Blog do Avallone

Arquivo : maio 2014

Ousados- e difíceis- lances no Mercado da Bola. E o  Santos, aliviado
Comentários 18

Roberto Avallone

Imagem: Reprodução

Imagem: Reprodução

1- Entre as tentativas no Mercado da Bola, pelo lado dos clubes brasileiros, destaco algumas ações que considero ousadas. Não necessariamente certas. Pinço, por exemplo, a tentativa do Flamengo em contratar Montillo, que não está pleno no futebol chinês (até por motivos particulares) e que poderia vir por empréstimo- caso não exista recuo de última hora-, com o Fla pagando o salário integral do jogador. Quer dizer: 900 mil reais por mês. Meu Deus!

Precavido quanto ás dificuldades em concretizar o negócio, o Flamengo tenta se garantir com reforços mais modestos, contando com a ajuda de seu centroavante Alecsandro, ex-companheiro dos pretendidos, Rosinei e Richarlyson, do Atlético Mineiro. Se o amigo ainda não sabe, é bom que o Fla pense mesmo em se reforçar mesmo, pois nesta quinta-feira acabou de entrar na zona da degola (com 7 pontos), ao empatar com o Figueirense, por 1 a 1.

Enquanto isso, leio na imprensa argentina, que o Sport do Recife fez mesmo proposta oficial para Riquelme especula-se que seria na base de 350 mil reais/mês e mais porcentagem na venda de camisas com seu nome), embora a tendência seja a de que o veterano e talentoso meia permaneça no Boca Juniors pelo pedido do técnico Bianchi e súplicas da torcida que ainda o adora. Apesar de suas constantes lesões.

Completando o giro, também leio no site do argentino Ole que Romagnolli, 32 anos, líder do San Lorenzo (candidato sério a levantar o caneco da Libertadores deste ano) teria pré-contrato assinado com um clube brasileiro, o Bahia.

Foto: Romildo de Jesus

Foto: Romildo de Jesus

2- Para o Santos, vencer o Bahia, em Feira de Santana, foi mais do que um triunfo: acabou sendo um alívio, pois que, muito desfalcado, saltou com esse placar de 2 a 0 (gols de Alan Santos e Lucas Lima) para 11 pontos, afastando-se da zona do rebaixamento. Nela, faltando apenas uma rodada para o Campeonato ser interrompido, o Santos não entrará até o fim da Copa do Mundo, seja lá qual for o resultado do final de semana.

Menos mal para o técnico Oswaldo de Oliveira que, injustamente, já enfrentava uma certa ira de alguns setores dos bastidores santistas.


Corinthians, justa vitória sobre o líder. São Paulo, empate polêmico. E o Palmeiras despenca…
Comentários 47

Roberto Avallone

Foto: Eduardo Viana

Foto: Eduardo Viana

1- É fato que o gol aconteceu graças a um frangaço do quase sempre eficiente goleiro cruzeirense Fábio, em chute de fora da área desferido por Guerrero aos 22 minutos do segundo tempo. Mas isso não tira nem um pouquinho dos méritos do Corinthians que soube marcar o líder Cruzeiro com extrema precisão e ainda criar algumas boas chances de gol como, por exemplo, aquela já no finzinho da partida quando, em um só lance, a bola carimbou o travessão cruzeirense por duas vezes, na cabeçada de Guerrero e- no rebote- no chute cruzado de Luciano. Bela partida do Corinthians! E belo salto também, pois que de tão criticado, há pouco tempo, saltou para o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro (com 15 pontos, a apenas um do líder), após essa vitória contra o Cruzeiro e aquela goleada de domingo passado, na Ilha do Retiro, diante do Sport, por 4 a 1. O que insinua futuro promissor para a equipe no torneio, pois depois da Copa estará reforçada no mínimo pelo craque Elias e pelo uruguaio Lodeiro, além da intenção de contar com mais um atacante de ponta e um zagueiro de bom nível para o caso de contusão de Gil ou Cleber. Com bom time e o novo estádio, a previsão é de casa cheia por um bom tempo.

Foto: Cristiane Mattos

Foto: Cristiane Mattos

2- Gol de braço vale? Pelo menos o de Luís Fabiano (do São Paulo) valeu aos 47 minutos do segundo tempo no empate de 2 a 2 diante do Atlético Paranaense, em Uberlândia, lance considerado normal pelo analista de arbitragem da Globo, Leonardo Gaciba, e que acato como correta: aparentemente não houve intenção de Luís Fabiano em usar esse recurso, pois a bola bateu em seu braço esquerdo depois de infeliz rebatida à queima-roupa do atleticano Natanael. Quanto ao jogo, que não v i (estava acompanhando o duelo entre Corinthians e Cruzeiro), o próprio Luís Fabiano definiu como “muito abaixo do que deveria jogar o São Paulo”, o que tem lógica, pois que em campo neutro e contando até com maior número de torcedores deveria fazer prevalecer sua maior categoria. Em todo o caso, escapou do pior.

Foto: Celio Messias

Foto: Celio Messias

3- Pior mesmo aconteceu com o Palmeiras que, em grave recaída, parece ter se especializado em perder de equipes que ocupam a zona da degola. Desta vez, foi o carioca Botafogo (2 a 0, gols de Bolatti e Zeballos), sendo que no domingo foi a Chapecoense, pelo mesmo placar. Há os que falam em cansaço, desgaste, coisa e tal, mas o que deu para notar foi que faltou mesmo foi futebol, qualidade para definir o jogo quando duas chances (através de Marquinhos Gabriel) foram criadas no primeiro tempo. Depois, foi um falso domínio. Sem punch. Com limitações sobrando. Assim, em duas rodadas, o Palmeiras despencou do G-4 para a nona colocação no Campeonato. Pior do que isso é a sensação de atravessar o ano do Centenário- ou quase todo ele- sem a Arena, sem time à altura das tradições, sem patrocínio… Sem saída? Ou, generoso, San Gennaro vai iluminar a quem de direito para que a História dos 100 anos não seja contada de forma tão melancólica?


Atrações do Mercado da Bola. E um estímulo para a aventura do Palmeiras
Comentários 22

Roberto Avallone

1- Ainda sob a cautela e desconfiança dos investidores, talvez pelos preços ou a espera de oportunidades pós- Copa, o Mercado da Bola no Brasil ainda ensaia passos mais largos. Há, por exemplo, um hábil atacante disponível, Fernandinho, que teve o contrato rescindido pelo Atlético Mineiro por ter se recusado a viajar com o time e cumprir seu sétimo jogo no Campeonato- o que o impossibilitaria de atuar neste torneio por outra equipe brasileira.

Mas se não se for por empréstimo, como desejava o Galo, Fernandinho custa em torno de 11 milhões de reais. É muito? É razoável? Em relação ao que estão pagando os clubes europeus é quase nada, mas é extremamente caro ao que se pretende gastar na América do Sul, menos no Brasil onde a quantia de 11 milhões passou a ser mediana.

Há também o caso de Cícero, do Santos, que segundo o noticiário não teve atendido o pedido de aumento de salário de 350 para 500 mil reais e, em função disso, pretende mudar de clube, tendo até o fim desta quarta-feira para responder se fica ou não na Vila Belmiro pelo menos até o final de seu contrato.  Estranha situação, não?

Ah, surgiu novamente o que já parecia descartado: o interesse do São Paulo pela volta de Lugano, o xerifão uruguaio que já fez sucesso no Morumbi e que hoje, mais lento e aos 33 anos, deveria ser no mínimo observado durante a Copa do Mundo para que não seja contratado apenas pelo passado. Na Copa das Confederações, não gostei de seu futebol.

E ainda rolam dezenas de especulações, desde o interesse do Flamengo por Montillo (que está no futebol chinês), passando pelos argentinos supostamente pretendidos pelo Palmeiras (Lucas Pratto e Tobio), pelo atacante procurado pelo Corinthians (o nome da vez é Jonas, do espanhol Valencia) até as contratações já consumadas, como, por exemplo, Maicosuel pelo Atlético Mineiro e o chileno Aranguiz (agora em definitivo) pelo Inter de Porto Alegre. Anderson Martins no Corinthians, depende de o zagueiro reduzir drasticamente suas pretensões salariais (600 mil reais por mês), obstáculo inesperado para o que estava praticamente certo.

2- Não é de toda inédita essa aventura do Palmeiras nesta quarta-feira, em Presidente Prudente. Vítima de acidente climático, a equipe teve de viajar num só dia de avião de Chapecó para Campinas e de Campinas, de ônibus, encarar mais 7 horas na estrada.

Desconfortável.

Só que, para amenizar queixas- até que justas- e eventuais desculpas- aí já não sei se tão válidas- uma lembrança: em 2009, o Palmeiras também não pode viajar de avião para Presidente Prudente, pois naquela vez o aeroporto daqui estava fechado por nevoeiro ou chuva e já no fim da tarde, comecinho da noite, a equipe decidiu viajar assim mesmo, de ônibus. O amigo está lembrado?

Pois adversário era o Corinthians… E, com tudo isso, com jogo marcado para as quatro da tarde, o Palmeiras chegou de madrugada, descansou o que foi possível, entrou em campo e goleou o adversário: 3 a 0! Três gols de Obina.

Lamúrias à parte, será tão mais difícil enfrentar o Botafogo?


A Seleção chegou, a torcida pelo hexa ainda não. E o encontro com dois Monstros Sagrados
Comentários 7

Roberto Avallone

Foto:  Carlos Moraes

Foto: Carlos Moraes

Na requintada Granja Comary, a Seleção Brasileira já está reunida para a Copa do Mundo. Mas a torcida pelo hexa ainda está distante. Acredito que deva chegar aos estádios para acompanhar a Seleção Brasileira, quem sabe.

Por enquanto, tirando a febre pelo álbum de figurinhas, sinto a frieza da indiferença nas ruas e, mais do que isso, ao contrário de outros tempos, assisto aos protestos contra os candidatos a heróis nos campos.

Pois não foi assim em alguns pontos do trajeto dos jogadores do Rio à suntuosa Granja- e até mesmo em frente ao local da concentração? Nenhuma surpresa, tudo já fora visto na Copa das Confederações e o amor do brasileiro pelo seu “Êh, eta esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro” já faz um bom tempo não se compara à época em que perder para o Uruguai, em 1950, deu em episódio conhecido como “A Tragédia do Maracanã”, tão grande a tristeza que tomou conta do povo inteiro. Ou que a conquista de uma Copa do Mundo dava mais alegria do que o Carnaval.

A situação piorou agora, reconheçamos, com os gastos para a Copa goleando os desejos de mais saúde e educação. Mas os indícios do divórcio começaram antes, talvez desde quando os jogadores passaram a ser dos clubes do Exterior (até 1970 todos eles atuavam no Brasil), com salários mirabolantes, enquanto antes ralavam por aqui, defendendo os nossos times, com remuneração compatível com a realidade brasileira.

Tipo gente como a gente.

Não estou criticando e nem entrando no mérito, apenas procuro entender por que restou tão pouco da paixão pela “amarelinha”. Estou seguro de que os jogadores não tem culpa de nada, pois não pediram para serem estes seres privilegiados que ficam ricos por terem intimidade com uma bola e irem para onde se paga muito mais. E nem impedem que outras profissões sejam reconhecidas como deveriam.

Ah, no passado, existiram os que poderiam ter ido e não foram: Pelé só partiu para os Estados Unidos aos 34 anos, depois de encerrar a carreira no Santos, clube ao qual dedicou o talento e a juventude- e teve muitos propostas para sair; Mané Garrincha estourou todos os meniscos por aqui, terminando a vida num catadão que se exibia pelas cidades do interior. E daí por diante.

Valeu a pena?

Nesta-segunda-feira, num ”papo de mesa” promovido pelo Sesc- São Caetano, reencontrei dois Monstros Sagrados que também poderiam ter feito fortuna lá fora, enquanto jogadores, e preferiram doar talento e amor ao Santos e à Seleção Brasileira: os campeões do mundo Zito e Pepe– este, o segundo maior artilheiro da História do Santos, 405 gols marcados. Ambos lembram, com orgulho, das façanhas e das conquistas. Como se fosse ontem.

Cada um é cada um, já dizia minha santa avó. Cada tempo é um tempo, arrematava meu resignado avô. Claro que nos identificamos muito mais com o romantismo dessa época de talento e devoção à camisa. Mas não custa tentar entender o hábito dos jovens astros- desde que à sua maneira encarem com seriedade a missão de vestir a camisa da Seleção-, não fazendo deles inimigos ou extraterrestres por terem sido bafejados pela sorte, atribuindo-lhes a culpa que nem lhes pertence.

Assim, apesar dos pesares, boa sorte Seleção Brasileira!


Corinthians: goleada e reforço. Palmeiras: o lado bom do vexame. E mais: Santos, o líder Cruzeiro…
Comentários 19

Roberto Avallone

Foto: Antônio Carneiro

Foto: Antônio Carneiro

1- Foi mais importante do que muitos talvez possam imaginar essa goleada do Corinthians sobre o Sport, no Recife, por 4 a 1. Para começar, sejam lá quais forem as circunstâncias não é fácil vencer o Sport na Ilha do Retiro, ainda mais para uma equipe como a do Corinthians que vinha de três jogos sem vitória, inclusive com derrota surpreendente na estreia de seu novo estádio- e para o Figueirense, lanterna do Campeonato.

Novos tropeços significariam crise na certa.

Mas com a vitória, tendo em Romarinho (autor de dois gols) o protagonista, a paz voltou. E foi um triunfo justo, com autoridade, sem grandes sustos, superando inclusive a contusão do goleiro Cássio logo no começo da partida (Walter entrou em seu lugar), exibindo Jadson com o pé calibrado e autor dos outros dois gols- um de falta, o outro de pênalti), enfim vitória de time grande e de recursos.

Por falar em recursos, falemos de reforços. Um deles está praticamente acertado: Anderson Martins, zagueiro de boa técnica, 26 anos, 1 metro e 83 de altura, revelado pelo Vitória e consagrado no Vasco e que estava no Al Jaish do Qatar. Além de Anderson, o Corinthians está ainda atrás de dois atacantes- um que jogue mais pelas beiradas do ataque, o outro mais centralizado- não fazendo mais parte desses sonhos Rafael Sóbis, desejo de Mano Menezes, que completou seu sétimo jogo no Campeonato Brasileiro pelo Flu contra o Bahia, no sábado.

Quem, então? Vamos às especulações: fala-se em Diego Tardelli (difícil), em Jonas (do espanhol Valencia) e agora até em Fernandinho, que rescindiu seu contrato com o Atlético Mineiro. Mas nada confirmado, nada oficial e nada que não possa surgir outro nome de uma hora para a outra. O que existe é a disposição de contratar.

Foto: Jardel da Costa

Foto: Jardel da Costa

2- Vexame tem lado bom? No caso do Palmeiras, sem ironia, esse de ser dominado e vencido pela Chapecoense– que até então era lanterna do Campeonato sem ganhar um jogo sequer-pode ter seu lado positivo. Não para agora, pois o time sai do G-4, mas para o resto do torneio (a partir do fim da Copa), pois perder de 2 a 0 do jeito que perdeu, só não sendo goleado graças ao goleiro Fábio e não criando chances de gol, só fez escancarar as extremas limitações (e deficiências) dessa equipe que vinha ganhando, sim, mas graças apenas à raça e à superação.

E apenas com esses ingredientes, time algum se sustenta em um Campeonato duro como o Brasileiro. É preciso, além da boa vontade, de qualificação técnica.

Como fazer, então? Elementar, caros amigos: a cúpula palestrina que, em minha opinião acertou em cheio ao contratar um técnico argentino renomado como Ricardo Gareca e também em adiar a sua estreia para depois da Copa do Mundo, agora tem a missão de dar passos mais delicados e tão importantes quanto: a contratação de jogadores capazes de dotar o time da qualidade necessária– aquele papo antigo de um lateral-direito, um zagueiro, um atacante e ou a manutenção de Valdivia ou a reposição imediata de um jogador do mesmo nível para o craque da equipe-, além da dispensa de outros que só fazem ocupar espaço e aumentar a folha salarial.

Foto: Sergio Barzaghi

Foto: Sergio Barzaghi

3- Enquanto o Santos continua a patinar, está arriscado a perder Cícero e só não perdeu do Flamengo (empate de 0 a 0 no Morumbi) porque o centroavante rubro-negro Paulinho perdeu gol que poderia entrar naquele programa que se chamava, se não me falha a memória, “O Impossível Acontece”, o Cruzeiro ameaça repetir a campanha do ano passado, quando foi campeão, ao manter a liderança e ao conquistar, fora de casa e de virada espetacular vitória sobre o Inter de Porto Alegre, por 3 a 1.

Sei, não. Crise à vista na Vila Belmiro?

 


São Paulo: Lucão redimido. Real: o talento recompensado. Sóbis: o sonho desfeito
Comentários 7

Roberto Avallone

Foto: Marcos Ribolli

Foto: Marcos Ribolli

1- Lucão fez o gol do São Paulo que derrotou o Grêmio e saiu-se bem na incumbência de marcar Barcos. Está, pois redimido o jovem zagueiro de 19 anos que ainda na quarta-feira além de ter permitido ao agora menos gordinho Walter balançar as redes por duas vezes ainda fez um gol contra na goleada do Fluminense sobre o São Paulo por 5 a 2.

Resgatou a confiança do técnico Muricy Ramalho em seu futebol, mostrou que tem promissor futuro e até mudou um velho ditado transformando-o em “não há nada como uma noite após a outra”.

Quanto à vitória, o tricolor paulista  a deve em parte também ao centroavante do tricolor gaúcho, o argentino Hernán Barcos, que, no último minuto da partida, matou a bola no peito como se fosse craque, ficou a cara a cara com Rogério Ceni como se fosse mortal e desperdiçou a chance como se fosse um Pirata principiante.

Foto: AFP

Foto: AFP

2- Se tudo na vida tem os seus limites, por que não o futebol? Foi o caso da heroica resistência do Atlético de Madri que até os 48 minutos do segundo tempo era o dono do caneco da Champions League. Depois, não deu mais: levou o gol de empate (Sérgio Ramos, de cabeça) e, na prorrogação, fôlego no fim e o poder de marcação também foi cedendo, levando um gol atrás do outro- Bale, Marcelo, Cristiano Ronaldo (de pênalti sofrido por ele mesmo)-, pois que ninguém é de ferro. Nem o técnico Simeone para conter por todo o tempo as habeis investidas do campeão Real Madrid.

Às vezes, o talento prevalece. Para o bem do futebol. E de quem dele gosta.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

3- Terminou neste sábado o sonho corintiano em contar com o atacante Rafael Sóbis ainda neste Campeonato Brasileiro. Ele entrou na metade do segundo tempo da vitória do Fluminense sobre o Bahia (1 a 0, em Barueri), completando seu sétimo jogo no torneio, o que o impede de jogar por outro clube.


Como o Palmeiras chegou ao G-4, sob os olhares de Gareca. E o Santos, patinando…
Comentários 22

Roberto Avallone

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

1- O que parecia impensável nos últimos dias de Gilson Kleina como técnico do time, quando o grupo em campo mais fazia lembrar o Exército de Brancaleone, o Palmeiras acabou de entrar no sonhado G-4, ocupando o quarto lugar no Campeonato Brasileiro que, se terminasse hoje, lhe daria vaga na Libertadores da América.

É claro que nem o Campeonato termina hoje, pois está apenas começando, e nem teve nada de brilhante o futebol exibido na vitória diante do Figueirense (1 a 0, gol de cabeça de Henrique), em Araraquara; ao contrário, tratou-se de triunfo suado, sofrido, com direito a mais uma milagrosa (embora a única) defesa de Fábio, com o Palmeiras todinho recuado da metade do segundo tempo em diante.

Mas, de qualquer maneira, uma vitória importante. Aliás, mais uma do técnico-interino, Alberto Valentim, de performance irrepreensível quanto aos números: quatro jogos, quatro vitórias, sete gols marcados e nenhum sofrido. O amigo já ouviu que “contra números não há argumentos”?

Pois eu os tenho. Reconheço o trabalho de Valentim, é claro, pois é com ele que Ricardo Gareca poderá encontrar um Palmeiras em situação privilegiada na tabela, a um ponto do líder. Mas caberá a ele, Gareca, dotar essa equipe de futebol de técnica mais requintada, adicionando qualidade à raça, tanto na exigência de reforços indispensáveis– no mínimo, um lateral-direito que também saiba apoiar, um zagueiro de área mais rápido (que pode ser o argentino Tobio, do Velez), de um atacante (provavelmente Lucas Pratto do mesmo Velez Sarsfield) e de um meia-armador no caso de Valdivia sair mesmo.

Com isso, o Palmeiras de Gareca terá chance de brigar mesmo por essa vaga na Libertadores e, com um pouco de sorte, até em sonhar com voos maiores no ano de seu Centenário. Sonhar é preciso, pois não?

Caso contrário, viverá de pequenas façanhas e muitos sustos, cenas recheadas de muitas emoções, sem a menor garantia de finais felizes.

Foto: Carlos Costa

Foto: Carlos Costa

2- Na reestreia de Renato, volante que já fez parte de suas heroicas conquistas, o Santos deu até a impressão de que venceria o Goiás.  E que, assim, o técnico Oswaldo de Oliveira recuperaria a paz que se foi desde que perdeu o título de campeão paulista para o Ituano. Mas, por ironia cruel, foi por um erro de Renato, 35 anos, que o Goiás iniciou a jogada que lhe daria o segundo gol e o empate contra o Santos (2 a 2), que agora figura na tabela da classificação em modestíssimo décimo- terceiro lugar.

Como já disse acima, em outro tópico, no entanto, é só começo de Campeonato…


Flu impiedoso com o São Paulo. Mais vaias para o Corinthians. E o Palmeiras de Gareca!
Comentários 29

Roberto Avallone

Foto: Marcos de Paula

Foto: Marcos de Paula

1- Foi a mais dura e realista lição que o São Paulo poderia receber: sua defesa é fraca, ao contrário de outros tempos de Muricy Ramalho, capaz de comprometer todo um bom trabalho do meio-campo para a frente e até o sugestivo primeiro tempo disputado diante do Fluminense quando, com justiça, saiu de campo vencedor.

No segundo tempo, no entanto, com o Flu adiantando seus jogadores e marcando a saída de bola, viu-se dominado e acuado o São Paulo, permitindo a virada e a goleada implacável do adversário: 5 a 2! E com toda a justiça. Contou ainda o tricolor paulista frente ao tricolor carioca com noite infeliz de seu goleiro Rogério Ceni, que deu rebote para o meio da área em dois gols do Flu- o primeiro, marcado por Walter (pareceu-me menos gordinho), depois de chute venenoso de Conca; depois, no quarto gol do Fluminense, marcado por Wagner, depois do chute de Rafael Sobis.

Esses deslizes somados ao gol contra do zagueiro Lucão e às falhas de dos outros jogadores da defesa foram verdadeiro convite à festa para jogadores habilidosos que, mesmo sem a companhia do suspenso Fred, sabiam o que fazer com a bola- Conca, Walter, Rafael Sobis, Wagner. Como segurá-los durante o tempo todo?

E desta vez Ganso não brilhou como no jogo diante do Flamengo, embora Luís Fabiano se movimentasse bem (apesar de discutir muito com o árbitro) e Pato tivesse marcado um belo gol de cabeça- o segundo do São Paulo- depois de bom centro de Osvaldo, pela esquerda. Do meio-campo para a frente, ainda mais com a chegada de Alan Kardec, espera-se muito do São Paulo.

Mas nessa defesa, a mais frágil do tricolor dos últimos tempos, quem há de confiar?

Foto: Ricardo Matsukawa

Foto: Ricardo Matsukawa

2- E foram mais intensas as vaias para o Corinthians, desta vez. Esperadas, convenhamos: foi o segundo tropeço consecutivo da equipe como mandante, o primeiro na estreia oficial da Arena corintiana ao perder para o Figueirense e agora ao empatar com o que restou do Furacão do ano passado, o Atlético Paranaense  (sem Manoel, sem Paulo Baier, sem o lesionado Marcelo e até sem técnico), em 1 a 1, no Canindé.

Analiso mais o resultado, pois atento ao clássico Fluminense e São Paulo, vi apenas os melhores momentos e os quinze minutos finais desse tropeço corintiano. Deu para ver duas ou três belas defesas do goleiro Weverton no primeiro tempo e, depois, o pênalti sofrido por Guerrero (pareceu-me que foi, embora há quem o discuta) transformado em gol por Jadson. Mais para o fim, no entanto, aconteceu o gol de cabeça de Douglas e quase a virada do Atlético com esse mesmo Douglas arriscando chute da entrada da área que tirou tinta do alto da trave.

Já imaginaram se a bola entrasse?

O fato é que falta ataque ao Corinthians. Ah, como falta!

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

3- Como será o Palmeiras de Ricardo Gareca? É o que se especula depois de o técnico já estar de contrato assinado até 30 de junho de 2015 com o clube, tornando-se o sexto treinador argentino a passar pelo Palestra (antes dele lá estiveram Jim Lopes, Abel Picabéa, Armando Renganeschi, o grande Filpo Nuñes e Alfredo Gonzalez, todos com êxito à exceção de Picabéa), o que torna tradicional a identificação.

Mas como que vale é daqui para frente, a expectativa é de que o Palmeiras seja ofensivo como gosta Gareca (ex-centroavante) e que ele possa indicar ao clube bons jogadores argentinos, que jogam muito e ganham menos do que os badalados por aqui. Especula-se que ele gosta de Lucas Pratto, de Milito (só que este já tem 34 anos e acaba de deixar a Inter de Milão), acreditando-se que, como opções, deva gostar também de Zárate (companheiro de Pratto no Velez Sarsfield) e de um jogador que considero fantástico, Piatti, do Sam Lorenzo.

Mera especulação, repito.

 


Mercado da Bola agitado: Gareca, Tardelli, Lodeiro, Maicosuel…
Comentários 15

Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

1- A não ser por uma dessas surpresas de última hora, nem tão raras no mundo dos negócios do futebol, o argentino Ricardo Gareca deverá ser mesmo o novo técnico do Palmeiras. Isso agora até a imprensa argentina reconhece, como diário esportivo Ole publicando que o treinador pediu mais 72 horas para dizer “sim ou não” ao Racing, deduzindo o jornal que Gareca foi seduzido pela proposta palmeirense; ele não confirmou então, uma reunião que aconteceria amanhã com o presidente do clube argentino, Victor Blanco, que já admite buscar outro técnico.

É possível até que neste momento Gareca já tenha viajado para São Paulo para conhecer o clube e assinar seu contrato com o Palmeiras.

Minha opinião: ótima tentativa palmeirense.  Além do vitorioso currículo de Ricardo Gareca- quatro títulos nacionais argentinos em seu período no Velez Sarsfield- ex-centroavante até da Seleção Argentina, cultiva a fama de apreciar o futebol ofensivo e também a de trabalhar com jovens da base (sem desprezar a mescla com craques experientes, quem sabe um Lucas Pratto, um Piatti), virtudes consideráveis para um clube que não está nadando em dinheiro.

Tentativa que será melhor ainda se Alberto Valentim, o técnico-interino, for efetivado como auxiliar de Gareca, pois seu trabalho tem sido surpreendentemente bom à frente de uma equipe limitada, com vários desfalques e perdas importantes e que nem lateral-direito de origem tem.

Ah, tem também o fator imponderável: o Palmeiras costuma se dar bem com argentinos, basta lembrar como exemplos, o técnico Don Ernesto Filpo Nuñes, que montou a primeira Academia (1965) e o artilheiro Luizito Artime, que marcou muitos gols em sua passagem pelo clube, em 1968/69.

Isso, sem falar em Luis Villa, Alfredo Gonzalez, Madurga, etc…

Creio que basta, pois não?

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

2- Como já havia me adiantado uma fonte corintiana, Diego Tardelli está mesmo nos planos do Corinthians. E quem confirma o interesse- leio no site Superesportes, em minuciosa página dedicada ao futebol mineiro- é o próprio diretor de futebol do Corinthians, Ronaldo Ximenez, em suas declarações à Fox Sports. Logo, de maneira oficial. Só que pode pegar no preço, pois o presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, pagou caro por Tardelli e não é dirigente de perder jogador importante por pouco dinheiro.

O que pode ajudar o negócio, embora as características dos jogadores não sejam exatamente iguais, é a vinda de Maicosuel, 27 anos, atualmente na italiana Udinese e que já assinou pré- contrato com o Galo. Tardelli joga um pouco mais à frente do que Maicosuel, embora o antigo “El Mago” do Botafogo também possa exercer função de atacante.

A conferir.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

3- Quem já está absolutamente confirmado como novo reforço corintiano é o uruguaio Lodeiro, 25 anos, 1 metro e 75 anos, meia-atacante que fez 17 gols em sua passagem pelo Botafogo e já se apresentou à Seleção do Uruguai para a Copa do Mundo. O técnico Mano Menezes o classifica como “polivalente” e este blogueiro o considera um bom jogador, talvez um pouco mais de raça do que de técnica, e que pode ajudar muito um time tão carente de gols.

Bom reforço.


Fábio, nome de respeitável tradição no  gol
Comentários 12

Roberto Avallone

Na sequência Fábio, atual goleiro do Palmeiras; Fábio, goleiro do Palmeiras na Copa Rio de 51; Fábio , goleiro do Cruzeiro/  Arte V.S.

Fábio, atual goleiro do Palmeiras; Fábio, goleiro do Palmeiras na Copa Rio de 51; Fábio , goleiro do Cruzeiro

Para não ir muito longe nas coincidências e nos bons presságios que o nome Fábio leva a alguns goleiros, tendo por base por base a surpreendente performance desse jovem que defende a rede palmeirense, bastam uma citação e uma bela história de superação. Comecemos pela citação. Repetindo o que já contei neste espaço, há algumas semanas, em um programa esportivo da ESPN, ao ser questionado se Júlio César deveria ser o titular do gol na Seleção de Felipão, Waldir Perez, goleiro da inesquecível Seleção Brasileira de 1982, disse que não: “Meu goleiro seria o Fábio, do Cruzeiro”.

A história pertence a um outro Fábio que, há quase 63 anos, escreveu uma Inesperada página de glórias na vida desse Palmeiras quase centenário. Tratava-se de Fábio Crippa (falecido em 23 de janeiro de 2011), um simpático grandalhão de quase 1 metro e 90 de altura, 23 anos,  reserva até que o grande Oberdan Cattani foi afastado do gol palmeirense em meados de 1951, depois de uma goleada sofrida para a Juventus da Itália, em pleno Pacaembu.

Corria o Ano da Graça de 1951, estava sendo disputada simplesmente a famosa Copa Rio, e a responsabilidade de substituir o mito Oberdan- goleiro de mãos enormes- coube a Fábio, até então uma incógnita. E até o fim do torneio, tantas foram as suas grandes defesas nas duas partidas contra o Vasco da Gama e nas duas finais contra a poderosa Juventus que ele não perdeu mais o seu lugar. Tornou-se ídolo, reverenciado como um campeão do mundo após o título da Copa Rio (os jogos finais disputados no Maracanã) e deixou Oberdan na reserva por quase dois anos.

Agora, como já insinuei acima, outro Fábio surge no gol e na vida do Palmeiras: tem 24 anos, 1 metro e 96 de altura, agilidade espantosa para quem é tão alto e estilo que faz lembrar o de São Marcos do Parque Antártica-este, tão mito quanto foi Oberdan nos anos 40 e comecinho dos 50. E, curioso, este jovem Fábio surge para substituir um outro grande goleiro, Fernando Prass, que tinha se transformado em ídolo e capitão do Palmeiras, até se lesionar gravemente (fratura no cotovelo), deixando em pânico a torcida.  Mas, para alívio geral, surgiram os milagres de Fábio.

Como na vida, da qual faz parte, o futebol tem lá seus mistérios e suas coincidências…