Blog do Avallone

Arquivo : março 2016

O Palmeiras, no fundo do poço. E o empate no clássico
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Roberto Avallone

Foto: Leonardo Benassatto

Foto: Leonardo Benassatto

1- Fundo do poço, sim, se é que este poço não tem outro fundo, falso. A derrota do Palmeiras frente ao Água Santa, por 4 a 1, mais do que um vexame, leva a dura constatação sobre a equipe (até agora mal) dirigida por Cuca: é uma das piores do Campeonato Paulista, pouco acima dos que estão na zona do rebaixamento e que é o rabeira de seu grupo. Só faz piorar do começo do ano para cá. Hoje em dia, de campeão passou a ser timeco.

Com todo o respeito ao Água Santa, trata-se de um time que já vinha lutando contra o rebaixamento e que há  pelo menos  seis jogos não vencia , tendo trocado de técnico às vésperas do jogo contra quem considerava grande. Pois foi impressionante a maneira com que envolveu o suposto grande, quer no aproveitamento de dois escanteios (em um deles,o fraco Roger Carvalho marcou contra) como nas infiltrações, pela direita e pela esquerda.

Quem era o grande, afinal?

Sei lá o que acontecerá daqui para a frente- não acredito em classificação para o Paulista e muito menos na Libertadores- mas há de se ter a compreensão de que muitas contratações errada foram feitas: Edu Dracena, Roger Carvalho, Régis, o próprio Eric ainda não mostrou a que veio, a renovação com Rafael Marques(e eu o achava bom), etc; e isso sem contar com casos crônicos e não resolvidos como os de Cleiton Xavier e Fellype Gabriel.

Não é uma proposta a que faço a seguir, mas sim uma pergunta, pois perguntar não ofende; se os jogadores recebem parte por produtividade, na falta de (criatividade) ou de imensa deficiência técnica eles não podem, por lei, serem punidos no bolso? Leigo no assunto, pelo bom senso, é um acordo de mão dupla. Pois não?

Caso contrário, no momento, não há luz no fim do túnel. E Cuca está arriscado de fracasso comprovado antes do final do contrato. Espero que supere esse risco.

Foto: Miguel Schincariol

Foto: Miguel Schincariol

2- Não foi um grande clássico esse Santos  1 (Joel), São Paulo (1), na Vila Belmiro. E nem deveria se esperar o contrário: o Santos com 5 importantes desfalques (entre eles Gabigol, Lucas Lima, Ricardo Oliveira) e o tricolor sem sua estrela maior, Paulo Henrique Ganso. Mesmo assim não foi um jogo ruim, diria até que razoável.

O Santos me impressionou mais pelo fato de estar tão desfalcado, até saiu  na frente (Joel), permitindo o gol do empate através de uma bela cabeçada de Alan Kardec, após cobrança de escanteio pela direita, aos 37 minutos do segundo tempo. No fim, ficou bom para os dois times, pois ambos permanecem como líderes de seus grupos.


Seleção: frustração. Palmeiras: mistérios. Cruyff: eterno
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Roberto Avallone

Foto: AFP

Foto: AFP

1-  A sensação que se teve era de que o Brasil iria golear o Uruguai, pois seu começo foi fulminante: gol logo aos 40 segundos (Douglas Costa, depois de jogada de Willian), quase gol de Neymar logo em seguida, bola nas redes através de Renato Augusto, depois de belíssimo drible de corpo de Renato Augusto sobre o goleiro Muslera. 2 a 0!

Só que a frustração começou a ser desenhada no primeiro gol uruguaio (Cavani), após dupla falha da defesa brasileira, Felipe Luís e David Luiz, o primeiro por não cortar a bola aérea, o segundo por não bloquear o arremate fatal do uruguaio. E terminou no empate de 2 a 2,. gol do artilheiro Suarez, aos 3 minutos do segundo tempo, etapa em que o Brasil iria ser dominado pelo adversário e que só não perdeu porque Allison defendeu um outro chute de Suárez, quando a derrota parecia decretada.

Resumo da ópera: o Brasil até que foi bem do meio-campo para a frente, mas muito mal na defesa, motivo suficiente para passar de goleada em frustração, com o Uruguai estando em segundo lugar na tabela e o Brasil ficar em terceiro, com os mesmos (8 ) de Argentina e Paraguai, levando vantagem apenas no saldo de gols. Outro destaque negativo foi Neymar, autor de apenas uma grande jogada- a que quase deu em gol, no primeiro tempo-, muito pouco para seu decantado futebol. E ainda, de quebra, Neymar levou o cartão amarelo que o tirará da Seleção na partida frente ao Paraguai, na terça-feira.

Frustrante.

Foto: Arte/Montagem

Foto: Arte/Montagem

2- Não creio que a tragédia maior irá acontecer, o rebaixamento. Mas o Palmeiras, matematicamente, corre um certo risco de queda, pois neste ano caem 6 clubes e muitas equipes estão muito próximas quanto aos pontos, o que por si só já é motivo de preocupação para os palestrinos que andam vendo seu time jogar de mal a pior- sofreu diante do Red Bull sua terceira derrota consecutiva- acumulando o que parecia impossível no final do ano passado, quando conquistou a Copa do Brasil: de oito jogos como mandante ganhou apenas dois.

De quem é a culpa, agora? Vendo o resultado, em campo, tem-se a impressão de que o time foi mal treinado por um bom tempo e que o novo técnico, Cuca, não conseguiu o impacto suficiente para evitar tão mau inicio. E já se comenta que não foram boas as contratações do ano (quem se destaca?), além de existirem os crônicos problemas de contusão (Cleiton Xavier, Fellype Gabriel, por exemplo) que afligem o numeroso elenco. Já se questiona a qualidade desse elenco que é grande, sim, mas em quantidade.

Ainda acredito que o Palmeiras se encontre, que dê liga, que até dispute títulos. Mas que há muitos mistérios a serem desvendados, ah, isso quem há de contestar?

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

3- Falo atrasado da morte de Johan Cruyff, eu sei. Mas prefiro falar de sua importância para o futebol, o homem que em 1974 comandou o Carrossel Holandês (que inventou ao lado do técnico Rinus Mitchels, um professor de filosofia) ao qual se deu o nome de futebol total, com a ocupação dos espaços) e que até agora é a síntese do futebol moderno.

Além de extremamente habilidoso, Cruyff foi um goleador e um estrategista dentro das quatro linhas. Deve-se a ele a formação do novo Barcelona, o do toque de bola e marcação em bloco, virtudes muito bem aproveitadas pór Guardiola, seu ex-jogador. Entrevistei o gênio em castelhano- ele falava vários idiomas- e vi, com surpresa, um homem romântico e realista sobre futebol. Fã de Pelé, Cruyff me disse: “Quando jogo a 100 por cento, não jogo metade do que fazia Pelé”.

Mas nem o Rei enxergava tanto a estratégia da bola quanto o holandês.

Que Deus o tenha.


Corinthians, ainda mais líder. E Calleri, no finzinho…
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Roberto Avallone

Foto: Djalma Vassão

Foto: Djalma Vassão

 1- É verdade que a expulsão de Tatá ajudou. Mas o Corinthians, especialmente no segundo tempo impressionou por sua postura e a superação de alguns jogadores- Fagner e Rodriguinho, por exemplo- batendo o São Bernardo por 3 a 0, no campo do adversário, tornando-se ainda mais o líder do Campeonato Paulista, com 26 pontos. Quatro à frente do Santos, o vice- líder.

E não é fácil vencer o São Bernardo em seu campo. Só que este Corinthians de Tite faz de seu jogo coletivo o seu ponto forte, abrindo espaço para surgirem também os destaques individuais. Falei acima de Fagner e Rodriguinho e creio que com razões de sobra: o lateral-direito, que melhorou muito, fez a jogada do primeiro gol, marcado por Rodriguinho, e fez um cruzamento que mais parecia um passe para o terceiro gol, de autoria de Lucca; Rodriguinho, como já se viu marcou o primeiro ao escorar centro de Fagner e fez um belo gol, o segundo, de canhota, pouco antes de sair de campo, pois sentia incomodo na perna direita. Marcou o gol, mesmo machucado.

Bela campanha corintiana!

Foto: Mauro Horita

Foto: Mauro Horita

2- Foi suado, chorado, sofrido. Mas a esta altura do Campeonato, o que importava mesmo era vencer. E o São Paulo encontrou o seu triunfo, diante do Botafogo de Ribeirão Preto, no finzinho da partida. Por sinal, o gol de Calleri reuniu o oportunismo do centroavante argentino-deslocou o goleiro com toque pelo alto, quase sem ângulo- com a categoria de Paulo Henrique Ganso, que acertou passe medido para o atacante, quando as esperanças do São Paulo já eram poucas, muito poucas.

Foi justo o placar? De certa maneira, sim: o Botafogo jogou recuado quase o tempo inteiro, embora desperdiçasse gol certo pouco antes do gol de Calleri; e o São Paulo, bem ou mal, foi para cima, atacou, atacou, até que encontrou o gol salvador. Com isso, passa a liderar seu grupo, agora com 17 pontos.

E acabou também com um jejum de vitórias que já durava cinco jogos e ia caminhando para o sexto, pois 90 minutos já se passavam até que Calleri terminasse o sofrimento.

Venceu!


Cuca pede tempo e mudanças. E Tite dá aula no Corinthians
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Roberto Avallone

Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

1- Depois da derrota para o Audax, 2 a 1, Cuca admitiu que terá mais trabalho no Palmeiras do que imaginava. E além de tempo para os treinos, pede mudança de atitude dos jogadores, como, por exemplo, de transição rápida do meio-campo para o ataque, sem “ligação direta”.

Tudo bem, precisa mesmo. Mas isso será possível sem ter o meia-armador de ofício- que Cleiton Xavier não pode ser em virtude das muitas lesões musculares- ou de algum sistema que substitua o camisa 10 que o Palmeiras sempre teve ao longo dos tempos? Ou então, jogar pelas laterais. Claro. Mas isso será possível tendo o afobado João Pedro na direita  e o veteraníssimo Zé Roberto pela esquerda- logo ele que chegou atrasado em três bolas, inclusive no pênalti que abriu o caminho da vitória do Audax?

Difícil, situação complicada. Ah, talvez se Jean for bem de lateral ou se Lucas recuperar a forma do ano passado, cabendo a Egidio ter proteção para avançar pela esquerda. Pode ser. Com muito treino.

O fato é que o Palmeiras voltou a jogar mal, muito mal no primeiro tempo para melhorar um pouco no segundo, quando Lucas Barrios fez o gol aos 32 minutos e Dudu- cara a cara com o goleiro- perder chance incrível de empatar, chutando a bola muito alto e longe do gol.

Meu Deus!

E coube ao Palmeiras a façanha de ser o primeiro time grande a ser derrotado pelo Audax,  esse time de bom toque de bola que disputa o Campeonato Paulista desde 2014 e jamais tinha sentido esse gostinho. É verdade, Cuca terá muito mais trabalho do que imaginara, pois o seu time parece fora de sintonia, desconectado, sem cara de equipe.

Se vai conseguir dar um  jeito na situação, sabe-se lá: parece mais uma missão para Sherlock Holmes.

Foto: Daniel Augusto Jr.

Foto: Daniel Augusto Jr.

2- Enquanto isso, do seu lado, o técnico Tite dá constantes aulas de como postar um time, sejam quais forem os jogadores. Não bastasse o desmanche que acometeu o Corinthians, no sábado o técnico resolveu poupar quase todos os titulares e, jogando com o mistão, mesmo assim goleou o Linense por 4 a 0, diante de mais de 31 mil torcedores pagantes.

A isso se chama de forma, de maneira de jogar, de padrão tático. A equipe bem postada, na marcação e no ataque, a usar a tal intensidade sempre pregada por Tite. Tendo  a forma, o sistema tático independe dos jogadores a serem escalados, variando de acordo com a qualidade dos atletas, é verdade, mas sempre mantendo a postura e o jeito de jogar.

Não por acaso, o Corinthians de Tite é o atual líder do Campeonato Paulista na classificação geral.


Na estreia de Cuca, faltou futebol ao Palmeiras. E o Corinthians segue…
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Roberto Avallone

Foto: AFP

Foto: AFP

1- Não é que o Palmeiras tenha jogado mal contra o Nacional, em Montevidéu, na estreia de Cuca. Pior, o Palmeiras simplesmente não jogou: encolhido no primeiro tempo, apenas se defendeu, sem criar uma única chance de gole mais, sem fazer um arremate sequer; no segundo tempo, Cuca lançou Gabriel Jesus, Robinho e até Lucas Barrios, mas continuou envolvido pelos jogadores do Nacional, levou um gol(Nico Lopez) e dificilmente avançará de fase na Libertadores.

A eliminação está muito próxima.

E quais são os mistérios que fazem o numeroso elenco do Palmeiras jogar tão mal neste ano, depois de conquistar a Copa do Brasil no ano passado, título que poderia fazê-lo crescer? Bem, sem dúvida falta um jogo coletivo mais adequado. não existe o hábito das triangulações e nem das jogadas combinadas; é possível também que a grande quantidade de jogadores encubra a falta de maior qualidade. da categorias dos craques decisivos que não existem.

Também não sei explicar a atual má fase de Dudu, Lucas e outros, assim como é duro de engolir as constantes lesões de Lucas Barrios e, principalmente , de Cleiton Xavier- este, um campeão em frequentar o departamento médico. Lucas Barrios e Cleiton Xavier eram grandes esperanças, no comando do ataque e na organização das jogadas, por um Palmeiras melhor.

Palmeiras que, repito, está praticamente dando adeus à competição tão sonhada, a Libertadores que só conquistou uma única vez. E isso foi em 1999.

Foto: Djalma Vassão

Foto: Djalma Vassão

2- Desta vez, quem pode contestar a vitória do Corinthians? Na última quarta-feira, jogando diante de mais de 42 mil torcedores em sua Arena, o Corinthians foi bem melhor do que o Cerro Porteño, venceu por 2 a 0 (gols de Lucca e outro, contra, que a arbitragem também atribuiu a Lucca) e mostrou, mais uma vez, que segue altivo na era pós-desmanche.

Mérito do craque maior do time, o técnico Tite. Este, sim, soube formar e compactar o novo time, que pode não ser brilhante como o do ano passado, mas é bem postado em campo, competitivo e não deve ter nenhuma dificuldade para passar à fase do mata-mata da Libertadores.

Destaques , dentro de campo? Em minha opinião, Lucca, em noite inspirada, e o menino(18 anos) Maycon, um volante com muito futuro pela frente.


Tite, Cuca, Bauza: o jogo dos técnicos
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Roberto Avallone

Foto: Arte/Montagem

Foto: Arte/Montagem

Os três já ganharam a Libertadores: Tite, pelo Corinthians; Cuca, pelo Atlético Mineiro; Bauza pela equatoriana LDU e pelo time do Papa, o San Lorenzo. Eu disse ganharam? Sim, pois embora estes senhores não driblem e nem arrematem a gol, podem ajudar muito desde a escalação- escolher os melhores e os mais adequados- até a criação de jogadas e de como ocupar os espaços do campo.

Tite tem o hábito de compactar seus times- o que foi revelado ao futebol do mundo pela Holanda, desde a Copa do Mundo de 1974- e exigir de seus jogadores a máxima intensidade. Autor de um trabalho magnifico no ano passado, campeão brasileiro com sobras, viu-se atingido pelo desmanche da equipe logo no começo da temporada, mas com alguns reforços e promoções (o garoto Maycon, 18 anos, é um exemplo) vai tentando recompor o time, senão com a qualidade anterior, pelo menos com a boa postura em campo. Nesta noite de quarta-feira, enfrentará o Cerro Porteño, que venceu o Corinthians na semana passada e está um ponto à frente na classificação.

Como o jogo é na Arena corintiana, é provável que a liderança seja recuperada.

Virando o jogo, no Palmeiras Cuca terá mais um dia de espera para fazer a sua estreia. E logo contra o Nacional de Montevidéu, time sem grande brilho, mas que na semana passada em pleno Allianz Parque venceu o Palmeiras- mesmo com um jogador a menos- e derrubou o técnico Marcelo Oliveira. Cuca já está lutando, como de hábito: segundo os que viram o treino desta terça-feira, ele interferiu no posicionamento nas bolas paradas, nos contra-ataques, na cobrança dos laterais… Em tudo. Este é o Cuca que se espera: inquieto, dinâmico, exigente. Se vai conseguir reverter a situação no Uruguai, não sei; mas Cuca é o grande trunfo para fazer os jogadores estarem no máximo de suas possibilidades na quinta-feira. Dependerá deles, é certo.

E inda pela Libertadores, compondo o Trio de Ferro paulistano, encontramos Edigardo Bauza, o “Patón”, às voltas com o seu São Paulo em busca de esperanças lá na Venezuela. A viagem foi dura, mais de 20 horas. Mas nada parece abalar Bauza, um ex- zagueiro artilheiro, homem do semblante fechado, mas que consegue se mover com cavalheirismo; seria melhor se os resultados ajudassem, o que não vem acontecendo, e “Patón” terá de se virar sem Calleeri, sem Michel Bastos, tendo apenas um único ponto ganho.

Pode ser nesta noite de quarta, Bauza, pode ser. Afinal de contas, a equipe do Trujillanos até agora não assustou ninguém. Assustaria alguém como Bauza, que já levantou por duas vezes o caneco da Libertadores?

Não creio.


De novo, Robinho o carrasco do São Paulo
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Roberto Avallone

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foto: Cesar Greco / Divulgação

A bola caiu mais para a meia-esquerda do ataque do Palmeiras. Um pouco antes da área, Robinho ajeitou e bateu por cobertura, desta vez de canhota, encobrindo o goleiro Denis e marcando o segundo gol do Palmeiras. Mais ou menos como fizera em outros clássicos com o tricolor, com a diferença que nos dois primeiros gols por cobertura o goleiro era Rogério Ceni e a distância, maior; agora, nesta manhã de domingo, o goleiro era Denis e o caminho percorrido pela bola nem tão extenso.

De qualquer maneira, tratava-se de Robinho, o Carrasco do São Paulo!

Quanto ao Choque- Rei em si, é justo que se diga que o São Paulo deu a impressão até de ser um pouco melhor no primeiro tempo. Só um pouco. Fernando Prass fez duas defesas. Na etapa final, porém, o Palmeiras encaixou melhor os contra-ataques, do jeito que fez o seu primeiro gol, em boa deslocamento de Alecsandro pela direita, o centro para a área e a entrada decidida de Dudu. 1 a 0.

O São Paulo até que tentou com as entradas de Ganso, Calleri, mas eles nada produziram, pois o Palmeiras jogava mais compactado e Arouca tornava-se o senhor do meio campo (não terá feito falta contra o Nacional, na quarta-feira passada?) e o time se sentia livre para mais contra-ataque. Foi quando nasceu o segundo gol, marcado, por cobertura, de canhota, por Robinho. 2 a 0.

No time vencedor, destacaram-se Arouca, Alecsandro, Robinho e Dudu. No São Paulo, achei razoáveis Hudson e Michel Bastos, ficando a dúvida se o resultado abala de novo o time para o confronto na Venezuela, pela Libertadores.

E o Palmeiras terá Cuca a partir desta segunda- feira, uma esperança de nova era.


Palmeiras, a queda de Marcelo Oliveira. Corinthians, outra decepção
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

1-  Não se esperava quer fosse tão rápida, mas isso não quer dizer que tenha sido injusta:a queda de Marcelo Oliveira como técnico do Palmeiras, momentos depois da derrota para o Nacional de Montevidéu (2 a 1) em casa, foi uma resposta ao futebol da equipe, tão limitada em seu repertório, que nesta quarta-feira com o Allianz lotado limitou-se a dezenas de “chuveirinhos”, tendo ainda o pecado de abrir a defesa para os mortais contragolpes uruguaios.

Um horror!

Na verdade, como disse o diretor de futebol Alexandre Matos, desde o final do ano passado, quando conquistou a Copa do Brasil, o Palmeiras “vive de jogos”, que deduzo serem esporádicos, de estalos, não jogando regularmente bem. Como quer a torcida. Como deseja a direção. Como sugere o alto investimento feito.

E quem vem para o lugar de Marcelo? Embora Alexandre Matos não tenha dito, sabe-se que Cuca é o nome preferido. Será tentado. O que não quer dizer que será contratado, até porque não se tem conhecimento de como ficou sua situação contratual na China, se ele pode receber ou não salário de clube brasileiro ou se ainda recebe do futebol chinês. Não sei, mas não deve ser problema porque Cuca estava disposto a ouvir o Fluminense.

Creio que essas coisas se resolvem. Quanto ao Palmeiras, Cuca tem certos laços emocionais com o clube:  já jogou na equipe (1992), dizem que de criança era palmeirense e manifestou, certa vez, o desejo de treinar o Palmeiras. Por enquanto, é o principal nome e acho até que mais cedo ou mais tarde terá a missão de desenvolver o futebol que com Marcelo Oliveira, lamentavelmente, parecia não emplacar mais.

Foto: AFP

Foto: AFP

2-  O Corinthians jogou um primeiro tempo razoável (André), mas não suportou a velocidade das rapaziada do Cerro Porteño e levou a virada-3 a 1-, teve André expulso, mais tarde Rodriguinho também expulso e ainda conseguiu diminuir com Giovanni Augusto, de pênalti. 3 a 2. Sim, eis o placar final, 3 a 2.

Após o jogo, muitas entrevistas, algumas queixas em relação à arbitragem, mas é preciso reconhecer que o Corinthians está muito longe de exibir o padrão técnico do ano passado, antes do desmanche, e que está em período de reconstrução da equipe, sem direito a luxo e paeté.

Melhor observar assim, com os pés no chão, pois Tite é um grande técnico, não há dúvda. Só que não é mágico para transformar esse time por enquanto mediano em grande equipe ou uma derrota de virada frente ao Cerro Porteño em algo injusto. Viver a realidade é preciso.


A resposta de Ricardo Oliveira. E a goleada do Palmeiras
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Roberto Avallone

Foto: AGIF

Foto: AGIF

1- De trajetória quase toda discreta e eficiente, Ricardo Oliveira teve a polêmica invadindo a sua carreira nos últimos tempos, seja na final da Copa do Brasil, seja na frustrada transferência para o futebol chinês. Ele estaria insatisfeito pela negociação negada? Pelo menos no campo, foi profissional irrepreensível e responsável direto pela vitória do Santos diante do Corinthians, na Vila Belmiro, por 2 a 0, pois foi o autor dos dois gols.

E gols de artilheiro, de oportunismo e de categoria. No primeiro deles, aproveitou-se do rebote do goleiro Cássio e deu um tapa na bola; no segundo, avançou rumo a meta, não se intimidou com a presença do grandalhão Cássio e chutou com calma para as redes.

Mas Ricardo Oliveira não foi o único destaque nesse time do Santos, que foi superior ao do Corinthians embora recuasse em alguns momentos; impossível não exaltar a atuação dinâmica de Lucas Lima, meia que caía para a direita e para a esquerda, sempre a servir os companheiros. Tecnicamente, Lucas Lima foi o senhor da partida (o grande Tite, aparentemente, errou ao não determinar marcação individual sobre ele), embora tenha sido Ricardo Oliveira o destaque maior pelos gols decisivos.

Foto: Cesar Greco / Divulgação

Foto: Cesar Greco / Divulgação

2- A câmera da tevê flagrou rostos felizes de torcedores do Palmeiras após a goleada de 4 a 1 sobre o lanterna do Campeonato o Capivariano. Se golear o lanterna não chega a surpreender, aceita vibração uma vitória que reconduz o Palmeiras à liderança de seu grupo, pois que era no minimo incômoda a sua posição na tabela.

E, além disso, mesmo um mau segundo tempo na noite de quinta-feira, o Palmeiras derrotou o mais temível adversário de seu grupo na Libertadores, o Rosário Central. Na cabeça do torcedor- que é mais sábio do se pensa- com uma vitória aqui, outra ali, nessa toada pode ser que reapareça a autoconfiança e que surjam resultados mais saborosos.

Da goleada contra o Capivariano, destaco Allione como melhor, ele que foi autor do primeiro gol e do chute que deu rebote do goleiro para o gol de Alecsandro. Allione é habilidoso, chuta forte e , aos 21 anos, só falta centrar-se mais para ter a desejada regularidade.

Por enquanto, ele é opção para o jogo contra o uruguaio Nacional, pela Libertadores.


Prass e o acaso fazem o Palmeiras líder. E Tite guia o Corinthians
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Roberto Avallone

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

1-  Como já virou rotina, o goleiro Fernando Prass, agora mais do que nunca chamado de São Prass, salvou o Palmeiras. No segundo tempo, já sem chuva com campo seco, o Rosario Central mandou no jogo, dominou o Palmeiras , aplicou-lhe terrível sufoco,  desperdiçou o pênalti (através do badalado artilheiro Rubem) que Fernando Prass defendeu e só não marcou por obra do acaso, dessas coisas inexplicáveis que acompanham o futebol. Não marcou e, ao contrário, levou o segundo gol palestrino, marcado por Allione, no primeiro contra-ataque organizado pelo Palmeiras na etapa final.

Que sufoco!

Engraçado que no primeiro tempo, sei lá se em função do campo molhado que evitava o toque de bola, o Palmeiras foi melhor do que o Rosario e, além do belo gol de Cristaldo, criou outras chances para marcar, como a bola que Dudu, cara a cara, enfiou na trave esquerda, ou a  bola que Robinho apanhou dentro da área, limpou a jogada e chutou de canhota por cima.  Seria o efeito do campo molhado? Se não era por que o time ficou só se defendendo no segundo tempo, tirando como desse a bola na área?

Na verdade, o Palmeiras passa a impressão  de ser um time mal treinado, tanto os passes que erra, e aparenta preparo físico inadequado, pois geralmente cai de produção no segundo tempo, E nesta quinta-feira não foi diferente.

De qualquer maneira, o Palmeiras é o líder de seu grupo, com 4 pontos, enquanto Nacional e River uruguaio têm dois e o argentino Rosario Central apenas um. O que alivia, em parte, a torcida.

Foto:Mauro Horita/ Folhapress

Foto:Mauro Horita/ Folhapress

2- Na noite de quarta-feira foi a vez do Corinthians entrar em campo pela Libertadores, enfrentando o Independiente de Santa Fe. Vi o jogo e não gostei, poucas chances de gol, partida muito truncada, mas o Corinthians venceu- novamente por 1 a 0-, vitória magra, mas valeu.

Enganam-se que o time  corintiano pode engrenar de uma hora para a outra. O desmanche foi muito grande e os novos jogadores ainda estão em fase  de adaptação- e não têm creio a categoria de um Gil, de um Renato Augusto… O que anima o Corinthians é ter um grande craque do futebol brasileiro, o técnico Tite, que não joga bola, mas comanda direitinho a rusa rapaziada.

Tanto que o Corinthians já seis pontos- em dois jogos-, lidera o seu grupo e deve se classificar com facilidade.

 


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