Blog do Avallone

Arquivo : fevereiro 2016

Dos grandes, só o Corinthians venceu. E no finzinho
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Roberto Avallone

Como foi o São Paulo contra a Ponte Preta? Perdeu, 1 a 0. Ah, e o Santos contra o Red Bull Brasil? Também perdeu,2 a 0.  E o Palmeiras, jogando em casa, com a Ferroviária de Araraquara? Perdeu mais feio ainda, pois levou um nó tático/técnico,  por 2 a 1- com o gol da vitória aos 48 minutos do segundo tempo (Rafinha) e saiu vaiado de campo pela própria torcida.

Bem, o Corinthians venceu, no sábado a noite, por 1 a 0, gol de  Rodriguinho, já nos acréscimos, para desespero da rapaziada do Oeste que já esperava pelo empate. Foi suado, sofrido, mas desta vez o Corinthians não levou sustos e vai indo, de vitória magra em vitória magra, de gol no finzinho para arrancar empates; vai indo como a equipe de melhor pontuação na tabela, mesmo jogando em estado pós desmanche, pois tem o grande craque do Campeonato: o técnico Tite, de fase iluminada já há algum tempo, capaz de suportar a saída de tantos jogadores-mais a contusão de Elias- sem perder a identidade.

Não se pode falar o mesmo de Marcelo Oliveira, que reclama da falta de tempo para treinar, mas que não monta um mistão alternativo e nem sabe explicar a inconstância de sua equipe. Não creio que a esteja escalando bem, pois, entre outras coisas, o que é aquilo de Gabriel Jesus na ponta-esquerda se em  Piracicaba foi o destaque do jogo exatamente por não guardar posição ? Os dois gols de Gabriel contra o XV aconteceram pelo meio, E, incrível, Eric quando entrou em campo para substituir Gabriel também entrou na esquerda quando no Goiás, quase sempre, partia da direita para o meio.

Não vi os jogos do São Paulo e do Santos,  mas  pelo relato de quem esteve lá, o tricolor continua com falta de punch, tem apenas Calleri à frente-, mas este, que começou como uma sensação, parou de  marcar gols e vive de mal com as redes ;  por sua vez, o Santos até criou chances para marcar, especialmente com Lucas Lima, mas o gol não saiu o Red Bull fez dois, acabando com a invencibilidade do Santos.

Fora o Corinthians, os outros grandes- especialmente o Palmeiras e o São Paulo- andam por  merecer as vaias de suas torcidas.


Palmeiras, a noite de Gabriel Jesus
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foi um show de Gabriel Jesus, menino de 18 anos que se jogar como o fez nesta quinta-feira em Piracicaba, será um fora-de- série: ele marcou dois gols, um por oportunismo e o outro por pura arte, encobrindo o goleiro do XV com toque sutil da entrada área; além disso, o menino Gabriel driblou como nas melhores jornadas, usando a ginga, infernizando a defesa adversária. De quebra, ainda sofreu um pênalti não marcado pela arbitragem (arbitragem que também não um pênalti contra o Palmeiras, toque de mão de Roger Carvalho) que não viu o empurrão que levou já na pequena área do XV.

Gabriel Jesus não resgatou o seu futebol à toa. Desta vez, foi escalado não mais para jogar só pela ponta- esquerda, mas também pelo meio, pela direita, liberdade total. Mais ou menos como atuava nos tempos de sub -17 e como sub-20 na Copa São Paulo de 2015. Ah, nesses tempos, especialmente no sub-17 Gabriel teve fase de marcar três gols por jogo, caindo um pouco no final do Campeonato, mas atingindo a marca de 36 gols, artilheiro disparado, fenômeno na categoria.

Mas, por justiça, se Gabriel foi o grande destaque, não foi o único a jogar bem. Nessa goleada de 4 a 1 sobre o XV, Piracicaba, ele teve bons coadjuvantes: o zagueiro Vitor Hugo (que fez o primeiro gol, de cabeça), o meia Robinho- este, em noite de belos lançamentos- e até mesmo o contestado centroavante Alecsandro que nesse jogo, no entanto, cumpriu o seu papel. Alecsandro marcou um gol, em chute forte da entrada da área, e participou do primeiro gol de Gabriel Jesus, ao se deslocar pela ponta e centrar para a área, onde o menino-craque estava postado para marcar.

Foi uma noite e tanto para Gabriel Jesus. E, na esteira, para o Palmeiras também.


Um jogaço: Corinthians e Ferroviária. E a volta de Lugano
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Roberto Avallone

Foto: Leonardo Fermiano

Foto: Leonardo Fermiano

1- Foi um jogo movimentado, corrido, cheio de alternativas e com várias chances de gol para ambos os lados: Corinthians e Ferroviária fizeram uma partida como nos velhos tempos, quando o Corinthians já era ele mesmo e a Ferroviária de Araraquara tinha um dos melhores times de São Paulo e revelava sem parar-Dudu, Bazzani, Faustino “Linguiça”, Thales, Rosã e tantos outros.

Agora com um time sem estrelas, mas muito bem treinado por Sérgio Vieira, a Ferroviária lutou de igual para igual com o Corinthians que sofreu um desmanche, é verdade, mas encontrou em Tite um treinador com a varinha mágica capaz de remontar a equipe e, mesmo sem as estrelas que partiram só pelo Campeonato Paulista tem 13 pontos ganhos, quatro vitórias e este empate de 2 a 2 em Araraquara, pois seu aproveitamento era de 100 por cento até este noite de domingo.

Já a Ferroviária, que voltou este ano para a elite do futebol paulista, também tem bela campanha. E belo futebol. Abriu a contagem com Juninho, sofreu o gol de empate-(Lucca, de pênalti), voltou a ficar na frente, outra vez com Juninho e, finalmente levou outro gol corintiano, no finzinho da partida, atrás de Giovanni Augusto que escorou centro de Fagner.

O resultado acabou sendo justo.

Foto: Ale Cabral

Foto: Ale Cabral

2- Lugano parece que voltou em boa hora: não sei como ele será tecnicamente daqui para a frente, mas como líder já teve de aparar arestas de uma crise. Antes do jogo, vários torcedores protestaram em frente ao estádio e um deles, com a camisa número 7 normalmente usada por Michel Bastos, tinha “Migué” estampado no peito, que era como ele se referia a Michel Bastos, até outro dia capitão da equipe e que ficou fora até do banco de reservas.

Em campo, Lugano nem teve muito trabalho com o ataque do limitadíssimo Rio Claro. Sem jogar bem, o São Paulo dominou o jogo e encontrou o gol através de uma cabeçada de Rodrigo Caio- aquele que o assessor da presidência chamou de ” jogador de condomínio”- depois de falta bem cobrada por Carlinhos.

Creio que o São Paulo irá se recuperar no Campeonto. Já o Rio Claro, sei lá, parece candidato ao rebaixamento.


Não houve clássico, eis o que houve
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Roberto Avallone

Foto: Mauro Horita

Foto: Mauro Horita

Por clássico, entenda-se qualidade, gana de vencer, emoção. Mas não foi nada disso que fizeram Palmeiras e Santos, neste sábado à tarde, no Allianz Parque. Agora, para ser sincero, a culpa da mediocridade foi mais do Palmeiras de Marcelo Oliveira (três volantes e o lento Alecsandro à frente) do que do Santos de Dorival Júnior, pois foram santistas as chances mais claras de gol.

Quanto a estas chances- e não me lembro de nenhuma defesa importante do goleiro Vanderlei-, duas foram de Gabigol quando, cara a cara com Fernando Prass  chutou a bola por cima , assim cmo na outra vez obrigou o goleiro palmeirense a fazer uma defesa espetacular;  a terceira oportunidade, com o camaronês Joel chutando para nova defesa de Prass.

No geral, no entanto, o jogo foi amarrado, truncado, sem fluência. O Palmeiras de Marcelo segue a passar a impressão de ser um time mal treinado, enquanto o Santos de Dorival sofre quando Lucas Lima é marcado por pressão.  Aliás, foi Lucas Lima quem melhor explicou a fragilidade do “clássico” de 0 a 0, ao dizer que: “Eles jogam muito a bola por cima, pelo alto. E o jogo acaba ficando muito chato”.

O Santos tem seus limites financeiros, é verdade; mas o Palmeiras de tantos jogadores que se machucam- a vítima do sábado foi Thiago Santos- tem elenco numeroso  e uma respeitável folha de pagamento. Só que com Marcelo Oliveira, neste ano ainda não emplacou e não se sabe se o fará.


Do vexame do São Paulo à estrela de Mestre Tite
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Roberto Avallone

Foto: Mauro Horita

Foto: Mauro Horita

1- Foi uma zebra daquelas! E um vexame do São Paulo que ninguém esperava. Com que então, um time recheado de estrelas- embora não venham jogando à altura- o São Paulo foi capaz de perder do boliviano Strongest, cuja equipe não vencia uma partida fora de casa há 35 anos? Repito: 35 anos! Como será lá nas alturas de La Paz, onde oponente do tricolor costuma se dar bem, tendo como fiel aliada a altiude?

Sei lá. Senti muita preocupação no técnico Bauza, no líder Lugano que estava no vesitário com o olhar arregalado, creio que de surpresa. Não é fácil entender as razões do insucesso. Quem tem jogadores renomados como Ganso, Michel Bastos, Calleri, etc., não pode jogar tão mal, levar bola na trave e, finalmente, o gol de Alonso, de cabeça, num sugestivo “peixinho”. Strongest, 1 a 0. Acredite.

O São Paulo não vem jogando bem, com sérias falhas na defesa e dificuldades em criar jogadas, tanto que venceu apenas por 1 a 0 o fraquissimo César Vallejos e ainda no domingo levou uma sapecada de um Corinthians pós desmanche, 2 a 0.

No papel, o São Paulo até parece que tem bom elenco. Mas na prática, no campo, isso está longe de se confirmar.

Foto: Daniel Augusto Júnior

Foto: Daniel Augusto Júnior

2- Para dizer a verdade, o jogo foi muito ruim. Como o campo, no deserto do Chile,na ainda existente cidade de El Salvador. Mas quem tem estrela e competência dá um jeito: o péssimo Corinthians do primeiro tempo, depois da mexida de Tite malhrou na etapa final e achou o seu gol aos 45 minutos do segundo tempo, em cruzamento rasteiro de Lucca que o zagueiro Escalona mandou para as próprias redes.

E quais foram as mexidas de Tite na etapa final? Começu com a entrada de Giovanni Augusto no lugar de Romero, prosseguiu com André indo fazer o pivô no comando do ataque e terminou com Willians no posto de Elias, que deve ter sentido alguma coisa. Pois se Giovvani nem foi brilhante, o trabalho de André possibilitou a Lucas jogar mais pela direita, enquanto Willian, forte na marcação, foi o responsável por começar a jogada do gol.

Não é fácil  acontecer o que Tite vem fazendo, pegando um time desmanchado, montar outro e ir vencendo, vencendo, vencendo… Disparado é, hoje, o melhor técnico do Brasil. E, convenhamos, o de mais sorte, da estrela mais reluzente que parece acompanhar seus passos. Até no deserto, contra o Cobresal, no último minuto.


Palmeiras, um empate que não satisfaz
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Normalmente, na Libertadores, empatar fora de casa é até bom resultado. Mas não neste caso do empate do Palmeiras diante do River uruguaio, 2 a 2, pois por, sua fragilidade técnica, é grande a possibilidade dessa equipe não fazer ponto algum diante de Rosario Central e Nacional e aí, como disse Robinho- “Se eles vencerem os outros jogos aquiu, terá sido um bom resultado do Palmeiras. Caso contrário…”.  E é isso mesmo, o futuro dirá.

Na verdade, o Palmeiras não jogou mal e poderia ter vencido, levando para casa os 3 pontos. Tanto no primeiro tempo, quando usou três volantes- Thiago Santos, Arouca e Jean (o autor do gol, após brilhante assistência de Dudu), quanto na segunda etapa, quando entraram Gabriel Jesus (que fez belo gol, após passe de peito de Alecsandro), Robinho e Alecsandro, nos dois tempos o Palmeiras foi melhor do que o River Plate uruguaio.

Mas, só para variar, falhas impediram a vitória palmeirense. Por duas vezes, o River estava em desvantagem, por duas vezes foi buscar o empate. Na primeira vez, quando Prass jogou o corpo contra bola, também o atacante uruguaio, cometendo o pênalti que deu em gol; na segunda vez, o gol surgiu depois  de um escanteio, o atacante cabeceando sozinho, em visível erro de posicionamento.

A impressão que ficou foi a de que o Palmeiras desperdiçou dois pontos, embora tenha jogado melhor do que vinha fazendo no Campeonato Paulista. O problema é que o time não se completa: Dudu, por exemplo, foi o melhor do time no primeiro tempo, sumindo no segundo. Por quê? E outro mistério é Lucas Barrios, de quem era fã desde os tempos do Colo-Colo, e que não está bem, alternando altos e baixos, como a partida final diante do Santos ou aquela em que marcou três gols no Fluminense, verdadeiro contraste com o que fez nesta terça-feira, em Maldonado, quando se enrosocou todo com a bola quando arrancava sozinho em direção à area inimiga e nem criou chance alguma. Alecsandro foi até melhor do que Barrios, pelo menos nesta noite.

De bom, a segura atuação de Thiago Santos, a boa conduta de Jean e, principalmente, a inspirada atuação de Gabriel Jesus, não apenas pelo gol que marcou como também por outras boas jogadas.

Bem, foi só o começo do Palmeiras na Libertadores. A incógnita continua.


Marcelo Oliveira resistirá a novos vexames?
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foi um vexame o Palmeiras perder para o Linense, de virada, jogando no Allianz Parque. Não importa se foi com o time reserva, pois vários dos que foram contatados para este ano como boas promessas estavam em campo- Moisés, Regis, Erik, por exemplo. A impressão que a equipe vem passando, titular ou reserva, é a mesma, melancólica: jogadores mal- treinados, passes desperdiçados, falhas na defesa, dificuldade imensa para criar jogadas.

E, então, mesmo assim Marcelo Oliveira continuará a ser o treinador palmeirense? Pelo que me informei, por enquanto sim, pois tem currículo vitorioso nos últimos cinco anos, é bonachão, não muito exigente com os jogadores (hoje em dia, isso pode pesar) e não terá sido o que fez om Leandro Almeida que o queimaria, pois as falhas do zagueiro, em minha opinião, mereciam ser punidas com a retirada do zagueiro já no campo, em pleno jogo.

Eu disse que “por enquanto, sim”.  Mas não sei o quanto dura isso. Por exemplo: uma catástrofe contra o fraco River Plate uruguaio na terça-feira, este um adversário que pela lógica perderá para os outros concorrentes, é tragédia dura de ser assimilada. Talvez ainda não seja suficiente para derrubar Marcelo Oliveira, mas o tornaria frágil e sensível a uma sequência menos feliz. Resumindo: seria o começo do fim.

Nesse jogo diante do Linense, 2 a 1, impressionaram-me particularmente três quesitos:

1-  O Palmeiras ia para o ataque, mas não conseguia nada e nem perturbar o goleiro adversário. O Linense chegava, em velocidade, sem marcação do meio-campo palmeirense e com um Vitor Hugo surpreendentemente lento, nos dois gols.

2- Segundo a tevê que transmitiu o jogo, se não me engano informação do repórter, Marcelo ficou chateado em duas ou três cobranças de falta e que ele pretendia fosse utilizada a jogada ensaiada e o jogador que fez a cobrança preferiu o chute direto. Ora, isto não é falta de comando?

3- Justificando a impressão do time mal- treinado: jogadas incompletas, erros de passes, chutes sem direção. Um horror!

Eo que fazer, então? Bem, é possível que Marcelo mereça mais algumas chances. Se não as aproveitar, que tal Cuca (que já veio embora da China), que fez do Atlético Mineiro um campeão da Libertadores e que já foi jogador do Palmeiras?

Quem sabe…


O São Paulo chegou, vencendo até as traves. E o Palmeiras…
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Roberto Avallone

Foto: Marcos Ribolli

Foto: Marcos Ribolli

1- Esperava-se uma goleada do São Paulo contra o peruano César Vallejo. Este blogueiro também aguardava por isso. Mas chutando três vezes nas traves inimigas- inclusive no pênalti desperdiçado por Michel Bastos- o tricolor viveu uma noite tensa, que só terminou com gol de Rogério aos 42 minutos do segundo tempo e conseguiu sua classificação para a fase de grupo da Libertadores de maneira muito mais sofrida do que poderia ter sido.

De qualquer jeito, chegou lá.

Até a sensação Calleri não estufou as redes, ficando com um chute no travessão, o que leva à seguinte reflexão: tirando o Barcelona com seu trio mortal- Messi, Suárez, Neymar- e alguns poucos outros times europeus, não está no geral o futebol tão nivelado e carente de craques fora-de-série que qualquer resultado é hoje possível no futebol? Ora, no papel, o São Paulo é muitas vezes superior ao César Vallejo- time que pela primeira vez disputa uma Libertadores (ainda que na fase de Pré) e tem apenas 20 anos de fundação- como pode, então, mesmo com as bolas nas traves, vencer apenas no fim e por um gol solitário?

Seja lá como for, o São Paulo teve o alívio da classificação.

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foto: Cesar Greco / Divulgação

2- Não bastasse aquela pífia atuação contra o São Bento, semana passada, no Pacaeembu, o Palmeiras teve outra medíocre atuação diante do Oeste, em Rio Preto.  Ah, em Rio Preto? Pois o estádio parecia uma casa palestrina, tantos eram os palmeirenses por ali presentes, o que tornava o Palmeiras o verdadeiro local e Oeste, simples visitante.

Sem desculpas, então. Pois o que se viu dentro de campo foi a equipe de Marcelo Oliveira desajustada, sem padrão tático sem eficiência (péssima a noite de Lucas Barrios e Gabriel Jesus), limitando-se o time a uma cabeçada no travessão (de Roger Carvaho, acredite), deixando com que o Oeste fosse o mais finalizador (18 arremates) e fazendo do goleiro Fernando Prass o melhor jogador.

Se jogar essa bolinha, o Palmeiras terá sérias dificuldades na Libertadores. No entanto, acredito que a equipe possa melhorar, pois é impossível que Lucas Barrios (dizem que está sendo pretendido pelo futebol chinês) volte a se apresentar com essa mesma lentidão da noite de quarta-feira; ou que Gabreiel Jesus, às vezes excelente e em outras mais parecendo um principiante, dê aqueles chutes fraquinhos, como se estivesse jogando sinuca e o taco espirrasse.

Se continuarem assim, que se dê oportunidade a Rafael Maraques, a Erik ou até a Moisés ou Regis, sei lá. Mas Marcelo Oliveira que se toque: Leandro Almeia não é o único candidto a Titanic esta equipe cara, neste elenco de 39 jogadores.

Meu Deus!


Calleri, o nome do gol
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Roberto Avallone

Foto: Lance

Foto: Lance

Impressiona o senso de oportunismo e a mobilidade dentro da área desse argentino de 22 anos, Jonathan Calleri. Ele mudou a cara do ataque do São Paulo. Falava-se muito dele no Boca Juniors, é verdade, mas acompanhá-lo de perto torna a simples sensação em realidade mortal- para os adversários, é claro.

Foram suficentes um jogo e meio- contra o Cedar Vallejo, quando fez gol por cobertura, e diante do Ãgua Santa, quando, de cabeça, por duas vezes, enfiou a bola nas redes. Simples assim. O efeito disso é que até o fim da tarde desta segunda-feira, o São Paulo já tinha vendido 25 mil ingressos para o jogo decisivo contra o Cesar Vallejo, o que sugere que o Pacambu estará lotado nesta quarta-feira.

Quantos gols fará Jonathan Calleri? Sei lá. Mas a perspectiva é de que ele faça alguns. Para os mais jovens- e também para o mais velhos, que podem concordar ou não- Calleri lembra um pouco o estilo de outro argentino (sendo ainda rápido) e que veio ao Brasil já aos 28 anos,  mas precisou de uma única temporada para torner-se ídolo do Palmeiras e depois ir embora: Artime, Luizito Artime, goleador implacável.

Por ter vindo bem mais jóvem, já contratado pela Inter de Milão, Calleri pode precisar de apenas seis meses para se tornar ídolo como seu antecessor argentino. Não me parece jogador que volte até o meio-campo para sair a distribuirt passes e dribles, mas perto da área- e especialmente dentro dela- Calleri é o melhor eforço do tricolor nos últimos anos.

Ele brinca de fazer gols, embora lute pela bola como um guerreiro espartano. Tacada de mestre do São Paulo!


O Corinthians ganhou outra. E o Palmeiras escapou de um vexame
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Roberto Avallone

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

1- Jogando para o gasto, o suficiente para vencer o Audax  Osasco, bem ou mal o Corinthians conseguiu sua segunda vitória no Campeonato Paulista, 1 a 0, gol de Uendel, após assistência de Rodriguinho. Normalmente, não seria muito, mas acaba sendo de bom tamaho para uma equipe que acabou de perder 6 titulares e vem de fase pós-desmanche.

No primeiro tempo, o Corinthians não levou nenhum susto e jogou melhor. Também esse negócio de tiki-taka é coisa mais o Barcelona, recheado de craques, não é exatamente para o Audax, cuja limitação técnica torna o jogo repetitivo, chato e sem explosão no ataque. Como fazer gol?

Já no segundo tempo, talvez por uma questão de começo de temporada, o Corinthians diminuiu o ritmo, o Audax conseguiu realizar algumas jogadas, mas nada que causasse alvoroço ou colocasse em perigo o novo triunfo corintiano. Nesta etapa, dois jogadores recém-contratados estiveram em campo, o volante Willians e o hábil Guilherme – estreias, se é que podemos chamar de estreias, não mais do que discretas.

Resumo da ópera: até agora, Corinthians 100 por cento de aproveitamento.

Foto: Fernando Dantas

Foto: Fernando Dantas

2- O Palmeiras escapou do vexame de perder para o São Bento, só no finzinho. Aos 46 minutos do segundo tempo, Vitor Hugo saltou em direção a bola enviada por Robinho em cobrança de escanteio – mas ele mesmo disse que o gol não foi dele, e sim “do cara que estava me marcando, pois a bola desviou nele”- no caso, o cara é o zagueiro João Paulo.

Foi uma noite estranha, curiosa. Mas, antes disso, com todo o respeito, é preciso falar do show de horrores, da pavorosa atuação de Leandro Almeida, zagueiro que vinha de atuações seguras e que, nesta noite de quinta-feira, exagerou nos erros. A ele sou obrigado a dar nota 0. E com louvor! Leandro errou no segundo gol do São Bento, ao dar um balãozinho no corpo de Moraes e dele levar um drible desconcertante em espaço de milímetros; errou ao ” furar” uma bola que estava dominada; e errou também ao perder a cabeça, entrando com as travas da chuteira em atacante, levando o cartão amarelo que poderia muito bem ter sido vermelho.

Umas das piores atuações individuais que testemunhei nos últimos anos.

Quanto à noite estranha, é o seguinte: o Palmeiras começou bem a partida, com Dudu e Lucas Barrios acesos e Gabriel Jesus como em seus melhores dias, marcando inclusive o gol que quebrou seu jejum de 12 partidas sem balanças as redes. Tudo indicava que seria goleada. De repente, o Palmeiras “murchou”, o São Bento passou a mandar na partida, fez três gols – os dois que valeram e outro, de Éder, mal anulado. Um caso de transformação, o São Bento virando Palmeiras, o Palmeiras virando o São Bento.

No segundo tempo, o Palmeiras melhorou, o São Bento recuou e aconteceu o empate já nos acréscimos – o que , pelo menos, impede o vexame, embora não tire a certeza de que a equipe terá de melhorar muito para a Libertadores. Tem elenco para isso.

Ah, a estreia de Jean? Discreta, bem discreta, ao ponto da torcida sentir saudades de Arouca.