Blog do Avallone

Arquivo : outubro 2013

Abel Braga: Inter ou Palmeiras? E a dramática vitória do São Paulo
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Roberto Avallone

Foto: Arena

Foto: Arena

1- Pode parecer aquela antiga brincadeira de cabra- cega, o alvo a mudar constantemente. Garanto, no entanto, que as notícias do Mercado Bola é que mudam muito nesta fase, pois são projeções e especulações para o ano que vem.

O que houve de novo: recebi o telefonema do Cardeal Richelieu- aquele mesmo especialista em bastidores do Palmeiras- que ressurgiu depois de muito tempo. E como o sigilo da cúpula palestrina é quase total sobre negociações é quase total, dedicou-se o amigo a frequentar cantos que abandonara, apurando o seguinte: Abel Braga seria o preferido para assumir o Palmeiras no ano do Centenário e não Mancini (cujo nome foi ventilado, apenas isso) e nem o sonho de ter Cuca.

Acredito nesta fonte, que jamais me falhou. Apenas lembro, no entanto, que o próprio Abel Braga já tinha insinuado que estaria próxima a sua contratação pelo Inter- o que a direção colorada não confirma estar tão certa assim-como também no Palmeiras ainda está Gilson Kleina, que por bom tempo foi auxiliar do próprio Abelão. Dizem que são muito amigos.

Assim, por cautela, recomenda-se paciência antes de cravar. Fica, assim, Abel Braga só como o preferido, caso Kleina saia mesmo.  Braga, 61 anos, de longa carreira e muitos títulos, foi campeão da Libertadores e do mundo pelo Inter de Porto Alegre e campeão brasileiro pelo Fluminense em 2012.

Ah, antes que me esqueça, ele disse que Luís Felipe não ficará mesmo no Palmeiras. E que o seu destino será o Benfica.

Foto: AFP

Foto: AFP

2- Antônio Carlos foi o nome do jogo na dramática vitória do São Paulo sobre o colombiano Nacional de Medellin, por 3 a 2. Não só por ter marcado dois gols de cabeça, sendo o decisivo já nos acréscimos, mas também pela falha ao cabecear para trás a bola que originou o segundo gol do Nacional- ”Tentei cabecear para frente, mas a bola foi para trás”- explicou o artilheiro do jogo, herói que quase virou vilão.

Na verdade, o tricolor não disputou uma grande partida, principalmente em sua defesa. Jadson abriu o placar com um golaço de fora da área, mas Rodrigo Caio não controlou o passe que lhe dera Rogério Ceni e em falha gritante, permitiu o arremate certeiro de Uribe no 1 a 1.

Bem, aí Antônio Carlos fez o segundo gol, depois propiciou o gol de empate do Nacional e, finalmente, voltou a ser herói ao decretar a vitória do São Paulo, pela Copa Sul- Americana.

E a torcida tricolor vibrou e gritou: “Time de guerreiros”.

Final feliz.


Tendências do Mercado da Bola
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Roberto Avallone

1- Um jornalista, conceituado e bem informado, me contou que é muito provável a contratação de Mano Menezes pelo Corinthians. Acredito. Ele sempre foi o preferido de um dos líderes do clube, Andrés Sanchez, e deixou no Corinthians as lembranças de um belo trabalho executado. Isso, é lógico, para 2014.

2- Também acredito na informação do jornalista Renato Mauricio Prado de que Caio Júnior deve ser o substituto de Vanderlei Luxemburgo que ganhou sobrevida- ao que parece- no Fluminense até o clássico contra o Flamengo. O curioso é que em 2008, coube a Luxa substituir Caio Júnior no Palmeiras (o time não chegou à Libertadores, ao perder para o Atlético Mineiro na última rodada, no Parque Antártica) e foi campeão paulista.

Situações opostas.

3- Muricy Ramalho, que livrou o São Paulo da terrível zona da degola, deve assinar contrato de dois anos com o tricolor. Nada mais justo.

4- Apesar de o Santos pensar em sua contratação, acredito que Tite deva voltar para Porto Alegre, onde o Inter estaria esperando por ele. E Abel Braga? Sei não, mas acho que de novo trabalhará no Exterior.

5- Mistério sobre quem será o técnico do Palmeiras no ano do Centenário: há uma conversa marcada para esta semana com Gilson Kleina para que sejam conhecidos os seus planos. O presidente Paulo Nobre diz que o respeita muito. Nos bastidores, no entanto, fala-se em Vagner Mancini, do Atlético Paranaense, e até numa tacada maior: Cuca, autor de belíssimo trabalho no Atlético Mineiro.

Cuca jogou no Palmeiras. Seria um golpe de mestre.

Mas, por enquanto, não cravo nada.


Técnicos medalhões no olho do furacão. E Paulo Nobre abre o jogo
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Roberto Avallone

1- Dorival Júnior foi demitido pelo Vasco. E agora vai se juntar a outros técnicos medalhões e outros nem tanto que ou já caíram, vítimas de maus resultados no Campeonato Brasileiro, estão balançando.

É o caso de Abel Braga, ainda sem clube (talvez por vontade própria) desde que foi demitido pelo Fluminense, de Mano Menezes, também sem clube desde que pediu demissão do Flamengo e ainda de Vanderlei Luxemburgo, que balança no Flu por conta de pressão de uma ala que dá apoio ao presidente do tricolor carioca- aliás, diga-se de passagem, o Fluminense campeão brasileiro no ano passado e que agora flerta com a zona da degola.

A eles podem se juntar Gílson Kleina, ainda não garantido pelo Palmeiras para próxima temporada, assim como Tite- contestado por boa parte da torcida corintiana- que deve deixar o Corinthians no final do ano, apesar dos muitos títulos conquistados, não se sabendo, ainda, qual o futuro de Claudinei Oliveira no Santos. Ah, relembrando, Paulo Autuori, demitido pelo São Paulo, também continua sem equipe para treinar.

Outros casos parecidos devem surgir até o fim do Campeonato, pois assim é o futebol brasileiro e creio que a moda se espalhou pelo mundo: na maioria dos casos, o que vale é o momento, pouco importando o histórico dos treinadores quando os resultados não vêm.

Cruel ou não, é a lei do futebol. Com poucas exceções.

Foto: Divulgação

2- Durante uma hora e meia, o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, foi entrevistado no programa Bola da Vez na ESPN. Foi muito legal participar da bancada de entrevistadores ao lado dos companheiros Antero Greco, Paulo Vinicius Coelho, Gian Oddi e o mediador Paulo Andrade.

Bem, há de perguntar o amigo, e o que disse Paulo Nobre de mais importante? Como é impossível detalhar uma hora e meia do programa em um tópico do blog, eis um breve resumo do que considerei mais importante das palavras do presidente do Palmeiras:

a) O Palmeiras não será coadjuvante no próximo ano, segundo Nobre. Reforços virão, completando o time que, segundo o presidente palestrino, já conta com respeitável espinha dorsal.

b) Gilson Kleina será chamado esta semana pela a direção que quer saber de seus planos, de sua avaliação do elenco e pretensões financeiras. Deduzi que Kleina não tem a garantia de permanência, embora conte com o respeito de Paulo Nobre.

c) O imbróglio da Arena não tem prazo definido para acabar. Como falou anteriormente, Nobre deseja o acordo, mas não abre mão do que julga ser o direito do Palmeiras em relação às cadeiras, ao preço dos ingressos, etc. Se for o caso de mediação ou arbitragem, Paulo Nobre confia no respaldo de seus advogados. E há multa prevista para atraso da obra, caso aconteça.

Bem, daí por diante, pois muitas foram as declarações, não deixando Nobre de responder a nenhuma das perguntas. Se o amigo quiser saber dos detalhes, o convite: o programa irá ao ar nesta terça-feira, às 21h30 ou nove e meia da noite, como quiserem.

Confira. Será uma honra!


Aloísio, o implacável voador. Pato, castigo discutível. Vasco: fim da linha?
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Roberto Avallone

Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net / Divulgação

1- Ah, mais uma vez Aloísio foi infernal: dentro de campo, ao marcar os três gols do São Paulo na grande vitória de 3 a 2, sobre o Inter, fora de casa: e também na lateral do gramado com mais uma comemoração excêntrica, festejando a façanha com voadoras. Faz parte.

Sim, Aloísio estava impedido no primeiro gol do tricolor. Coisa de centímetros, mas estava. O que não tira o mérito de sua conclusão perfeita, chute cruzado de direita, e nem da coragem ao cobrar os dois pênaltis-ambos cometidos sobre Ademilson- que determinaram a vitória sobre o antes badalado- e agora combalido Inter.

De quebra, Aloísio conseguiu apagar a falha de Rogério Ceni no segundo gol Colorado-marcado por Jorge Henrique- logo ele, Ceni, magnífico na vitória sobre o Universidad Católica-, assim como parece ter assumido definitivamente o lugar de cobrador de pênaltis do time com a desistência do goleiro-capitão.

Não sei não se Luís Fabiano vai tirar a posição de Aloísio. Muricy que arrume uma vaga para o “Fabuloso”, quem sabe ao lado do próprio Aloísio, que vive fase fantástica.

Foto: Marcos Bezerra

2- Ao sair de campo, depois do empate diante do Santos, em Araraquara, o meia corintiano Douglas tinha críticas a fazer ao seu time: “Faltou agressividade, Saímos na frente, pegamos confiança, mas o time recuou depois de fazer o gol. Naquele momento, isso não poderia ter acontecido”.

E Douglas, o melhor do time- autor do gol, de cabeça, e de um belo chute que bateu na trave-, tem toda a razão. Embora com domínio do jogo durante boa parte do primeiro tempo, taticamente o Corinthians parecia uma salada russa: Renato Augusto (depois Danilo) de centroavante, o lateral Diego Macedo como meia… Como ser agressivo apenas com “Sheik” à frente, ainda caindo pelos lados?

Foi fácil para o Santos perceber isso e dominar o jogo na segunda etapa, empatando (com Gustav o Henrique) e obrigando o bom goleiro Walter a boas defesas.

Sem atacantes, creio que o castigo aplicado a Pato- provavelmente por sua lambança na cobrança do pênalti contra o Grêmio- foi equivocado. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Sem peças de reposição para este ano, castigar Pato agora não foi maneira de castigar o próprio Corinthians?

Pois Pato entrou aos 30 minutos do segundo tempo, condição melhor apenas do que de Rodriguinho, mandado a campo apenas aos 44 minutos da etapa final. (!)

O heroico Tite, de tantas conquistas, parece mesmo ter perdido o jeito de escalar o Corinthians.

Foto: Rodrigo Villalba

3- Quem não respeita o passado de glórias do Vasco? Foi, ao longo dos tempos, muitas vezes base da Seleção Brasileira.  E era um dos clubes mais ricos do Brasil. Agora o Vasco, no entanto, com dificuldades financeiras e time fraco, parece condenado, mais uma vez, a frequentar a Segundona: neste domingo, perdeu, de virada (2 a 1) para a Ponte Preta, em Campinas.

E o segundo gol da Ponte em falha do goleiro vascaíno, Alessandro. Goleiro que entrou no lugar do titular, que é pior do que ele. Logo o Vasco que já teve Barbosa, Leão e até mesmo o agora palmeirense Fernando Prass vestindo a sua camisa número 1.

Parece ser o fim da linha.


Palmeiras: na volta à elite, festa tímida e preocupações
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Roberto Avallone

Foto: Marcos Ribolli

O cenário era o ideal para uma comemoração inesquecível: o Pacaembu lotado, velhos ídolos do Palmeiras feito Academia, camisa que fazia alusão à façanha de 7 de setembro de 1965, no Mineirão,  quando a Seleção Brasileira foi bem representada pelo time inteiro palmeirense e goleou a seleção do Uruguai por 3 a 0.

Foto: Marcos Ribolli

Se o cenário era o ideal para festejar o acesso palestrino, o futebol ficou devendo. E muito. Incapaz de furar a retranca do São Caetano, ainda por cima o Palmeiras teve de contar com boas defesas do goleiro Fernando Prass para evitar um vexame em pleno dia de festa. O jogo acabou com um 0 a 0 frustrante para o torcedor, que recolheu a alegria e deixou a comemoração de lado. Já nem se falava mais do pênalti sobre Alan Kardec assinalado pelo árbitro que, depois, informado pelo seu auxiliar, voltou atrás.

E o que houve de errado com o Palmeiras? Bem, em primeiro lugar não gostei da maneira com que Valdivia- mesmo assim, o melhor jogador do time- foi escalado, lá na frente, deixando um buraco meio do campo e não permitindo o avanço de Wesley. Quando joga pela seleção chilena, Valdivia atua próximo aos dois atacantes, sim, mas tem um jogador, no caso Vidal, para cobrir as suas costas. Mas Gilson Kleina não é Jorge Sampaoli.

Depois, vêm os erros individuais. Juninho, por exemplo, continua mal na lateral-esquerda, enquanto Luís Felipe, pela direita, piorou muito desde que surgiu o problema de seu contrato, quem sabe por coincidência ou porque essas coisas mexem mesmo com a cabeça de um jovem; do meio -campo e seu buraco já falei, passando, então, ao ataque, onde Ananias e Vinicius seguem sendo incógnitas, não se notando nenhuma jogada ensaiada para Alan Kardec, bom cabeceador, mas que não recebe um centro medido. Como deveria ser treinado.

Aí, fica difícil. E surge a preocupação para o ano que vem, o do Centenário, não se sabendo, ainda, se haverá dinheiro para umas cinco contratações necessárias e até onde vai esse imbróglio da Arena. Além da definição do técnico- será Kleina ou outro?

Enfim, tudo isso o tempo vai dizer.


Há futuro para Pato no Corinthians? E Pacaembu superlotado para o Palmeiras
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

1- Pela amargura e narizes torcidos de muitos corintianos depois da fracassada cavadinha de Pato, que eliminou o clube da Copa do Brasil e deixou muito distante o sonho de disputar a Libertadores no ano que vem, a impressão que se tem á e a de que o atacante de 40 milhões de reais não tem mais ambiente no Corinthians.

No futebol como na vida, no entanto, pouco que parece existir é definitivo. E como dizia Nélson Rodrigues, “entre a fossa e a euforia, há apenas um milímetro de distância”. Só que para mudar a situação, Pato terá que jogar muito, ter a raça de um artilheiro corintiano e ficar pelo menos próximo do jogador do que se pensava que fosse- e que, por excesso de lesões sofridas ou por temperamento, jamais foi efetivamente.

Quem sabe Pato siga o exemplo de um grande atacante do nosso futebol que, aparentemente “queimado” pela torcida, reagiu e transformou-se no ídolo que já não se esperava. Refiro-me Careca que em seu começo no São Paulo, apesar da fama cultivada no Guarani, teve uma tarde desastrosa dentro de campo, perdeu dois pênaltis (contra o Grêmio, no Morumbi), defendidos pelo goleiro Remi e parecia definitivamente perdido na avaliação da torcida, que clamava pelo artilheiro negociado parta o Santos, Serginho Chulapa.

E, depois, Careca reagiu, tornou-se o goleador sonhado, encantou o mundo ao jogar pela Seleção Brasileira e foi o brilhante parceiro de Maradona no futebol italiano, jogando pelo Napoli.

Que Pato siga- ou pelo menos tente- seguir o exemplo de Careca.

Imagem: Internet

2- Depois das filas enormes formadas nos quarteirões do Parque Antártica, quase se esgotaram os ingressos para o jogo que pode confirmar matematicamente o retorno do Palmeiras à Série A. Será contra o São Caetano. E a expectativa é a de um Pacaembu superlotado neste sábado, mesmo com a partida sendo transmitida pela tevê aberta.

E pelo andar da carruagem, pela briga acirrada entre as partes, o velho e romântico estádio onde nasceu o Palmeiras- no episódio conhecido como ”Arrancada Heroica”, no dia 20 de setembro de 1942- deverá ser a casa da torcida no ano do Centenário.

A nova Arena, ao que tudo indica, fica para uma outra vez.

Em todo o caso, quem sabe?


Dida e Ceni, heroicos quarentões. Pato, cavadinha tem hora…
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Roberto Avallone

Foto: Edu Andrade/Fato Press

1- Dida, 40 anos, 1metro e 95 de altura, sempre foi bom em defender pênalti. Quando jogava pelo Corinthians, há mais de uma década, houve um jogo em pegou dois cobrados por Raí, um no canto direito e o outro no canto esquerdo.

Desta vez contra o Corinthians, no entanto, Dida até exagerou. Na cobrança por pênaltis, daquele jeitinho, com o olhar arregalado, ele defendeu o chute de Danilo, depois o de Edenílson e, para finalizar, acabou com a pose e a paradinha de Pato.

Sorte do Grêmio, que eliminou o Corinthians da Copa do Brasil, talvez nem se lembrando mais do jogo que terminou sem gols. O que importava agora era a glória de Dida ou a sorte do Grêmio em contar com um goleiro como ele, capaz de não tremer diante do Corinthians.

Dida justificou um de seus apelidos: “O Homem de Gelo”.

Foto: AFP

2- Não vi o jogo, mas valho-me da análise dos companheiros aqui do UOL para reverenciar o outro quarentão herói da noite, Rogério Ceni, cuja atuação diante da Universidad Catolica (vitória tricolor, 4 a 3) chegou a ser classificada de milagrosa. É a volta por cima de quem, há pouco tempo, estava sendo lembrado de sua aposentadoria e que perdeu pênalti contra o Corinthians, no último minuto da partida.

Se jogou mais do que na histórica partida conta o Liverpool, em 2005, quando o São Paulo foi campeão do mundo, o que haveria mais a se dizer? Bem, tem sim: Rogério Ceni, ainda não é o momento de você dar adeus ao futebol.

Foto: Vinicius Costa/Preview.com

3- Ainda se fosse um especialista na arte, tipo Djalminha ou Marcelinho Carioca, ainda vai lá. Mas logo Pato, tão contestado nessa passagem pelo Corinthians, arriscar uma cavadinha no último pênalti que o Corinthians tinha para cobrar? E ainda mais com Dida, um grandalhão que esconde as redes com o corpo…

Ah, deve ser duro de engolir. Nesse momento, creio, nada de invenção, é escolher um canto e bater com força. Simples assim.

Fosse mais extrovertido e Dida deveria agradecer Pato pela bola mansa que foi ao centro do gol, inofensiva, até carinhosa. Um pênalti que Pato jamais esquecerá. E o Corinthians também não.


Palmeiras, o provável desfecho da briga pela Arena
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Roberto Avallone

Foto: Divulgação

Depois de escancarada a briga entre o Palmeiras e a construtora W Torre pela Arena, com fortes declarações do dono da construtora, Walter Torre, e a rebatida do presidente do clube, Paulo Nobre, as apostas são as de que o caso vá parar mesmo na Arbitragem. Mas tenho minhas dúvidas: não por camaradagem, pois os ânimos estão acirrados, mas pela necessidade de não arruinar de vez o negócio previsto para longos 30 anos, ainda acredito em acordo.

De um lado, a construtora supostamente com o trunfo de um contrato assinado e que lhe daria garantias. De outro lado, o Palmeiras- que estaria de posse de gravações e documentos da época em que o contrato foi apresentado para os conselheiros- com o apoio do Conselho Deliberativo e do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) ao presidente Paulo Nobre em sua missão de não abrir mão do que se garante foi acordado à época: na Arena, dez mil cadeiras seriam da construtora e as restantes 33 mil e poucas (com a diminuição dos assentos previstos) teriam seus ingressos vendidos pelo clube, nos jogos de futebol.

“Senti tudo muito tranquilo quanto à nossa razão no caso, inclusive na avaliação dos advogados. Era isso mesmo que se comentava na época”- disse-me Seraphin Del Grande, um dos mais antigos e respeitados conselheiros do Palmeiras, que participou da reunião de segunda-feira à noite no Conselho Deliberativo.

(Nesta reunião, assim como deve ter sido feito no COF, em reunião extraordinária da última quinta-feira, foi passada aos conselheiros a opinião de um advogado de renomado escritório de advocacia que vê boas chances de o Palmeiras ganhar a causa mesmo se tudo for parar na Arbitragem).

Pelo lado da construtora, no entanto, a visão parece ser outra. E ao dizer que “a Arena é toda minha”- frase que teve o efeito de um soco no fígado da torcida palestrina- acredito até que o dono da construtora quis se referir aos assentos, respaldado pelo tal contrato de 30 anos (que, segundo o jornal  Folha de S. Paulo- quando denunciou a divergência- o contrato  era omisso quanto ao número de cadeiras que caberia a cada parte) e pela dedução que todas as propriedades do estádio seriam dele, do investidor, durante o arrendamento.

Uso de superfície.

Mas o Palmeiras, dono do terreno e que receberá porcentagens dessas propriedades, não é sócio, ainda que minoritário, do empreendimento? Logo seria dono também, pois não?

A construtora conta com o apoio de um empresário disposto a servir como “algodão entre os cristais”, na tentativa de conciliação entre as partes, buscando, inclusive a opinião de especialistas jurídicos. A tendência de vitória de um lado ou de outro serviria como trunfo para uma ação mais ou menos radical ou mais suave.

Por tudo que ouvi, creio que ainda há espaço para um acordo. Mas a briga está feia.

Trata-se de um imbróglio considerável. E que envolve grana e sonhos.


As revelações do Campeonato Brasileiro
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Roberto Avallone

Sei que vai faltar gente nesta lista e torcedores irão reclamar da ausência de um ou outro jogador de seu time. Não importa. Escrevo sobre quem me vem à cabeça, num bate- pronto que prometo revisar ao final do Campeonato, até mesmo com a ajuda do amigo para refrescar minha memória:

1- Goleiro: de todos os jovens que vi em ação, o goleiro que mais me impressionou joga no América Mineiro, da Série B. Trata-se de Mateus, que roubou a posição de Neneca, logo no começo da competição. Na Série A, predominaram os experientes e até veteranos como, por exemplo, Dida.

2- Lateral- direito: Léo, do Atlético Paranaense, que marca bem e ataca com desenvoltura. Luís Felipe, do Palmeiras, também da Série B, tem muito potencial, é jovem (22 anos), mas precisa aprimorar os fundamentos. E sem esquecer Maike, do Cruzeiro, ótimo no apoio.

3- Zagueiros: ah, fico com Rodrigo Caio, do São Paulo, pela direita, e Dória, do Botafogo, pela esquerda. Belas revelações.

4- Lateral-esquerdo: com menção honrosa para Pedro Botelho, do Furacão, quem leva o voto de revelação no setor é Alex Teles, do Grêmio.

5- Volantes: como primeiro volante, por  indicação de um amigo com vocação de “olheiro”, fico com o menino Marcelo (17 anos), do Vitória, chamando a atenção, também, para Alison, do Santos.

6- Meias: Marlone, do Vasco, com seus dribles largos e que pode render mais no meio-campo do que no ataque; o outro, sem dúvida, foi Vitinho, do Botafogo, que até já foi negociado com o russo CSKA.

7- Atacantes: são várias opções, começando por Marcelo, do Atlético Paranaense, passando pelo habilidoso Otávio, do Inter e por Gabriel (o Gabi Gol) do Santos, indo até a uma surpresa que ainda precisa se tornar realidade: Rafael Ratão, da Ponte Preta, menino de 17 anos, que saiu do banco de reservas, em algumas oportunidades, para infernizar os adversários e ainda fazer gols. Ele será tudo isso?


Especulações do Mercado da Bola. E como fica o Campeonato
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Roberto Avallone

1- E a confiável fonte corintiana me diz, outra vez, que Leandro Damião, do Inter de Porto Alegre, deverá mesmo ser a tentativa do Corinthians para seu comando do ataque. Como Damião caiu muito de produção e as tais propostas do Exterior não chegaram se concretizar, não duvido que a ousada missão possa ter êxito.

Quanto ao novo técnico do Corinthians, se Tite não ficar para a próxima temporada, leio que o preferido pode ser Oswaldo de Oliveira. E não duvido: faz belo trabalho no Botafogo, tem bom histórico corintiano- foi campeão brasileiro e até campeão do mundo (na versão 2000) e creio que seria um respeitável candidato ao cargo.

2- Também por essa fonte, sou informado de que Scocco, atacante do Inter e que era a sensação do futebol argentino quando jogava pelo Newell’s Old Boys, teria sido oferecido a dois clubes paulistas. Por enquanto, sem interesse.

3- Com bom trabalho no Vitória, o técnico Ney Franco voltou a ficar em alta no Mercado. Especula-se, nos bastidores, de que ele estaria a interessar ao  Santos (por que a resistência ao treinador Claudinei Oliveira?) e ao Flamengo- este, no momento dirigido pelo interino Jayme de Almeida. Em época de grana curta, Ney cultiva a fama de lançar jovens talentos. O que interessa muito aos clubes.

4- Um conselheiro do Palmeiras, jovem ainda, me disse que Eguren deve ter a chance como titular no ano que vem, daí a dúvida da renovação ou não do contrato de Márcio Araújo. Confesso que, até agora, não vi nada demais no futebol de Eguren, já veterano e que tem muito mais aplicação na marcação do que talento para sair jogando.

COMO  FICA  O  CAMPEONATO

Muricy Ramalho, técnico do São Paulo, vibrou muito após a vitória de seu time diante do Bahia (1 a 0, gol de Aloísio), mesmo com dois jogadores a menos, já que Denilson e Maicon foram expulsos. Mais contido, Tite exibia o seu alívio coma vitória do Corinthians, sobre o Criciúma (1 a 0, gol de Alexandre Pato), no sábado à noite. Reações mais do que justificadas: com esses triunfos, São Paulo e Corinthians deram um bico na ameaça de rebaixamento- que parecia iminente.

E como fica a situação? Pelo andar da carruagem, dificilmente Criciúma, Ponte Preta e Náutico (este, então…) escaparão da degola. O Vasco, 33 pontos, ainda na zona do rebaixamento, deu alguma esperança à sua torcida ao empatar um jogo quase perdido diante do Botafogo (perdia por 2 a 0, empatou em 2 a 2, com brilhante atuação de Juninho Pernambucano no segundo tempo) e ainda pode brigar com Fluminense e Bahia (36 pontos) pela última vaga da salvação.

Na parte de cima, embora não seja nenhum supertime, o Cruzeiro (derrotado pelo Coritiba, 2 a 1) ainda tem 9 pontos de vantagem sobre o vice-líder (que empatou o GreNal, em 2 a 2) e é o mais provável campeão, ficando com Grêmio e Atlético Paranaense (derrotado pelo Goiás do gordinho craque Walter, 3 a 0) outras duas vagas do G-4. A última vaga, creio, ainda tem o Botafogo como favorito, apesar da perigosa aproximação do Goiás (46 pontos, quatro a menos do Bota) na a reação do Santos, que, no sábado, massacrou o Náutico no Recife, por 5 a 1.

Mas lembro, ainda faltam 8 rodadas. Ou 24 pontos em jogo…