. E fui em frente:

- Fala, Luciano…

- Negócio é o seguinte; estou sabendo da concorrência que vai acontecer. E por gostar muito de seu trabalho, quero oferecer o meu cast inteiro se você quiser aproveitar.

Claro que  queria, só fiquei agradecido. E surpreso com a atitude  de quem pouco conhecia pessoalmente, apenas pelo show de suas  transmissões. E em reunião com meu chefe da época-eu era gerente de esportes, ele superintendente de programação-, o competente e ousado Marcos Amazonas, escolhemos Maguila (na época, no auge) para enfrentar a concorrência.

E vencemos.

Graças também ao inesquecível  Luciano do Valle. Que era generoso com todo o mundo.

Que Deus o tenha.


Ferve a política no Palmeiras. Eis as razões
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Roberto Avallone

1- Já não é a primeira pessoa que me fala, mas por se tratar de um velho observador do Palmeiras e seus bastidores, concluo que: está fervendo mesmo a politica palmeirense e a reeleição de Paulo Nobre, há algum tempo dada como certa, corre sério risco pelos motivos a este blogueiro exposto pelo observador:

a) Falta de patrocínio no uniforme, não só o máster, na camisa, como em outros lugares mais baratos. Isso gera uma inferioridade financeira muito grande do Palmeiras em relação aos rivais, por mais que o presidente consiga- ou avalize, sei lá- empréstimos consideráveis. Os argumentos da Oposição são os de que o departamento de marketing – ou quem de direito- deveria conseguir algo. Caso contrário, que se trocassem as peças.

b) Imbróglio da Arena: esta é a opinião do observador- e de vários oposicionistas-, não a do blogueiro que vê lógica na discussão. Mas a esta altura do Campeonato, o caso na Arbitragem, sem saber se ganha este ou aquele lado, não recomendaria o bom senso a tentativa de um acordo? Em termos de receita, deveria sem bom para os dois lados. É o que reivindica a Oposição.

c) A demora em manter no time Alan Kardec, pois dizem que a diferença é pequena entre o pedido do jogador e a oferta do clube, mas o caso vai-se tornando uma novela.

d) Decisões em local hermeticamente fechado: quer dizer, só três ou quatro pessoas- entre eles o presidente e seus funcionários mais próximos, Brunoro e Omar Feitosa, sabem o que está acontecendo. E isso, no Palmeiras, não é bem assim. Que não se vazem informações importantes, é verdade, mas gente experiente deveria ser ouvida, dar opinião. É o que se reclama.

Bem, diante de tal quadro, o observador com quem conversei- palmeirense apaixonado e com trânsito em toras as áreas do clube, arrisca um palpite: “A continuar assim, se a eleição fosse hoje, a oposição venceria. 80 por cento de chances”.

Será, meu amigo observador, tudo isso? Até outubro muita coisa pode mudar.

Sei lá. Sei apenas que o desfecho é imprevisível e que a política no Palmeiras ferve mais do que se pode imaginar.


A indignação de um corintiano. E Bale afunda o Barça e o fantasma de Messi
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Roberto Avallone

1- A falta de acordo entre Corinthians e Fluminense por Rafael Sóbis, atacante que deve continuar no Flu, causou a indignação de um corintiano apaixonado. Trata-se, simplesmente, da minha confiável fonte corintiana, pessoa inteligente e com muita vivência no futebol, mas que estava extremamente otimista com a vinda do goleador: ”Não pode acontecer isso, cria-se uma expectativa na torcida e o negócio acaba não saindo?”.

Como já vi muitas reviravoltas no futebol, prefiro dizer que ”pelo jeito” não saiu mesmo. Pelo jeito. E explica-se: embora a vontade da patrocinadora do clube parecesse a de negociar o jogador, como é que iria tirar do time um jogador de qualidade que, quando entrou, devolveu ao Flu a confiança que estava perdida com aqueles 5 a 0 contra o Horizonte, pela Copa do Brasil?

Não tinha jeito, era muito difícil digo ao meu interlocutor. Ele parece concordar, em termos: “Não pode criar expectativa. Va, contrata e anuncia. E tem de ir logo atrás de outro, na surdina. Quando um jogador que está por vir e não vem, a sensação que fica é a de derrota”.

Pois é, fonte amiga. Mas a vida não é feita de vitórias e derrotas? E no futebol isso não acontece até aos clubes mais poderosos?

Espero pelas informações a respeito de outros jogadores pretendidos…

Foto: AP

Foto: AP

2- Começo pelo espetacular gol de Bale, o que deu a vitória ao Real Madrid diante do Barcelona e a conquista da Copa do Rei? Ou deveria fazê-lo pela estranha visão que meus óculos (deveria trocá-los) me deram sobre Messi?

Foto: AP

Foto: AP

Ah, começo por Messi e pela estranha visão. Mais do que isso, uma sensação. A de ter visto em campo não o extraordinário Messi, tantas vezes eleito o melhor do mundo, coisa e tal. O que vi foi o seu fantasma: não acertava um drible, um chute, um mísero passe de dois metros. E a cada jogada frustrada, parecia estar com o pensamento em outro lugar, o rosto sem expressão alguma, o olhar distante e perdido.

O que aconteceu com ele nas últimas três partidas- Atlético de Madri, Granada e Real Madrid? Já li que ele estaria se poupando para a Copa do Mundo, com medo de lesões. Já li também insinuações de que ele estaria insatisfeito por não ter obtido, ainda, o aumento salarial que o satisfaria em sua obsessão- a de ganhar mais do que Cristiano Ronaldo, do Real.

Talvez não seja nada disso. Mas não é normal o que vem acontecendo com Messi, não me lembro de uma fase assim com algum outro jogador de seu status.

Quanto a Bale, o seu gol foi espetacular, capaz de justificar os 300 milhões de reais (em câmbio convertido) que o Real Madrid pagou por ele: jogo empatado, já no finzinho, e não é que ele consegue, no meio do campo, jogar a bola de um lado, correr por fora de campo, dominar lá na frente, passar por outro zagueiro e chutar no cantinho?

Golaço!

Antes Di Maria- em falha de Daniel Alves- tinha feito 1 a 0 para o Real, aos 10 minutos do primeiro tempo. E Bartra, de cabeça, empatado para o Barcelona, na etapa final, depois da cobrança de um escanteio. O Real Madrid apostava no contra-ataque, o Barça em seu tic-tac já conhecido pelos adversários e que esta se tornando improdutivo e irritante.

Ah, um minuto antes de o jogo acabar e o Real levantar o caneco da Copa do Rei, um lance inusitado: cara a cara com o goleiro, Neymar (que também não jogou lá essas coisas) perdeu gol certo, chutando na trave esquerda.

Que coisa!


Reforços, a angústia da espera
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Roberto Avallone

Foto: Bruno de Lima

Foto: Bruno de Lima

1- O Corinthians deu prazo até esta quarta-feira ao Fluminense para saber se Rafael Sóbis será ou não negociado. Quer evitar o desgaste que já teve com a novela Elias. O desfecho é imprevisível, pois enquanto minha confiável fonte corintiana está otimista- “O patrocinador do Fluminense, que paga quase todo o salário do Sóbis quer vender o jogador”, pelo lado do Flu mesmo a intenção é segurar o atacante, até por um pedido do novo técnico, Cristóvão Borges.

Trata-se de um braço-de- ferro.

Não ouso dar o meu palpite, embora saiba que por se tratar de outro pedido do técnico Mano Menezes (assim como foi com Elias), o Corinthians tem boas chances de sucesso. E, se acontecer, será uma bela contratação! Rafael Sóbis tem a virtude incomum de arrematar com quase perfeição dentro ou próximo da área.

Não é centroavante, mas é goleador.

Fica a chatice da espera, do sim ou do não. Mas vale a pena. E trata-se de uma minissérie curta, com prazo para acabar nesta quarta-feira. É o que se espera.

Foto: Reuters

Foto: Reuters

2- Angústia mesmo, pela irritação de Eduardo Maluf, senhor do futebol do Atlético Mineiro, foi o caso Anelka.  Quase sempre comedido em suas palavras, Maluf demonstrou toda a sua indignação pelo comportamento do jogador que, anunciado como reforço no dia 6, foi enrolando, enrolando e não se apresentou por ter ido a um encontro de jovens no Kuwait- e só avisando um dia antes que iria.

Papelão!

Resultado: Anelka perdeu o emprego sem mesmo ter começado a trabalhar e o Galo ainda cogita um processo contra ele seu agente na FIFA.

Minha opinião: sorte do Atlético. Aos 35 anos, Anelka seria um fiasco.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

3- Não seria terça-feira o dia em que Alan Kardec, pai, dissera que aconteceria a definição do acordo entre seu filho, centroavante, e o ansioso Palmeiras? Pois a terça passou e a menos que tenha acontecido o encontro decisivo e mantido em sigilo, o torcedor palmeirense continua sem saber se poderá ou não contar com seu artilheiro para o resto da temporada.

É por essas e outras (a falta de um patrocínio máster ou até mesmo algum mais modesto, no ombro ou nas mangas), que pela primeira vez sinto questionados os métodos do presidente Paulo Nobre, de Brunoro e dos resultados obtidos pelo marketing. É ano do Centenário, sim, mas também ano eleitoral e já existe quem esteja prevendo disputa muito mais acirrada do que parecia entre situação e oposição.

A conferir.


No Mercado da Bola, sugestões de um olheiro. E a justa cruzada do Vasco
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Roberto Avallone

Todo torcedor tem um pouco de técnico e um pouco de garimpeiro de talentos. É o olheiro. Conheço um deles, em especial: em casa, em frente à tevê, observa os mínimos detalhes dos jogadores; à noitinha, ao sair do trabalho, vai até a padaria Santa Tereza, no centro da cidade, saborear a coxinha creme e conversar com o garçom vascaíno sobre as novidades do futebol carioca. E, claro, quem está aparecendo de bom por lá.

Trata-se do olheiro Tessitore, apaixonado por futebol e louco pelo seu Palmeiras. Dele já ouvi antigas previsões otimistas que se confirmaram como “esse Rildo (agora no Santos) vai dar bom jogador”, Cicinho (também no Santos) é bom lateral”, “esse Marcelo, do Vitória (volante) é para ser contratado. Tem 18 anos”; ouvi também seu pessimismo quanto a Bruno, goleiro reserva do Palmeiras, mesmo antes daquele frangaço contra o Tijuana, pela Libertadores e que esse Vinicius (agora emprestado ao Vitória) não sai disso”.

Enfim, é uma figuraça esse olheiro Tessitore.

Como técnico e observador amador, colhi, sugestões para o Mercado da Bola sobre vários times:

1- “Desse time do Ituano, campeão paulista: ficaria com dois jogadores; o goleiro (Vagner), que é muito bom, e com o Esquerdinha, que sabe tratar a bola. Os outros, eu não sei”.

2- “Está na praça, encostado pelo Atlético Paranaense,  Manoel, um zagueiraço, de Seleção. Por que o Palmeiras não arrisca nele?”.

(Na verdade, quem está mais próximo do Palmeiras é Anderson Sales, 26 anos, 1 metro e 78 de altura, campeão pelo Ituano e que sorriu muito nesta segunda-feira quando perguntado sobre o interesse palestrino sobre ele. O que não agrada muito o olheiro Tessitore é a estatura do jogador, não muito adequada para um zagueiro).

3- “Se o São Paulo quiser arrumar o time, precisa tirar o Oswaldo e fixar o Pato mais perto da área, pertinho do Luís Fabiano”.

4- “O melhor esquema para o Corinthians é deixar o Guerrero na frente e trabalhar com o Ralf, o Guilherme, o Elias, o Jadson e o Renato Augusto. Três meias aproveitando espaço aberto pelo centroavante”.

E seria conversa para uma noite inteira, Mas fica por aqui. Ah, não sem antes contar a indignação do Tessitore ao se lembrar de que Gilson Kleina, entre outras coisas, não dá chance ao jovem goleador Rodolfo…

Aí, o olheiro perde a calma, esquece a coxinha creme e deixa de lado o habitual bom humor. Fica zangado e não sei para quem dá o seu grito de guerra dos tempos em que frequentava mais as arquibancadas: “Borracheiro!”- grita, com a voz de barítono que nem tem.

VASCO  BRIGA  JUSTA

E lá vai o Vasco pleitear o que parece impossível, mas sabe-se lá: a anulação do título de campeão carioca conquistado pelo Flamengo, não entendi ainda se com outro jogo ou simplesmente com a manutenção do 1 a 0, com confissão de erro de direito (a federação e o árbitro- este pelo menos verbalmente) reconheceram a falha, que tecnicamente pertence ao bandeirinha Luís Antônio Muniz de Souza, embora o senhor do jogo seja o árbitro, Marcelo de Lima Henrique.

Seja como for não teve nada de Nixon (que estava em posição legal) ter feito gol, mas sim Márcio Araújo que, de tão impedido, justificaria uma expressão do passado- a de que estava “na banheira”.

E fica por isso mesmo? O Vasco perde um título, aos 46 minutos do segundo tempo, que já estava ganho- e por erro que todo o mundo reconhece? Aí, nem Jó teria paciência.

Será uma luta inglória, já se sabe. Mas se o que aconteceu não foi erro de direito, o que mais será?

O Vasco tem toda a razão de lutar. Por ele e pelo futebol.


Polêmicas, surpresas e desilusões nas finais pelo Brasil
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Roberto Avallone

1- Nas decisões pelo Brasil, pelo menos três lances chamaram a atenção e criaram polêmica. No jogo do Pacaembu, em jogo vencido pelo Santos, 1 a 0, mas título de campeão paulista levado pelo Ituano, 7 a 6 na decisão por pênaltis, existiu o pênalti sobre Cícero, convertido pelo zagueiro Alemão? Sim, existiu, embora de maneira desnecessária, pois o santista estava de costas para o gol. Só que, no entanto- e isso só pude ver no replay, em câmera lenta, Cícero voltava da posição de impedimento antes de ser derrubado. Lance, pois ilegal.

Na partida do Maracanã, em que o Flamengo levou o título de campeão carioca no último minuto, ao empatar com o Vasco por 1 a 1, o autor do gol flamenguista, Márcio Araújo, estava mais do que impedido ao empurrar a bola para as redes, aproveitando o rebote. Gol ilegal! Mas que valeu… Valeu também para Márcio Araújo, jogador às vezes detestado por vários torcedores do Palmeiras e que ganhou o que minha santa avó chamava de “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Azar do Vasco, mais uma vez vice.

E na decisão do Mineirão, título do Cruzeiro diante do 0 a 0 com o Atlético Mineiro, não posso precisar a olho a nu se Jô esteva mesmo com meia cabeça à frente do zagueiro, o que, creia, caracterizaria impedimento. Sei, sim, que Jô foi derrubado, em pênalti que o presidente do Galo, Alexandre Kalil, classificou de “Foi um escândalo, foi um escândalo”. Fica a polêmica no ar.

2- Antes das surpresas. Começo pela desilusão do Santos, dono da melhor campanha do Campeonato, do ataque disparadamente o mais positivo- mas que conseguiu jogar muito pouco contra o Ituano nas duas partidas decisivas. E comparem à folha salarial do Santos com a do Ituano.

E sem que pareça ironia, por favor, mesmo assim faço questão dar meus parabéns aos santistas: é que neste 14 de abril o Santos completa 102 de gloriosa vida, de futebol ofensivo e ousou contrariar os maus presságios dos mais místicos, pois foi fundado no mesmo dia em o Titanic chocou-se contra um iceberg e, horas depois, no comecinho da madrugada do dia 15, afundou.

Deus nos livre!

Desilusão foi também do Vasco, que já perdeu a conta de quantas decisões perdeu, principalmente para o Flamengo (que vinha abalado pela eliminação na Libertadores), cultivando a fama atual (em outro tempos nunca foi assim) de eterno vice. Não menos desiludido terá ficado o gremista, embora seu clube vá bem na Libertadores: ah, perder as duas partidas finais para o Inter, segunda por 4 a 1 (4 a 1!) é motivo de dor de cabeça e para gozação inimiga no mínimo pela semana inteira.

3- Surpresas? Bem, surpresa maior não pode existir do que do Ituano, campeão paulista. É a segunda vez na História de que um time do Interior leva o título em confronto com um grande – a outra foi a Inter de Limeira frente ao Palmeiras, em 1986, pois quando o Bragantino (1990) e São Caetano (2004) venceram não tiveram de duelar com nenhum time grande.

O Ituano é um time maravilhoso? Em minha opinião, não, embora nele reconheça a campanha competente, o pequeno número de gols sofridos (11) e um sólido esquema defensivo. Ah, isso é verdade? Quanto às individualidades, no entanto, destacaria mais o goleiro Vagner, a interessante dupla de zaga formada por Alemão e Anderson Sales e, principalmente, com totais méritos, o técnico Doriva, ex-médio-volante, e que deu nó em muito técnico renomado por estes tempos.

Doriva, o herói do título.

E lá vai ele, se permanecer em Itu, a disputar a Série D do futebol brasileiro…


Alan Kardec, palpite para o desfecho dessa novela tão misteriosa…
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Quanto a Alan Kardec, 25 anos, centroavante que caiu nas graças do Palmeiras, a tendência, segundo as últimas informações, meu palpite para o desfecho desta novela é o seguinte: ele ficará, sim, no clube que o resgatou para o futebol, depois de infeliz passagem pelo futebol português na temporada anterior, quando chegou a disputar partidas pelo Benfica- B.

Assim interpreto as misteriosas declarações de deu pai, também Alan Kardec, de que havia recebido uma alegre notícia na noite de quarta-feira (depois de ter se mostrado, um dia antes, decepcionado com as pendências financeiras que impediam o acordo com o Palmeiras) e que esperava para sexta ou segunda-feira boas novidades. Alan pai evitou falar de tinha relação com o Palmeiras, mas, por dedução e análise dos fatos- além de informação extraoficial- tem, sim.

Em minha opinião, tudo faz parte do jogo de negociações. Normal. E para um negócio que não chega a ser barato, 4 milhões de euros (quase 13 milhões de reais), fora salários e bônus por produtividade, com contrato de 5 anos, coisa e tal. Ah, na Europa se paga mais… Paga-se, é verdade, mas aqui pela América do Sul, a realidade é bem outra, pois não?

Falta, então, assim que terminar o último capítulo da novela, que Kardec seja melhor aproveitado: dono de razoável habilidade e de bom arremate, ainda não vi devidamente utilizado (com mais constância, quero dizer) nas bolas altas sobre a área inimiga, onde ele tem, talvez, o seu ponto mais forte, mais letal. E para isso, já que não existem mais os pontas, é necessária a presença de laterais que saibam avançar e cruzar com eficiência (com perfeição, seria pedir demais).

E sabe o amigo quem este blogueiro escalaria pela direita, já que pela esquerda Juninho quebra o galho? Ah, pela direita, colocaria Wesley, que em outros tempos já desempenhou as funções de ala, pois este jogador (aliás, bem remunerado) já desempenhou em outros tempos funções de ala. E se não é um grande marcador no meio- campo, errando também às vezes muitos passes, tem  apreciável domínio de bola, bom drible e  poder de centros  e arremates.

Seria descobrir a pólvora, a utilização de Wesley, pelo  canto do campo onde até o zagueiro-central Thiago Alves já andou? O problema é que sei lá o que pensa o técnico Gílson Kleina.

E você, amigo- qual o palpite para o desfecho da novela Kardec e qual sua opinião sobre a utilização de Wesley pela direita?