Blog do Avallone

Arquivo : junho 2015

1, 2, 3, 4! O Palmeiras lava a alma ao golear o São Paulo
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Roberto Avallone

Foto: Reprodução

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No começo do jogo, parecia que iria ser do jeito que foi. O São Paulo arriscava no ataque e , em jogada individual brilhante, Pato passou por dois zagueiros e chutou a bola na trave esquerda de Fernando Prass. Tudo indicava que existiria equilíbrio no Choque- Rei.

Mas, de repente, tudo mudou: Egidio- em minha opinião o melhor jogador em campo- desceu pela esquerda do ataque do Palmeiras, cruzou rasteiro e, de canhota, da entrada da área, Leandro Pereira chutou- a bola desviou em Souza e foi para o fundo das redes de Rogério Ceni.

Pronto, foi a pitadinha de autoconfiança que fez o Palmeiras marcar o tricolor com perfeição e acreditar que poderia fazer mais gols. E os fez, depois de uma cabeçada de Vítor Ramos que bateu no travessão de Ceni, já que ele mesmo, Vítor Ramos, em nova cabeçada, estabeleceu 2 a 0, o placar do primeiro tempo.

Na etapa final. Já com o São Paulo sem seu técnico Juan Carlos Osorio foi expulso no intervalo- o Palmeiras apertou as marcação, encolheu-se um pouco para o tricolor avançar e deixar espaço para os contra-ataques e liquidou de vez a história do Choque- Rei: Rafael Marques, com a estrela que carrega para os clássicos, marcou o terceiro gol e , depois de um primoroso centro (foi mais um passe) de Egidio, Cristaldo marcou o quatro gol, decretando a goleada.

Sinal emblemático da força do elenco palmeirense: com a contusão de Alecsandro, começou jogando Leandro Pereira, que fez um gol; depois, com a contusão de Leandro Pereira entrou Cristaldo, que também deixou a sua marca. Isso prova a força do elenco e quantidade de centroavantes, que será aumentada coma chegada de Lucas Barrios.

Destaques do clássico? Bem, já disse que, para mim, o melhor jogador foi Egídio(Rogério Ceni também achou), seguido por Arouca que, acredito, disputou a sua melhor partida pelo Palmeiras e por Rafael Marques, jogador muito útil e sempre artilheiro. Para não dizer que só falei das flores, creio que Dudu pode ainda aumentar muito o seu rendimento, caindo também pelo meio . A defesa esteve bem, compacta.

No São Paulo, Pato foi o melhor atacante, ficando devendo Luís Fabiano, Michel Bastos e também Centurión, que entrou mais tarde. No meio-campo, Hudson foi o melhorzinho, estando completamente sumido Paulo Henrique Ganso. A defesa esteve mal.

Enfim, uma goleada que significa um divisor de águas para o Palmeiras e um sinal de grande alerta para o São Paulo.


 Seleção Brasileira: que fiasco!
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Roberto Avallone

Foto: AFP

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Não foi apenas a eliminação para a limitadíssima seleção do Paraguai: com ela, o Brasil não só deixou a Copa América como também perdeu a vaga- pela primeira vez em sua História- na próxima Copa das Confederações (que costuma enganar para a Copa do Mundo), assim como não terá Neymar nos dois primeiros jogos das Eliminatórias.

É pouco?

Bem, ainda não é tudo. Em sua apresentação fracassada contra o Paraguai, 1 a 1 no tempo regulamentar- gols de Robinho e Gonzalez, este de pênalti, cometido por Thiago Silva- e derrota por 4 a 3 na decisão por pênaltis (desta forma, o Brasil fora eliminado pelos paraguaios na Copa América de 2011), a Seleção Brasileira cometeu erros imperdoáveis e espantosas declarações após o fiasco:

“Estou satisfeito com a campanha na Copa América” (Dunga)

“Não me lembro de ter colocado a mão na bola” (Thiago Silva)

Não entendo o que causou satisfação nesta campanha no técnico Dunga. É preciso, sempre , manter o otimismo?

E também estranho o esquecimento de Thiago Silva, que a câmera da tevê mostrou claramente o pênalti que cometeu, tocando a bola com a mão pelo menos uma vez, aliás um pênalti infantil, tolo, desnecessário. Por outras situações- o choro na Copa do Mundo antes de decisão por pênaltis-, deduz-se que Thiago, um dos mais altos salários do mundo-é para se perguntar se ele é um jogador ideal para a Seleção.

Assim como pode se discutir se não é muito pequeno o grau de exigência de Dunga para o tamanho da História da Seleção Brasileira. Vamos nos conformar coma terrível decadência?

Lembrando que  foi minimizada pelo médico Rodrigo Lasmar (“Todos puderam treinar, os jogadores já estavam bem melhores na hora do jogo” e por Robinho (“Isso não serve de desculpa, tínhamos de ganhar”), minimizada, repito, a tal virose eu acometeu vários jogadores da Seleção. Pelo que se disse, não houve séria interferência na atuação da equipe, a ponto de, no segundo tempo, o Brasil recuar como time pequeno diante de um adversário como o Paraguai.

Exemplo emblemático de como andamos mal na técnica e na tática: as semifinais terão quatro técnicos argentinos a dirigir as equipes: Jorge Sampaolli (Chile), Ricardo Gareca (Peru), Tata Martino Argentina) e Ramón Diaz (Paraguai).

Trata-se de uma simples coincidência?


A Argentina é a próxima. Ah, se o Brasil passar pelo Paraguai…
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Roberto Avallone

Foto: Marcos Brindicci / Reuters

Foto: Marcos Brindicci / Reuters

Tudo bem que a Argentina esteve melhor e perdeu gols no tempo normal do jogo contra a Colômbia. Mas são tantos os seus craques do meio-campo para a frente, inclusive o Messi melhor jogador do mundo, que não pode encantar essa campanha na Copa América, tão escasso é o costume de visitar as redes inimigas.

Messi foi até melhor do que em outras partidas, movimentou-se e até fez marcação nos adversários, mas que me desculpem seus fãs incondicionais- que gostam dele, jogue bem ou nem tanto assim- onde está aquele jogar maravilhoso e implacável, que descobria o jeito de  fazer gols nas mais complicadas circunstâncias?

De qualquer maneira, a Argentina está classificada para as semifinais. Venceu os colombianos na decisão por pênaltis, decisão arrastada, 5 a 4, com algumas cobranças desperdiçadas, tanto que o técnico argentino, Tata Martino (que já dirigiu o Barcelona) deu a impressão de não passar muito bem depois da decisão, sentando-se no banco de reservas, aparentemente aliviado.

Mas seja como for, diante de seu enorme potencial, Messi está aí na Copa América, simplesmente para enfrentar agora o vencedor de Brasil e Paraguai, Um Brasil sem sua estrela maior, Neymar, mas  sempre a Seleção Brasileira (ops, não vale lembrar do 1 a 7 contra a Alemanha) e seu apetite voraz nos momentos mais difíceis.

Normalmente, no entanto, não é certeza sequer que o Brasil supere o Paraguai, neste sábado em Concepción. O Paraguai está longe de ser um supertime, é mais uma equipe que joga com o coração no bico da chuteira, mas é eficiente no jogo aéreo, tem Lucas Barrios em boa fase (deverá começar no banco de reservas, por questões físicas) e, convém lembrar, eliminou a Seleção Brasileira na última Copa América.

Mesmo assim, credito ao Brasil uma certa dose de favoritismo. Só que uma dose bem pequena, que não nos leva à certeza de nada.


Suspiros e saudades: Guerrero e seus gols, Valdivia e sua magia
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Roberto Avallone

Foto: Reuters

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1- Não há o que mexa mais com a cabeça do torcedor do que ver seus sonhos realizados não para o time que torce e sim com outras camisas. Começo por Guerrero, o peruano Paolo Guerrero, que deixou sua marca coma camisa do Corinthians em jogos importantes, sim (como por exemplo, o gol que deu o Mundial ao Corinthians contra o Chelsea), mas não com a intensidade exibida nesta noite de quinta-feira, diante da Bolívia- fez os três gols na vitória de 3 a 1, dois com os pés e o outro de cabeça.

Foi eleito o melhor em campo.

Mas agora, Guerrero é só uma lembrança para a torcida corintiana e um alento para a massa flamenguista, pois é no Flamengo que irá jogar após a Copa América. No mínimo, o artilheiro é uma boa esperança de o “Mengo” sair logo dessa incômoda zona do rebaixamento, que não combina coma história do clube.

Para o Corinthians, que não está tão mal na tabela, resta a esperança de contratar mesmo o colombiano Teófilo Gutierrez, da Seleção da Colômbia e do argentino River Plate, jogador habilidoso, embora não seja exatamente um centroavante de ofício.

Foto: Getty Images

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2-  Como joga  Valdivia na Seleção do Chile! Não que tenha deixado de às vezes ser mágico no Palmeiras, onde ficou por 7 anos (contando suas duas passagens pelo clube), pois sempre mostrou futebol de primeira ao lado de série enorme de lesões, principalmente musculares.

O torcedor do Palmeiras fica com a pulga atrás da orelha ao comparar que ele joga intensamente na Seleção do Chile- já foram três partidas seguidas na Copa América-com intervalo inferior a uma semana, coisa que não aconteceu em sua segunda passagem pelo Palmeiras (de 2010 até agora), embora na primeira passagem 2006 a 2008), o chileno tenha sido um primor tanto na parte técnica quanto na física.

De partida para o futebol dos Emirados árabes Unidos, onde vai jogar no Al Wahda após a Copa América, até que Valdivia tirou a sorte grande para um homem que irá completar 32 anos. Deverá ganhar muito dinheiro e o privilégio de morar na faraônica Dubai.

E ao Palmeiras resta encontrar, talvez dentro de seu próprio elenco, algum meio que faça não sentir-se órfão do Mago chileno.


Seleção Brasileira: agora, que venha o Paraguai!
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Roberto Avallone

Foto: Mowa Press

Foto: Mowa Press

Sem Neymar, que talvez esteja de fora de toda a Copa América (na terça-feira, teremos a resposta se punição pode ser reduzida), a Seleção Brasileira mudou um pouco o estilo de jogo, voltou a não encantar, mas bateu a Venezuela, por 2 a 1, e classificou-se em primeiro lugar em seu grupo.

Agora, em partida marcada para sábado, o Brasil vai enfrentar o Paraguai. Normalmente, ou em outros tempos, não seria tarefa das mais difíceis; no momento, porém, em que o futebol brasileiro anda distante de seu futebol que já foi de ouro e diante de jogos quase todos equilibrados na Copa América, o jogo contra os paraguaios Ganha contornos de verdadeiro clássico sul-americano e de desfecho imprevisível. Aliás, como simples lembrança, foi o Paraguai quem eliminou o Brasil na última Copa América.

Quanto à vitória sobre a Venezuela, também festejada como se fosse um clássico, chamou a atenção de que, sem Neymar, a Seleção de Dunga mudou o estilo de jogo, promovendo um verdadeiro rodízio de jogadores à frente ao invés de atuar com um homem fixo perto da área. Fez logo o primeiro gol, marcado por Thiago Silva, e, no segundo tempo, depois de bela jogada de Wiliam pela esquerda, Firmino chutou a bola para as redes.

Depois, Dunga encheu o time de zagueiros- David Luiz foi jogar de volante, Daniel Alves e Marquinhos ocupavam o lado direito- e o time piorou. Piorou e animou a Venezuela que, alcançou o seu gol improvável, através de Miku 2 a 1 e fim de papo, sem brilho e nem lantejoulas para uma Seleção Brasileira sem Neymar e sem nenhum outro astro que pudesse substituí-lo. Sinal dos tempos.


A estreia de Marcelo Oliveira: derrota. Ricardo Oliveira: a vitória de quem sabe
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Roberto Avallone

Foto: Edu Andrade

Foto: Edu Andrade

1- Esperava-se muito mais do Palmeiras na estreia de Marcelo Oliveira, técnico bicampeão brasileiro. Na verdade, a derrota para o Grêmio, em Porto Alegre por 1 a 0 (golaço de Maikon, ex- São Paulo) apenas escancarou que, apesar dos esforços da cúpula do futebol palmeirense, o Palmeiras ainda é só um elenco numeroso, mas não um time de muita qualidade.

Pode ser apenas uma fase ruim de alguns jogadores, pode ser. Mas o fato é que vários andam devendo e jogando menos do que podem. Exemplos? Um deles é Arouca, outro é Cleiton Xavier, outro é Dudu- os três renomados, que já viveram dias mais felizes, mas que não vêm conseguindo exibir o futebol que se esperava.

Mais detalhes negativos? Sim, existem: o zagueiro de área pela direita, Vítor Ramos às vezes é um jogador desengonçado, facilmente batido na corrida, sem pose para ser o titular; Rafael Marques, bom jogador, exímio cabeceador, se não gosta de jogar como centroavante, que pelo menos fique perto da área, onde pode ser útil- e não na ponta-direita, pois lá já se sabe que não rende.

Tudo bem que Lucas Barrios está chegando e pode ser o homem que falta ao ataque, assim como Leandro Almeida está para chegar e mandar V Vitor Ramos para a reserva. Mas é preocupante, que na oitava rodada do Brasileirão, o Palmeiras ainda sofra com problemas de entrosamento e de padrão de jogo, pois já houve tempo, se não de chegar ao ideal, pelo menos de ter mais consistência.

Foto:  Ari Ferreira

Foto: Ari Ferreira

2- Conheço Ricardo Oliveira desde os tempos em que ele defendia os juniores da Portuguesa, na Copa São Paulo. Era meia-esquerda, depois transformou-se em centroavante e até hoje, aos 34 anos, é um autêntico matador, que é como se chama um implacável fazer de gols.

E foi ele, Ricardo, quem deu a vitória ao Santos sobre o Corinthians, na Vila Belmiro, ao chutar forte da esquerda, embora contasse, ainda, com a falha do goleiro Cássio. Transformou-se no herói da partida.

Partida que foi dominada pelo Santos no primeiro tempo, mas que, pela etapa final corintiana, não teria sido uma injustiça se o Corinthians acabasse empatando, com as duas bolas nas traves santistas.

Convém lembrar, no entanto, que o Santos jogou sem suas duas maiores estrelas, Robinho e Lucas Lima, o que tira boa parte de suas forças; o Corinthians, por sua vez, vive um processo de certo desmanche, com a saída de alguns jogadores e indefinições de outros.

A resposta talvez esteja no público, pequeno demais para um clássico como Santos e Corinthians.


Lucas Barrios, Ganso e o Mercado da Bola
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Roberto Avallone

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Lucas Barrios, centroavante argentino e naturalizado paraguaio, acabou de vez com o suspense ao anunciar pelas redes sociais que jogará mesmo no Palmeiras após a Copa América. Se jogar como o fez no Colo- Colo (do Chile) ou no Borussia Dortmund (da Alemanha) será um reforço de alto nível para o ataque palestrino.

Aos 30 anos, 1 metro e 87 de altura, não devendo pesar mais do que 84 quilos, Barrios é bom driblador, chuta de direita e de esquerda- de canhota fez o gol de empate do Paraguai diante da Argentina, sábado passado- e quem acompanhar o vídeo de seus melhores momentos perceberá que ele aprendeu a cabecear, aproveitando a estatura- coisa que só fazia raramente.

Como além de Barrios o Palmeiras contratará um zagueiro bem recomendado, Leandro Almeida, até há pouco capitão do Coritiba, se o técnico Marcelo Oliveira tiver sorte terá tudo com esses 24 reforços do ano para extrair do numeroso elenco um belo time.

Por sorte, quero dizer também ser feliz na escolha dos jogadores titulares.

Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

1- Não sei se o São Paulo fará bom negócio se ceder às tentativas do Flamengo em levar para a Gávea o meia- esquerda Paulo Henrique Ganso. Para o jogador talvez seja atraente atuar em um futebol tradicionalmente mais lento do que o paulista e, se acertar o passo, tornar-se ídolo da maior torcida do Brasil. Talvez seja. Mas creio que Ganso poderia, mesmo jogando no tricolor, frequentar mais a área inimiga- como fazia muitas vezes no começo da carreira- ou dedicar-se ainda mais à marcação.

Pois talento, todo mundo sabe que Ganso tem de sobra, tanto no lançamento medido como no chute certeiro ou no drible em pequeno espaço. Por palpite, mero palpite, acredito que Ganso voltará a ser Ganso.

Imagem: Reprodução

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2- Quer dizer que agora é a vez de Fábio Santos sair do Corinthians? Ainda não está totalmente certo o negócio, mas o mexicano Cruz Azul tem boas chances de levar o lateral-esquerdo- tanto que o técnico Tite nem conta com ele para o clássico com o Santos.

Custa acreditar que esse desmanche esteja acontecendo no Corinthians, que já perdeu “Sheik” e Guerrero, está para perder Fábio Santos e não se sabe se Ralf fica e qual é a verdadeira situação de Elias. “Pode ser até que não se concretizem as saídas, que fiquem apenas em “Sheik” (pelo salário alto, pela idade) e Guerrero (por questões financeiras), mas como disse Renato Augusto em uma de suas entrevistas “se o desmanche for maior, será duro brigar lá em cima”.

Com tudo isso, o Corinthians está entre os quatro primeiros colocados. Mas o Campeonato é longo, estamos chegando só na oitava rodada. Todo o cuidado é pouco.


A  pior noite de Neymar. E a primeira derrota de Dunga
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Roberto Avallone

Foto: Reuters

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Não me lembro de ter visto Neymar tão mal quanto nesta derrota para a Colômbia, por 1 a 0 (gol de Murillo): errava os dribles, os chutes e parecia não ter nenhum controle sobre seus nervos, tanto que tentou desferir uma cabeçada em um adversário, foi empurrado por trás e levou o cartão vermelho.

Ah, antes já tinha levado um cartão amarelo que já o tiraria do jogo contra a Venezuela. É muito, pois não?

Por coincidência, a péssima noite de Neymar coincide com fatores extracampo, pois ele virou réu na Espanha (a Justiça espanhola acatou as denúncias) por supostas irregularidades em sua transferência para o Barcelona, o que deve no mínimo causar dor de cabeça a ele a ao seu estafe.

Tudo isso, mais o fim de uma temporada estafante, onde Neymar ganhou tudo com o Barcelona, é capaz de tirar o jogador do sério, ainda mais se ele tem, como se sabe, a incumbência de carregar a Seleção nas costas. Nem Pelé sentia tanto peso, pois seus companheiros também tinham lá as suas qualidades e quando o Rei não pode estar em campo, na Copa do Mundo de 1962- por coincidência no Chile onde se disputa a Copa América- tivemos um Mané Garrincha infernal e um Amarildo em grande fase para suprir a ausência do maior jogador.

E agora, quem temos para compensar a falta de Neymar?

O erro está aí, a “Neymar-dependência”. Foi assim contra a Colômbia. A Seleção Brasileira jogou muito mal e como não tinha um Neymar em condições plenas para enfrentar, a Colômbia foi dominando o meio-campo, levando o jogo na manha e até mereceu vencer. Ou, se o amigo preferir, o Brasil mereceu perder.

Simples assim. E lá se foi a invencibilidade da nova Era Dunga, técnico que tinha 11 vitórias em 11 jogos. Números impressionantes, mas que nem sempre vinham acompanhados de bom futebol. E que eram conseguidos na conta de Neymar.

Se Neymar for punido, como será? Que o futebol brasileiro aprenda a não depender mais de um só craque.


Palmeiras, de virada. Seleção: vitória de Neymar. E o adeus ao grande líder
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Roberto Avallone

Foto: Marco Ribolli

Foto: Marco Ribolli

1- Disputando um bom segundo tempo, o Palmeiras venceu o Fluminense, de virada (2 a 1) e saiu da zona do rebaixamento para o décimo-segundo lugar no Campeonato Brasileiro. A vitória foi justa, pois o Flu foi encurralado na etapa final e teve duas expulsões justas- Magno Alves por ter desferido um pontapé em Gabriel e Gum (no lance que originou o gol da vitória, no finzinho do jogo) ter colocado a mão na bola na entrada da área.

É verdade que o Fluminense jogou sem Fred, Vagner e Wellington Silva, mas essa competição é assim mesmo, desfalques para todos os lados e prevalece a força dos elencos. O Flu saiu na frente com um chute forte, de fora da área, de Jean, ficando, depois, encolhido e arriscando no contra-ataque. No último minuto do primeiro tempo, no entanto, Cleiton Xavier (que nada fizera até então), bateu um escanteio perfeito, de curva, para Rafael Marques, na primeira trave, de codtasd para o gol, empatar o jogo.

E na etapa final, já com Alecsandro em campo- no lugar de Zé Roberto, que não estava bem- para ser o homem de referência ao ataque, o Palmeiras virou um furacão em cima do Flu, criando chances e mais chances de marcar. Estava afobado, porém. Aí entraram Robinho, no lugar de Cleiton Xavier, e Cristaldo, saindo Arouca. E coube ao argentino Cristaldo o gol da vitória, no finzinho do jogo: Egidio cobroua falta da entrada da área, Diego Cavalieri rebatu, Cristaldo cabeceou na trave e, no rebote, ele mesmo, de joelho, decretou a primeira vitória do Palmeiras em seu estádio neste Campeonato.

O que significou esse triunfo? Pode ter sido o começo de uma reação, da retomada da autoconfiança, em um Campeonato cheio de perigos e de jogos difíceis. E quais foram os destaques palestrinos? Em minha opinião, o melhor do time e do jogo foi o volante Gabriel, incansável na marcação e capaz de alimentar o ataque; em seguida, escolheria Rafael Marques, excelente cabeceador e sempre perigoso.

Quanto ao estreante Alecsandrro, diria que teve uma atuação discreta, mas com certa importância ao fazer o papel de pivô e ser o homem de referência do ataque, dentro da área. Como destaque negativo, o estado do gramado, que não condiz com a beleza do estádio.

Foto: AFP

Foto: AFP

2- Neymar, mais uma vez, salvou a Seleção Brasileira.Não foi boa a nossa estreia na Copa América, com futebol sem atacantes definidos e poucas chances de gols criadas. Enquanto resultado, porém, graças a Neymar o triunfo aconteceu- e de virada: logo aos dois minutos, Cueva fez 1 a 0 para o Peru; em seguida, aos quatro minutos, de cabeça Neymar empatou;.

E na etapa final, como sempre o melhor do time- embora não tenha apresentado atuação espetacular-, Neymar desequilibrou e decidiu o jogo. Depois de quase marcar um gol, cara a cara com o goleiro, a estrela da Seleção fez belíssima jogada pela esquerda- dentro de sua carcaterística- e descobriu Douglas Costa livre, encoberrto pelos zagueiros. Douglas finalizou com sucesso e decretou: Brasil2, Peru 1.

Curioso: o futebol da Seleção não empólga, mas esta equipe3 comandada por Dunga tem 11 vitórias em 11 jogos. 100 por cento de aproveitamento. Números nada desprezíveis, reconheçamos, embora deva ser maior a qualidade de nosso jogo.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

3- E lá se foi o grande Zito, aos 82 anos, levando com ele segredos do futebol e de liderança. Zito foi um dos melhores volantes de todos os tempos, que defendia e atacava com raça e sabedoria, bicampeão do mundo pela Seleção Brasileira e pelo Santos. Líder, explosivo, nem Pelé contestava a sua liderança e aceitava, com humildade, os gritos do capitão Zito. Insaciável ganhador: “Não se pode perder tantos gols como estamos perdendo. De jeito nenhum!”– bradou.

Sabe quando esse brado, segundo a lenda parcialmente confirmada quando estivemos juntos, há pouco mais de um ano, em um debate. Quando o Santos já vencia por 6 ou 7 a 0 no primeiro tempo e venceu o Botafogo de Ribeirão Preto de 11, 8 gols de Pelé.

 Arte/Montagem: Valéria Simeão

Arte/Montagem: Valéria Simeão

Não era cabeça-de-área e suas arrancadas tinham mais um suor generoso do que firulas, como aconteceu na final contra a Checoslováquia, em 1962, quando iniciou a jogada e aproveitou, de cabeça, mandando a bola para o fundo das redes, em nosso segundo gol. Gênio da transpiração. No Santos, várias vezes, trocava de posição com Mengálvio para, de surpresa, liquidar o inimigo. Além, é claro, de gritar com os atacantes e alimentar com precisão, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Quer dizer; a melhor equipe que vi jogar.

Depois de encerrar a carreira, Zito revelou-se grande garimpeiro de novos talentos, levando para o Santos, simplesmente Neymar. Isso, depois de ver Robinho, Diego e outros tantos.

Do jeito que sempre foi, é bem capaz de Zito, lá em cima, arrumar um time para comandar e vencer.

Quem há de duvidar?


Palmeiras, de virada. Seleção: vitória de Neymar. E o adeus ao grande líder.
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Roberto Avallone

 1- Disputando um bom segundo tempo, o Palmeiras venceu o Fluminense, de virada (2 a 1) e saiu da zona do rebaixamento para o décimo-segundo lugar no Campeonato Brasileiro. A vitória foi justa, pois o Flu foi encurralado na etapa final e teve duas expulsões justas- Magno Alves por ter desferido um pontapé em Gabriel e Gum (no lance que originou o gol da vitória, no finzinho do jogo) ter colocado a mão na bola na entrada da área.

É verdade que o Fluminense jogou sem Fred, Vagner e Wellington Silva, mas essa competição é assim mesmo, desfalques para todos os lados e prevalece a força dos elencos. O Flu saiu na frente com um chute forte, de fora da área, de Jean, ficando, depois, encolhido e arriscando no contra-ataque. No último minuto do primeiro tempo, no entanto, Cleiton Xavier(que nada fizera até então), bateu um escanteio perfeito, de curva, para Rafael Marques, na primeira trave, de costas para o gol, empatar o jogo.

E na etapa final, já com Alecsandro em campo- no lugar de Zé Roberto, que não estava bem- para ser o homem de referência ao ataque, o Palmeiras virou um furacão em cima do Flu, criando chances e mais chances de marcar. Estava afobado, porém. Aí entraram Robinho, no lugar de Cleiton Xavier, e Cristaldo, saindo Arouca. E coube ao argentino Cristaldo o gol da vitória, no finzinho do jogo: Egidio cobrou a falta da entrada da área, Diego Cavalieri rebatu, Cristaldo cabeceou na trave e, no rebote, ele mesmo, de joelho, decretou a primeira vitória do Palmeiras em seu estádio neste Campeonato.

O que significou esse triunfo? Pode ter sido o começo de uma reação, da retomada da autoconfiança, em um Campeonato cheio de perigos e de jogos difíceis. E quais foram os destaques palestrinos? Em minha opinião, o melhor do time e do jogo foi o volante Gabriel, incansável na marcação e capaz de alimentar o ataque; em seguida, escolheria Rafael Marques, excelente cabeceador e sempre perigoso.

Quanto ao estreante Alecsandro, diria que teve uma atuação discreta, mas com certa importância ao fazer o papel de pivô e ser o homem de referência do ataque, dentro da área. Como destaque negativo, o estado do gramado, que não condiz com a beleza do estádio.

2- Neymar, mais uma vez, salvou a seleção brasileira. Não foi boa a nossa estreia na Copa América, com futebol sem atacantes definidos e poucas chances de gols criadas. Enquanto resultado, porém, graças a Neymar o triunfo aconteceu- e de virada: logo aos dois minutos, Cueva fez 1 a 0 para o Peru; em seguida, aos quatro minutos, de cabeça Neymar empatou.

E na etapa final, como sempre o melhor do time- embora não tenha apresentado atuação espetacular-, Neymar desequilibrou e decidiu o jogo. Depois de quase marcar um gol, cara a cara com o goleiro, a estrela da seleção fez belíssima jogada pela esquerda- dentro de sua característica- e descobriu Douglas Costa livre, encoberto pelos zagueiros. Douglas finalizou com sucesso e decretou: Brasil 2, Peru 1.

Curioso: o futebol da seleção não empolga, mas esta equipe comandada por Dunga tem 11 vitórias em 11 jogos. 100 por cento de aproveitamento. Números nada desprezíveis, reconheçamos, embora deva ser maior a qualidade de nosso jogo.

3- E lá se foi o grande Zito, aos 82 anos, levando com ele segredos do futebol e de liderança. Zito foi um dos melhores volantes de todos os tempos, que defendia e atacava com raça e sabedoria, bicampeão do mundo pela Seleção Brasileira e pelo Santos. Líder, explosivo, nem Pelé contestava a sua liderança e aceitava, com humildade, os gritos do capitão Zito. Insaciável ganhador: “Não se pode perder tantos gols como estamos perdendo. De jeito nenhum!”– bradou.

Sabe quando ele disse isso, segundo a lenda parcialmente confirmada quando estivemos juntos, há pouco mais de um ano, em um debate? Quando o Santos já vencia por 6 ou 7 a 0 no primeiro tempo e venceu o Botafogo de Ribeirão Preto de 11, 8 gols de Pelé.

Não era cabeça-de-área e suas arrancadas tinham mais um suor generoso do que firulas, como aconteceu na final contra a Checoslováquia, em 1962, quando iniciou a jogada e aproveitou, de cabeça, mandando a bola para o fundo das redes, em nosso segundo gol. Gênio da transpiração. No Santos, várias vezes, trocava de posição com Mengálvio para, de surpresa, liquidar o inimigo. Além, é claro, de gritar com os atacantes e alimentar com precisão, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Quer dizer; a melhor equipe que vi jogar.

Depois de encerrar a carreira, Zito revelou-se grande garimpeiro de novos talentos, levando para o Santos, simplesmente Neymar. Isso, depois de ver Robinho, Diego e outros tantos.

Do jeito que sempre foi, é bem capaz de Zito, lá em cima, arrumar um time para comandar e vencer.

Quem há de duvidar?