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Palmeiras: vitória, mas um erro de Dudu que pode lhe ser fatal
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Roberto Avallone

Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas

O Palmeiras esteve próximo de, na prática, botar no peito a faixa de campeão: bastava que Dudu não errasse o pênalti- chutou a bola no travessão- que daria ao time um placar que dificilmente o Santos reverteria na Vila Belmiro, no próximo domingo. Afinal, o Santos ficara com 10 jogadores…

Agora, não se sabe. Como o Palmeiras venceu o jogo só por 1 a 0- gol de Leandro Pereira, depois de linda jogada do lateral Lucas-, a decisão do Campeonato Paulista está em aberto, naquela base do “tudo pode acontecer”. Só que o Santos estará com 11 jogadores, provavelmente terá Robinho (que fez muita falta) e depender do empate pode não ser lá grande vantagem para o Palmeiras- este, terá de se superar para se redimir do erro do pênalti perdido e da falta de jeito para explorar o fato de ter um jogador a mais a partir da cobrança desperdiçada por Dudu.

O clássico não foi lá essas coisas. O Santos manteve uma postura mais defensiva, apostando no contra-ataque, mas não tinha Robinho, o organizador desse tipo de ofensiva; o Palmeiras apostava em seu trio de atacantes formado por Rafael Marques, Dudu e Leandro Pereira, além do avanço de Lucas- o lateral que, em minha opinião, foi o melhor da equipe de Oswaldo de Oliveira.

Depois de Lucas, o melhor foi Leandro Pereira, o grandalhão que marcou o gol do Palmeiras e sofreu o pênalti que Dudu desperdiçou; Rafael Marques também sofreu um pênalti, ignorado pelo árbitro Vinicius Furlan, cometido por Geuvânio, que estava recuado. E entre os santistas, destaco a atuação de Lucas Lima, hábil meio-campista, de ótimo domínio de bola. O técnico Marcelo Fernandes também merece nota alta, pois expulso no intervalo- assim como Oswaldo de Oliveira- soube recompor um Santos com 10 jogadores, depois da expulsão de Paulo Ricardo, não renunciando ao ataque e tentando um empate.

Enfim, se não foi aquele clássico esperado, pelo menos teve disputa acirrada e manteve o suspense sobre quem será o campeão até a última partida.


Mistérios e memórias de uma grande decisão
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Roberto Avallone

Arte/Montagem: Val Simeão

Arte/Montagem: Val Simeão

1- Comecemos pelos mistérios: como nunca, Palmeiras e Santos decidiram não divulgar seus times até pouco antes de começarem a decisão, surgindo Valdivia como provável integrante ao menos do banco de reservas- ele treinou neste sábado e seria relacionado-, enquanto pelo lado santista a grande dúvida é se Robinho vai ou não superar lesão muscular. E ambos, Valdivia e Robinho, bem fisicamente, podem fazer a diferença.

Já aí começa o duelo sobre qual mistério é maior. O caso de Robinho parece mais eventual, ele vive um de seus raros momentos de contusão (coxa esquerda), enquanto o chileno cumpre velho ritual de lesões e ausências em jogos decisivos, sendo o de agora mais estranho: como o Palmeiras não se pronuncia oficialmente, são várias as versões sobre o que aconteceu com o chileno, que saiu de campo por cansaço contra o Corinthians, festejou muito após a classificação diante do arqui-inimigo e depois começou a semana com dores no joelho esquerdo: “Ele tinha um negocinho no joelho, sim, mas era uma coisinha de nada''- diz uma fonte próxima à Comissão Técnica do Palmeiras. M as nada oficial, preservando-se ao máximo o que teria na verdade acontecido ou não.

Arte/Montagem: Val Simeão

Arte/Montagem: Val Simeão

2- Quanto às memórias, em tempos em que não eram tão grandes os mistérios, pelo que se sabe só uma vez Palmeiras e Santos decidiram em mata-mata um título de campeão paulista. Foi pelo ano de 1959, em três partidas (disputadas em janeiro de 1960), no chamado Super- Super Campeonato Paulista, pois ao final dos pontos corridos, Palmeiras e Santos terminaram a disputa empatados (63 pontos) e disputaram a chamada “melhor de três”.

Na primeira partida, em uma tarde de terça-feira, 5 de janeiro de 1960, um empate: 1 a 1, gols de Pelé para o Santos, Zequinha para o Palmeiras. Na quinta-feira, outro empate, 2 a 2, dois gols de Pepe- de pênalti- para o Santos, Chinesinho e Romeiro para o Palmeiras. E finalmente, a partida decisiva, numa tarde de domingo, 10 de janeiro de 1960, com o Santos fazendo voltar uma dupla importante que esteve de fora os dois primeiros jogos por contusão- Jair Rosa Pinto e Pagão- e o Palmeiras entrando com o atacante Nardo com funções mais cautelosas como a vigiar o meio- campo.

O Santos saiu na frente, com Pelé, aproveitando-se do passe de Pagão para chutar no canto esquerdo de Waldir Joaquim de Moraes. Só que o Palmeiras não se abalou e, aos 41 minutos, de pé esquerdo (que não era o seu forte), o grande Julinho chutou- depois de um bate- rebate na área- para empatar a partida. Como estava melhor no jogo, com bela atuação de Chinesinho, o Palmeiras iniciou com tudo o segundo tempo e chegou ao gol da vitória: foi em cobrança de falta, pela direita da meia-lua, com Romeiro batendo com a parte externa do pé e enfiando a bola no alto do gol de Laércio. Lá no gol da “Concha Acústica”, onde hoje se situa a Tobogã.

O Palmeiras encerrava um período de 9 anos de fila. E o Santos continuaria a trilhar o caminho daquele que viria a ser o maior time do mundo.


São Paulo, a volta por cima. E a polêmica da arbitragem
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Roberto Avallone

Foto: Nelson Almeida

Foto: Nelson Almeida

Um breve resumo do jogo conta o que foi a vitória do São Paulo sobre o Corinthians (2 a 0), nesta noite de quarta-feira no Morumbi: Rogério Ceni não fez sequer uma defesa difícil, enquanto Cássio foi muito acionado e o perigo rondou a sua área inúmeras vezes.

Bem, pode ser uma questão de estatística, mas  certo é que o tricolor entrou em campo com sede de vitória e uma vontade enorme de deixar de ser freguês- há 13 jogos não vencia o Corinthians, no Morumbi. E, além disso, o triunfo garantiria a classificação para a próxima fase, pois não se imaginava que o San Lorenzo fosse derrotado, em casa, pelo modesto Danubio (0 a 1), que foi o que aconteceu, eu autêntica zebra.

O São Paulo marcou por pressão, ganhou as divididas, encontrou o caminho das redes. Primeiro, com Luís Fabiano, no seu giro característico, depois de uma jogada errada de Hudson; depois, com Michel Bastos, jogador de muitas virtudes, que da entrada da área chutou forte, de canhota, para vencer Cássio com facilidade.

Foto: Nelson Almeida

Foto: Nelson Almeida

E o que ajudou a definir ainda mais cedo a partida, foi a expulsão de Émerson “Sheik”, aos 18 minutos. Ao final do jogo, Elias perguntava. “Por que Émerson foi expulso, que até agora não sabemos?”. O que vi é que “Sheik” e Tolói se enroscaram numa disputa de bola e, depois, o zagueiro tricolor ficou no chão se contorcendo. Confesso que não vi nenhum golpe de Émerson, que estava à distância quando Tolói foi ao chão. Efeito retroativo? Posso até ter sido traído no lance, não ter visto o que pode ter acontecido, mas a minha opinião é a mesma de Elias: como não vi, fico sem saber ao certo a razão da expulsão de Émerson.

Já as outras expulsões, Mendoza e Luís Fabiano, foram mais polêmicas ainda: se Luís Fabiano recebeu cartão e foi expulso, é sinal de que simulou ter siso agredido. Ora, se simulou, Mendoza não o agrediu e, creio, não poderia ter sido expulso.

Mesmo assim, o São Paulo jogou para ganhar e o Corinthians parece estar ainda ressentido da eliminação no Campeonato Paulista para o Palmeiras, além de não contar em seu elenco com um jogador que possa substituir Guerrero em seus deveres de ofício de centroavante. Logo, as cenas polêmicas não foram tão decisivas para o resultado nesta noite em que todos os outros brasileiros que jogaram (Inter, Atlético Mineiro, São Paulo e Corinthians- que já estava) garantiram a classificação, juntando-se ao Cruzeiro, classificado um dia antes.

Assim, o Corinthians leva como consolo o fato de, agora, enfrentar o paraguaio Guarani, em missão que não é das mais difíceis; já o São Paulo, logo de cara, enfrentará o Cruzeiro em duelo de desfecho imprevisível.


Palmeiras: finalista, na casa do Corinthians. Santos: finalista, nos erros do São Paulo
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Roberto Avallone

Foto: Michel Filho

Foto: Michel Filho

1- A impressão que se tinha na alegria de torcedores do Palmeiras era a de que o  time já tinha colocado a faixa no peito. O que é explicável: alguns meses depois de ter sido quase rebaixado, o Palmeiras foi à casa do Corinthians disputar uma vaga na final, jogou no mínimo de igual para igual, empatou a partida em 2 a 2 e com todo o tom dramático, venceu na decisão por pênaltis. 6 a 5.

E com duas defesas do goleiro Fernando Prass.

Esse clima épico de 1.800 torcedores palestrinos que estavam no estádio contra mais de 36 mil corintianos e mais a longa invencibilidade do Corinthians dentro de sua casa, ah, tudo isso parecia mesmo valer como um título. Ou como um grito de glória arrancado da garganta.

Quanto ao jogo em si, o castigo aconteceu para quem recuou. Primeiro, para o Palmeiras que, após fazer seu gol, aos 14 minutos, por Vitor Ramos, preferiu não mais avançar sua marcação e esperar pelo adversário. Resultado: levou a virada, na cabeçada de Danilo depois do centro de Jadson, e no gol especial de Mendoza que, de longe, acertou chute cruzado e rasteiro, no canto esquerdo de Prass.

No segundo tempo, no entanto, quando Oswaldo de Oliveira precisou improvisar (tarefa na qual foi muito bem), jogando Gabriel para a direita no lugar do contundido Lucas e, mais tarde, o atacante Kelvin na lateral-esquerda, já tendo em campo o talentoso Cleiton Xavier, o Palmeiras foi para o ataque, para o “tudo ou nada” e o Corinthians recuou.

Foi aí que por pouco o Palmeiras não empatou- chute de Dudu na trave esquerda de Cássio- o que viria acontecer em seguida com centro de Dudu e bela cabeçada de Rafael Marques- este, o atacante mais efetivo do Palmeiras.

Foto: Djalma Vassão

Foto: Djalma Vassão

Veio a decisão por pênaltis e o Corinthians parecia sair na frente, com o erro grosseiro de Robinho na primeira cobrança. A decisão foi indo, sem surpresas, até o primeiro vacilo corintiano: Elias cobrou muito mal e Prass defendeu com facilidade. Mais algumas cobranças, na sétima pelo Palmeiras o zagueiro Jackson marcou com categoria e, em seguida, Petros caprichou tanto, mas tanto, que obrigou Fernando Prass a uma magnífica defesa.

O drama tinha acabado.

Foto: Miguel Schincariol

Foto: Miguel Schincariol

2- Não há como se contestar a superioridade do Santos em sua vitória contra o São Paulo, 2 a 1 (gols de Geuvânio, Ricardo Oliveira e Luís Fabiano), na Vila Belmiro- o triunfo que o fez finalista do Campeonato Paulista para enfrentar o Palmeiras em dois jogos.

Enquanto o São Paulo fazia um papel burocrático, de passes e ações lentas, o Santos mais parecia um furação em seus contra- ataques comandados por Robinho, Geuvânio e Lucas Lima. O primeiro gol nasceu de arrancada fulminante de Geuvânio que, apanhando a bola em sua intermediária, foi fazendo uma fila de tricolores até chegar em ponto suficiente para chutar e vencer Rogério Ceni.

No segundo tempo, o Santos continuou mandar no jogo, Ricardo Oliveira chutou um gol certo na trave, mas ele mesmo, minutos após, aproveitou centro de Chiquinho (que surgiu totalmente livre, pela esquerda) para escorar a bola e manda-la para o fundo das redes.

Foto: Miguel Schincariol

Foto: Miguel Schincariol

O Santos foi perdendo Geuvânio, depois Robinho, mas dava a impressão de que mesmo assim chegaria ao terceiro gol. De surpresa, Luís Fabiano recebeu a bola de Pato, em posição duvidosa, e girou para marcar o gol de honra tricolor.

Não poderia querer mais. O Santos era finalista, com toda a justiça.


O Corinthians, classificado. E aí vem o Dérbi com o Palmeiras
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Roberto Avallone

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

1- Não foi um futebol primoroso ou empolgante, longe disso. O mais de 40 mil pagantes presentes ao estádio corintiano, em Itaquera, talvez esperassem um pouco mais. Mas Guerrero faz falta mesmo ao ataque, o San Lorenzo ainda é bom time (embora não tão bom quanto o do ano passado, quando tinha o meia Piatti e o atacante Corrêa) e o empate de 0 a 0 garantiu a classificação corintiana à próxima fase.

O Corinthians não teve em Vagner Love o centroavante esperado- ele estava em noite de pouca inspiração- e seu jogador mais perigoso, com chutes de meia- distância, foi Renato Augusto, que vive fase de constante bom futebol. Renato foi o melhor em campo.

Há uma séria carência no elenco corintiano na questão de centroavante, em uma ocasião dessas em que não pode contar com Guerrero. Além de Love ainda não ser aquele jogador pródigo em gols, qual foi o jeito que Tite encontrou para tentar arrumar o ataque? Foi colocar Danilo com falso centroavante, para fazer o pivô, a espera dos meias que- à exceção de Renato Augusto em uma ou outra oportunidade- não chegavam.

E se não chegavam como fazer gol?

Na verdade. O empate foi justíssimo.

Arte/Montagem: Val Simeão

Arte/Montagem: Val Simeão

2- Dando um tempo na Libertadores, eis que o Corinthians enfrenta o arquirrival Palmeiras neste domingo, em seu estádio. Vale uma vaga no final do Campeonato Paulista, mas ainda que não valesse, esse Dérbi é sempre Dérbi, clássico que sempre chamou a atenção da cidade e, em outros tempos, chegou a dividir em dois o velho e romântico Brás: a rua Carneiro Leão, mais habitada por espanhóis corintianos, e a rua Caetano Pinto, onde moravam os italianos, palestrinos da mais pura cepa.

Bem, colocando a bola nos dias de hoje, é duro apontar um favorito. O Corinthians com toda a sua autoconfiança, mas sem Guerrero e “Sheik”, o Palmeiras provavelmente com Valdivia a impulsionar seu meio- campo, mas não sabendo ainda se poderá contar com Zé Roberto em sua lateral-esquerda. E sem Zé Roberto, não haverá nenhum outro lateral de ofício, pois seus reservas estão fora por suspensão (Vítor Luís) ou contusão (João Paulo).

Enfim, é domingo para deixar a emoção correr à solta em jogo sem favorito e no qual tudo pode acontecer.


Deu São Paulo, de virada e no finzinho.  E o Galo…
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Roberto Avallone

Foto: AFP

Foto: AFP

1- Quando Rogério Ceni aceitou aquele chute de longe de Soza, sem muita força e no meio do gol, chegou-se a pensar que o São Paulo estava preparando o seu adeus à Libertadores logo contra o Danúbio adversário tão fraco que não tem um ponto ganho sequer.

Sabe-se lá a razão, depois de vários minutos em que o futebol andou em baixa, o técnico Milton Cruz fez o normal: mandou Michel Bastos para a ponta-esquerda e colocou em campo o velho Luís Fabiano. Que ainda tem presença de área embora veterano. Fabiano não fez nenhum gol, mas preocupou os zagueiros uruguaios, permitindo que um centro de Michel Bastos encontrasse a cabeça de Pato, que cabeceou para as redes.

E lá se foi arrastando o jogo, com cheiro de empate, quando nos acréscimos, aos 46 minutos do segundo tempo, o São Paulo teve novo sopro de vida e colocou-se à beira da classificação para a próxima fase da Libertadores: desta vez foi Centurión , que nem é muito alto e nem grande cabeceador, quem testou a bola para o fundo das redes.

A classificação ainda não está decidida, mas quase: duvido que o San Lorenzo arranque algum ponto do Corinthians, nesta noite de quinta-feira, ou que o tricolor deixe de conquistar o que lhe falta para respirar aliviado.

Creio que a crise está indo embora.

Foto: AFP

Foto: AFP

2- Cíclico e imprevisível como sempre foi, o futebol anda a pregar peças nos clubes mineiros. Se até o ano passado, Atlético Mineiro e Cruzeiro deram a Belo Horizonte o status de “Capital do Futebol'', neste ano os dois times vem decepcionando na Libertadores: nesta noite de quarta-feira, o Galo perdeu do Atlas, 1 a 0, gol de Arturo Gonzalez e terá de suar muito para se classificar.

E por quê? Coisa de time reformulado, pois se em 2013  jogavam Diego Tardelli, Ronaldinho Gaúcho, Rever, etc., neste ano até encontramos bons jogadores como Lucas Pratto, Jemerson, o novato Carlos, mas todos ainda sem a necessária adaptação e confiança. Já o Cruzeiro, sofre de desmanche mais recente, ou por venda de jogadores (Lucas Silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart) ou por contusão (Dedé, por exemplo) expondo-se a derrotas vexatórias, como essa de terça-feira anoite diante do Hurancan, de péssima colocação no Campeonato Argentino.

Enfim, pode ser uma fase. Pode ser


Para ser finalista: Corinthians ou Palmeiras? Santos ou São Paulo?
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Roberto Avallone

Arte/Montagem: Val Simeão

Arte/Montagem: Val Simeão

1- É clássico para ninguém botar defeito: em um único jogo, Corinthians e Palmeiras lutam por vaga na final, ao jogar sua vida no Campeonato, o que dá um tom diferente ao velho Derby: o Palmeiras jogou n este domingo em seu estádio, lotado, e bateu com sobras o Botafogo de Ribeirão Preto (1 a 0, gol de Leandro Pereira), superando também erros da arbitragem, que ignorou dois pênaltis cometidos sobre Dudu.

Ah, e é bom que se diga: Valdivia ainda é um jogador muito importante parra o Palmeiras, pois entrando no decorrer do segundo tempo, roubou a bola de um adversário, fez uma ginga e descobriu Lucas, entrando pela direita; Lucas centrou, bola rasteira, e o grandalhão Leandro Pereira desviou para as redes. Valdivia jogará contra o Corinthians?

Com ou sem ele, o Palmeiras não terá Leandro Pereira, Vítor Luís e Vítor Hugo suspensos), além da dúvida com Zé Roberto, que saiu no intervalo, alegando dores musculares. Ele é o que mais preocupa, pela experiência e pela qualidade de jogo.

Quanto ao Corinthians (cuja partida está relatada em meu post anterior), dificilmente repetirá a sua apagada partida que exibiu diante da Ponte Preta. Joga em seu estádio, é verdade, o que é uma grande vantagem, mas é bem provável que esteja desfalcado de sua dupla atacante- Émerson “Sheik” com certeza, suspenso, e Guerrero com seu problema de saúde, com suspeita, ainda, de dengue.

Há algum tempo não se via um Derby assim e o mais certo seria decisão em dois jogos, uma partida em cada estádio, com vantagem inclusive financeira para as duas equipes.

Arte/Montagem: Val Simeão

Arte/Montagem: Val Simeão

2- Santos ou São Paulo? Eis aí outra decisão sobre a qual não arrisco nenhum palpite. Neste domingo, o Santos venceu com incrível facilidade o XV de Piracicaba (3 a 0), embora possa ter perdido sua arma principal: Robinho, que saiu de campo, com problemas musculares, já sendo dúvida para o clássico.

E hoje, mais do que aquele brilhante rapaz das pedaladas do começo de carreira, Robinho é meio dono do time, jogando em todas as posições do ataque, com dribles e jogadas típicas de armador. Trata-se de um líder. Com ele, o Santos tem chances: sem Robinho é difícil.

Quanto ao São Paulo que no sábado venceu o Red Bull por 3 a 0(o relato do jogo está em meu post anterior), parece uma equipe mais leve e solta neste período pós Muricy. Ganso, inclusive, fez gol de cabeça como se fora um centroavante, deu passe certo quase caído, até parecia o velho Ganso.

O que torna imprevisível o clássico, mesmo tendo o Santos como mandante.


O São Paulo passa, sem sustos. Já o Corinthians…
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Roberto Avallone

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

1- Mesmo atuando com um só jogador à frente (Pato) e tendo em Michel Bastos o seu protagonista, o São Paulo jogou o suficiente para bater o limitado Red Bull, 3 a 0, e classificar-se para as semifinais, provavelmente contra o Santos. Foi uma vitória sem sustos, com um Paulo Henrique Ganso solto e mais alegre do que nos tempos de Muricy Ramalho e pelo menos dando a impressão de que o São Paulo poderá ser outro nesta reta final de Campeonato Paulista.

O primeiro gol foi emblemático; vivia o tricolor a defender-se das tímidas tentativas ofensivas do Red Bull e já eram 42 minutos de jogo, quase fim do primeiro tempo. Surgiu a falta, Ceni bateu sem muita força, Ganso se abaixou para confundir o goleiro e o São Paulo saiu na frente com esse gol providencial.

Depois, no segundo tempo, Pato chutou firme para marcar 2 a 0 e Ganso, na posição de centroavante (há quanto tempo isso não acontecia?) cabeceou para fazer o terceiro gol e estabelecer o significativo placar de 3 a 0. Creio que a crise deu um tempo, só não sei como será depois do jogo contra o Santos (não acredito em zebra do XV der Piracicaba), nesta fase de oscilação constante de humor.

Foto: Fernando Dantas

Foto: Fernando Dantas

2- O  Corinthians ganhou, é verdade, 1 a 0 (gol de Renato Augusto) e está classificado. Mas, a bem da verdade a Ponte Preta foi terrivelmente prejudicada por fatal equívoco da arbitragem, que anulou (mal) um gol legitimo de Renato Cajá, quando era superior ao Corinthians e a partida estava empatada.

Como seria se o gol (legítimo, repito) fosse validado?

Jogando bem menos do quem outras oportunidades, ressentindo-se também da ausência de Paolo Guerrero, o Corinthians teve muito mais dificuldades do que se supunha. Pode ter sido uma tarde menos favorável. Mesmo assim, o gol saiu de bela feitura: Jadson deu passe com o peito para Renato Augusto que deu a bola a Vagner Love; Love fez o currupio e tabelou para Renato Augusto entrar na área e chutar para o goleiro espalmar e a bola entrar mansa e obediente no canto esquerdo.

Os detalhes, agora, pouco importam; o Corinthians é semifinalista.


Aponte seu favorito pelo título: Corinthians, Santos, São Paulo ou Palmeiras
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Roberto Avallone

Fotos: Ari Ferreira

Fotos: Ari Ferreira

Se a lógica for levada em conta, que me perdoem os clubes que serão citados a seguir, mas não há chances para eles- Ponte Preta, XV de Piracicaba, Red Bull ou Botafogo de Ribeirão Preto. Eles já foram longe demais e não ser em uma zebra, servirão de coadjuvantes para os grandes.

E nesse duelo de gigantes quem tem mais chances? Pela lógica, o Corinthians: tem um time compacto, algumas individualidades decisivas- Elias, Guerrero, Renato Augusto- e decidirá sempre em seu estádio, merecido prêmio por ter feito a melhor campanha do Campeonato. O que pode atrapalhar os sonhos corintianos é a Libertadores, caso exista coincidência ou proximidade de datas, pois o torcedor quer ganhar tudo, é verdade, mas é clara a preferência pelo título de Campeão das Américas.

Fotos: Ari Ferreira

Fotos: Ari Ferreira

Em seguida, pelo critério das melhores campanhas, surge o Santos que, em minha opinião, foi surpresa neste Campeonato. Foi time ofensivo, tendo como destaque Robinho, mas contando com Lucas Lima e Ricardo Oliveira coadjuvantes de primeiro nível, colocando-se como um dos favoritos ao título.  Quando se julgava que o Santos tinha perdido um titular imprescindível- o goleiro Vandererlei- eis que surge Vladimir a fechar o gol diante do Corinthians, com atuação espetacular.

Foto: Ale Cabral

Foto: Ale Cabral

Indo em frente, encontramos o São Paulo ainda atingido pela crise, em busca de seu novo técnico (fala-se em Luxemburgo, Abel Braga ou o argentino Alejandro Sabella) e procurando também os motivos pelos quais Paulo Henrique Ganso em nada lembrar aquele craque do Santos e por que alguns jogadores de renome não rendem o que deles se espera. Com Muricy, técnico de grandes conquistas, o ambiente estava triste, talvez pelas condições de saúde do comandante e também pelo acúmulo de resultados negativos.

Penso que um técnico mais extrovertido, agora, seria o contraste necessário ao tricolor. Não é o caso de Sabella, quieto demais, mas pode ser a chance de Luxemburgo ou principalmente de Abel Braga. Quem sabe?

Foto: Fernando Dantas

Foto: Fernando Dantas

E, final mente, chegamos ao Palmeiras, dono de lampejos de grande time- como foi na vitória contra o São Paulo- e de momentos de equipe com várias deficiências como mostrou-se em diversas oportunidades. E o que falta ao Palmeiras? Em minha opinião, o time precisa de um grande zagueiro (para jogar ao lado de Tobio) de um meia-armador que se firme, pois Valdivia está fora de forma e Cleiton Xavier não se sabe como anda: e, enfim, carece a equipe de um goleador, que pensei pudesse ser Cristaldo ou Leandro Pereira, mas os fatos provam que não.

Talvez esse goleador seja Gabriel Jesus, que arrebenta nos treinos e não fez o mesmo nos jogos. Pode ser Gabriel, ele tem apenas 18 anos Mas é preciso esperar, pois a revelação está na Seleção Brasileira Sub 20.


Quem para o lugar de Muricy? E, desta vez, o que Valdivia fez de mal?
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Roberto Avallone

Arte/Montagem: Valéria Simeão

Arte/Montagem: Valéria Simeão

1- Descartada, pelo menos por enquanto, a vida de um técnico estrangeiro, qual o nome para substituir Muricy Ramalho? Para começar, lembro que dois técnicos de ponta estão livres no mercado: Abel Braga e Mano Menezes, pois Luxemburgo, outro nome lembrado, tem compromisso firmado com o Flamengo.

Abel ou Mano? Com Abel Braga, o São Paulo teria um técnico mais alegre, mais “paizão” dos jogadores e vencedor, embora não se trate exatamente de um estrategista; com Mano Menezes, o tricolor teria a figura de um técnico mais metódico, talvez mais atento à parte tática e mais disciplinador.

Pelo atual momento do São Paulo, talvez fosse mais adequado o otimismo de Abel. Creio que um Ganso, por exemplo, precisa mais de um treinador que lhe faça recobrar a autoconfiança do que um disposto a fazer com que ele marque ou corra mais, coisa que não chega a ser seu ponto forte. Se for para pensar mais à frente, então o mais adequado seria Mano Menezes, que leva um certo tempinho para armar as suas equipes.

Que o São Paulo tenha a sabedoria de decidir.

Foto: Maurício Rummens

Foto: Maurício Rummens

2- Virou polêmica o que disse Valdivia, após a vitória do Palmeiras sobre o Mogi Mirim. E por que? Tirando a resposta que deu em sua entrevista, que “levaria sete meses” para curar uma lesão, muito mais uma ironia, o que Valdivia falou não ofendeu a ninguém e é típico de quem está com o contrato a terminar e ainda não tem solução.

Pelo histórico de lesões de Valdivia, creio que o Palmeiras está certo em propor parte do contrato por produtividade, que o jogador pode aceitar ou não. Faz parte.  Mas que esse acordo- saia ou não saia- não tenha influência de palavras quaisquer. Ele não é obrigado a ser politicamente correto.