Blog do Avallone

Arquivo : julho 2013

Mais herói do que vilão, Ceni livrou o São Paulo de um vexame
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Roberto Avallone

Foto: Reuters

Rogério Ceni desperdiçou um pênalti no finzinho do jogo, ao chutar mais fraco do que deveria diante de um dos melhores goleiros do mundo, Neuer, que desviou a bola para a sua trave esquerda.  Ceni acabou o jogo como vilão?

Não, foi o herói do São Paulo ao trabalhar como goleiro, com as grandes defesas que permitiram ao tricolor perder só por 2 a 0 para o Bayern de Munique (gols de Mandzukic e Weilser), na partida em que poderia ter sido goleado, tal a superioridade dos alemães. No primeiro tempo, o resumo do jogo ficou com 16 finalizações do Bayern contra apenas uma (em chute de Aloísio) do tricolor, domínio que durou até o apito final.

Será o São Paulo o novo Doutor Retranca do futebol brasileiro- em estilo que lembra muito o do Juventus quando dirigido pelo mestre na matéria, Milton Buzetto-, aceitando suas limitações e abdicando do ataque- aliás, como já tinha feito diante do Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro? O futebol exibido pelo tricolor, contra a equipe dirigida por quem sempre foi um entusiasta do estilo brasileiro de jogar, Pep Guardiola, foi capaz de aborrecer mais do que a própria derrota.

E, repito, teria acontecido uma goleada do Bayern não fossem as intervenções de Rogério Ceni.

E importa menos o fato de o São Paulo ter de disputar o terceiro lugar dessa Audi Cup contra o Milan (derrotado por 5 a 3 pelo Manchester City) do que atemoriza o futuro da equipe, que voltará ao Brasil ainda mais desgastado para tentar fugir da zona do rebaixamento que ocupa no Campeonato Brasileiro.

A preocupação é grande.


Palmeiras: a magia de Valdivia, a liderança e a noite de San Gennaro?
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Roberto Avallone

Foto: Ari Ferreira

O ritual foi seguido corretamente: por precaução contra novas lesões, Valdivia ficou no banco de reservas até os 18 minutos do segundo tempo, quando o jogo contra o retrancado Icasa ainda estava duro e o Palmeiras vencia por 1 a 0- gol de Vinicius, convertendo o pênalti cometido em Leandro. E aí ficou fácil. Como está jogando Valdivia!

Seguindo o manual da Neurolinguística, ele foi a diferença que faz a diferença. Simplificando: Valdivia desequilibrou, participando das jogadas dos três outros gols- dois de Alan Kardec e um de Wesley– sendo que mais exatamente no quarto gol, fez jogada de gênio, passando por três atônitos zagueiros e rolando a bola para Kardec chutar para as redes.

Como prêmio, ganhou do centroavante um beijo na testa, de agradecimento. E da torcida, os gritos de seu nome, em verdadeira consagração. Antes, à tarde, Valdivia já fora premiado com sua convocação para a Seleção do Chile que fará um amistoso contra o Iraque.

Foto: Ricardo Matsukaw

Por justiça, é bom que se diga que o Palmeiras não foi apenas Valdivia. O goleiro Fernando Prass defendeu um pênalti em momento delicado, jogo ainda empatado e o Icasa surpreendendo por sua marcação. Alias, acho um goleiraço o Fernando Prass. O Palmeiras também teve Wesley em plena forma, assim como contou com o oportunismo de Alan Kardec, a segurança do zagueiro Vilson e um ou outro repente de Leandro.

E teve também uma noite de San Gennaro, quando tudo parece milagrosamente perfeito. Foi o que aconteceu com os concorrentes do Palmeiras pelo acesso: a derrota do Sport para o América Mineiro (5 a 0), o tropeço da Chapecoense diante do Ceará (3 a 1) o fiasco em casa do Joinville frente ao Boa Esporte (derrota por 3 a 2).

Uma combinação de resultados que faz não só Palmeiras retomar a liderança como também permite a distância de 6 pontos para o quarto e o quinto colocados, além de aumentar muito o seu saldo de gols em relação aos adversários.

Uma noite palestrina como há muito não se via.


No Palmeiras, os cuidados por Valdivia. No São Paulo, o filho do Doutor Sócrates. No Flu, o adeus de Abel Braga
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

1- Valdivia deve mesmo jogar contra o Icasa? De um lado, a constatação de que com ele o Palmeiras é outra coisa, tem muito mais qualidade: ele vem jogando bem e parece estar feliz, descontraído como há muito tempo não se via; por outro lado, o temor de uma sobrecarga que pode afetar seus músculos e manda-lo de novo para uma demorada ausência dos campos.

O que você faria, amigo? Levando em conta o adversário, que não chega a assustar, sendo que na sexta-feira o Palmeiras terá pela frente o Bragantino, historicamente mais “enjoado”, eu faria o seguinte: Valdivia por uma noite no banco de reservas, só entrando na partida se houver necessidade, oferecendo, assim, a Mendieta a chance de ritmo de jogo, além de resguardar o melhor do time- o chileno- para o duelo teoricamente mais difícil.

Parece-me a atitude mais sensata. Mas um amigo palestrino, que concorda com minha opinião, ressalta, com ênfase: ”Tudo bem, desde que o Valdivia esteja lá para qualquer complicação. O jogo contra o Guará também era fácil e deu no que deu”.

É, tem isso também.

2- O filho do inesquecível Doutor Sócrates- jogador genial- e sobrinho do ídolo tricolor, Raí, é o novo gerente de futebol do São Paulo. Ele se chama Gustavo Vieira, tem 34 anos, é advogado e pode encarar com sucesso essa sua nova missão profissional, com a juventude e a capacidade que dele se espera.

Sorte, Gustavo. Que seu trabalho seja, no mínimo, uma homenagem a pai e tio vencedores.

3- Abel Braga e Fluminense tiveram o desfecho mais do que esperado e anunciado: o fim da linha para o técnico, campeão brasileiro do ano passado, mas que em 2013 não acertou no comando do time: a equipe não foi longe na Libertadores e ocupa uma incômoda vaga na zona do rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Foram cinco derrotas consecutivas. Creio que nem Guardiola suportaria série tão implacável.


No Majestoso, o São Paulo parou o pior ataque do Campeonato. E pitadinhas da rodada
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Roberto Avallone

Foto: Eduardo Viana

Na fase em que está e na crise que vive, ocupando um dos lugares da zona da degola, não é preciso muito para que o São Paulo respire ares de esperança. E assim foi nesse empate de zero a zero com o Corinthians, em que o tricolor entrou muito mais para se defender, interrompendo uma assustadora série de oito derrotas consecutivas.

Daí que houve reclamação de Émerson “Sheik” que protestou contra o fato de o adversário “se defender com oito ou nove jogadores, pois aí fica difícil”. Ah, caro Sheik, não se esqueça, então, de quem tem sido difícil durante todo o Campeonato Brasileiro, quando nem todos os inimigos jogaram na retranca: o Corinthians, simplesmente, tem o pior ataque da competição (seis gols marcados em 9 jogos), pois foi superado pelo Náutico, que marcou três no Inter e agora tem sete gols.

Muito pouco.

E então, neste momento em que se analisa com espanto a fase do São Paulo, não deixa de ser igualmente surpreendente o pífio rendimento ofensivo corintiano, mesmo tendo jogadores valorizados como Pato, o próprio Émerson Sheik, o centroavante Paolo Guerrero e meias (Renato Augusto, Romarinho, Danilo) que também podem balançar as redes. Ora, seis gols em nove jogos?

Há quem suspeite ser a ausência de Paulinho, volante que chegava de surpresa na área inimiga, um dos motivos do fiasco. Pode ser uma das causas. A outra, é a monotonia do esquema tático adotado, dois meias, dois atacantes, blábláblá, sem surpresas ou nada que faça o time menos previsível.

É um caso a ser estudado. Mas que não pode passar batido, em branco, como se nada estivesse acontecendo.

PITADINHAS  DA  RODADA

1- Pela tevê, vi o clássico Flamengo 1, Botafogo 1, que levou mais de 50 mil pessoas ao Maracanã. Ao contrário de Seedorf, que considerou o resultado justo, penso que o Flamengo merecia melhor resultado, embora tenha feito o gol de empate no último lance da partida: o time de Mano Menezes teve dois gols anulados e, pelo menos um deles, foi em jogada normal como se viu na imagem congelada da tevê. O outro lance, não vou discutir. O curioso é que os três gols, entre o que valeu e os anulados, tiveram a autoria de Elias, ex- corintiano.

2- Surpresa foi a derrota do Inter, no Recife, para o Náutico, Nem tanto pelo revés, mas pelo placar: 3 a 0, em tarde que marcou a estreia do ex-palmeirense Maikon Leite na equipe pernambucana. Com isso, o Inter deixou a liderança para o Cruzeiro.

3- E por falar em Cruzeiro, eis que para virar líder teve de “carimbar” as faixas de seu arquirrival Atlético Mineiro, vencendo por 4 a 1. O que lava a alma cruzeirense embora se saiba que o Galo- o senhor da América- jogou apenas com seus reservas.


Palmeiras: na perda da liderança, os erros de Kleina. E o São Paulo já na zona da degola
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Roberto Avallone

O Palmeiras lá tem lá as suas desculpas para esse empate contra o Guaratinguetá (1 a 1) que lhe custou a perda da liderança para a Chapecoense e também a perigosa aproximação de concorrentes pelo acesso: o gramado ruim e um pênalti cometido sobre Valdivia, quando o jogo estava 1 a 0 (gol de Leandro).

Mas não são justificativas suficientes para o futebol tão pobre exibido diante de adversário tão limitado, que atuou com dez jogadores durante bom tempo (com a expulsão de Ruan) e, mesmo assim, obrigou o palmeirense Fernando Prass a fazer mais defesas do que o seu próprio goleiro, o ex-santista Saulo.

Quer dizer: o Palmeiras não foi superior e, em certos momentos, até pelo contrário.

Desse estranho panorama, pinço pelo menos dois erros importantes que vão para a conta do técnico Gilson Keina:

1- Ao não fazer o óbvio- escalar Henrique pela esquerda da defesa, onde rende mais- deixou a lentidão de André Luiz e o pouco poder de marcação de Juninho transformassem o lado esquerdo da defesa do Palmeiras em convite às arrancadas do Guará pelo setor. Por ali, nasceu o gol de empate (marcado por Douglas “Tanque’) e surgiram outras chances para o time da casa.

Não teria sido mais fácil escalar Vilson pela direita e Henrique pela esquerda? Elementar, meu caro Gilson Kleina.

2- Quando o jogo estava empatado em 1 a 1 e o Guará ficou com 10 jogadores, o que manda um manual basiquinho do futebol? Ora, que se jogue pelas pontas. E por que não a entrada de Ananias? Mesmo com um jogador a mais, até porque Luís Felipe e Juninho estavam mal, o Palmeiras não seguiu o manual e aceitou o jogo congestionado, sem reação.

Enfim, um empate e atuações- do técnico , inclusive- para o torcedor do Palmeiras esquecer e imaginar (ou fingir) que tudo não tenha passado de um pesadelo.

E  O  SÃO PAULO,  JÁ  NA  ZONA  DADEGOLA.

Não lhe bastasse a crise que vive, o São Paulo tem um motivo a mais para entrar pressionado no clássico com arquirrival Corinthians: com a vitória do Atlético Paranaense diante da Portuguesa (3 a 2, no Canindé), o São Paulo já está na zona do rebaixamento. E nem mesmo um empate garante sua saída dali , sendo necessária uma vitória. Que parece improvável.

E assim, creio que a viagem para Europa e Japão- que até parecia atraente há algum tempo- agora é um obstáculo a mais para a reabilitação da equipe no Campeonato Brasileiro. Voltar em posição incômoda no Brasileirão pode significar ainda mais pressão na já aflita turma de Paulo Autuori- técnico que ainda não sentiu o sabor de uma única vitória até agora e sua volta ao tricolor.

O jeito seria vencer o Corinthians neste domingo. Mas isso seria uma zebra, nada mais do que uma zebra em momento de medalhões afastados.


Corinthians e São Paulo, desta vez um clássico curioso. E o dilema sobre como escalar o Palmeiras
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Roberto Avallone

Imagem: Internet

1- Desta vez, a minha confiável fonte corintiana não me telefonou para falar de contratações. Não. A sua atual preocupação é a circunstância que envolve o clássico entre Corinthians e São Paulo:Se o Corinthians ganhar, vão dizer que ganhou do vento. Se perder, vai ficar feio, pelo momento do São Paulo que anda perdendo de todo o mundo”.

 “Só tem um jeito, uma única saída- arremata; é a gente ganhar de goleada”.

Não acredito em goleada, apesar do momento do tricolor, que teve nesta quinta-feira o pedido de demissão de seu diretor de futebol, Adalberto Baptista. Também não entro nessa de que clássico não tem favorito, pois é evidente a atual superioridade corintiana, além dos contratempos tricolores, com seus dois centroavantes, Luís Fabiano (machucado) e Aloísio (que recebeu o terceiro cartão amarelo), fora de combate.

O Corinthians é favorito, sim. Mas as zebras acontecem… E não se sabe o que esperar de uma equipe que já dá sinais de desespero pela proximidade da zona do rebaixamento, Dependerá, no entanto, de um quase milagre para sair vitorioso do Pacaembu.

Ah, que diferença de outros tempos quando havia equilíbrio entre os times e qualquer resultado poderia ser considerado normal.

Foto: Clayton de Souza

2- Como escalar o Palmeiras? É a pergunta que ouço, com frequência de torcedores palestrinos, ávidos por verem em campo os reforços recém-contratados. Com o time vencendo e Valdivia em boa fase, até entendo o técnico Gilson Kleina em manter os que estão jogando e armar esquema especial (com três volantes), para “El Mago” atuar livre, sem preocupação de marcar, quase como um terceiro atacante.

Mas, palpiteiro, confesso que montaria a dupla de zaga de outra forma: colocaria Vilson como zagueiro pela direita e Henrique pela esquerda, que é onde ele rende mais. Ah, e também jogaria com Leandro e Alan Kardec mais enfiados, recuando Vinicius para dar combate e, quando lançado, fazer as vezes de antigo ponta-esquerda, do jeito que ele gosta.

Aí, no caso, sacrificaria um dos volantes, desde que não seja Wesley, jogador que começa a justificar os 6 milhões de euros investidos por seu futebol. Agora, creio, vive o Palmeiras um doce dilema sobre quem escalar, pois o uruguaio Eguren e o habilidoso Mendieta estão aí, à espera de uma chance.


O Galo é o senhor da América. E no calvário do São Paulo, o realismo do capitão Ceni
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Roberto Avallone

Foto: AFP

O técnico do Atlético Mineiro, Cuca, estava com o estigma atravessado na garganta. E, já campeão da Libertadores da América, desabafou, emocionado; “Diziam que o Atlético era azarado, que eu também era. Agora quebramos tudo isso!”.

Ronaldinho Gaúcho também não deixava por menos: “Falaram que eu estava acabado para o futebol. Falem agora, falem…”.  E o presidente do Atlético Mineiro, o ousado Alexandre Kalil, oferecia o título ao pai, já falecido, Elias Kalil: “Esse título é do papai. Ele me ensinou a conhecer o tamanho desse clube. Foi o maior presidente da História do Atlético”.

Bem, estas foram apenas somente algumas das cenas de emoção que tomaram conta do Atlético Mineiro e de sua apaixonada torcida, após a conquista da Libertadores– com renda superior a 14 milhões de reais- com o triunfo diante do paraguaio Olimpia, no Mineirão. Justa vitória, apesar do sofrimento, com 2 a 0 no tempo normal, empate sem gol na prorrogação e 4 a 3 na disputa por pênaltis em que Victor, mais uma vez, não deixou de fazer a sua defesa.

Poderia ter sido vitória menos tensa, pois o Atlético tem muito mais time do que Olimpia- quinto colocado no último campeonato paraguaio-, encontrando dificuldades, no entanto, para furar a barreira adversária, embora jogasse toda a prorrogação com um jogador a mais (Manzur fora expulso). A superioridade atleticana ficou nos gols de Jô e Leonardo Silva, graças às belas defesas do goleiro Martin Silva (uruguaio) e ao evidente nervosismo dos jogadores do galo.

À esta altura do Campeonato, porém, esses são meros detalhes. O que fica é a conquista inédita do Atlético e a chance agora de enfrentar o poderoso Bayern de Munique no Campeonato Mundial de clubes.

O Galo é o senhor da América!

O  CALVÁRIO  DO  SÃO PAULO

Foto: Bruno Santos

Normalmente, perder do Inter de Porto Alegre não é nenhum desastre. Neste momento, no entanto, a derrota do São Paulo para o Colorado, por 1 a 0(gol de Leandro Damião) é mais uma cena do calvário tricolor, que agora acumula 11 jogos sem vitória, oito derrotas consecutivas.

Um horror!

E o capitão Rogério Ceni, antes acostumado às grandes conquistas, foi realista após mais uma derrota: “Este Campeonato, a gente joga para se salvar”. Deduzo que a salvação seja não correr o risco de rebaixamento, pois o Brasileirão é implacável para os que perdem- e esta série do São Paulo é negativa como jamais vi desse clube em minha carreira. Tanto que se o técnico não se chamasse Paulo Autuori, mesmo recém-chegado já estaria na berlinda após quatro derrotas em quatro jogos.

E a situação é ainda mais preocupante porque no domingo, no Pacaembu, o tricolor terá pela frente seu maior carrasco os últimos tempos: o Corinthians!

Vida dura…


Luís Ricardo no São Paulo: virão outros reforços para espantar a crise? E o adeus ao Mestre Djalma Santos
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Roberto Avallone

Não deve passar desta quarta-feira a contratação do lateral-direito (ex-centroavante) Luís Ricardo pelo São Paulo. Já está tudo praticamente certo. É uma boa? Tenho lá as minhas dúvidas, pelas dificuldades que o jogador mostra na marcação, embora seja visível a sua qualidade no apoio ao ataque.

E, pelo menos uma tentativa. Mais do que isso, um indício de que o tricolor tentará enfrentar a maior crise de sua História com novas contratações. Aliás, uma política que já vem adotando, mas que, ao contrário de outros tempos, os reforços dificilmente rendem o esperado: eis o caso de Paulo Henrique Ganso, negociado a preço de astro (pelos padrões brasileiros) que não consegue convencer: ou o de Luís Fabiano, repatriado com euforia, para ser hoje definido como ”atacante sem mobilidade”; ou o caso de Cortez- emprestado ao Benfica-ou o de Clemente Rodriguez, que vivia má fase no Boca Juniors e que vive início pouco promissor.

O São Paulo perdeu o manual de acertar nas aquisições? É um mistério que não foi desvendado.

Em todo o caso é preciso ousar, insistir. Porque ficar lamentando os erros e flertar com a zona do rebaixamento seria pedir por crise ainda mais profunda, o que não é a característica desse clube vencedor.

Aos reforços, pois!

ADEUS, MESTRE  DJALMA

Djalma Santos, então jogador do Palmeiras, exibe flâmulas dos títulos conquistados. Acervo UH/Folhapress

Há pouco tempo escrevi sobre ele, Djalma Santos– o maior lateral-direito que vi jogar- com quase certeza de que ele daria um chapéu na sua crise de  saúde e, como nos velhos tempos, sairia por bom tempo ainda pela vida como se nada tivesse acontecido.

Desta vez, não deu. E lá se foi  Mestre Djalma, aos 84 anos, para os mistérios do outro lado. Deixa legado imbatível de sua vida de craque: mais de 100 jogos pela Seleção Brasileira, quatro Copas do Mundo disputadas (1954, 58, 62 e 66), a arte a desfilar pela Portuguesa, pelo Palmeiras, pelo Atlético Paranaense. E aquele imã que fazia a bola procurá-lo, tal o senso de colocação, além das brincadeiras com suas embaixadinhas e os chapéus que costumava aplicar nos pontas adversários.

E saía jogando, como se nada tivesse ocorrido. No fundo, era um gozador.

Quem sabe se, lá em cima, ele possa se reencontrar com o inesquecível Julinho Botelho, seu maior amigo e parceiro na Portuguesa, na Seleção Paulista, na Seleção Brasileira e no Palmeiras. Mais para contrariar os tempos e o temor de que, por mais belo que seja, tudo acabou e pronto.

Mestre Djalma não pode, simplesmente, ter morrido. Deve ter descoberto algum atalho do campo- como fazia-para se divertir um pouco mais.

Foto: Eduardo Nicolau


O milionário mundo do outro Mercado da Bola. E o argentino que vai comandar o Barça
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Roberto Avallone

Encerrada a janela de transferências internacionais para o Brasil, agita-se cada vez mais o Mercado da Bola europeu. E parece ser de outro mundo, milionário e sem limites, fazendo com que pareçam pechinchas as contratações fechadas pelos clubes sul-americanos- inclusive os brasileiros- embora dê a impressão de extrema ousadia a façanha do Inter de Porto Alegre, por exemplo, ao trazer o ótimo atacante Ignacio Scocco, por 14 milhões e 500 mil reais. Eis os destaques:

1- Higuain, centroavante argentino que não é nenhum grande craque, está sendo disputado a peso de ouro e pode trocar a qualquer momento o Real Madrid (que pensa no uruguaio Luis Súarez) pelo Napoli ou pelo futebol inglês. O preço? Mais de 100 milhões de reais.

2- A imprensa europeia já dá como certa a compra de Bernard, do Atlético Mineiro, pelo inglês Arsenal. Preço: 73 milhões de reais. Ele deve se apresentar até sexta-feira ao novo clube.

3- Respaldado pela santa graninha obtida com a venda do uruguaio Cavani para o Paris Saint Germain (188 milhões de reais), o Napoli- se não conseguir Higuain, o preferido- deverá aumentar a sua proposta para tirar o centroavante Leandro Damião do Inter. O brasileiro custa mais barato, coisa em torno dos 75 milhões de reais. Meu Deus!

4- Diante desses preços, de uma Europa dita em recessão econômica, pode-se até pensar que Neymar saiu bem baratinho do Santos. Mas é bom que se lembre: ele tinha só mais um ano de contrato a cumprir e se não saísse agora, acabaria indo de graça para o Barcelona.

MARTINO,  O  QUARTO  ARGENTINO A DIRIGIR  O  BARÇA

Getty Images

Embora ainda não tenha sido anunciado oficialmente (até o momento em que escrevo), o argentino Gerardo “Tata” Martino já é o novo técnico do Barcelona, segundo a imprensa espanhola. Trata-se do mesmo treinador que há pouco tempo estava nos planos do Santos e que dirigiu com sucesso a equipe do Newell’s Old Boys- cube de seu coração e, por coincidência (?) também o de Messi, seu futuro jogador no Barça.

Martino tem 60 anos de idade, é discípulo de Marcelo Bielsa e não é o primeiro argentino a comandar o Barcelona. Antes dele três de “Los Hermanos” tiveram essa incumbência: Helenio Herrera, apelidado” El Mago”, César Menotti (campeão mundial de 1078) e Olsen- todos com sucesso, especialmente Herrera.

Com “Tata” Martino está mantida a tradição.

 


No Brasileirão: o Corinthians estagnado, o drama dos tricolores e esses velhinhos maravilhosos
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Roberto Avallone

1- Tudo bem que o Corinthians já venceu tudo o que já poderia nesses últimos tempos. Mas, vida que segue, a sua campanha no Campeonato Brasileiro beira a mediocridade e a sua colocação- décimo-terceiro lugar- depois do empate deste domingo diante do Atlético Paranaense, por 1 a 1 (gols de Marcelo e Pato)- não é digna de suas recentes façanhas.

Como desculpa, o estado do gramado, quase que impraticável em função da chuva e das poças d’água que se formaram. Na etapa final, no entanto, a situação do campo era melhor e o técnico Tite cansou de gritar: “Vamos jogar, vamos jogar”.

E o time não jogou…

2- O drama dos tricolores é duro de assimilar: enquanto em São Paulo, em crise profunda diante de resultados tão ruins, o São Paulo está de namoro firme com a zona do rebaixamento (está em décimo sexto- lugar, a um ponto apenas dos que ocupam o triste lugar da degola), no Rio, o Fluminense, atual campeão brasileiro, acumulou a sua quarta derrota consecutiva ao ser vencido pelo Vasco, por 3 a 1, no Maracanã.

Para piorar a situação, o Flu terá o desfalque de Fred (expulso contra o Vasco), além do zagueiro Digão ter sido justamente agraciado com o cartão vermelho. A impressão que se tem é a de que o Fluminense, que já negociou jogadores importantes (Thiago Neves e Wellington Nem) e convive com o fim de carreira de Deco está a flertar com a decadência.

E o São Paulo, então, ah, que perigo: nessa sua busca de reabilitação terá pela frente em seus dois próximos compromissos “apenas” o Inter, fora de casa, e o Corinthians, no Pacaembu.

3- Esses “velhinhos” maraviilhosos do Campeonato Brasileiro, aos quais me refiro, já passaram todos da marca de 35 anos de idade ainda são os principais destaques de seus clubes: Alex, do Coritiba, que com seus dois belos gols deste domingo, evitou a derrota para o Santos na Vila Belmiro (2 a 2) e comanda a sua equipe para permanecer invicta na competição; Juninho Pernambucano foi o grande herói vascaíno na vitória diante do Flu, marcando um e dando passe de craque para outro (marcado por André), além de orientar os companheiros; Zé Roberto, que beira os 40 anos de idade e joga com a disposição de um menino, fez o gol do Grêmio na derrota para no Criciúma: e Seedorf, o genial holandês, é o grande comandante do Botafogo, o líder do Campeonato Brasileiro.

Surpreendente, pois não?