Blog do Avallone

Arquivo : junho 2014

A  Holanda será semifinalista. E que tal uma revolução brasileira?
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Roberto Avallone

1- Para mim, não há nenhuma. Por mais que o futebol tenha seus caprichos e cultive suas zebras, não vejo como a Costa Rica poderá brecar o ataque holandês mesmo levando-se em consideração que a Holanda só jogou bem nos últimos vinte cinco minutos da partida em que, de virada, venceu o México por 2 a 1.

É que mesmo assim, mesmo com a Holanda jogando abaixo do que pode, o que vi no duelo entre Costa Rica e Grécia (vencido por Costa Rica na decisão por pênaltis, após empate de 1 a 1) foi capaz de arrepiar.  Arrepiar pela ruindade exibida de um lado e de outro, com a Seleção de Costa Rica abrindo o placar, mas, como teve um jogador expulso, Duarte, foi obrigada a recuar e a permitir o empate grego nos momentos finais da partida.

Tanto fazia ganhar um ou outro. Nenhuma das seleções é capaz de conter a Holanda mesmo em dia ruim, ainda mais se Van Persie jogar como no começo da Copa (o que não aconteceu frente ao México), fazendo companhia ao fantástico Robben e ao meio com lampejos de craque, Sneijder.

Aí, ninguém segura.

2- Já que a Seleção não empolga e é vista para o jogo contra a Colômbia como detentor de menos talentos do que a equipe de James Rodriguez, por Felipão não chuta o balde da burocracia e escala um time à brasileira? Como já não temos os pontas dos tempos de ouro e nem o nosso tradicional meia-armador, deveríamos improvisar os jogadores que restam para essas funções, ainda que limitados.

Para fazer o papel de ponta, por exemplo, desta vez pela esquerda. Felipão deveria utilizar Bernard, a quem classificou, um dia, jogador “com alegria nas pernas”. E por falta do Maestro, tipo Didi ou Gérson, o jeito é lançar mão de quem tem mais cacoete para armar jogadas e chutar de fora da área. Aproveitando a suspensão de Luiz Gustavo, que se recue Fernandinho para primeiro volante, abrindo sua vaga para Hernanes, apelidado o Profeta, que tem boas credenciais por sua atuação no São Paulo, no futebol italiano e na própria Seleção Brasileira.

À ousadia, Felipão!

 


Contra a Colômbia, a Seleção Brasileira não pode continuar medíocre
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Roberto Avallone

Se em Belo Horizonte foi dramática a classificação do Brasil contra o Chile, na decisão por pênaltis (3 a 2, Brasil) após empate de 1 a 1 no tempo regulamentar, ah no Maracanã os colombianos, próximos adversários do Brasil, passearam diante um atordoado Uruguai, vencendo por 2 a 0 e despontando James Rodriguez como o atual grande astro da equipe.

Como futebol não é assim, com vitória garantida de quem mais se destacou, não se pode dizer que a Colômbia seja a favorita, embora seja cristalina a capacidade dos colombianos em produzirem um belo futebol apesar da ausência de seu goleador, Falcao Garcia. Como contraponto, puxo pela memória para localizar no tempo seleção tão medíocre quanto esta de Felipão. E está duro de encontrar. Talvez a Seleção de 1966, na Copa da Inglaterra, talvez a de 1990, que tinha o comando de Lazaroni. Esta, atual, pode até ser campeã- nunca se sabe ao certo o que pensam os deuses da bola- mas, mesmo assim não perde em mediocridade para aquelas de 66 e 90.

Contra o Chile, em minha opinião, foi um horror! Mal nas laterais, no meio campo (será que Oscar estava mesmo em campo?) e no ataque, onde, por ironia, o gordinho Hulk se destacava mais do que Neymar, o Brasil só não perdeu para o Chile por sorte- a bola de Pinilla que carimbou o travessão na prorrogação e também porque os chilenos, assustados talvez com o peso da camisa da Seleção Brasileira, não se aventuraram tanto ao ataque como poderiam.

Felipão é um técnico de muita sorte.

Já a Colômbia, adversária o Brasil na próxima fase, exibiu no Maracanã um futebol que deu gosto de ver. Parecia o nosso de outros tempos. James Rodrigues, camisa 10, justificou porque joga no Monaco: foi o autor dos dois gols colombianos, sendo o primeiro deles um autêntico golaço, o chute violento, de esquerda e de fora da área, com a bola carimbando o travessão uruguaio por dentro e caindo dentro das redes.

Quando se encontrarem, no entanto, pela vaga à semifinal. Colômbia e Brasil entrarão em campo sem ter certeza de nada. É que reza o velho ditado do futebol que “cada jogo é uma história”.

E assim será.


A volta e o meu muito obrigado!
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Roberto Avallone

Neste domingo, autorizado pelo médico que me assistiu (Doutor Marcelo Franken), estarei na TV UOL, acompanhando o jogo Holanda e México pela Copa. Começo então a cumprir o trato que fiz com o Murilo, gerente- executivo de esportes do UOL, que havia me convidado a participar da equipe fixa de comentaristas para esta Copa do Mundo, entrando em ação no intervalo e também nos quinze minutos que sucedem as partidas.

Só pude começar a cumprir o trato agora por ter enfrentado um problema inesperado e delicado de saúde, que surgiu no dia 31 de maio, quando fui visitar minha Tia Dora, internada no Hospital das Clínicas por ter fraturado um braço. Na saída, muitos metros depois, quem passou mal fui eu. Tive sorte: com a eficiência do doutor Marcelo, com a extraordinária perícia do professor Fábio Jatene e com a colaboração magnífica dos profissionais do Incor, aqui estou firme e forte, pronto para dar sequência plena ao trabalho, iniciado, há alguns dias, com textos em meu blog do UOL.

Aproveito para agradecer o empenho de meus familiares, de minha esposa Valéria, de meus filhos (Caio, Carolina, e Anna Flávia) dos amigos que me visitaram e daqueles que de mim perguntaram, sabendo sei lá por onde, pois fui discreto nesta empreitada.

OBRIGADO A TODOS!  E a Deus, é claro.

E segue o jogo.


O preço da mordida estúpida.  E o duelo entre Felipão e Sampaoli
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Roberto Avallone

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

1- Ainda se perguntam os incrédulos: o que tem na cabeça esse Súarez, tão bom de bola, mas que cultiva o hábito de morder os zagueiros adversários, tal como um Vampiro dos campos?

Não se sabe a razão. O que se já tomou conhecimento é de que Luis Súarez, principal atacante uruguaio e um dos melhores do mundo, foi suspenso por 9 jogos e mais 4 meses de qualquer competição. Duro golpe para ele, para a Seleção Uruguaia, para o Liverpool- que recentemente renovou o seu contrato a peso de ouro e para os torcedores comuns que apreciam o jeito habilidoso de Suárez em driblar zagueiros grandalhões, com seu jeito diferente de ser centroavante.

Dura pena.

Mas pena justa. Neste momento em que a Copa surpreende com bons jogos, apreciáveis zebras e razoável “fair- play” dentro de campo, que me perdoem Suárez e defensores, mais do que nunca não se pode admitir gestos tão estranhos como as mordiscadas que ferem- e muitas vezes pode nem ser vista. Esta é a terceira vez que Súarez é flagrado nessa atitude de Vampiro e, se não for brecado duramente, pode até criar moda para outros atacantes.

Já imaginaram um festival de mordidas povoando os campos?

Arte/Montagem: Val Simeão

Arte/Montagem: Val Simeão

2- Reconheço a liderança e o carisma de Felipão. Mas já há algum tempo sou fã de Jorge Sampaoli, um argentino de 54 anos, ex- lateral, que revolucionou o futebol do Chile. E muito mais do que Bielsa.

Neste duelo entre Brasil e Chile programado para sábado, decisivo para a sobrevivência na Copa do Mundo, vale a pena observar o duelo entre Felipão e Sampaoli. Quanto a Scolari, creio não existir muitas alternativas além da entrada de Fernandinho no lugar de Paulinho, restando talvez uma vaguinha para Bernard no decorrer da partida; quando a Sampaoli. Existe a expectativa de o Chile atuar como começou a Copa do Mundo, com Vidal e com Valdivia, na partida em que foi vencida a Austrália, por 3 a 1.

Mas falamos em tese, pois muito provavelmente Felipão e Sampaoli farão mistério quanto à escalação até uma hora antes da partida quando terão de comunicar a escolha que fizeram.

Tudo bem. O mistério faz parte desse duelo atraente.


Monstros da Copa, inclusive o vampiro Súarez. E o Mercado da Bola
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Roberto Avallone

Foto: Infoesporte

Foto: Infoesporte

1- Dá gosto ver jogar Messi, Neymar, Robben, Benzema, Van Persie. Eles, até a ora, são os Monstros desta Copa do Mundo surpreendente, que apresenta bons jogos e futebol ofensivo até mesmo em empate de zero a zero como aconteceu entre França e Equador.

Nesta lista de Monstros poderia estar Luís Suárez, pelo futebol valente e goleador, recheado também com bons dribles do uruguaio que joga no inglês Liverpool. Infelizmente, por sua estupidez em morder o ombro do italiano Chiellini, Suárez deixa por enquanto a galeria dos craques da Copa e ocupa as manchetes como, digamos, o Vampiro Celeste, pois é reincidente no pecado de roedor. Estranho hábito. Segundo ouvi, não sei se é verdade, Súarez teria confessado que se trata de um vício incontrolável. Meu Deus!

Ele não é o primeiro Vampiro das Copas. A Seleção da Inglaterra, quando campeã do mundo em 1966 tinha um jogador apelidado “O Vampiro de Londres”. Seu nome era Styles e não sei se o apelido vinha também do hábito de mordiscar adversários ou se vinha de sua violência incomum, criando a lenda de se alimentar dentro de campo do sangue dos pobres adversários desavisados.

Nunca mais ouvi falar do Vampiro de Londres, mas acredito que tenha recuperação esse da Celeste Olimpica, Súarez. Mas tem que ser punido, sim, e exemplarmente pelo bem do futebol e até da vida em geral. Ou vivemos a festa do caqui?

Foto: Montagem/Arte Valéria Simeão

Foto: Montagem/Arte Valéria Simeão

E ainda bem que Mike Tyson jamais jogou futebol. É ainda me lembro daquela mordida que devastou pelo menos meia orelha de Evander Hollyfield, quando os dois lutavam juntinhos, quase num clinch, mas em momento em que dava para ver que o vencedor seria Holyfield.

Foi mesmo. Embora com meia orelha a menos.

2- No Mercado da Bola, estranho a demora na oficialização da saída de Marcelo do Atlético Paranaense para o Corinthians. O que sei, no entanto, é que está tudo certo- ou quase tudo- faltando acertar apenas a fórma de pagamento, quantas parcelas, etc. Creio não existir perigo de melar a transação: bom reforço para o Corinthians.

Ainda sobre o Corinthians, envolvendo também o São Paulo, surge em boa hora o interesse da Juventus de Turim por Pato. Pelo andar da carruagem, ele não será o jogador esperado. Mas em matéria da imprensa italiana, um alerta: embora indicado pelo técnico da Juve, Antonio Conte, interesse dos italianos é ter primeiro Pato por empréstimo, conhecedores que são do histórico de lesões do jogador.

Como por empréstimo pode ser realizada a transferência de Luan do Palmeiras para um time do Qatar, bem ora os palmeirenses prefiram uma venda definitiva, pela quantia que se dizia, 8 milhões de reais. Quem sabe? Se for isso, a venda de Luan mais a de Luís Felipe– que o jornal português A Bola dá como praticamente certo no Benfica- com um pouquinho a mais do bolso já dá para comprar Lucas Pratto, pois não?


Para o Brasil, a Copa começa agora: eis como vencer o Chile…
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Roberto Avallone

Foto: Jefferson Bernardes/VIPCOMM

Foto: Jefferson Bernardes/VIPCOMM

Evidentemente que tudo isso em minha opinião, pois não sou técnico e minha bola de cristal já foi para o conserto há algum tempo. E não voltou. Mas vendo a Seleção Brasileira golear Camarões (4 a 1) e o Chile (nosso próximo adversário) perder para a Holanda- sem Van Persie- por 2 a 0, chego à conclusão sobre como vencer os chilenos, o que gostaria de discutir com os amigos em pelo menos três itens:

1- A bola aérea alçada sobre a área chilena: em especial nas bolas paradas, faltas ou escanteios, pois a defesa do Chile tem jogadores de baixa estatura, tanto que assim levou o primeiro gol da Holanda, em cabeçada mortal de Ferrer. Nesse ponto, convenhamos, Felipão treina o time à exaustão, tendo boas chances de sucesso não apenas para os atacantes (Fred, enfim, desencantou diante de Camarões), como também para Thiago Silva e David Luiz.

2- Fernandinho deveria jogar no lugar de Paulinho, que em nada lembra aquele jogador vibrante e eficiente do Corinthians de 2012. Ele pode ajudar também a Luiz Gustavo e aos zagueiros na missão de brecar os passes enfiados para os velozes atacantes Alexis Sanchez e Vargas.

3- Fred precisa sair novamente da área, como em alguns momentos diante de Camarões, abrindo, assim, espaço para as arrancadas de Neymar– este, sem dúvida, o melhor jogador do Brasil contra Camarões, autor de dois gols e de belas jogadas. Ainda bem que Neymar- por enquanto, artilheiro desta Copa do Mundo, com 4 gols- foi retirado de campo aos 22 minutos do segundo tempo, evitando-se o risco de perdê-lo para a partida contra o Chile por suspensão, pois ele já tem um cartão amarelo.

Se isso for feito, penso, o Brasil terá todas as condições de passar pelo Chile e avançar para o próximo mata-mata.

O amigo concorda?


O melhor do mundo, quase fora da Copa. E como joga Mouche, reforço do Palmeiras
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Roberto Avallone

AFP PHOTO

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1- Eleito o melhor do mundo na temporada, Cristiano Ronaldo está quase de malas prontas para deixar a Copa do Mundo, ao lado de seus parceiros portugueses. E não fosse por uma sua jogada, a de centrar na cabeça de Varela que empatou a partida (2 a 2) com os Estados Unidos, Portugal já estaria a lamentar sua precoce e breve passagem pelo Brasil.

Cristiano Ronaldo, com problemas físicos, não foi sequer uma sombra do magnífico atacante da Champions League, escancarando a necessidade de Portugal em promover uma bela renovação em seu elenco para as próximas competições. Nesta, a não ser por um milagre de uma combinação de resultados-capaz de melhorar a pontuação e o saldo de gols-, creio que as chances da equipe já eram. As vagas do grupo deverão ficar com alemães e norte-americanos.

Como consolo, em seu adeus, Portugal terá como companhia ilustres acompanhantes como os ingleses e os espanhóis- que já foram campeões do mundo- e que também não esperavam tão chocantes eliminações.

Renovar é preciso…

Foto: Divulgação

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2- O turco Kayserispor já anunciou oficialmente que negociou Pablo Mouche com o Palmeiras. Fala-se que o argentino Mouche custou 4 milhões de dólares (cerca de 8,9 milhões de reais), o que não é exatamente uma compra barata. Há de perguntar o amigo: vale a pena?

Em minha opinião, vale. Pelo que vi jogar Pablo Mouche no Boca Juniors e em um vídeo de 12 minutos com os seus melhores momentos (que às vezes enganam, pois os piores não são exibidos), trata-se de um jogador cujo estilo lembra muito o de Euller- “O Filho do Vento”, que teve vitoriosa passagem pelo Palmeiras. Só que Mouche é canhoto, tem 1 metro e 77 de altura e parece ser mais forte do que Euller, preenchendo uma lacuna no elenco palmeirense, que não tinha um jogador com suas características para atuar pelo lado dos campos.

Belo reforço, creio.

É suficiente para o Palmeiras? Penso que ainda não: falta um lateral-direito que saiba apoiar o ataque (o amigo Andrezinho Tessitore, com vocação para olheiro, indica Paredes, da Seleção do Equador) e um centroavante renomado para compensar a perda de Alan Kardec- tipo Lucas Pratto, do Velez Sarsfield-, ficando o oportunista Henrique para a reserva ou para qualquer eventualidade.

Assim, o ano do Centenário seja mais saboroso e atraente para o torcedor do Palmeiras.


A morte do último palestrino
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Roberto Avallone

Imagem: Divulgação

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Oberdan Cattani era o último jogador vivo que tivera o privilégio de jogar pelo Palestra e, depois, obrigado pela Segunda Grande Guerra Mundial, continuar atuando já pelo Palmeiras, a partir do episódio conhecido como “Arrancada Heroica”, em setembro de 1942.

Era o ídolo de meu pai, que o considerava o melhor goleiro de todos os tempos. Só o vi jogar no finalzinho da carreira, um pouquinho pelo Palmeiras e mais pelo Juventus, onde, já aos 34 anos, defendeu um pênalti batido pelo corintiano Claudio Cristóvão Pinho. Façanha quase impossível de ser realizada.

Dono de porte atlético invejável, Oberdan me parecia ser um gigante de dois metros de altura, quando, na verdade- e isso  constatei quando o conheci, tempos depois- tinha apenas 1 metro e 76, o que pouco importava diante de sua incomum elasticidade e perícia nas bolas altas. Meu pai me dizia: “Ele agarra a bola com uma só mão”. Só não tinha me explicado como conseguia, até que eu visse a lenda de perto, verificando que suas mãos eram enormes, capazes de conter qualquer bola mesmo aquela tipo capotão.

Li que foi campeão paulista em 1940, 42, 44, 47 e 1950, além de participar das “Cinco Coroas”– cinco títulos seguidos entre 1950 e 1951, estando a Copa Rio- em que começou como titular, deixando, no meio da competição, o lugar para Fábio- entre essas coroas. Oberdan foi da Seleção Paulista, da Seleção Brasileira e meu pai jamais se conformou em vê-lo fora do time na Copa do Mundo de 50, achando, naturalmente, que com Oberdan o Uruguai não nos teria vencido.

Oberdan Cattani nos deixou na noite desta sexta-feira, aos 95 anos. Ganhará um busto no novo estádio do Palmeiras. E se por acaso, em outro plano, encontrar-se com meu pai, Waldemar, ouvirá dele o agradecimento que todo palestrino/ palmeirense gostaria de fazer: “Obrigado por tudo, melhor goleiro de todos os tempos”.

Quem sabe, lá em cima ou seja lá onde for esse outro plano, Oberdan ainda possa bater uma bolinha, dando um jeito de agarrá-la com uma só mão. Até para voltar a ser, por segundos, aquele personagem idolatrado por meu pai, como numa prova de que a paixão não termina em uma só vida.


Benditos sejam Benzema, Suárez, Van Persie, Robben… E o Mercado da Bola
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Roberto Avallone

1- Embora há quem diga ser o gol um mero detalhe do futebol, coisa de teoria e nada mais – não há o que mais emocione o torcedor do que o estufar das redes. Gol, o santo detalhe! E esta Copa tem sido pródiga no número de gols marcados, na disposição da maioria das equipes em partir para o ataque e na superação de certos artilheiros.

O francês Benzema, por exemplo, já poderia estar com seis gols. Ele fez apenas um nesta quinta-feira contra a Suíça (França, 5 a 2), mas teve outro anulado pela arbitragem por já se ter se esgotado o tempo (a bola caminhava para as redes) e ainda desperdiçou um pênalti. E na estreia, marcou três gols, embora só tivessem valido dois, pois para exemplificar a nova tecnologia, a FIFA atribuiu um deles ao goleiro, contra Benzema está jogando muito!

Heroico foi outro centroavante, o uruguaio Súarez, autor dois gols que derrotaram a Inglaterra, sendo que o último foi no sacrifício supremo de suas forças, ao arrematar com “a força de três milhões de uruguaios” (como disse), no último gesto de sua aventura de recém- operado. Bravíssimo!

E como bravíssimo também são os holandeses Robben e Van Persie, ambos no apogeu da forma, autores de três gols cada a favor do time-sensação da Copa até agora.

Ah, como fazem bem, gols e artilheiros!

2- Com um olho e meio na Copa e meio no Mercado da Bola daqui, considero que a volta de Kaká ao São Paulo– ainda que por apenas seis meses- é a grande notícia do momento. Com Kaká, Ganso, Pato, Luís Fabiano e Alan Kardec, o técnico Muricy Ramalho terá bons motivos para alegar santa dor de cabeça: como encaixar todos esses talentosos jogadores num só time? É possível, sim, adotando a ofensividade, ou, então, optando por um rodízio (creio que Kaká não jogara quarta e domingo, domingo e quarta…), até mesmo durantes o jogos.

Espera-se que, por sua vez, o Corinthians feche mesmo a contratação de Marcelo, belo atacante do Atlético Paranaense, o que ainda não aconteceu de maneira oficial. Assim, como suplicante a torcida do Palmeiras espera pelos atacantes argentinos, Mouche (espécie de Euller- o Filho do Vento- versão argentina-) e Lucas Pratto (que custaria quase a mesma coisa de Alan Kardec), pois não? Assim, seria possível esperar por algo melhor no ano do Centenário.

E não se pode deixar de aplaudir o Grêmio que foi ousado ao repatriar o meia Giuliano, jogador que despontou como craque no rival Inter.


Nunca se jogou tão pouco na história deste país
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Roberto Avallone

Seria ingênuo atribuir à falta de sorte ou aos tais milagres vistos por Fred que teriam sido realizados pelo goleiro mexicano Ochoa. Na verdade, o empate da seleção brasileira com o México por um pálido zero a zero, na bela Fortaleza, deve-se muito mais a atual mediocridade do futebol brasileiro, cujas características foram asfixiadas ao longo dos últimos tempos.

É este o futebol brasileiro, chamado de melhor do mundo? Meu Deus! Devo ter estado em Marte nestes anos, pois não vejo mais as virtudes do futebol moleque, do drible ousado, dos pontas – como Mané Garrincha, por exemplo – que fazia dos seus marcadores verdadeiros ‘Joões Bobos’, iam até a linha de fundo e cruzavam para o centroavante fazer o gol.

Ah, só Neymar é capaz um pouquinho disso. O que é muito pouco para as nossas tradições.

Inexplicavelmente, também deve ter sumido do mapa a figura do meio-armador, tipo Gerson, Didi, Jair Rosa Pinto. Quem faz esse papel na seleção de Felipão??
Resposta: ninguém. Trata-se de ledo engano achar que Paulinho, um volante, ou que Oscar, um talentoso ajudante do meio-campo, fizessem esse papel sagrado em nossos campos.

Assim, tirando o ufanismo de alguns especialistas, o que se viu foi um futebol pobre, limitado e anti-verdadeira seleção brasileira. O que se viu, repito, foi um empate justo entre brasileiros e mexicanos, com chances para os dois lados, como se as forças fossem equilibradas e iguais.

Isto não quer dizer que o Brasil tenha perdido suas chances de sonhar com o Hexa, ou que não possa crescer durante a competição. Numa dessas, Neymar pode se superar, surgir algum herói inesperado e a força da torcida contribuir para o sucesso.

Isso pode acontecer, sim. Mas é muito difícil.

Pelo o que se acompanhou, a nossa seleção pode estar sendo vítima novamente do que apresentou Na Copa das Confederações (como, por exemplo, aquela que antecedeu o fracasso na Copa da Alemanha, em 2006) caindo de novo no conto de quem deveria fazer agora o que realizou há um ano. No futebol, este ano pode ter uma duração eterna e destruidora.

Honesto será reconhecer que, pelo menos por enquanto, não dá para comparar o futebol brasileiro com a Máquina Holandesa, com a implacável escola alemã, ou até mesmo com os lampejos da Argentina, de Messi.

Eles estão bem melhores do que nós nesse exato momento.

E futebol… é momento.