Blog do Avallone

Arquivo : março 2014

Os culpados pela tragédia do Palmeiras. E a decisão do Campeonato
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Roberto Avallone

 Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

1- Não me lembro exatamente do título e creio que o redator tenha sido o grande  Otoniel Santos Pereira. Mas dizia mais ou menos assim: ”Ar puro, muito verde, música suave. E você, morto”. Tratava-se de reportagem sobre a inauguração de um novo cemitério.

Nada a ver, mas me veio à cabeça algo parecido com a tragédia do Palmeiras, eliminado em pleno Pacaembu pelo valente e modesto Ituano (folha de pagamento em torno dos 400 mil reais, equivalente  ao que provavelmente deve receber um só astro palmeirense) da final do Campeonato Paulista no ano de seu Centenário: “Pacaembu lotado, entra em campo o Alviverde Imponente, torcida que canta e vibra- e o Palmeiras eliminado!”

Sei lá quais serão as consequências desse vexame. O presidente Paulo Nobre já disse que Gilson Kleina fica, mas e  o ânimo da torcida? E o reflexo no programa de sócio- torcedor Avanti? E o prejuízo financeiro por não participar da decisão? E o sonho, até agora inatingível do patrocíno máster? Tudo isso é uma incógnita?

Perder, jogando bem, é uma coisa. Perder apenas por 1 a 0, é verdade, mas criando quase nada é outra. Logo vem à memória vexames históricos que, na vida desse Gigante Palmeiras, começaram a surgir dos anos ano para cá. Foi assim com o XV de Jaú (1985) Inter de Limeira, final de Campeonato Paulista!), Ferroviária de Araraquara (1990), Asa de Arapiraca (2002)… Na era Gilson Kleina, várias eliminações em mata-mata: Milionários, (em Bogotá), Tijuana (Taça Libertadores da América), Atlético Paranaense (Copa do Brasil, derrota de 3 a 0)

Será mera coincidência.

Culpados?

a) Entre eles, está o próprio Palmeiras, pois desde a saída da Parmalat para cá- exceção a um breve período de parceria com Traffic- jamais teve o poderio financeiro dos tempos de glória. Não conseguiu trazer, por  exemplo um lateral- direito, simples assim, já que conta apenas com o improvisado Wendel e  com Bruno Oliveira (que lida sempre com problemas físicos) para a posição. Contra o Ituano teve de jogar Tiago Alves, que não o melhor cacoete de lateral.  Não havia outra saída? Lamentável!

b) Gilson  Kleina: tem até as suas virtudes, pessoa simpática e com bom discernimento, mas não me parece talhado para jogos decisivos, pois pode parecer impressão minha, mas não vejo nos time que dirige nesses instantes, aquela pegada e aquele espírito vencedor.

Kleina, em minha opinião, comete erros de cálculo: ora, se Alan Kardec teve de sair por contusão, o mais lógico  seria deslocar Leandro para a sua posição e mais Vinicius, autor de pouquíssimos gols em sua carreira. Elementar, meu caro Kleina.

c) Bruno- já vou avisando que não cometeu nenhum frango ou falha gritante, entendido? Mas tenho a impressão que o  gol do Ituano,  que a bola chutada de longe por Marcelinho era defensável. Pelo menos para Fernando  Prass, seria.

d) O time: pode não ter faltado vontade, mas inspiração, ah, essa não existiu. E viver só de transpiração, mesmo assim  não tão intensa quanto requer uma decisão, ah isso  quer dizer que a inspiração andou em baixa.

E isso não é coisa de Palmeiras.

Foto: Ivan Storti

Foto: Ivan Storti

2-  Santos e Ituano decidirão, em dois jogos, o título de campeão paulista de 2014. Na vitória do Santos sobre o Penapolense, por 3 a 2, quem brilhou mesmo foi a estrela de Oswaldo de Oliveira: quando Santos perdia por 2 a 1, Oswaldo  lançou Rildo que, logo fez a jogada para o gol de Leandro Damião; depois, tirou o próprio Damião para fazer entrar em campo o menino Stéfano Iuri que, em seu primeiro toque na bola, marcou o gol da vitória santista.

Estrela e competência.

E agora lá vai o Santos em busca de mais um título paulista, a decidir com o Ituano, levando a condição de franco favorito.


Os melhores do Palmeiras na vitória que o fez semifinalista
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Roberto Avallone

Foto: Mauro Horita

Foto: Mauro Horita

Antes de falar dos jogadores, com as respectivas notas (o que dá sempre discussão), o jogo em si: o Palmeiras venceu sem sustos o Bragantino, por 2 a 0, gols de Alan Kardec  e Wesley, em placar que poderia ter sido até maior pelo bom segundo tempo palmeirense contra um adversário fechado e que mais pensava em se defender. Assim o Palmeiras espantou a zebra e é semifinalista, enfrentando,  no domingo o Ituano.

Vamos aos melhores do Palmeiras. Bem, em minha opinião, foram estes:

1- Alan Kardec, por ter sido decisivo. Fez um gol e rolou a bola, mansamente, para Wesley marcar o outro. Nota 9.

2- Valdivia, que foi o diabo no segundo tempo, com dribles , toques mágicos, etc. Só não leva nota maior porque tomou um cartão amarelo desnecessário(o seu segundo), que o deixa pendurado para os próximos jogos. 8.5.

3- Wesley, por ter marcado o segundo gol e caído bem pelos lados, apesar de alguns passes errados.8

4- Marcelo Oliveira, o que deu mais competência à saída de bola do Palmeiras (não tem nem comparação com Eguren), além de desarmar muito. Nota 7.5

5- Lúcio, o zagueiro que rebateu todas e ainda teve forças para apoiar o ataque. 7.5

Vêm logo a seguir, Juninho, em boa fase, nota 7; Fernando Prass, grande goleiro, sem muito trabalho,  mas sempre seguro, 7; Bruno César, mais entrosado, deu o belo chute que originou o escanteio que deu no gol de Alan Kardec, 6.5.

Foto: Ari Ferreira

Foto: Ari Ferreira

Destoaram: Leandro, bom jogador, mas que ainda não recuperou a forma do ano passado, com nota 6; Wendel, sempre dedicado, correto, mas pecando por não ocupar o lado direito do ataque, o que se explica por ser volante de origem- nota 5.5; Thiago Alves, rebatedor, é verdade, mas muito lento para jogar ao lado de Lúcio- nota  5.0.

E para o técnico Gilson Kleina, a nota fica um pouco menor  pelo fato de não ter resolvido, ainda, o problema do lado direito do ataque do Palmeiras. Talvez até por falta de opções. Nota 7.

O amigo pode concordar ou discordar à vontade. É só uma questão de opinião. Pois futebol não é matéria subjetiva?


O melancólico adeus do São Paulo. E o Santos, brincando de golear
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Roberto Avallone

Foto: Marcos Bezerra

Foto: Marcos Bezerra

1- Realista, o técnico Muricy Ramalho definiu  o adeus do São Paulo ao Campeonato Paulista, depois da eliminação para o Penapolense: ”Não merecíamos mais do que isso.  Fica difícil explicar. E perdemos nos pênaltis”.

Tudo bem. Mas é preciso encontrar explicação, sim, além daquela história já conhecida de que futebol é futebol, que tudo pode acontecer, coisa e tal. Não é tão normal que uma equipe composta por jogadores badalados jogue tão mal diante de um time modesto como o do Penapolense que, apesar disso, mostrou em muitos momentos do jogo mostrou-se mais organizado do que o adversário, levando sem sustos o empate de 0 a 0 no tempo normal.

E que mesmo na decisão por pênaltis esteve calmo, ao aproveitar as cinco cobranças, contra o erro de Rodrigo Caio e também o de Ganso- que apenas se redimiu após ter repetida a execução. A inferioridade tricolor é normal?

Não pode ser. Basta ver a atuação de Paulo Henrique Ganso, pífia durante toda a partida (não irá recuperar mais a antiga forma?) ou a de Luís Fabiano, totalmente dominado pelos zagueiros adversários, a ponto de não ter (pelo menos não me lembro) uma chance clara de gol, sequer.

Ganso, calmamente, analisou as dificuldades, ao dizer que “não conseguimos encontrar espaço par entrar na defesa deles”. Ora, a quem caberia encontrar tais espaços?

Fo heroico o Penapolense em sua classificação. E melancólico o São Paulo em seu adeus.

Foto: Ricardo Saibun

Foto: Ricardo Saibun

2- E o Santos, só para variar, goleou na Vila Belmiro, desta vez com os 4 a 0 sobre a Ponte Preta. Com os Meninos da Vila não tem conversa, não tem segredo: é jogar, driblar, usar a velocidade e fazer gols, sem dificuldades para encontrar espaços, líder com pressão e coisas parecidas. Seu futebol sobra no Campeonato.

Foi um tal de Geuvânio mostrar sua habilidade, de Leandro Damião dar passe de bicicleta, de os gols saírem naturalmente- Cícero, Geuvânio, Gabriel, Diego Cardoso e outros também poderiam deixar sua marca na alegre festa de jogar futebol.

Agora, é o Penapolense.


Contar com jogador do rival é a nova moda do Mercado da Bola?
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Roberto Avallone

A bola da vez agora é Wesley, que poderia sair do Palmeiras e ir para o São Paulo. Detalhe: se for no ano que vem, a partir de fevereiro, de graça. Normalmente, seria uma especulação a mais, pois não há confirmação oficial; hoje, no entanto, diante das circunstâncias, com o profissionalismo a todo vapor, a notícia não causaria nenhum espanto.

Depois da troca entre Corinthians e São Paulo, com Pato indo para o Morumbi- e ainda com metade do salário pago- e Jadson tornando-se o maestro corintiano, tudo ficou mais ameno, a rivalidade jogada para escanteio, um novo marco no futebol. Quem há de se espantar?

Daí surgem notícias como o suposto desejo do Corinthians por Alan Kardec, ídolo do Palmeiras, que são encaradas com naturalidade, ainda que não passem de especulações ou sejam embrionárias. Ah, o caso de Paulo Henrique Ganso do Santos para o São Paulo ainda que aqui tenha sido pago a multa- ou quase toda ela- em sinal de que os rivais podem conviver apesar dos negócios.

Em outros tempos, meu Deus! E não estou aqui fazendo a apologia do passado ou da lei do passe. Apenas relembro, em pitadinha histórica, que manter os principais jogadores era quase um dever dos clubes.

Se fosse para rival, então, nem pensar.

Foram vários os casos, sim. A História registra com espanto a saída de Zizinho do Flamengo para o Bangu (na época time de muito dinheiro), às vésperas da Copa do Mundo de 50, em transação que espantou o meio do futebol; já veterano, aos 36 anos, Jair Rosa Pinto trocou o Palmeiras pelo Santos; Claudio Cristóvão Pinho, beirando os 40 anos, saiu do Corinthians (depois de ser técnico por um ano) para jogar a sua última temporada pelo São Paulo; O grande goleiro Gylmar foi negociado pelo Corinthians para o Santos, em 1961, assim como Pagão, brilhante atacante do Santos foi desfilar sua arte no São Paulo.

Logo, existiam casos. Mas eram raros e aconteciam ou por divergências entre clube jogador, coisa assim. Mas não eram naturais.

Lembro também que Casagrande foi emprestado pelo Corinthians ao São Paulo, em 1984, onde fez furor ao lado de Careca, mesma trajetória de Mirandinha, centroavante corintiano que fez sucesso no Morumbi e foi até para a Copa do Mundo na Alemanha, em 1974, e continuou jogando bem até fraturar a perna em um jogo contra o América, em Rio Preto.

Agora trocar de rival pode estar virando moda. Nada tenho nada contra. Apenas relato as curiosidades.


Mercado da Bola: o Corinthians vai às compras, outros clubes também
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Roberto Avallone

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução

Enquanto rolam os jogos decisivos dos Estaduais, quem já está de fora, como por exemplo, o Corinthians, já anuncia que está em busca de um pacotão de reforços. Na moita, porém, os que ainda permanecem envolvidos nas disputas, discutem nos bastidores sobre o que pretendem:

1- Quem virá para o Corinthians? Leio que o presidente corintiano, Mário Gobbi, já declarou que tem dinheiro, sim, e que trará “de três a quatro reforços” para o Campeonato Brasileiro. Evidentemente, não disse quem.  Sabe-se, no entanto, que são quatro as posições a serem reforçadas, podendo, ainda, subir para cinco. Viriam um lateral-direito, um zagueiro e dois atacantes…

Ah, e um jogador de meio-campo? Seria Elias, velho conhecido de Mano Menezes, caso o Corinthians consiga dobrar o Sporting (coisa que o Flamengo) não conseguiu para ser, enfim, o volante capaz de fazer esquecer Paulinho, o que foi para a Inglaterra deixando saudades.

Não há nenhuma dica sobre o lateral-direito (há meses, ouvi falar de Luís Felipe, em briga judicial com o Palmeiras, mas agora não mais), nenhum indício sobre o zagueiro, mas há muitas especulações sobre os atacantes, desde Barcos- em suposta troca por Émerson “Sheik”, o que acho quase impossível- passando pelo atleticano André (ex- Santos), Nilmar, Wellington Nem e agora até por Alan Kardec. Este último se o Palmeiras não exercer o direito de compra junto ao Benfica.

A conferir.

2- O Palmeiras concentra seus esforços para viabilizar a contratação desse mesmo Alan Kardec, falado nos últimos tempos até para a Seleção Brasileira em caso de contusão de Fred ou Jô, e que vem sendo o jogador mais eficiente da equipe palmeirense. Não acredito que o Palmeiras irá perdê-lo, em todo o caso… Além disso, segundo velho pedido do técnico Gílson Kleina, deverá ser contratado um lateral-direito, sempre surgindo o nome, já batido, do paraguaio Moreira, de agrado do treinador.

3- O Santos anda em busca de um zagueiro-central, possivelmente do futebol argentino, ainda para ocupar a vaga do contundido (já faz tempo) de Edu Dracena, que era o líder da defesa, além de bom jogador.

E os outros clubes já miram seus alvos para o Campeonato Brasileiro. Com o devido sigilo.


Vai começar: Santos, Palmeiras, São Paulo ou zebra? E o jogaço!
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Roberto Avallone

1- Bem, daqui para a frente no Campeonato Paulista não tem perdão: quem vencer fica, quem for derrotado dará adeus à competição, pois chegou a hora do mata-mata- Santos e Ponte Preta, Palmeiras e Bragantino, São Paulo e Penapolense, Botafogo e Ituano brigarão pelo direito de disputar a semifinal.

E em sua opinião, amigo, quem desponta como favorito ao título?

Seja lá qual for o seu palpite, sabe-se que nesses jogos decisivos a vantagem de acumular mais pontos é muito pequena, só mesmo a de decidir em casa, pois em mata-mata tudo pode mudar em relação à primeira fase.

Tendo por base o clássico entre Santos e Palmeiras, vencido pelos santistas por 2 a 1 (gols de Neto, Thiago Ribeiro e Alan Kardec) deu para notar que a equipe de Oswaldo de Oliveira é disparada a de maior eficiência ofensiva, com a desejada velocidade no ataque, mesmo jogando sem Arouca- que começa bem as jogadas-, Cícero, Leandro Damião e até o veloz lateral Cicinho, que é quase um atacante. Sério candidato o Santos.

Por sua vez, o Palmeiras, dono da segunda melhor campanha da competição, sofreu diante do Santos no primeiro tempo. E muito. Foi visível a lentidão da equipe, especialmente no setor de Eguren e Thiago Alves, com extremas dificuldades para a saída de jogo, mais uma vez por culpa de Eguren, mais parecendo um abismo a distância entre os volantes e os meias  (Valdivia e Bruno César), decretando-se o isolamento dos atacantes (Alan Kardec, mesmo assim o melhor do time, e Leandro, apagado), fáceis presas dos zagueiros adversários.

No segundo tempo, ao mudar a sua postura, o Palmeiras melhorou, desperdiçou chances (Bruno César desperdiçou chance clara, depois de lançamento de Kardec, à frente do goleiro Aranha) fez o seu gol e poderia até ter empatado a partida. Mas ficou a sensação de que ainda falta algo para ser apontado como favorito. Talvez, quem sabe?

Não se pode descartar também a presença do São Paulo, que vem crescendo- derrota para o Ituano à parte- e que venceu o Botafogo, em Ribeirão Preto, por 2 a 0, jogando com os reservas, embora o adversário também tenha poupado muito de seus titulares. Nos momentos decisivos, pode pesar a experiência de Rogério Ceni, Luís Fabiano, Ganso, etc. E deve passar bem pela Penapolense. Olho no tricolor.

E a zebra? Fica por conta mais de Botafogo de Ribeirão Preto ou Ituano, em princípio. Lembrando que o Bragantino já foi campeão paulista (1990) e a Inter de Limeira (1986) também- esta, diante do Palmeiras, em dois jogos realizados no Morumbi. Não seria algo inédito, portanto, mas considero difícil.

Sei lá. A sorte está lançada.

2- O jogaço: Barcelona 4, Real Madrid 3. Que partida, meu Deus! Era um tal de Messi contemplar os companheiros com passes de Maestro (assim Iniesta fez o primeiro gol, assim Neymar recebeu a bola e sofreu o pênalti no terceiro), além de balançar por três vezes as redes inimigas; do outro lado era um tal de Di Maria e Benzema a criarem um inferno para os zagueiros do Barça, com Cristiano Ronaldo sempre à espreita- embora egoísta- de ser ainda mais goleador.

Um jogo emocionante, do começo ao fim. Capaz de dar aquela pontinha de inveja para nós, que já tivemos esse tipo de espetáculo e que agora o vemos pela tevê, em campos que não são os nossos.


Violência contra o Palmeiras, mistério no Santos. E o adeus ao capitão Bellini
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Roberto Avallone

1- Já não é a primeira vez que isso acontece, pois no jogo contra o Corinthians já houve confusão por parte de torcedores por ingressos. Agora, outra vez, o Palmeiras foi vítima da violência de alguns de seus torcedores, com direito a depredação da sede do Avanti e danificação dos computadores, impedindo assim que sócios-torcedores pudessem comprar os ingressos restantes para o clássico diante do Santos.

Concordo que ninguém é obrigado a ser sócio de nada. Mas me parece legítimo o direito de quem decidiu se associar receber o benefício da prioridade, numa espécie de acordo de compra e venda. E sem violência, sem essas cenas que já estão virando rotina no futebol- e na vida-, como se tudo estivesse a fugir do controle.

Temo que se não acontecerem logo punições exemplares para acontecimentos como esse e outros acontecimentos- com as providências que, por exemplo, livraram o futebol inglês dos violentos- caminhemos para um estágio sem solução. Na Argentina, leio que está até pior, pois com a proibição (não sei se em todos os jogos) ao comparecimento da torcida visitante, os barras bravas brigam entre eles, facção contra fação do mesmo clube.

Meu Deus!  Até quando?

2- O Santos faz lá os seus mistérios e não se sabe qual a equipe que o técnico Oswaldo de Oliveira mandará a campo contra o Palmeiras. Será um mistão? Na verdade, já se chegou à conclusão, como diz o próprio técnico, que ”o clássico é importante, mas não é decisivo”, pois logo em seguida virá a fase do mata-mata e essa sim determinará quem fica ou sai do Campeonato Paulista.

O que os técnicos não falam- e nem sei se estão pensando nisso- é que a tal vantagem de ser o líder geral da competição é quase nada, a não ser a tal história de decidir os jogos em casa, sem nenhum direito de aproveitar o acúmulo de pontos na decisão, indo para os pênaltis em caso de empate.

De qualquer maneira, tem a autoestima  preservada de quem for o vencedor e o velho princípio de que “para ser campeão não se pode escolher adversário”.

Pelo apetite ofensivo de Oswaldo de Oliveira, pelo embalo de Gilson Kleina e por tudo, creio que será um belo clássico.

Foto: Ormuzd Alves/Folha Imagem

Foto: Ormuzd Alves/Folha Imagem

3- E lá se foi, aos 83 anos, o grande capitão Bellini.  Hideraldo Luiz Bellini foi líder e capitão da melhor Seleção Brasileira que vi jogar (em filmes, na tevê Record, onde trabalhei, em 1981), espantando-me aquele futebol mágico: Gylmar, De Sordi (Djalma Santos, na última partida, contra a Suécia),Bellini, Orlando e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. Ah, que timaço aquele de 1958, o Brasil campeão do mundo pela primeira vez…

Bellini, além de líder, era zagueiro dos mais eficientes, sem firulas, mas duro na marcação e perfeito no cabeceio. Fez sua história no Vasco da Gama- onde colecionou títulos- e no São Paulo, mas ainda encerrou com dignidade a sua carreira no Atlético Paranaense.

Que Deus o receba, capitão.


Luciano alivia a crise corintiana. E o Flamengo corre sério risco na Libertadores
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Roberto Avallone

Foto: Rodrigo Coca

Foto: Rodrigo Coca

1- A performance do Corinthians em Feira de Santana esteve longe de empolgar. Mas com 2 a 0 no placar contra o Bahia de lá, a equipe de Mano Menezes eliminou a necessidade de um segundo jogo e também o esperançoso adversário da Copa do Brasil.

Já é alguma coisa depois da dura eliminação do Campeonato Paulista.

E o autor dos dois gols da partida foi Luciano, agora também o artilheiro do time na temporada com seis gols, menino de 20 anos que anda a prometer belo futuro. Seus gols foram sensacionais? Não.  Mas foram gols de quem estava no lugar certo, na hora certa, tanto no primeiro, quando Romarinho lhe enfiou a bola quase na pequena área ,como no segundo, quando, postado quase na linha do gol, conseguiu chutar a bola para o gol.

Embora comedido, Mano Menezes não deixou de elogiar Luciano: “A sorte premia quem se dedica”- disse o técnico, que o vem mantendo na equipe desde que, vindo ao Avaí, fez sua estreia já marcando gols.

Não sei até que ponto vai Luciano e nem mesmo será titular no Campeonato Brasileiro, pois fala-se nos bastidores sobre o interesse do Corinthians em contratar dois novos atacantes.  Sei, no entanto, que se trata de um jogador habilidoso e com bom senso de oportunismo; o que me parece virtudes suficientes para um começo, pois não?

Foto: Reuters

Foto: Reuters

2- Embora ainda dependa apenas de seus resultados, do jeito que vai o Flamengo pode ser eliminado da Libertadores ainda na fase de grupos. Agora, perdeu para o Bolivar, lá, por 1 a 0 (gol de Arce, ex- Corinthians) em pênalti que foi verdadeira lambança de Samir, o zagueiro que cometeu a façanha de escorrer sozinho na área.

É, o Fla não está nada bem na Libertadores. O que anda faltando? Bem, em minha opinião, quem faz falta mesmo é Elias, meio-campista que carregou o time nas costas no ano passado, parecia que ia ser contratado com certeza, mas nada. Elias não só dava respeito ao meio-campo como também vivia a marcar os seus gols, de fora da área ou perto do goleiro como um centroavante.

Pode até ser que o problema seja outro, sei lá. Continuo pensando, porém, que Elias é a chave do mistério.


Palmeiras e Santos: o duelo por qual vantagem mesmo?
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Roberto Avallone

Já vou avisando logo de cara que sou sempre a favor de se jogar para vencer. É o princípio do esporte, embora o Barão de Coubertin preferisse dizer que importante mesmo é competir. Além do que, o vencedor é ungido de moral, de autoconfiança, coisa e tal, para futuros duelos.

Reconheço, no entanto, que certas ocasiões são inusitadas. Como esse clássico de domingo entre Santos e Palmeiras, marcado para a Vila Belmiro: um empate bastará ao Palmeiras para ser o líder geral na fase de classificação do Campeonato Paulista: uma vitória dará o “título moral” da fase ao Santos, o melhor ataque da competição.

Já se respira um clima de decisão.

Só que, calma, muita calma nessa hora: qual a vantagem conferida pelo regulamento ao vencedor, o que suou e ralou durante toda uma fase para chegar lá? Bem, além de o fato de poder jogar em casa, quase nada, pois um empate levará a decisão para os pênaltis, sem se levar em conta os pontos antes acumulados.

E o pior é que no caso do primeiro colocado, é grande a possibilidade de ter enfrentar o São Paulo na semifinal até pela baixa pontuação do tricolor, enquanto o segundo colocado, numa projeção deverá enfrentar um time do Interior. O São Paulo é mais forte que a equipe interiorana, principalmente em jogo decisivo, tornando- se o tricolor uma parada dura e até mesmo uma ironia para “O Campeão da primeira fase”- seja lá qual for.

Em todo o caso, tem aquela tese que diz que “quem ser campeão, não escolhe adversário”. Assim, não vou desmerecer a importância do confronto dos dois melhores times do Campeonato até agora: o ofensivo Santos dos muitos gols e o equilibrado Palmeiras, dono da segunda defesa da competição e do segundo melhor ataque também.

Que façam um grande clássico!


Polêmicas e sonhos
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Roberto Avallone

1- Quanto às polêmicas, duas se destacam. Uma delas é a resposta de Muricy Ramalho à ironia de Mano Menezes, que não citou nome algum, mas  após a eliminação do Corinthians, deixou no ar misteriosa mensagem ao dizer que, mais ou menos, “cada um leva a sua consciência para o travesseiro na hora de dormir”.

Mesmo sem ter o nome citado, em programas de tevê, entre outras coisas, Muricy disse que dorme muito bem. E que tem a vida muito limpa. O que, creio, não se discute. E nem Mano Menezes, que é seu amigo já há algum tempo, quando treinava o Grêmio e o Muricy o Inter e moravam no mesmo prédio, em Porto Alegre.

Pazes à vista.

O que me parece bom, pois ambos são pessoas sérias e viveram apenas a turbulência do momento.

A outra polêmica é o duelo entre dois ex- grandes artilheiros, Romário e Ronaldo. Hoje deputado, Romário criticou duramente a FIFA a CBF e o COL, reservando uma dose para Ronaldo, que teria se comprometido a conseguir ingressos para deficientes, o que foi rebatido em forma oficial pelo Fenômeno, também de maneira dura, dizendo que Romário “por oportunismo à minha pessoa ou por ignorância” prefere desconhecer o que não está em suas mãos. E que embora lute por isso, om ingressos vindos via CBF, jamais prometeu aquilo que não pode cumprir.

Neste caso, as pazes entre os ex -goleadores não parecem tão próximas.

2- Quanto aos sonhos, eles não tardarão a agitar o Mercado da Bola. Daqui a pouco, os clubes partirão para os reforços, ainda que ofertas de qualidade andem raras no futebol brasileiro. E eliminado do Campeonato Paulista, o Corinthians pode sair na frente nessa busca, principalmente à procura de um lateral- direito, de um zagueiro de área para a reserva, de um centroavante e de um atacante que jogue pelos lados do campo.

Quem poderia ser? Ouvi especulações para o ataque: Wellington Nem, ex- Fluminense, seria o atacante para cair pelas beiradas, enquanto Nilmar- de novo!- e Barcos, um dos dois, para a camisa 9.

Contratações difíceis, verdadeiros sonhos. Por enquanto, só especulações.

Melhor esperar e conferir.