Blog do Avallone

Arquivo : maio 2017

O Corinthians, líder. E justiça a Fernando Prass
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Roberto Avallone

Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

1- O Corinthians é o líder do Campeonato Brasileiro. Tem quase tudo igual ao Cruzeiro: sete pontos,duas vitórias,três gols marcados, um sofrido, saldo de gols idêntico. Leio, no entanto, que um número pouco divulgado favorece os corintianos: em caso de desempate de números tão parecidos, entra o aspecto disciplinar, tendo o Corinthians três cartões amarelos e o Cruzeiro, seis. Nenhuma dessas equipes levou cartão vermelho.

Tudo isso serve como curiosidade, talvez apenas curiosidade, em um Campeonato longo, equilibrado e que ainda têm a serem disputadas 35 partidas. Até agora, foram apenas três.

Entre Cruzeiro e Corinthians, na rodada deste domingo, teoricamente a grande façanha foi a da equipe mineira, que venceu o Santos, na Vila Belmiro, por 1 a 0, gol de Thiago Neves. Não é fácil bater o Santos na Vila. Mas disse teoricamente porque jogando o suficiente, sem brilhos ou lantejoulas, o Corinthians ganhou do Atlético Goianiense, fora de casa, por 1 a 0, gol de Rodriguinho, após bela jogada de Guilherme Arana. E a vitória valeu três pontos, como a do Cruzeiro sobre o Santos.

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

2- Tenho o maior apreço pelo goleiro Fernando Prass, herói de tantas batalhas pelo Palmeiras, onde, na final da Copa do Brasil em 2015 até gol fez na decisão por pênaltis. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Seria injusto, por exemplo, omitir que Prass falhou- e falhou mesmo!- nas duas últimas partidas de seu clube, no gol do Tucumán  quarta-feira passada e na derrota de sábado, diante do São Paulo, quando Prass errou nos dois gols. Ele mesmo falou “em bola defensável”.

Até aí, aconteceu mesmo, como já ocorreu com Gilmar dos Santos Neves, Iashin (o russo apelidado ” Aranha Negra”), São Marcos- do Palmeiras- e, creio com quase todos os goleiros das mais variadas épocas, de grande ou menor expressão. Registrar os fatos é, diria, uma obrigação.

Mas daí a exagerar na dose e ignorar créditos passados e recentes, não acho legal. Tudo bem que Prass vai completar 39 anos em julho e que as duas últimas partidas surpreenderam pela firmeza que ele sempre mostrou, atuando. Foram, no entanto, repito, duas partidas, que são quase nada diante de tudo que Prass já mostrou e o mínimo que se espera é por uma sequência de jogos, até para demonstrar se as falhas foram ocasionais, se indicam má fase ou alerta para o futuro.

Por enquanto, na minha opinião, elas simplesmente aconteceram. E creio que, por mérito, Fernando Prass terá a oportunidade-sei lá por quanto tempo- de mostrar que segue sendo o grande goleiro, quase sem falhas, de comportamento exemplar.

Por uma questão de justiça.


Lucas Pratto ganha o Choque-Rei
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Roberto Avallone

Foto: Paulo Pinto / saopaulofc.net

Lucas Pratto foi o nome do clássico, do Choque- Rei: fez o primeiro gol, com um chute cruzado da direita, depois de lançamento de Marcinho: e fez a assistência para o segundo gol, marcado por Luiz Araújo, com chute cruzado da esquerda que passou sob o corpo de Fernando Prass:

Prass, aliás, foi a grande surpresa: quase sempre dono de absoluta regularidade, com boas atuações, desta vez, diante do tricolor, falhou no gol de Pratto e ainda mais no de Luiz Araujo. Ele, Prass, que já tinha falhado no jogo contra o Tucumán, errando o soco na bola no gol de Rodriguez. Estará ele, goleiro dos bons, entrando em má fase?

Embora sem exibir atuação deslumbrante, creio que o São Paulo mereceu vencer o clássico. Isso, em função de embora ter atuado com três zagueiros (Lucão, Malcon e Rodrigo Caio) ter procurado mais o gol, com mais velocidade, com mais ambição. O Palmeiras, no primeiro tempo, teve mais posse de bola, mais domínio, coisa e tal, mas acontece que nenhum dos goleiros- Prass e Renan- fez defesa importante, foi como se o tempo tivesse passado- ou parado- sem nada a fazer.

Já na etapa final, a movimentação pareceu diferente. E aos 16 minutos, então, o clássico pegou fogo: Marcinho fez lançamento perfeito para Lucas Pratto que, quase sem ângulo, emendou de direita, entre Prass e a trave. Com isso, o Palmeiras se aventurou mais ao ataque, Keno entrou no lugar de Guerra, e ao 22 minutos Jean teve a grande chance de empatar: em cobrança de pênalti- sofrido por ele mesmo- chutou muito mal, para fora, de maneira grotesca.

E o clássico foi seguindo, com o São Paulo adotando mais o contra-ataque, com Palmeiras errando bolas fáceis (Borja e Roger Guedes já estavam no jogo), quando Pratto lançou o veloz Luiz Araújo que, mais pela esquerda da área, chutou para marcar. Em nova falha de Fernando Prass.

No resumo da ópera, entre acertos e falhas, ganhou quem arriscou mais, o São Paulo. De quebra, manteve o tabu de não perder para o Palmeiras no Morumbi desde 2002.

O que, convenhamos, é considerável.


Os méritos de Cuca na vitória do Palmeiras
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

É Uma velha discussão: técnico ganha jogo? Creio que não. Mas que ajuda, ah,ajuda! Como pode também atrapalhar. No caso de Cuca na vitória do Palmeiras sobre o Tucumán, 3 a 1(gols de Mina, Rodriguez, Willian e Zé Roberto), o técnico  palmeirense foi em vários aspectos. Por exemplo:

1- No primeiro gol do Palmeiras,marcado por Mina, a origem de balançar as redes nasceu de um jogada- em bola parada- exaustivamente trabalhada por Cuca nos treinos e repetida nesta noite de quarta-feira na Arena do Palmeiras:na falta cobrada, ao invés de bola ser alçada à área, o lançado foi Roger Guedes, mais pela direita; Guedes centrou e encontrou o grandalhão Mina (grande zagueiro) para tocar a bola para o fundo do gol argentino.

2- Quando o Palmeiras- que disputara brilhante meia hora na etapa inicial- caiu de intensidade e os argentinos do Tucumán lançaram-se ao ataque, aos 14 minutos do segundo tempo, Cuca promoveu duas alterações importantes: Jean passou para o meio-campo, entrando Fabiano na lateral-direita, e Willian entrou no lugar de Borja.Pois a marcação melhorou no meio e Willian infernizou à frente, marcando, inclusive o segundo gol do Palmeiras-jogo estava empatado, 1 a 1.

Outro ponto positivo para Cuca.

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Treinador à parte, o Palmeiras foi melhor em campo, mas o Tucumán, no segundo tempo, assustou, contando, inclusive, com uma cena rara- a falha de Prass- sempre tão regular- no gol que  era o  de empate. A categoria, no entanto, prevaleceu e (com os gols de Willian e de Zé Roberto, já citados) chegou aos 3 a 1.

Aliás, não só aos 3 a 1, mas também a liderança do grupo (13 pontos) e ao direito de fazer em casa o segundo jogo do mata- mata.O que tem lá a sua importância.


Corinthians, Jô outra vez, E surpresas do Campeonato
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Roberto Avallone

Foto: Agência Corinthians

1- Não é fácil ganhar do Vitória em Salvador. Mas o Corinthians conseguiu. Foi 1 a 0, com gol do artilheiro que, pouco badalado em sua vinda, tem-se mostrado maduro, eficiente, goleador e participante de jogadas: falo de Jô, é claro, o canhoto grandalhão que, mais uma vez, decidiu a partida com um chute cruzado, rasteiro, após boa jogada de Marquinhos Gabriel.

O Corinthians mereceu vencer, o que fez foi o suficiente para derrotar um Vitória desprovido de inspiração. Só que, a bem da verdade, seria injusto atribuir o triunfo- que leva a equipe aos 4 pontos ganhos- apenas à eficiência de seu principal atacante. Que tal falarmos um pouco do técnico Carille?

Contestado no começo de sua titularidade como técnico, ele tem, sim, responsabilidade no atual estágio corintiano: armou o sistema defensivo duro de ser ultrapassado, deu a Rodriguinho e Jadson a liberdade de criar jogadas, faz de Romero um “faz- tudo” no ataque e na defesa, confia plenamente em Jô.

Isso não quer dizer que o Corinthians seja um time brilhante. Mas é eficiente. Não por acaso foi o campeão paulista e que está a uma dezena e meia de partidas sem perder. Em tudo isso, há muito de Carille, um técnico que, como o time, jamais foi badalado. Mas que tem virtudes para montar esse time duro de ser batido.

2- Como sempre, o Campeonato Brasileiro apresenta suas surpresas. Positivas e negativas. Para não me estender muito, como positivas destaco as atuações de Grêmio e Fluminense, ambos com 6 pontos (o Grêmio leva vantagem no saldo de gols), duas vitórias, uma em casa e oura fora.

Belo começo.

O Grêmio, neste domingo, bateu o Atlético Paranaense, em Curitiba, por 2 a 0- um gol de Luan e o outro de Lucas Barrios- este ressurgindo na condição do grande artilheiro que já foi, 10 gols na temporada. O Fluminense, que batera o Santos na estreia (3 a 2), conseguiu o que pouca gente esperava: venceu o Atlético Mineiro em Belo Horizonte, 2 a 1, resultado sempre difícil de ser conquistado.

Pelo lado negativo, entraria o Atlético Mineiro, o Galo, dono de belíssimo elenco, que empatou com o Flamengo em sua primeira partida (jogando té melhor), 1 a 1, para perder para o Flu em seus domínios, neste domingo. Resumo da ópera: o grande Galo tem só um pontinho ganho em duas partidas.

É muito pouco para o time que tem. É verdade, mas é bom lembrar que o Campeonato está só no começo e tudo pode mudar nesta competição dura, difícil e longa.


Na volta de Cuca, Palmeiras 4 a 0! E destaques da rodada
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

1- Cuca teve uma importância considerável nessa vitória de 4 a 0 sobre o Vasco, na Arena do Palmeiras: colocou Tchê- Tchê em sua verdadeira posição, pela direita, e ele foi um dos melhores jogadores em campo motivou Borja a lutar contra a má fase, com a promessa de que não iria substituí-lo, e o colombiano foi autor de dois gols; deu liberdade a Guerra e o meia fez gol e contribuiu com bons passes.

E Cuca também voltou a adotar marcação por pressão no ataque, além de ficar atento à defesa, ao ponto de, em certo momento, fazer Jean e Tchê- Tchê trocarem de posição (mais tarde, entrou Fabiano), corrigindo os problemas do primeiro tempo, quando, embora tenha saído vencedor por 2 a 0, o Vasco ameaçou muito e esbarrou nas defesas de Fernando Prass.

Corrigindo os seus problemas, o Palmeiras fez um ótimo segundo tempo, estabelecendo 4 a 0- nesta fase ambos os gols marcados por Borja- e criando várias chances para marcar mais gols, o que tornaria o placar ainda mais elástico, Martin Silva, goleiro do Vasco, fez belas intervenções.

Feliz reestreia de Cuca, excelente resultado para o Palmeiras. O que não quer dizer que o time já está totalmente pronto para as futuras batalhas. Será necessário muito treinamento. E também confiança nos novos contratados, o lateral- direito Mike e o zagueiro (que já atuou também na lateral-esquerda), Juninho. Fala-se, ainda, em mais um meio-campista, pois Felipe Melo foi suspenso por 6 jogos na Libertadores e Moisés dificilmente voltará antes de setembro/outubro.

Seja lá como for, Cuca voltou com suas idéias, sua vibração e sua calça vinho. E seu primeiro passo não poderia ter sido melhor.

2- Lembro que em sua rodada inaugural, o Campeonato Brasileiro teve outros resultados extravagantes. Por exemplo, de virada, Bahia 6 (!), Atlético Paranaense 2, ou Ponte Preta 4, Sport 0. Surpreendente também foi o empate do Corinthians, jogando em sua Arena, com a Chapecoense, 1 a 1, sendo que ambas as equipes vêm, sim, de campanhas e viagens desgastantes.

Foi normal a derrota do São Paulo para o Cruzeiro, no Mineirão, 1 a 0, diante de pouco mais de 6 mil pagantes- público pequeno demais para um jogo desse porte. Também achei normal a derrota do Santos (com a defesa quase toda modificada) para o Fluminense, 3 a 2, na manhã de domingo no Maracanã.

E foi muito bom o jogo entre Flamengo e Atlético Mineiro, 1 a 1, no sábado, no Maracanã, com o badalado menino Vinicius Jr, 16 anos (que interessa e muito ao Real Madrid), que  esteve por apenas doze minutos em campo, sem chance para fazer nada.

Enfim começou quente o Campeonato Brasileiro!


Os campeões, em festa. E agora, o futuro…
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Roberto Avallone

 Não se esperava outro desfecho para a final paulista que fosse diferente do que aconteceu: Corinthians, campeão. Aliás, 28 vezes campeão paulista. O que se poderia prever era que fosse outro o placar,não apenas o 1 a 1 (gols de Romero e Marlon), tal a superioridade corintiana em Campinas, naquele placar de 3 a 0 que decidiu o título.

Mas, tudo bem: festa corintiana que, embora sem exibir futebol brilhante, teve os seus méritos e a façanha de não perder nenhum dos clássicos disputados- contra São Paulo, Santos e Palmeiras.Não é pouco.

E agora? Passados os momentos de euforia. os campeões- Corinthians, Flamengo, Atlético Mineiro, Coritiba, Chapecoense (o surpreendente Novo Hamburgo não está na Série A), terão de se preocupar com o restante da temporada, aí incluído o Campeonato Brasileiro.

Claro que a conquista do Estadual é importante, vale, mas não é parâmetro necessariamente para o Campeonato Brasileiro. Neste, existem os pontos corridos,algumas derrotas são irrecuperáveis, o torneio é longo e exige elencos grandes, completos de preferência. Lembro que, no ano passado, o Inter foi hexacampeão gaúcho e que, depois, em 2016 mesmo acabou rebaixado para a Série B.

Logo, até os campeões precisam rever seus elencos, suas prioridades para que, festa à parte, possam ter o desempenho esperado por suas torcidas para este 2017. O que digo não é pessimista e nem pretende ter nada de negativo, apenas visa uma reflexão realista para que a festa de hoje não se torne um fardo tempos depois.


Palmeiras: derrota justa. E lutar é preciso
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

A altitude de Cochabamba e o gramado irregular atrapalham. É verdade. Mas não ao ponto de o Palmeiras jogar tão mal, falho da defesa e na criatividade, para ser derrotado pelo  limitado Jorge Wilstermann, sem dar, sequer a impressão de que poderia virar o jogo- para a vitória ou para o empatezinho que já o faria avançar na Libertadores.

O Palmeiras ficou devendo- e muito- futebol. Agora terá de esperar pela última rodada, pelas decisões da Comenbol (pelos incidentes do jogo com o Peñarol, do qual foi vítima): esperar por pelo menos um empate contra o Tucumán, time superior ao Jorge Wilstermann, para sair classificado desta fase de grupos sem depender do que irá acontecer no jogo entre os bolivianos e o Peñarol.

Não era o que se esperava.

Quanto ao jogo em si, foi um primeiro tempo até que parelho, com a diferença que os bolivianos fizeram dois gols e o Palmeiras apenas um (Guerra), este nos últimos momentos da etapa inicial. No segundo tempo, Borja entrou, mas isolado, à frente, pois o parceiro Willian foi substituído por ele. Não seria melhor os dois juntos, como contra o Peñarol?

Aí, Jean cometeu falha grotesca e Fernando Prass foi obrigado a cometer pênalti. 3 a 1. Ah, mas o Palmeiras reagiu. Sabe como, amigo? Em gol contra de Cabezas que, aliás, sem trocadilho, em uma cabeçada espetacular.

E nada mais se criou e nem se organizou. Com facilidade, o Jorge Wilstermann segurou a vantagem até o final. Sem ser incomodado.

O Palmeiras que lute até o fim. De preferência, jogando futebol.


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