Blog do Avallone

Arquivo : agosto 2016

O Palmeiras jogou e venceu como líder. Zebra em Santos e vitória do Fla
Comentários 8

Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco / Divulgação Palmeiras

Foto: Cesar Greco / Divulgação Palmeiras

O que é mais importante: vencer ou jogar bem? Pois o Palmeiras fez as duas coisas, ao vencer o Fluminense (2 a 0)  e ao exibir, desta vez, futebol de  verdadeiro líder. O que poucas vezes vinha fazendo, desde as ausências de Fernando Prass e Gabriel Jesus.

Pois bem, contra o Fluminense o Palmeiras não contou com Prass (só o terá no ano que vem), mas Jaílson, inspirado, fez pelo menos duas boas defesas; teve também Mina, um paredão como zagueiro; e principalmente, Gabriel Jesus, ainda o artilheiro do Campeonato-agora , ao lado de Robinho, que desnorteou os zagueiros do Fluminense, com seus dribles curtos e suas deslocações constantes. Ah, e teve também uma bela surpresa, a volta do volante Gabriel, que jogou bem e ainda chutou uma bola na trave esquerda de Diego Cavallieri, formando Gabriel com Moisés uma ótima dupla, sendo que o dinâmico Moisés é hoje o termômetro do time, avançando e defendendo com eficiência.

Assim, com a inteligente estratégia de Cuca ao anular os espaços do Fluminense e com seus destaques individuais, o Palmeiras precisou só de um tempo para derrotar o Fluminense, com um gol de Dudu (que aproveitou o golpe de vista do goleiro e empurrou a bola quase sem ângulo para o fundo das redes) e o outro gol, segundo, num chute espetacular de Jean, no ângulo esquerdo de Cavallieri.

Foto: Cesar Greco / Divulgação Palmeiras

Foto: Cesar Greco / Divulgação Palmeiras

A vitória sempre importa, nem sempre convence. Como o Palmeiras venceu e convenceu, provou que está, no mínimo, entre os principais candidatos ao título. E que por enquanto, com certeza, é o verdadeiro líder do Campeonato.

 Foto: Ivan Storti/Santos FC

Foto: Ivan Storti/Santos FC

2- Com todo o respeito ao Figueirense, a vitória contra o Santos, na Vila Belmiro (gol de Rafael Moura, de pênalti), foi uma das maiores zebras deste Campeonato. Nem pelo tanto pelo simpático Figueira, que vinha de vencer o Flamengo, pela Copa Sul Americana, por 4  a 2- e sim pelo Santos, que estava completo (Gabi gol entrou no segundo tempo, logo também jogou), precisava de  bom resultado para voltar ao G-4 e contava com seu histórico de quase sempre jogar muito bem Na Vila Belmiro.

(Foi na Vila, por exemplo, que, todo desfalcado, o Santos venceu o badalado Atlético Mineiro. 3 a 0!)

Desta vez, embora atacasse mais e criasse chances, o Santos não superou a barreira do Figueirense- este, embora atacando pouco, teve pênalti a favor e Rafael Moura converteu em gol. O sonho do G-4 estava no  mínimo, adiado.

Foto: Jana Mafalda/ Flamengo

Foto: Jana Mafalda/ Flamengo

3- O Flamengo está no páreo. Tem tradição e tem elenco para sonhar alto. E, neste domingo, obteve vitória que não fácil, pois foi contra a Chapecoense, em Chapecó, 3 a 1, sendo que o primeiro gol foi  marcado por Diego- a nova estrela da companhia- e o terceiro, uma arte de Mancuello, argentino que, às vezes, faz gols inesquecíveis.

Importante vitória do Flamengo, agora vice-líder do Campeonato Brasileiro, a três pontos do líder Palmeiras.

E no grande duelo da rodada, Grêmio e Atlético Mineiro, em Porto Alegre, deu empate. O Grêmio dominou a maior parte do jogo, fez seu gol (Luan), mas, depois, quando era esperada a sua vitória, permitiu que o Galo arrancasse o empate (Robinho, como já disse agora o artilheiro do Campeonato ao lado de Gabriel Jesus, 10 gols cada) que, pelas circunstâncias favoreceu o Galo e adiou o sonho do Grêmio de entrar no G-4.

O Grêmio, no entanto, tem um jogo a menos, ainda pelo primeiro turno, a cumprir contra 0 Botafogo, no Rio.


O Corinthians escapou de levar goleada da Ponte. E terror no CT do São Paulo
Comentários 3

Roberto Avallone

Foto: Djalma Vassão

Foto: Djalma Vassão

1– Foi tão grande o domínio da Ponte Preta sobre o Corinthians neste sábado, em Campinas,que a derrota corintiana por apenas 2 a 0 (gols de Roger e Clayson) mais pareceu uma benção diante do que poderia ter acontecido: foi um baile, um “vareio” de bola da Ponte- que chutou bola na trave (Clayson), perdeu gol cara a cara (Roger), coisa e tal, contra um Corinthians absolutamente inofensivo, cuja primeira bola relativamente perigosa contra o gol de Aranha aconteceu somente aos 45 minutos do segundo tempo.

E ainda houve um lance- gol anulado da Ponte, que fora marcado por Wendel- que, no momento me pareceu legal mas que, depois, com o replay, fiquei em dúvida e tendo a ficar com a marcação da arbitragem, embora tenha sido um lance difícil, milimétrico. Não mudou a história do jogo.

O que foi significativo para a história da partida- mas que não absolve o Corinthians por sua péssima exibição- foi a expulsão do zagueiro Balbuena, aos 18 minutos. E em minha opinião, justa expulsão, pois ele desequilibrou, por trás a Roger no momento em que o atacante iria fazer o gol, sozinho, diante de Cássio. O que já estava ruim, ficou pior, pois ao ter de colocar em campo o zagueiro Pedro Henrique, o técnico Cristóvão teve de tirar Guilherme, perdendo ainda mais o poder de fogo que já não existia.

Se com 11 jogadores já era difícil enfrentar uma Ponte Preta muito bem montada, com 10, então, transformou-se em missão impossível. A Ponte- que está em boa fase- tinha uma equipe certinha, boa na marcação e no ataque, enquanto o Corinthians contava com o goleiro Cássio como seu melhor jogador. Por aí, já se vê. Nem mesmo Marlone, tão badalado na última partida (contra o Vitória), jogou um pouquinho de bola.

Má performance corintiana à parte, que bela reação da Ponte nos últimos jogos! Só pára não ir muito longe, lembro que em, menos de uma semana, empatou com Palmeiras e Atlético Mineiro fora de casa e venceu o ainda terceiro colocado do Campeonato o Corinthians. A Ponte agora está em sétimo lugar, tem 34 pontos ganhos e 10 vitórias. Nada mau, pois não?

Foto: Marcelo Hazan

Foto: Marcelo Hazan

2- Vendo as cenas da invasão do CT do São Paulo por torcedores (?) uniformizados, confesso que as considero impressionantes. Que perigo! As grades foram derrubadas na força e na marra e as informações são as de que pelo menos dois jogadores foram agredidos- Michel Bastos e Wesley- ficando a dúvida se Carlinhos apanhou também ou não. Há controvérsias sobre o número de invasores, seriam 500 estimam alguns, chegariam a 1000 dizem outros. É muita gente, tumulto de assustar.

Existiram denúncias também de que sumiram peças de material de treino, como, por exemplo. bolas de futebol. Ah, não foi pacifico e nem um pouco lisa essa invasão, o tal protesto porque o time não anda bem em campo. Não anda, é verdade, mas esse tipo de atitude dignifica ou resolve? A violência e intolerável! Assim como é triste terem vivido manhã de terror (!) a pacata e romântica Barra Funda.

Providências serão tomadas, com o rigor devido?


Marlone levou o Corinthians à virada. E Gustagol vem aí
Comentários 7

Roberto Avallone

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

1- Marlone levou o Corinthians à virada. E ao G-4, ao terceiro lugar. Esse jogador- nem sei a razão de ter pouco espaço na equipe- entrou no segundo tempo e logo com cinco minutos em campo fez um golaço: apanhou a bola pela esquerda, driblou um zagueiro e emendou um chute forte, indefensável. Assim o Corinthians começou a virar o jogo, pois saiu perdendo no primeiro tempo para o Vitória, com o gol contra de Yago. Depois, se infiltrou também pela esquerda e deu a assistência para Uendel centrar e Marquinhos Gabriel marcar, de peito. Corinthians, 2 a 1.

Vi Marlone jogar pelo Vasco e sempre me pareceu um jogador muito bom. Assim como fez no Sport, embora suas passagens pelo Fluminense e pelo Cruzeiro não tenham sido, digamos, coroadas pelo êxito. Mas isso não é incomum no futebol e creio que, no atual time corintiano, ele tem futebol de sobra para estar entre os titulares. Sei lá por que isso não aconteceu antes.

Quanto ao jogo em si, foi equilibrado levando-se em conta a posse de bola, mas nem tanto quanto as chances de gol- o Corinthians teve mais-, até porque o Vitória recuou muito, sabendo que até um empate o tiraria da zona do rebaixamento, que ocupa no momento: é o décimo-sétimo colocado no Campeonato, com os mesmos 23 pontos de Cruzeiro e Internacional, perdendo para ambos, no entanto, no número de vitórias. Quer dizer: está a lutar contra a degola e, teoricamente, seria facilmente derrotado por um Corinthians jogando em sua casa.

Não foi, no entanto. Foi vitória difícil , diante de 20 mil e poucos torcedores, público fraco para o padrão Corinthians, talvez o pior do time  na Arena.

Ah, um outro porém. Embora não se sinta na prática um critério tão uniforme de arbitragem, as novas recomendações a quem apita são a de marcar pênalti quando existe braço ou mão na bola. E neste caso, houve um lance assim, o braço esquerdo do zagueiro (pela tevê, pareceu-me Yago, mas não cravo) tocou na bola e, neste caso deve ter acontecido um equívoco porque o jogo seguiu.

Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma EC

Foto: Fernando Ribeiro/Criciúma EC

2- Gustavo, centroavante do Criciúma, está chegando para o Corinthians. E André, indo para o Sporting. Quanto a Gustavo- apelidado “Gustagol”- vendo a sua ficha técnica-, tem 22 anos e é bem alto, 1 metro e 89, tendo marcado 18 gols  pela equipe catarinense,11 deles pela Série B. Nunca o vi atuar, mas, pelos melhores momentos (em vídeo) que acompanhei, penso tratar-se de um exímio cabeceador e bom finalizador com os pés. Não sei como é  no trato com a bola, no drible, no passe, coisas assim.

Logo não posso falar do conjunto da obra, se é ou não o jogador adequado. Seria incorreto, precisaria vê-lo jogar.

No mínimo, no entanto, para time que precisa de centroavante, creio que seja”Gustagol” uma boa aposta.


Palmeiras e Santos, vacilos fatais. Fla e Galo avançam
Comentários 18

Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco//Divulgação

Foto: Cesar Greco/Ag.Palmeiras/Divulgação

1- Eu já vi muitos vacilos ao longo da carreira. Mas esse do Palmeiras nos gols da Ponte Preta, especialmente o segundo, foi um dos piores, custando não só um inesperado empate para um líder, jogando em casa, como arrancando desabafo do técnico Cuca que disse, ” foi muito feio”. E o treinador reconhece que “esse empate teve sabor de derrota”.

E teve mesmo. Era a chance de deslanchar que se foi, é o alerta da aproximação dos concorrentes, é aquela velha máxima que diz que perder pontos em casa é inadequado para quem briga pelo título, ainda mais em um Campeonato tão equilibrado como este Brasileirão. Com todo o respeito à Ponte Preta, que faz boa campanha (31 pontos) e tem bom time, o Palmeiras desperdiçou uma vitória ao estar por duas vezes no placar- 1 a 0 (Rafael Marques) e 2 a 1 (Thiago Martins, de cabeça), o que não seria nada de anormal não fossem os tais vacilos fatais do sistema defensivo: no primeiro gol, em um melé na área, um chutão resolveria o problema e o lado esquerdo teria alguém para marcar o livre Wellington Paulista, autor do gol.

O problema maior foi no segundo empate da Ponte, duro de entender. Cobrança de lateral perdida, eis que Potker-bom jogador- teve um corredor incrível à sua frente, capaz até de ser convidativo ao fenonemo Usain Bolt. Potker, que não é Bolt, correu à vontade, perseguido por Egidio, que ainda desviou sutilmente o arremate do atacante, com a bola entrando no cantinho esquerdo de Jaílson, rente à trave. Claro que não foi “frango”, mas pensei, em um primeiro momento que seria bola defensável, pois estava no canto do goleiro. Depois, vendo o replay, vi que bola entrou rente à trave, não se podendo, assim, colocar a culpa no goleiro.

Ora, se o Palmeiras estava vencendo por 2 a 1 e Thiago Santos acabara de entrar para proteger a defesa, aonde estavam os zagueiros do Palmeiras? Não deveriam estar postados como prevenção aos contra-ataques? Ah, deveriam, sim!

No mais, o Palmeiras até que foi razoável e a Ponte valente na etapa final, tentando arrancar resultado melhor-o que conseguiu- terminando a partida tendo apenas de suportar os “chuveirinhos” do ainda líder.

Mas, convenhamos, é preciso listar pelo menos três ítens: a) Fernando Prass faz falta não apenas por ser um grande goleiro ou que Jaílson não esteja dando conta do recado sob as traves, mas porque Prass, com sua experiência orienta a defesa; b) a ausência de Gabriel Jesus é muito sentida, sem ele o ataque parece perder o jeito, embora Rafael Marques tenha feito um gol e dado a assistência para Thiago Martins fazer o dele;- Thiago Santos precisa ser o primeiro volante (no próximo jogo ele estará suspenso) normalmente, pois protege a defesa e libera Moisés-este o nome para o meio-campo, já que Cleiton Xavier não está bem.

Enfim, o Palmeiras ainda é o líder, ainda tem chances de chegar longe, mas, para isso, é preciso corrigir seus defeitos. E evitar vacilos fatais ou banais.

Foto: Joka Madruga

Foto: Joka Madruga

2- O Santos, por sua vez, deu a impressão de que sairia de Curitiba com a vitória. Disputou um primeiro tempo equilibrado, perdeu um gol (Vitor Bueno) logo no início da etapa final e Ricardo Oliveira colocou à frente-depois de bola atrasada por João Paulo- com arremate certeiro do “eterno artilheiro”.

De repente, não mais do que de repente, a marcação afrouxou, o Coritiba cresceu e tomou conta do jogo. A defesa vacilou (de forma fatal) no primeiro gol do Coxa, bola alta, que Evandro desviou e Kleber completou para o fundo das redes. E aí, cadê o Santos, cadê? Sumiu em campo, não teve culpa no gol da virada- Iago, de fora da área, um chutaço no ângulo esquerdo de  Vanderlei- e nem teve forças para tentar sequer o empate.

Corre o risco nesta segunda-feira de sair até do G-4, pois o Corinthians, em São Paulo, enfrenta o Vitória e poderá ultrapassá-lo.

Foto: Gilvan de Souza / Divulgação

Foto: Gilvan de Souza / Divulgação

3- O Flamengo teve a estreia de Diego na vitória diante de um Grêmio valente e desfalcado-sem Luan e Wallace, por exemplo- por 2 a 1. Diego foi discreto no primeiro tempo e muito bem na etapa final, quando organizou mais as jogadas, iniciou e terminou- de cabeça- o segundo gol do seu time.Jogou quase 80 minutos, mais do que o esperado para um jogador que não atua há um tempinho. Antes do gol de Diego, Leandro Damião- de pênalti, cabendo a Henrique Almeida descontar para o Grêmio.

O Fla avança.

4- E o Atlético Mineiro, segundo o relato de quem viu a partida, não jogou lá essas coisas contra o Atlético Paranaense e deixou dúvidas quanto ao pênaltique, em seguida, foi convertido por Robinho. Mas o Galo jogou desfalcado-assim como Furacão´e mesmo ganhando só por 1 a 0, no Horto, com o gol de pênalti de Robinho, já está em segundo lugar, dois pontos apenas atrás do líder Palmeiras.

E os três pontos, a essa altura do Campeonato, são o que realmente interessa.

Foto: Rodney Costa

Foto: Rodney Costa


Seleção, o legado da inédita medalha de ouro
Comentários 3

Roberto Avallone

Foto: Roberto Castro

Foto: Roberto Castro

E o Brasil é medalha de ouro! Medalha de ouro no futebol, façanha inédita ao longo de sua História Olímpica, ao superar na final a Alemanha, na decisão por pênaltis (5 a 4), depois do empate de 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Foi suado, sofrido, chorado até. Mas valeu. E como valeu!

Antes de falar do jogo em si e dos destaques, que tal partirmos para o futuro, analisando o legado que nos deixou essa conquista? Em minha opinião, aconteceu o resgate do estilo brasileiro de jogar, um futebol ofensivo, com atacantes, ainda que estes tivessem de acrescentar a esse estilo o hábito de ajudar na marcação, de serem os primeiros defensores no duelo com os zagueiros inimigos. É o manual do futebol moderno.

E, nesse ponto, falo do técnico Rogério Micale, que teve a personalidade- quando criticado pelo início ruim com os empates diante da África do Sul e Iraque- de não só manter os três atacantes (Neymar, Gabigol e Gabriel Jesus)- como, ao contrário, adicionar mais um, Luan, melhorando o jogo da Seleção. Claro que esses atacantes tiveram a incumbência de também defender ainda mais, como foi o caso de Gabriel Jesus, deslocado para a ponta-esquerda e sempre de olho no lateral adversário. Micale, nesse ponto, repito, revelou-se.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Impossível também deixar de falar de Neymar, o capitão do time, que se multiplicou em campo, sendo atacante e líder ao mesmo tempo, tornando-se o artilheiro da equipe, 4 gols, dois deles marcados em cobranças de falta (inclusive, o gol do Brasil na final) um de pênalti e o outro revelando extrema bravura dividindo a bola com o zagueiro e, depois, com o goleiro de Honduras. Foi, sem dúvida, com sobras, o Neymar esperado. Talvez o principal responsável por ter o Brasil conquistado sua primeira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, já que tinha ganho medalha de prata em Los Angeles (1984), em Seul (88) e Londres (2012). Tivemos outros vários destaques, entre eles o senhor do meio-campo, Renato Augusto.

Quanto ao jogo da final, a Seleção Brasileira teve lampejos, mas não uma atuação das melhores. É verdade que a Alemanha foi um páreo duríssimo, chutou duas bolas em nosso travessão e soube como marcar atacantes como Gabigol, Gabriel Jesus e Neymar. Pareceu-me, também, que nossos atacantes estavam afobados, talvez nervosos e sentindo o peso de uma final histórica. Pareceu-me, eu disse.

Foto: Getty images

Foto: Getty images

Assim, coube a Neymar fazer a diferença. Primeiro, por ter sido extremamente competente no gol que fez, em cobrança de falta perfeita, a uns 3 metros da entrada da área, batendo, de curva, no alto do gol alemão, com a bola batendo no lado interno do travessão e entrando. Depois, ao tentar seus dribles e executar, com perfeição lançamentos de 20 e 30 metros. Não esquecer também a segura atuação de Renato Augusto e a defesa na decisão por pênaltis de Weverton, decisiva para, depois, Neymar bater o quinto pênalti e liquidar a fatura.

Agora, tão importante quanto a medalha, é explorar o legado. E saber que é possível jogar no ataque, com verdadeiros atacantes- com incumbência também de marcar- , exibir um futebol bonito e para a frente.Não foi essa a marca do futebol brasileiro dos bons tempos?

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução


Seleção Brasileira, show de bola e 6 a 0! E agora, a grande final
Comentários 5

Roberto Avallone

Foto: Reuters

Foto: Reuters

1- Foi uma típica exibição que satisfaz e dá esperança pelo inédito ouro olímpico: não só pela goleada (6 a 0!)  diante de Honduras, mas pelo futebol bem jogado, pela solidariedade do time, pela raça, pela vontade de vencer. Como já fomos em outros tempos. E também pelos valores individuais, com Neymar liderando a turma, marcando o gol mais rápido na História da Seleção Brasileira, principal ou olímpica, aos 14 segundos: com Gabriel Jesus desencantando, autor de dois golaços: com renato Augusto coordenando meio-campo; com Luan polivalente.

O time inteiro foi bem. Mas a maior lição foi a de que se pode jogar com vários atacantes-no caso, 4, (Luan, Gabigol, Neymar e Gabriel Jesus), desde que eles ajudem na marcação e lutem contra os adversários na saída de bola para que o meio-campo e a defesa não fiquem expostos. Até agora,ao longo da competição, o Brasil não levou um gol sequer.

Ah, mas poderão perguntar “quem é Honduras no futebol?”, o que não chega a ser uma verdade, pois, embora não seja nenhuma grande potência, reconheçamos, vinha fazendo, no entanto, uma campanha digna e foi capaz de mandar os argentinos de volta para casa, eliminando-os da Olimpíada. Não é tão fraca, portanto. Desta vez, o Brasil ganhou e jogou bem e bonito, o que nos dá o direito  de sonhar com bela figura na grande final dos Jogos Olímpicos 2016.

Resta, porém, o alerta de uma velha máxima do futebol que diz que “cada jogo é uma história”.  A vitória de hoje anima, mas não garante a vitória no sábado. É preciso, pois, evitar o oba-oba, o otimismo exagerado, o salto alto.

Foto: Reuters

Foto: Reuters

2- E, como se esperava, será a Alemanha a outra finalista que medirá forças com o Brasil, na grande final do futebol masculino, que valerá a medalha de ouro: os alemães ganharam da Nigéria, 2 a 0 (gols de Klosterman e Petersen) e levaram poucos sustos. Evidentemente, é uma boa equipe: com marcação compacta, muita movimentação- por exemplo, Klosterman, lateral-esquerdo fez o primeiro gol como se fosse um ponta-e a tradicional determinação alemã.

Não é por acaso que os alemães têm o melhor ataque da competição até agora, 20 gols marcados em cinco jogos e que golearam, por exemplo, Portugal por 4 a 0. Os números não mentem.

Mas não são exatamente verdadeiros se comparadas as exibições que levaram brasileiros e alemães até à final:pelo que se viu, neste momento, o Brasil tem muito mais bola do que a Alemanha, especialmente no talento dos jogadores de ataque- Luan, Gabigol, Neymar e Gabriel Jesus- e tem muitas chances de levar a medalha de ouro. No futebol não existe certeza absoluta e o tal do “já ganhou” é sempre perigoso.

Só que, desta vez,estamos a um passo da medalha inédita. E é bem possível que ela esteja no peito do time do Brasil.


Palmeiras, ainda mais líder. E as proezas do Santos e do Grêmio
Comentários 9

Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foto: Cesar Greco / Divulgação

1- Além da rodada perfeita que teve a seu favor, com derrotas de principais concorrentes na luta pelo topo (Atlético Mineiro, Corinthians, Flamengo), o Palmeiras conseguiu uma vitória mais do que importante, ao superar o Atlético Paranaense por 1 a 0, gol de Vitor Hugo, de cabeça. Com esse triunfo, o Palmeiras- que antes desta rodada tinha só um pontinho de vantagem- agora conseguiu se distanciar mais de seus perseguidores; situa-se a três pontos do vice-líder (Santos), a quatro pontos de Grêmio e Atlético Mineiro, a cinco de Corinthians e Flamengo e fez com que o Atlético Paranaense estacionasse nos 30 pontos.

Quer dizer: o Palmeiras é ainda mais líder.

Números à parte, foi importantíssima a vitória diante do Furacão que, pela primeira vez neste Campeonato Brasileiro, foi derrotado em seu estádio. Importante e justo triunfo, o Palmeiras jogou melhor do que o Atlético Paranaense nos dois tempos, principalmente no segundo, quando criou chances claras de gol, desperdiçadas por Roger Guedes e Jean. No lance de Roger Guedes, então, aconteceu que ele não alcançou a bola, que surgiu mansa, depois de grande jogada de Moisés pela esquerda.

Além de criar mais, o Palmeiras mostrou um quase perfeito sistema defensivo, tendo um Thiago Santos em grande noite, e nas poucas bolas que o Atlético acertou o gol, surgiu Jailson, mesmo com a perna direita machucada, a fazer boas defesas e a mostrar que, pelo jeito, ganhou mesmo a posição de titular da equipe.

Em minha opinião, no entanto, o melhor do time foi Moisés, misto de volante e de meia, incansável na marcação e criativo no momento de organizar o ataque. Curiosamente, embora não tenha sido a mais  badalada contratação do Palmeiras no ano, vem sendo, sem nenhuma dúvida, o jogador mais eficiente.

Foto: Ivan Storti/ Divulgação do Santos

Foto: Ivan Storti/ Divulgação do Santos

2-  Foram verdadeiras proezas as vitórias do Santos e do Grêmio. Heroico o triunfo do Santos, eu diria, pois enfrentou e goleou (3 a 0) o poderoso Atlético Mineiro sem cinco titulares importantíssimos- Vanderlei, Zeca, Thiago Maia, Lucas Lima e Gabigol. Não é fácil jogar assim contra o Galo. Na verdade, foi o mistão do Santos o vencedor. E destaque todo especial para Ricardo Oliveira, 36 anos, voltando de contusão, artilheiro mesmo assim: ele foi autor de dois gols, um de cabeça e outro de canhota.

Bravo Ricardo!

Elogiável também a conduta do Grêmio, desfalcado dos jogadores que estão na Seleção Olímpica- Luan e Wallace-, refazendo-se ainda da saída de Giuliano, soube, no entanto, aproveitar os enormes claros que deixava o sistema defensivo do Corinthians e encaixar muito bem os contra-ataques. Resultado: 3 a 0! E não se pode dizer que tenha sido um placar injusto, embora o Corinthians tenha até finalizado mais e ensaiado ataques.

Na verdade, o Corinthians (que não teve Elias,é verdade) se ressente de mais qualidade em seu ataque, de jogadores que saibam fazer gols com regularidade e que não fiquem só no “quase”.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação


Seleção, Brasil e Alemanha na final? E as emoções do Brasileirão
Comentários 3

Roberto Avallone

Foto: Fernando Dantas

Foto: Fernando Dantas

1- Está com jeito: Brasil e Alemanha na grande final do futebol masculino pela Olimpíada. Sim, eu sei, futebol não é ciência exata, a zebra é uma constante, coisa e tal. Mas a tendência é o Brasil vencer Honduras- depois de bater a Colômbia, 2 a 0- e a Itália ganhar da Nigéria- isso, depois de aplicar espetacular goleada em Portugal por 4 a 0.

Em sendo assim , se nenhuma surpresa acontecer, teremos Brasil e Alemanha na final. E no Maracanã. Nada que se compare aos 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil, na Copa do Mundo de 2014, pois as seleções principais jogaram, mas sempre ficaria um sentimento de revanche, de possibilidade de uma doce vingança. E aí, a inédita medalha de ouro para o futebol brasileiro.

No momento, tudo é hipótese, é probabilidade, é sonho. Agora, a realidade para o Brasil é Honduras, equipe que joga recuada, mas que é extremamente rápida no contra-ataque, que eliminou a Argentina da competição, antes de passar pela Coréia do Sul e chegar à semifinal. Só que, com base no jogo deste sábado, em que venceu Honduras por 2 a 0- um gol de Neymar, de falta, e outro de Luan- este, um golaço, de fora da área, atendo de curva para encobrir o goleiro colombiano- o Brasil mostrou muita força e muita raça em seu sistema defensivo, motivo pelo qual não levou um gol sequer nestes quatro jogos pela Olimpíada.

Além disso, vemos em campo agora, um Neymar diferente: sério compenetrado, jogando para a equipe, sem ligar  tanto para o brilho individual. É verdade que, às vezes, precisa ficar mais calmo, como convém a um capitão, mas também tem a história que, se bateu, apanhou muito mais, sendo verdadeiramente caçado em campo.

Resumindo: se não foi extraordinário, pelo menos o Brasil jogou bem, com segurança, apagou a má imressão das duas primeiras partidas e, pela lógica, deve chegar à final. Em busca, é claro do ouro inédito- que não será fácil, mas possível.

2- Este domingo marca muitas emoções no Campeonato Brasileiro, que eu eu me lembre o mais acirrado na luta pelo topo e também quanto ao rebaixamento. Aliás, uma quase surpresa  já aconteceu nesse sábado, quando o Sport-sem seu melhor jogador, Diego Souza, bateu o Flamengo, impedindo o clube carioca de chegar à liderança; logo agora, que vinha em franca ascensão; curioso é que Diego saiu logo no começo da partida, mas Edemilson, que entrou em seu lugar fez o gol da vitória, depois de grande jogada de Rogério (ex- São Paulo).

Sei lá o que estará reservado para o domingo, pois logo de manhã, o Grêmio enfrentará o Corinthians, em Porto Alegre, no chamado confronto direto entre os candidatos. E à tarde, na Vila Belmiro, o que seria um jogaço, não estivesse o Santos desfalcado de meio time- Vanderlei, Zeca, Thiago Maia, Gabigol e Lucas Lima- contra um Atlético Mineiro que vive a sua melhor fase no Campeonato e é equipe recheada de talentos.

No começo da noite, será a vez do Palmeiras a enfrentar um perigoso Atlético Paranaense em sua Arena, sem ter nenhum centroavante de ofício. Jogo duro. É difícil encarar o Furacão em seus domínios.

A grande questão: quem sairá lucrando com esta rodada de um Campeonato super- equilibrado?


Seleção, uma goleada para reanimar
Comentários 3

Roberto Avallone

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Ah, esta goleada foi de reanimar, para dar a esperança  ao que parecia perdida depois de duas péssimas partidas – empates sem gol – contra África do Sul e Iraque. Desta vez, foi diferente; não só pelo placar de 4 a 0- dois gols de Gabigol, um de Gabriel Jesus e o outro de Luan, como principalmente pelo futebol solidário, ofensivo e cheio de disposição da Seleção Brasileira Olímpica diante de uma Dinamarca atônita e sem reação. 4 a 0! E poderia ter sido mais.

O que mudou na Seleção neste jogo? Em primeiro lugar, a postura, pois não se viu clarões entre defesa, meio- campo e ataque como no começo da competição. Foi um time compacto, que ocupou os espaços e que também soube jogar “à brasileira”, isto é, pelas pontas: assim atuou Luan, um dos destaques do time, misto de armador e de ponta-direita, cruzando para Gabriel Jesus fazer o segundo gol e ele mesmo, Luan, balançando as redes; pela esquerda, o lateral Douglas Santos fez as vezes do ponta canhoto, centrando, com sucesso, para os dois gols de Gabigol.

E o que mais? Bem, tivemos um Neymar diferente, jogando para o time, com a seriedade de um organizador de jogadas perto da área e com a liderança de orientar os mais jovens, sem ficar preocupado demais com o próprio brilho, trocando o individualismo pelo jogo coletivo; também tivemos um Renato Augusto como em seus melhores dias, a dominar o meio-campo e, de surpresa, surgir infiltrado na área, como um atacante; e Gabigol e Gabriel Jesus sempre à espreita do arremate fatal, oportunistas que são.

Mas o time inteiro foi bem, mesmo sem o destaque dos acima citados. Quer dizer: o Brasil jogou um futebol solidário e coletivo, achando, quem sabe, o seu melhor jeito de atuar, mesmo com quatro atacantes- Luan, Neymar, Gabigol e Gabriel Jesus-, atacantes que não guardavam posição fixa e se transformavam em defensores quando perdiam a bola.

Se jogar sempre assim, esta Seleção pode ir longe. Com firmeza, mas sem euforia, sem oba-oba, pois a caminhada pode ser longa e já no sábado à noite, tem a Colômbia pela frente.

Fica, pelo menos, a esperança de novas belas exibições.

Foto: AP

Foto: AP


O Corinthians só empatou. E o Palmeiras é o campeão do primeiro turno
Comentários 6

Roberto Avallone

Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

1- O Corinthians não fez por merecer uma vitória sobre o Cruzeiro, embora tivesse marcado seu gol (Giovanni Augusto) no primeiro minuto da partida. E, de quebra, teve um pênalti claro cometido por Cássio em Ábila (que saiu do lance  sangrando), não assinalado pela arbitragem, ainda no primeiro tempo. Nessa etapa, aliás, houve equilíbrio entre as duas equipes.

Na etapa final, no entanto, pressionado talvez por ainda ocupar a zona do rebaixamento, o Cruzeiro foi ao ataque, mostrou-se melhor do que o Corinthians e por pouco não saiu vencedor do duelo em um Pacaembu com mais de 33 mil torcedores pagantes; o Corinthians, antes do jogo, talvez também estivesse pressionado a vencer por três ou mais gols de diferença, pois que assim ultrapassaria o Palmeiras no saldo de gols e seria o campeão do turno. Pressão bem mais suave do que a do Cruzeiro, reconheçamos, pois neste caso está a sobrevivência na Série A.

Aconteceram até vaias da Fiel torcida para o técnico Cristóvão, que tentou levar numa boa, o que não aconteceu com Elias, que atribuiu a uma minoria as vaias e as reclamações. Na verdade, esta equipe é o Corinthians pós-desmanche e os jogadores que aí estão, embora dedicados e com razoável tecnica, não têm a mesma qualidade dos campeões que já se foram.

Até que, pelas circunstâncias, o Corinthians vai indo melhor do que se esperava.

Quanto ao Cruzeiro, pelo futebol exibido e pelos reforços que chegaram-o oportunista Ábila, Rafael Sóbis, por exemplo- é uma questão de tempo sair dessa incômoda zona da degola, devendo ficar, creio,na faixa intermediáriua da tabela de classificação. Isso, no mínimo, até porque agora conta com um técnico que conhece bem o futebol brasileiro, Mano Menezes.

Foto: Mauro Horita

Foto: Mauro Horita

2- E o Palmeiras acabou ficando com o título de campeão do primeiro turno, com o resultado do jogo do Corinthians. Além disso, assumiu a liderança isolada do Campeonato (36 pontos), contra 34 pontos do Corinthians e os 35 do agora vice-líder Atlético Mineiro. O Galo, que nesta noite de segunda-feira venceu a Chapecoense por 3 a 1, está no embalo de seis vitórias consecutivas, vivendo o momento de andar a disputar o melhor futebol do Campeonato.

Eis a questão: o segundo turno já começa no fim de semana e, de tão equilibrado, o Campeonato alterna os momentos, apontando quem está melhor, pois se hoje é o Galo, a primazia já foi palmeirense- o Palmeiras já foi líder do Campeonato em 10 rodadas. Pode ser que agora  com a próxima volta de Gabriel Jesus, a provável volta de Roger Guedes , a recuperação do zagueiro Mina e a confiança passada no domingo pelo goleiro Jaílson,o Palmeiras volte a se exibir como o melhor do torneio ou, no mínimo, fique em pé de igualdade com o Galo.

Este segundo turno promete ser emocionante já que, além de Galo e Palmeiras, o Flamengo vem em franca ascensão, o Santos em breve terá o retorno dos jogadores que estão na Seleção, o Grêmio também terá Luan e Wallace de volta e o Corinthians tem a bravura já conhecida.

Diante de tantos candidatos, emoção é o que não vai faltar.